30 novembro, 2007

Brasil, modelo para a África do Sul

Amanhã é 1 de dezembro, dia das pessoas lembrarem que devem combater a Aids. Por aqui, criou-se um falso consenso, mais um, de que o Brasil é referência e modelo no combate à doença. Aí a Folha de São Paulo foi entrevistar um dos descobridores do vírus HIV, o norte-americano Robert Gallo. O cientista, bastante virulento, foi logo mostrando para o repórter da Folha que seu método, que mesclava ufanismo chinfrim com embuste puro e simples, não ia funcionar com ele. Alguém pode dizer que o cientista foi mal educado. Pode ser... mas ninguém pode negar que, com ou sem grosseria, ele está certo. Não vou publicar toda a entrevista, está na Folha On Line. Teço alguns comentários, em azul.

Folha Online - O programa brasileiro de combate à Aids é visto como um modelo nessa área...

Robert Gallo - Não fique tão orgulhoso. Vocês não são um modelo.

Confesso que ri. Difícil ser mais preciso e objetivo.

Folha Online - Por quê?

Gallo - O que vocês estão liderando, que caminho estão apontando? O Brasil trata seu povo, assim como os Estados Unidos. Qual é o modelo? Modelo para quem? Eu não entendo...

O espaço está aberto para quem quiser refutar o cientista.

Folha Online - Talvez porque o tratamento é gratuito e atinge um grande número de pessoas, além de a epidemia estar razoavelmente controlada aqui.

Gallo - Todos são tratados na Suíça, na Alemanha, na Itália, na Inglaterra, no Canadá. Por que vocês seriam um modelo?

O repórter ignora que nos países acima, o tratamento também é gratuito. O repórter esconde números recentes que indicam que a AIDS tem crescido entre os jovens, sobretudo, as meninas.

Só um lembrete para o caso de algum bocó dá uma patriotada idiota. Em novembro de 2006 - portanto, há um ano - o Governo Federal recomendou à secretaria de Saúde de Pernambuco que escolhesse qual criança portadora do HIV iria receber a imunoglobulina, medicação indispensável para elas, uma vez que a doença enfraquece o sistema imunológico. Eis o nosso modelo, na Era Lula, de combate e no tratamento da AIDS.

Folha Online - Então o senhor não concorda com isso?

Gallo - A realidade é o seguinte: quando você diz que é um modelo, está implícito que todo mundo deve seguir você. Mas a maioria dos países já faz isso [tratar gratuitamente os pacientes com Aids]. Apenas países que são muito, muito pobres não fazem isso. Vocês são modelos para quem? Se você quer saber se o Brasil está fazendo um bom trabalho com respeito ao tratamento contra a Aids, eu digo que sim. E isso é ótimo, maravilhoso. Mas se você diz que o Brasil é um modelo, isso significa que vocês são uma lição para mim. Por que vocês seriam uma referência para mim? Talvez sejam um modelo para a África do Sul, para alguns países, mas não para o mundo inteiro, já que a maioria dos países realmente trata seus pacientes com Aids.

Aqui, o cientista explica ao repórter porque o termo modelo, referência, é inadequado. Nossos jornalistas precisam mesmo dessas aulas.

Folha Online - Quando esteve no Brasil há dois anos, o senhor criticou o programa brasileiro de combate à Aids, principalmente a questão da quebra das patentes dos remédios do coquetel. O senhor ainda é contra a produção de genéricos?

Aqui, o entrevistado desmente o repórter. Só faltou dizer: “você mente, rapaz!”

Gallo - Isso é um exagero. Eu não critiquei o programa brasileiro contra Aids. Não foi o que eu disse. Eu não sou contra os genéricos. Coloque a coisa dessa forma: se o governo achar que eles [a indústria farmacêutica] estão cobrando muito dinheiro [pelos remédios], o Brasil deve brigar. Lutar até onde puder, se tiver certeza que os preços estão muito altos. Eu concordo com isso. Mas aí surge uma questão: se eles baixarem os preços demais, e você continuar brigando, isso pode gerar mais problemas. Os laboratórios se desinteressariam pela Aids, ou pelo Brasil, e iriam embora. Eu falei --e falo-- nisso como uma possibilidade.

No país do PT e de outras doenças da estirpe, um laboratório que gasta bilhões de dólares em pesquisa para produzir uma medicação, não pode ganhar dinheiro. Tem que fazer caridade. O que eles podem, no máximo, talvez seja doar para as campanhas do PT.

Folha Online - Então o senhor concorda com o modelo dos genéricos?

Gallo - As empresas farmacêuticas concordam com esse modelo e nem reclamam muito do uso dos genéricos. Tem funcionado bem. Eu alerto apenas para duas coisas: se você usa os genéricos por muito tempo, alguns podem ficar não tão bons quanto à droga original, porque quem os produz pode não fazê-lo com a mesma qualidade. Além disso, se você não trabalhar com os genéricos de um modo com que as indústrias de remédios concordem, elas podem ir embora [do país]. Aí o governo pode dizer: "Está tudo certo porque eu tenho o genérico". Mas, e quando você precisar de uma nova droga? Isso não é a minha posição. É apenas uma possibilidade que eu levanto.

Ninguém fala isso, não é? Ninguém se dá conta de que o uso do genérico implica riscos, principalmente na qualidade. A grande função dos genéricos com seu baixo custo, é puxar os preços para baixo, não necessariamente substituir a droga original.

Nem tudo está perdido

Abaixo, comentário de um aluno. É, às vezes dá satisafação em ser professor.

Fala Zé Paulo.


Aqui é Yuri Barros Brandani, seu aluno do 2° ano do Ensino Médio.Gostei muito dessa parada aqui.Tanto do Blog quanto do Podcast (principalmente este segundo pelo tom intimista e espontâneo que proporciona).Esta foi minha primeira visita mas com certeza não será a última.

Acho honroso reclamar no país da impunidade e acomodação.E principalmente quando a reclamação tem fundamentos gritantes como a pífia gramática de nosso "popululista" (na onda dos apelidos...populista+lula) Presidente.[

Ao clonar de maneira genérica e fraca políticas reinantes aqui desde a colônia Lula é o símbolo de um país perdido e ignorante.Lembrando.Ignorância e burrice são coisas diferentes.Triste retrato.Covarde retrato de uma massa esfomeada e carente de heróis.Mas este além de omisso é bajulador de ditadores e medroso.Herói não é assim.

Lula não tinha que fazer muito.Tinha que fazer diferente.E não fez...

Agora pra essa galera aí que o apóia?E escreve coisas horrendas?Uma boa dica seria...

Porque não te calas?

Professor, parabéns atrasado, muita saúde pra família, PAZ CIÊNCIA e sucesso.Ah...Estou pensando em abrir um Blog também.E não pare de lançar as idéias no podcast. Pra finalizar uma rima de minha autoria que ajuda a expurgar a aversão.

Olha pros Três Poderes, lá tá lotado de gavião/
É tanta desorganização que tá caindo até avião/
É uma situação patética, publicitários voltados pra tática/
De pegar pessoas sem ética e transformar em pessoas simpáticas/
Utilizam-se da estética e também da matemática/
Pra botar no poder quem promete mas nunca vai botar prática/
Eu quero mudar o Brasil, pode apostar que neguin aqui topa/
Eu tenho orgulho de ser brasileiro e num é só durante a copa/

www.myspace.com/lombranervosa

minhas músicas tão lá.ouça a "Vota Em Mim".

Yuri foi meu aluno na 7a série e voltou a sê-lo no Ensino Médio. Há algum tempo, junto com seu irmão, Erich Brandani, tem uma banda de hip hop. Acho que o nome poderia ser outro, combinaria mais com o estilo da banda e das letras de rap. Ademais, tenho cá minhas reservas ao estilo, todavia, os meninos são bons.

A clareza do pensamento e o vocabulário um pouco acima da média - ainda que pese a famigerada "parada" - são frutos de um trabalho exaustivo de professores que tentam mostar para os alunos que nossa língua tem muito a oferecer para quem deseja aprendê-la.

Para ouvir as músicas, clique aqui

Não esqueçam um detalhe: os irmãos Brandani estão no Ensino Médio.



25 novembro, 2007

A Moral dos ignorantes

A declaração de FHC sobre a inquestionável e ululante ignorância do presidente Lula, levou os anões de blog - Paulo Henrique Amorim e Mino Carta - a escreverem em suas páginas clandestinas, textos que me levam a concluir que a educação de um jornalista, mesmo experientes como os anões citados acima, não parece ser tão melhor que a do apedeuta.

Desde ontem, quando soube do post do Mino Carta, falo já já sobre ele, havia seis comentários. Ah, Zé Paulo, seus posts também não têm muitos comentários. É verdade. Mas não dirijo uma revista semanal - pouco lida é verdade - nem apareço na TV em programa de duas horas - pouco visto também, é verdade.

O post de Mino traz como título: "Quais e quantos livros de FHC vocês já leram até hoje?" A partir daí, num texto perturbado - os meus, sem falsa modéstia e com as dificuldades de usar corretamente as vírgulas, são melhores - Mino, como já tinha feito o bajulador de Edir Macedo, acusa o ex-presidente de preconceituoso. A parte boa no post são os 6 comentários de leitões, quer dizer, de leitores, que ajudam a entender a alma de um militante esquerdista clássico. Como são poucos comentários, vou transcrevê-los, um a um, e depois escrever alguma coisa sobre eles.

enviado por: evita
Depois do estrago que o sr. FHC fez no Brasil, o melhor que ele faz e ficar calado!
Ler livro dele? Nem pensar! Ler Contigo ainda e melhor.... Menos mal.
Em: 23/11/2007 19:58:21


Vamos relevar o "fez no Brasil". Veja que a leitora diz que o melhor que FHC faz é ficar calado. Quando o rei Juan Carlos fez a mesma sugestão ao bufão da Venezuela, a petralhada, que Evita com certeza é uma legítima representante, saiu a dizer por aí que o rei da Espanha não tinha esse direito. Ora, FHC não pode falar? Cassaram o direito dele de se manifestar? Atentai meu amigos, como diria o senador Mão Santa, essa gente revela o seu totalitarismo em menos de três linhas. Ela diz que sequer pensou em ler um livro de FHC. Isso não é novidade. Esquerdista que lê é que seria uma surpresa. O delicioso vem agora: Evita diz que ler Contigo - revista de fofoca - é melhor e faz menos mal do que ler uma obra de FHC. Pô, ela poderia, para chalerar o Mino, dizer que preferia ler a Carta Capital.

enviado por: Daniel Lopes
Site: http://www.danielslopes.com
e o fhc escreveu livro? nem sabia.
Em: 23/11/2007 19:58:18

Esse atesta a clássica ignorância de um petista. Ele diz que nem sabia que Fernando Henrique já tinha escrito livros. Qualquer estudante universitário, mesmo aqueles que entraram pelo Prouni, sabe que antes de ser presidente, FHC foi aluno brilhante do depois petista, Florestan Fernandes; e pesquisador respeitado aqui e no exterior. Um livro obrigatório de FHC é Dependência e Desenvolvimento na América Latina, escrito em parceria com Enzo Falleto. Clicando Aqui, é possível curar o analfabetismo de Daniel Lopes sobre os livros escritos e publicados por Fernando Henrique Cardoso.

enviado por: Eliane
eu nunca gastaria 1 centavo para ler asneiras racistas preconceituosas e neo liberais desse demagogo,vai saber se ele nao privatizou , os conteudos dos seus livros
Em: 23/11/2007 19:58:16

Eliane não gastaria 1 centavo com os livros de FHC. Apesar de nunca ter lido nada dele, ela afirma que seriam asneiras racistas, preconceituosas e neoliberais. Se Eliane fosse mais cuidadosa, saberia que FHC publicou um estudo sobre o trabalho de negros na região sul e, nesse estudo, os argumentos estão longe de serem racistas; pelo contrário. Na obra, há até uma visão romântica dos negros. O nome do livro é: Negros em Florianopólis: Relações sociais e econômicas. Um outro sobre temática semelhante é: Capitalismo e escravidão no Brasil.

A "comentadora" Eliane é uma estúpida, assim como estúpidos e ignorantes são a massa dos petistas militantes. O que seria privatizar os conteúdos de seus livros?

enviado por: Daniel Pinto
Livros nenhum Mino, mas já ouvi muito falar, O FHC é um mescla de Aurélio com Pasquale mas num lingua pouco falada o tucanes(com respeito aos tucano-sarrista Simão).
Pre-conceito talvez seja bondade isso já é um conceito e de longa data... FHC é Elitista com são os pares dele...
Em: 23/11/2007 19:58:12

Outro Daniel. De forma sincera ele confessa que nunca leu um livro de FHC, mas já ouviu falar dos livros dele. Em seguida, ele tenta desqualificar o léxico do ex-presidente. Entendo. Talvez o seu nível de entendimento só consiga apreender o léxico de Lula.

enviado por: Leandro
Site: http://reflexoespararefletir.zip.net
FHC se julga tão culto que nem se dá ao trabalho de ler alguns livros que mostrariam o quanto sua fala sobre Lula reproduz um preconceito lingüístico próprio dos mais ignorantes. Sugiro que o \"príncipe\" leia \"Preconceito lingüístico, o que é, como se faz\", de Marcos Bagno. A propósito, nunca li nada de FHC. Até já pensei, mas enquanto o lesse deixaria de lado tanta coisa que, desconfio, seria tão mais interessante...
Em: 23/11/2007 19:58:05

Leandro tem uma página chamada reflexões para refletir. Já encontrei um exemplo para falar nas minhas aulas de filosofia sobre o significado de tautologia. Desconfio que Leandro seja estudante de sociologia e admirador de Marcos Bagno, um certo lingüista, professor da Unb que odeia a gramática, prefere aquela língua achada na rua, a mesma do presidente Lula. Se Leandro for mesmo um estudante de sociologia, comete um pecado acadêmico capital: Goste-se ou não deles, para um estudante de sociologia, ler Gilberto Freyre, Ségio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, é uma obrigação. O Brasil, como já disse no meu podcast, é talvez um dos poucos lugares em que a verdade é tida como preconceito.
A propósito: preconceito é ter uma opinião sobre uma obra e confessar que jamais a leu.

enviado por: Luiz Henrique
Nenhum. A unica coisa q sei eh q ele mandou todos esquecerem o que ele havia escrito depois que foi eleito presidente.

Luiz Henrique é um típico papagaio do PT. A lenda urbana que atrubui a Fernando Henrique o aforisma "Esqueçam tudo o que escrevi", já foi devidamente demolida. Todavia, um petista, da mesma forma que detesta a banca da escola, detesta a verdade. Eu ainda era estudante de História e meu professor de Sociologia já ensinava que se as pessoas se dessem ao trabalho de ler os livros de FHC, perceberiam que a frase atribuída a ele era uma mentira. O problema, professor Tarcísio, é que petista, na faculdade, nas escolas, nas redações, detesta ler alguma coisa.

Mino Carta faz a provocação no seu blog porque sabe que o conjunto de seus leitores é formado por gente que detesta os livros. Quando lêem alguma coisa, é a Revista Contigo, obras de Marcos Bagno ou de Frei Beto.

O curioso é que eu gostaria muito, com toda a sinceridade, de ter lido algum livro escrito pelo Lula. Tudo bem, nem todos têm talento literário, como comprovam os blogs de Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e os leitores que comentam nesses blogs. Então, aceito ler algum livro, qualquer um, que o atual presidente do Brasil já tenha lido alguma vez.


24 novembro, 2007

Quem é mesmo racista e preconceituoso, hein?

Sou um blogueiro sem leitores, mas não apareço na TV todos os domingos num programa de 2 horas. Paulo Henrique Amorim tem um blog e comanda um programa na TV Record, o Domingo Espetacular. Mesmo com essa visibilidade - relativa, pois a audiência do programa não é grande coisa - o blog do PH Amorim é quase clandestino.

Leiam devagar o que ele escreveu sobre a daclaração irrefutável de Fernando Henrique Cardoso:

O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso chamou o Presidente Lula de analfabeto.

. Disse que o Presidente Lula não sabe falar a Língua Portuguesa

. Como no Brasil, quem é analfabeto é pobre, negro e nordestino...

. E como, no Brasil, quem não sabe usar a Língua Portuguesa é o pobre, o negro e o nordestino, Fernando Henrique Cardoso é racista e tem preconceito social...


Então quer dizer que no Brasil os analfabetos são pobres, negros e nordestinos? Então, só há analfabetos entre os negros e os nordestinos? Então, só os nordestinos, os negros e os pobres, é que são, de forma geral, os ignorantes que não sabem falar a Língua Portuguesa... Hummmm

E é Fernando Henrique Cardoso o preconceituoso e o racista... Sei.



PS: Paulo Henrique Amorim não sabe escrever, logo ele é analfabeto, pobre, negro e nordestino, certo?

Ei, PH Amorim, Por que não te calas?

O Podcast do Zé Paulo

Olá pessoal! Esse post é só para divulgar o meu podcast. É uma nova ferramenta que estou testando. Decidi inaugurá-lo no dia de meu aniversário. Poderia ter feito isso antes, mas posterguei a estréia, de propósito. Então, quem quiser ouvir é só clicar, ok.

O blog vai acabar? Não sei. A princípio, não.

PS: Não se preocupem. Não estou doente, gripado, na prorrogação. Minha voz é assim mesmo.

23 novembro, 2007

Eu estou nessa luta, e você?

Invejo o Reinaldo Azevedo por vários motivos: Sua gramática é invejável, sua clareza em expor as idéias no blog, incomparáveis e, finalmente, sua perspicácia em antever as manobras dos adversários. Já disse que esse blog é tributário do blog dele, quando ainda não estava hospedado em Veja. Como tributário, tem o dever de publicar aqui, muito mais para mim do que para os meus 6 leitores, os posts que seguem abaixo.

A Mídia do Contragolpe

E a Al Qaeda eletrônica prossegue com a sua Pirâmide da Impostura contra a VEJA, o Diogo, o Reinaldo, a “mídia golpista”... Hoje, até o momento em que escrevo este texto, recebi 1.365 comentários. Uns, sei lá, 40% vêm da terra dos mortos. Uns 10%, talvez, não puderam ser publicados porque, mesmo dizendo as coisas certas, os leitores exageram na impaciência. Compreendo, mas volto a recomendar moderação. “Mídia golpista”? Não: somos é a frente avançada — e avançada mesmo, porque estamos na liderança (e notem que não escrevi “vanguarda”, já explico por quê) — da “mídia do contragolpe”. É isto: de hoje em diante, leitores, nós somos a liderança do contragolpe.

Golpista é querer fazer do roubo uma ideologia.
Golpista é sustentar que as urnas dão ao vitorioso o direito de esbulhar as leis.
Golpista é usar a democracia para solapar a democracia.
Golpista é propor arranjos de cúpula em que os malandros se protegem contra os interesses do país e o espírito das leis.
Golpista é defender a Constituição com a mão direita e tentar fraudá-la com a mão esquerda.
Golpista é tentar fazer com que definições particulares de justiça corroam o estado de direito.
Golpista é aparelhar o estado.
Golpista é promover “eugenia ideológica” em órgãos públicos.
Golpista é separar o joio do trigo e escolher o joio.
Golpista é defender tiranias e ditaduras.

Somos a mídia do contragolpe.
Da Constituição democrática.
Dos métodos democráticos de mudar uma constituição democrática.
Da liberdade de expressão.
Do direito à plena informação.
Da verdade que não se deixa velar pela fantasia ideológica.
Do triunfo do fato sobre a empulhação da suposta redenção dos oprimidos.
Da sociedade dos homens livres, não-subordinados a corporações de ofício.
Das liberdades individuais.
Da livre empresa.
Do estado em minúscula.
Do Indivíduo em maiúscula.

E, por isso, estamos na liderança. Na revista. No blog. No colunismo. E falei “liderança”, não falei “vanguarda”. Porque a “vanguarda” vai muito adiante dos seus, com quem não dialoga. E o jornalismo de VEJA, o blog, os colunistas falam a uma massa imensa de leitores. Leitores que comungam de seus mesmos princípios. Leitores em número sempre crescente.

Há um esforço enorme de intimidação. Tocadores de saxofone do petralhismo, que ainda serão promovidos a tocadores de tuba, abusam da ignorância da claque, mantendo-a na trevas da ignorância. São herdeiros de um tempo em que a informação só chegava a um grande número de pessoas depois de filtrada pelo “establishment” esquerdopata. Esse tempo acabou. Estamos diante dos estertores das baleias encalhadas. Morrerão na praia da impostura. São pesadas e estúpidas demais para dar meia-volta.

Querem acuar a “mídia do contragolpe”. Usam para tanto, a desqualificação, o boato, a mentira, os aparelhos de representação corporativa no qual se aboletam, faceiros, sugando os recursos de um país pobre em benefício de benesses disfarçadas de ideologia. Mas não acuam ninguém.

Somos a mídia do contragolpe. Não há nisso vocação missionária porque “missionários” são eles; sectários são eles; heréticos são eles. Continuaremos na liderança porque acreditamos, de fato, que a verdade liberta o homem da ignorância e do atraso e o protege das tiranias.

E sei bem: para “eles”, nada pode ser mais irritante. Que isso valha por um pequeno manifesto. Multipliquem este texto. Eles que se calem. Porque, é claro, nós falamos. Em defesa da democracia e do estado de direito.

Agora, é a vez da Mídia do Golpe.

Caracterizei ontem aqui a “Mídia do Contragolpe”, aquela à qual pertenço. Sou grato a vocês pelo esforço. Já vi que o texto está circulando por aí. Continuem a multiplicá-lo. E mandem brasa neste também. Os leitores, como não poderia deixar de ser, cobraram-me que caracterizasse, então, a Mídia do Golpe. Acho pertinente.

- A Mídia do Golpe obtém a maior fatia de seu faturamento com anúncios oficiais ou de estatais.
- A Mídia do Golpe se mete em disputas de gângsteres privados e adere, por motivos de caixa, a um dos lados e passa a demonizar o outro.
- A Mídia do Golpe tem dois grandes inimigos: a revista VEJA e a Rede Globo.
- A Mídia do Golpe acha que a VEJA e a Rede Globo são líderes em suas respectivas áreas por causa de seus defeitos, não de suas qualidades.
- A Mídia do Golpe ora acusa a VEJA e a Rede Globo de tentações monopolistas, ora espalha o boato de que estão em severas dificuldades.
- A Mídia do Golpe defende firmemente que é preciso mudar o comando de jornalismo da VEJA e da Rede Globo. E ela só faz essas sugestões porque, é claro, é generosa com seus inimigos.
- A Mídia do Golpe transforma a defesa de quem lhe garante o sustento em princípio ideológico.
- A Mídia do Golpe é simpática a plebiscitos e referendos — menos sobre questões em que a esquerda sairia derrotada.
- A Mídia do Golpe até cria prêmios para premiar a... Mídia do Golpe, num caso definido em psicanálise jornalística como “Onanismo Golpista”.
- A Mídia do Golpe, finalmente, não precisa de leitores. Só de patrocinadores. E o maior deles é você, que não lê a Mídia do Golpe: é o seu dinheiro que paga a conta.

É importante destacar que há veículos que são de natureza golpista, conforme se vê acima. E há outros que, mesmo pertencendo à turma do Contragolpe, estão infiltrados pelo golpismo.

- Os golpistas infiltrados exaltam as virtudes da ignorância. E quem resiste à sua pantomima é tachado de preconceituoso.
- Os golpistas infiltrados estão sempre à caça de “reacionários”, a terrível “direita” que impediria o Brasil de ser uma “verdadeira democracia”.
- Os golpistas infiltrados acreditam que a “verdadeira democracia” nunca é aquela que está consubstanciada nas leis, mas a que se opera à margem dela.
- Os golpistas infiltrados também odeiam a VEJA e a Rede Globo.
- Os golpistas infiltrados vêem Edir Macedo como uma espécie de nova aurora da comunicação.
- Os golpistas infiltrados acreditam que a única crítica legítima a Lula é aquela se faz pela esquerda.
- Os golpistas infiltrados são incapazes de falar mal do governo Lula sem demonstrar que, bem..., tudo começou com FHC.
- Os golpistas infiltrados sabem o que Lula conversa “reservadamente” até na cama, com Dona Marisa Letícia.
- Ah, sim: tanto a Mídia do Golpe como os golpistas infiltrados têm uma atração irresistível por porcos fedorentos e homicidas.

Por enquanto, tá bom. Abaixo, em azul, republico o post de ontem intitulado “A Mídia do Contragolpe”.


22 novembro, 2007

Isabela Tainara vai virar nome de parque?

Estou em Brasília desde 2004. Algumas vezes ouvia, assim sem muita atenção, o nome Ana Lídia. Já passei pelo parque que leva esse nome, mas não sabia nada da história. Acabo de assistir na TV Globo, o programa Linha Direta Justiça, que fez uma dramatização do assassinato da menina Ana Lídia, desaparecida em 11 de setembro de 1973 - mesmo dia da queda do Governo Allende, no Chile - e encontrada morta menos de 24 horas depois num terreno baldio, dentro da UNB.

A reconstituição do caso, a didatismo, como sempre, são a marca desse programa. O crime é inominável! Quem não assistiu, clique aqui para ver.

Este ano, desapareceu no Sudoeste, a adolescente Isabela Tainara, estudante do Colégio Ciman, que fica em frente à octogonal 1. De acordo com as investigações, a menina, de 14 anos, saía do curso Brasas, unidade do sudoeste, onde tinha aulas de inglês. Ligou para a mãe e, logo depois, sumiu. Clique aqui.

Foram cerca de 45 dias de angústia, até o corpo da menina ser encontrrado num matagal em Samambaia, estranhamente, próximo à casa da avó da garota. A perícia não conseguiu determinar se a menina fora violentada, por causa do avançado estado de decomposição do corpo. A Polícia suspeita que o assassino tenha voltado várias vezes ao local do crime, talvez por causa da repercussão do caso que chegou a mobilizar a cidade - o fanstasma do caso Ana Lídia ajudou nessa mobilização, não há dúvida. O detalhe macabro do caso é que primeiro foi encontrada a cabeça da adolescente e só no dia seguinte, há cerca de 300 metros do local onde a cabeça foi encontrada, acharam o corpo.

A semelhança com o caso Ana Lídia, por enquanto, está no fato de a polícia, mesmo após 7 meses de investigações, não ter a menor idéia de quem seqüestrou e matou Isabela. O Caso não chama mais a atenção da imprensa. Estaria condenado a cair no esquecimento? Será que daqui há alguns anos teremos um parque em Brasília com o nome de Isabela?

20 novembro, 2007

Zumba ou Zumbi?

Reinaldo Azevedo fez um post bem sugestivo para o Dia Nacional da Consciência Negra. Nesse post ele sugere aos leitores uma pesquisa sobre duas figuras emblemáticas da resistência negra: Zumbi e Ganga Zumba. Pois bem, Há um ano eu publiquei um post com o título: Meus heróis negros. Fiz, portanto, nesse blog pouco lido, quase um blog marginal, o que Reinaldo Azevedo, de forma muito apropriada, sugere hoje aos leitores. Rebublico o post, então.

Meus heróis negros

Meus alunos sabem que detesto a postura do politicamente correto, sobretudo quando essa política flerta com a mentira e a desonestidade. Muitos não concordam comigo, ainda bem, a unanimidade é coisa de stalinista ou de fascista, não quero o apoio dessa gente. No entanto, eles sabem minha posição, não tergiverso, não enrolo, vou ao ponto.

O post que está abaixo só deixa dúvida nos mal intecionados. Não sou racista! Entendo racismo como uma ideologia que pretende eliminar um povo, um grupo de pessoas, uma etnia, por considerá-la nefasta e inferior. Se eu fosse racista não teria amigos negros, e os tenho, e não são poucos! Se eu fosse racista deveria renegar minha origem, e isso não faço nem nunca farei!

Zumbi é um herói, um símbolo da resistência contra a maldade dos brancos. Não aceitou o acordo de Ganga Zumba com os brancos em 1678, com branco não se negocia, ele pôde ter dito. Pouco depois Zumba morre envenenado e Zumbi vira o líder de Palmares. Ele é mesmo um herói. Não aceitou o acordo que dava liberdade aos negros nascidos em Palmares, além de terras na região, preferiu a resistência. Palmares acabou incendiado e Zumbi sem cabeça, e os negros de Palmares mortos ou escravizados, de novo. O sonho de liberdade foi maior que a chance de liberdade. Os negros perderam e Zumbi virou um herói.

Os negros que admiro são outros, e não é Pelé! Admiro André Rebouças que no século XIX realizou uma obra de engenharia que engenheiros brancos e europeus diziam ser impossível de realizar! Admiro Luiz da Gama que venceu a pobreza, assim como José do Patrocínio, pela dedicação aos estudos e se tornaram referências no Movimento abolicionista no final do século XIX. Numa sociedade que ainda convivia com a escravidão, eles, negros e pobres, estudaram e, sem cotas, com os próprios méritos e capacidades, provaram que eram tão e em muitos casos, até mais capazes que muitos brancos. Se os militantes do Movimento Negro deixassem um pouco de lado a cultura da reclamação e estudassem mais e se espelhassem nos exemplos de Rebouças, Luiz da Gama e Patrocínio, fariam um bem muito maior a si e ao Movimento.

17 novembro, 2007

O ministro Temporão concorda comigo

Disse ontem (confiram o post abaixo), que essa tal Conferência Nacional de Saúde se acha como uma instância legítima da sociedade. Além da filáucia de muitos de seus delegados e representantes, esse pessoal se pretende o farol da sociedade em matéria de saúde pública. É batata. Metam esquerdistas nessas reuniões e saibam que a coisa vai retroceder decênios.

A última deles foi rejeitar a proposta do governo que muda o modelo de gestão dos hospitais públicos, criando fundações de saúde de direito privado. Com essa mudança, os gestores desses hospitais teriam mais autonomia de gastos e poderiam contratar pessoal qualificado pelas regras da CLT, o que na prática significa que o profissional incompetente, relapso ou indolente poderia ser demitido sem muita burocracia. Esse projeto é bom para a saúde, mas como mexe nos privilégios desses vagabundos que querem ganhar bem e trabalhar porcamente, os tais 4 mil delegados decidiram rejeitar a proposta do governo.

A rejeição ao projeto significa alguma coisa? Nada! Essa Conferência tornou-se uma piada sem graça. Ontem, disse que se a Conferência aprovasse ou não o aborto como medida de saúde pública, era irrelevante. A decisão, goste-se ou não dele, é do Congresso Nacional. Hoje, o ministro da saúde, o senhor José Gomes Temporão, reagiu assim à rejeição ao projeto do governo que pretende criar essas fundações: "Quem foi eleito para legislar é o Congresso Nacional." Segundo o JN, o ministro simplesmente ignorará a rejeição da proposta.

Leia mais

13a Conferência Nacional de Saúde ou como a esquerda adora tutelar a sociedade.

Você se acha bem representado por um parlamentar? É provável que muitos digam, com justa razão, que não. Todavia, a constituição confere aos parlamentares o direito de propor e votar leis como representantes legítimos da sociedade. Quer se goste ou não, eles foram eleitos para isso. Uma das razões para os deputados e senadores se moverem tão despudoradamente contra a opinião pública é que o brasileiro, de forma geral, revolta-se se o "curíntias" ou "framengo" ou qualquer outro timinho, cai para a segunda divisão. Aí cabe passeata, xingamento, vandalismo etc. Agora, se um político, para dizer o mínimo, vota contra o interesse do eleitor, aí vocês já sabem, né?

A 13a - petista até no número - conferência nacional de saúde reuniu em Brasília 4 mil delegados. Os sovietes da saúde. Não sei como se deu a eleição, mas desconfio que tenha sido nos moldes da eleição que o PT fazia - acho que não faz mais - para eleger delegados que votavam o decantado e mentiroso Orçamento Participativo, ou seja, uma eleição tão honesta quanto aquelas da República Velha. Em suma: quem legitimou esses 4 mil delegados, eleitos de forma suspeita, a se proclamarem porta-vozes da sociedade? Por que digo isso? Vejam essa notícia do Correio web

Os cerca de 4 mil delegados com direito a voto na plenária final da 13ª Conferência Nacional de Saúde decidirão no domingo (18) se recomendam o tratamento do aborto como questão de saúde pública a ser descriminalizada, conforme encaminhado por 10 estados da federação. Nas 10 plenárias prévias realizadas até esta sexta-feira (16) predominou o equilíbrio entre delegados favoráveis e contrários: seis encaminharam a decisão para a plenária final, três aprovaram a questão, com mais de 70% dos votos, e uma rejeitou a recomendação.

A decisão que vier a ser tomada não tem efeito legal, mas é tida como um importante indicativo da sociedade para o Congresso Nacional, onde tramitam vários projetos sobre o assunto, um deles há 16 anos. Para o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, em caso de aprovação da proposta, cabe ao governo federal promover o processo de regulamentação no Congresso Nacional.

Viram? Uma conferência cheia de petistas e de filo-petista atesta que a recomendação de uma conferência é um indicativo da sociedade. Muitos mais representativa que essa conferência são as Igrejas cristãs que, excetuando a IURD do bispo Macedo, que a rigor nem é cristã, todas são contrárias à legalização do aborto. O que me incomoda nos esquerdistas e nos petistas de forma geral, é essa idéia de tutelar a sociedade através de conferências, simpósios, fórums, essas idiotices que muito jovem estúpido participa achando que está contribuindo para um país e um mundo melhor.

Na mesma conferência, o site do Correio Braziliense destaca a divergência entre um médico obstetra, o Dr. José Antônio Romano e, não caiam da cadeira, um aluno de medicina, Vinícius Rangel. O Dr. é contra o aborto. O estudante, petista até a alma, a favor. Que conferência pode se pretender séria opondo um profissional a um estudante?

Assisti à conferência, mas só consegui me flagelar por 15 minutos. Uma mulher horrenda e com um discurso ainda mais dantesco, vociferava como uma insana dizendo que as mulheres morrem, sofrem, são humilhadas, isso e aquilo. O negócio tava tão ruim que nem as mulheres presentes à palestra deram bola para a bruxa.

Outro dado importante da notícia é que os delegados livram a cara do chefe, o presidente Lula. Segundo o Correio Web "...a princípio, o Executivo não pensa um elaborar um novo projeto: “O Congresso já vem debatendo. Não significa que a cada proposta importante aprovada na Conferência Nacional de Saúde o governo tenha que fazer um projeto. Acredito que os parlamentares saberão ouvir as reivindicações de um movimento democrático como esse”, afirmou Adson França, diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde. " Claro, claro. A proposta, polêmica por natureza, não deve partir do Planalto, que a apóia, mas não a defende de forma ostensiva.

A esquerda padece desse mal. Suas verdades são sempre universais. Quem se opõe a elas não passa de um reacionário safado, riquinho, conservador como diria Larissa ( veja comentários no post anterior).



12 novembro, 2007

Maria Cláudia Del'Isola e a vingança dos despossuídos


Hoje está sendo julgado o casal que em 9 de dezembro de 2004 violentou e matou a jovem Maria Cláudia Del’Isola, numa casa do Lago Sul, área pra lá de nobre, em Brasília. Os assassinos confessos foram a empregada e o caseiro da família, gente da absoluta confiança dos familiares de Maria Cláudia. Os detalhes do crime, a maneira como os canalhas agiram depois e as motivações que alegaram para cometer o crime, foram o que há de mais abjeto na humanidade. Não entrarei em detalhes, mas destacarei alguns aspectos que considero relevantes para esse post.

O crime ocorreu pela manhã, quando a estudante de pedagogia e psicologia se preparava para ir à faculdade. O caseiro, em conluio com a empregada, chamou a jovem ao quarto com o pretexto de mostrar um presente que havia comprado para a patroa, a mãe de Maria Cláudia. No quarto, o caseiro a violentou com a ajuda da empregada, que também era sua amante. Depois de violentada, a jovem foi morta para que não denunciasse os agressores. O corpo foi enterrado pelos dois dentro da própria casa dos pais da vítima, no jardim de inverno, embaixo da escada. No princípio todos imaginavam tratar-se de um seqüestro e a família, angustiada, agarrava-se na fé católica para suportar as horas de incerteza. Foram feitas rodas de oração pela volta ou por notícias de Maria Cláudia e, acreditem, os assassinos, que até então estavam acima de qualquer suspeita, oravam lacrimosos pelo retorno da jovem que brutalmente assassinaram.

O Plano

O caseiro, Bernardino do Espírito Santo e sua amante e cúmplice no assassinato, Adriana de Jesus dos Santos (vejam que nem sempre nome é destino), planejaram o crime com antecedência de meses. Segundo os autos do processo, o caseiro pretendia roubar cerca de 2 mil reais que a estudante tinha guardado num cofre que ficava no quarto dela e também pretendia apoderar-se de 1800 reais que estavam no escritório do pai da vítima, o senhor Marco Antônio Del’Isola, diretor do colégio Marista de Brasília. Ainda segundo os autos, o caseiro teria dito à amante que sentia atração física pela estudante e que antes de roubá-la queria estuprá-la e só depois a mataria. Na ação, a doméstica participou de tudo.

As motivações

O caseiro queria dinheiro e também violentar a estudante, mas a empregada, Adriana de Jesus, confessou que queria algo menos material, mas nem por isso, menos cruel. Sempre segundo os autos do processo, a empregada disse que sentia inveja de Maria Cláudia, por ela ser RICA e BONITA, por isso, ajudou a matá-la. Aqui eu chego no âmago do meu post.

O discurso simplista e cheio de boas intenções de muitos professores formados no esquerdismo bocó, reforçam a idéia de que os pobres sofrem, passam por privação, não tem acesso às condições dignas de saúde e moradia por causa dos ricos, do capitalismo selvagem. São doutrinados nas ideologias esquerdofrênicas de antanho e passam a ensinar que se adotássemos o socialismo, os pobres levariam uma vida melhor. Outros menos radicais, mas igualmente equivocados, afirmam que a escola precisa mostrar aos alunos que é fundamental adotar a opção pelos pobres, assim despertaremos na juventude o que eles chamam de “consciência social” , o que para mim, é lavagem cerebral. Seria justo perguntar a essa gente como os pobres de Cuba e da Coréia do Norte vivem, mas aí seria ser real demais, e a utopia desses educadores libertários é ensinar que pela ação voluntária, popular, teremos um futuro redentor, onde não haverá desigualdades sociais; nem ricos, nem pobres; nem opressor nem oprimido. Enquanto esse dia não chega, os ricos são satanizados, são tidos como os responsáveis pela pobreza da maioria.

Vou tentar ilustrar o que digo com dois exemplos: no auge do caos aéreo, quando centenas de passageiros eram humilhados nos aeroportos do Brasil, eu ouvi mais de uma vez, educadores afirmarem que essa gente – os passageiros retidos nos aeroportos – estava reclamando de barriga cheia. Se eles viajassem de ônibus, vivessem na periferia, aí saberiam o que é sofrimento e humilhação. É óbvio que por trás desse discurso estava a idéia de que quem viaja de avião é rico, e se é rico, merece sofrer. Faz algum tempo, protestos ocorreram por causa da construção da ponte JK, que encurtou a distância entre o Plano Piloto e o Lago Sul. Esta obra do corrupto governo de Joaquim Roriz beneficiou os moradores daquele bairro. (Há suspeitas de superfaturamento na obra) Pois bem: se o protesto fosse por conta do volume gasto na obra, tudo bem, concordo que havia outras prioridades, mas o mote da manifestação não foi o que se gastou, mas porque se construiu uma ponte que só beneficiava os ricos do Lago Sul. Ora, digo eu, os ricos também não pagam impostos? Também não são cidadãos? Também não merecem atenção do governo? Será que eles devem ser negligenciados apenas porque são ricos? Repito: que se protestasse contra o superfaturamento da obra, entende-se; mas o que fizeram foi, pela construção da ponte JK, demonizar os ricos do Lago Sul.

Esses exemplos, para mim, ilustram o que se ensina por aí... É com o discurso de que os ricos são venais, cruéis, insensíveis, que se formam caseiros como Bernardino do Espírito Santo e domésticas como Adriana de Jesus dos Santos, que acreditando serem vítimas do capital, dos patrões bem de vida, julgaram-se no direito de roubar, violentar e matar uma jovem, porque ela tinha o que eles sempre se julgaram merecedores de ter: dinheiro e uma vida boa. Na cabeça deles, tenho certeza, estavam reparando uma injustiça. Era a vingança dos “despossuídos”.

Haverá sempre alguém para dizer que eles, os assassinos, estão sendo julgados - e se Deus quiser, serão condenados com pena máxima - porque são pobres. Fosse a jovem Maria Cláudia a assassina, estaria solta, lépida e fagueira. Reconheço que em parte essa crítica procede, mas isso não atenua a crueldade do crime e a insensibilidade dos criminosos, que chegaram a chorar e a rezar pela jovem, quando todos ainda tinham a esperança de encontrá-la com vida.

Para terminar, quero deixar claro que os caseiros, as empregadas, os porteiros, os jardineiros, essa gente simples e em sua imensa maioria honesta e pacífica, não são assassinos em potencial. O que me assusta é o discurso que demoniza os ricos, que transformam riqueza e pobreza em categorias de valor. Que há ricos que são assassinos, não há dúvida. O pilantra do Paulo Timponi, que matou três pessoas num racha na pnte JK, é rico, morador do Lago Sul. Os jovens que mataram e queimaram o índio Galdino em 1997 também eram ricos. Não há, portanto, relação entre pobreza e crime. O meu ponto é outro. Ao culpar os ricos pela pobreza de muita gente, está se criando um ódio latente que em mentes psicopatas, como a dos assassinos da jovem Maria Cláudia, podem justificar ações criminosas como a que destruiu a família Del’Isola.

aqui, aqui, aqui e aqui, mais informações sobre o julgamento.



Leia o post do dia 12 de dezembro

11 novembro, 2007

Rebeca Gusmão é lambari nessa piscina.

Eita que a produção do fim de semana anda a todo vapor. Desde que começou o imbróglio envolvendo a nadadora Rebeca Gusmão, a situação da atleta fica a cada dia mais complicada. No fim de semana, as notícias sobre o excesso de testosterona, acrescida agora sobre a fraude comprovada nas amostras de urina da atleta, fez as suspeitas recaírem sobre mais gente. Quando chegará nos figurões que dirigem a natação brasileira, não sei, mas que chegará não tenho dúvida.

No Correio Braziliense e no jornal O Globo, a atleta concedeu entrevistas em que nega o doping, mas não explica as amostras adulteradas dE urina que foram testadas após as vitórias no Pan do Rio. Segundo a nadadora, forças ocultas, cobiça e politicagem estariam por trás do problema. Questionada sobre nomes, a atleta se cala.

Hoje, o programa Esporte Espetacular da TV globo, exibiu uma matéria em que a "escolta" de Rebeca Gusmão, a ex nadadora Adriana Salazar, não conseguiu realizar o procedimento de praxe na coleta da urina da nadadora. Diz que foi impedida de entrar na sala do exame, assim não pode acompanhar o processo de micção da atleta. Quem a impediu? Perguntou o repórter. A ex -nadadora não soube precisar, mas citou dois nomes, ambos do complexo aquático Maria Lenk.

Até agora ninguém ligou o nome a pessoa. Mas no dia 20 de julho de 2007, durante o Pan, a atleta Joana Maranhão, que fora muito elogiada por seu desempenho nas olimpíadas de 2004 em Atenas fez duras críticas ao presidente da CBDA (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ESPORTES AQUÁTICOS), Coaracy Nunes. Na época a atleta chegou a declarar que Coaracy Nunes só se importava com os resultados, as medalhas, não se preocupava com o desenvolvimento dos atletas. Em tom de desabafo disse à época: "Todo mundo tem medo de falar. Os outros (nadadores) têm patrocínio dos Correios e então não devem mesmo falar. Se eu tivesse, não falaria, porque ele (Coaracy) cortaria e me faria falta. É contraditório, mas é a verdade, não tenho por que mentir" Mais adiante ela foi ainda mais clara: "Em 2004 eu tinha tudo de que precisava. “Você quer vir para a minha casa passar um mês treinando aqui no Rio?” Até isso ele falava. Tudo mudou porque comecei a nadar mal. O que interessa a ele é medalha, ele não está nem aí para o tempo ou o progresso que você está fazendo." (fonte: JC on line)

Na época, respondendo às críticas da atleta pernambucana, o presidente da CBDA, depois de chamá-la de ingrata, elogiou o desempenho da equipe brasileira de natação e fez uma declaração que no contexto atual ganha uma dimensão suspeita. Disse Coaracy Nunes:
"Das 15 medalhas de ouro do Brasil, 8 são da natação. Isso é resultado de um projeto de quatro anos. Já esperávamos por isso. Esses meninos viajaram para todos os países e treinaram na altitude visando o Pan. Não são só as medalhas que contam, mas também os tempos que estão diminuindo"

Na reportagem do Esporte Espetacular, Joana Maranhão diz: "Eu conheço bem a índole da Rebeca, somos amigas. Ela é uma pessoa do bem e acredito que não seria capaz de fazer isso sozinha. Caso a fraude se confirme, espero que os verdadeiros culpados paguem por isso", sentencia.

Estou acusando o presidente do CBDA? Não. Estou apenas evidenciando que Rebeca Gusmão ganhou projeção, ficou famosa e promoveu a natação do Brasil, e, claro, os seus dirigentes. Isso certamente mexeu com a vaidade da atleta, mas também rendeu dinheiro para muita gente. Se as vitórias de Rebeca foram ilegais por causa do doping, estão investigando. Agora, o que fica cada dia mais claro é que se Rebeca errou, não errou sozinha.


10 novembro, 2007

É assim que se faz Zapatero. Vê se aprende Lula!

Hoje, 10 de novembro de 2007, o ditador e palhaço de Caracas, Hugo "fanfarrão" Chavez, levou um pito daqueles de Zapatero, primeiro-ministro da Espanha. Não bastasse isso, recebeu um cala a boca, do rei da Espanha Juan Carlos I. E por quê? Ora, porque ontem fez mais uma das suas chincanas na reunião de cúpula dos paíse ibero-americanos que ocorreu no Chile. Com a sua verborragia de sempre, o ditador Chavez chamou o ex primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar de fascista e de outros adjetivos pouco linsojeiros. Acreditava que sua indelicadeza e estupidez passaria batido. Talvez acreditasse mesmo que o rei da Espanha e o chefe de governo, fossem brasileiros, ficariam calados diante da grosseria. Pois bem. Aqui vocês verão o bufão humilhado pelo primeiro-ministro espanhol. É uma delícia assistir ao vídeo.

Em 20 de janeiro de 2007, Hugo Chavez esteve no Rio de Janeiro para receber de um estúpido deputado estadual do PDT, uma medalha. Com a assembléia lotado de simpatizantes, o ditador exibiu uma edição do jornal O Globo e puxou uma vaia. Foi aplaudido. Ouviu-se gritos de êxtase. Os jumentos que estavam na Alerj não se deram conta que aquele ataque não era contra O Globo, mas contra a liberdade de imprensa. Na verdade, os estúpidos que estavam na assembléia legislativa do Rio de Janeiro agiram com coerência. Esquerdistas que são, odeiam a liberdade de imprensa.

O rei Juan Carlos e o primeiro-ministro deram exemplo de altivez na defesa, não de um político, que no caso de Zapatero, é seu adversário; mas na defesa dos princípios democráticos de seu país. Aqui, o máximo que temos são políticos que baixam a cabeça e só faltam mostrar os fundos para o estúpido da Venezuela.

A propaganda no GDF.

Alguém precisa demitir a pessoa responsável pelas propagandas oficiais do GDF. As duas últimas que vi, são, para dizer o mínimo, de péssimo gosto. Na primeira, uma menina conversa com o pai sobre dinheiro de plástico. Toda uma conversa fiada é construída só para divulgar a bilhetagem eletrônica nos coletivos do GDF. Para resumir, como diria o prof. Fábio, o slogan da campanha diz: O futuro chegou. De ônibus. Para o governo de Brasília, futuro é bilhetagem eletrônica, ainda que os ônibus sejam sujos, barulhentos e caros. Ademais, em Recife, por exemplo, a bilhetagem eletrônica tem uns dez anos. Pensando bem, aqui em Brasília o futuro chega tão atrasado que só poderia mesmo vir de ônibus.

A outra, acabei de ver. Passou no intervalo do Zorra Total. Na campanha do Detran-DF, chamada Paz no Trânsito, o marido de uma das vítimas dos irresponsáveis Paulo Timponi e do Marcelo alguma coisa, um certo músico, dá um depoimento emocionado em que pede com voz embargada, mais responsabilidade no trânsito. É notório e justificável como essa tragédia afetou esse senhor. Acredito, porém, que ao invés de pedir mais responsabilidade, ele deveria exigir punição para os assassinos de sua esposa, de sua cunhada e de sua amiga. Só haverá menos mortes no trânsito se a punição for exemplar e rápida. Mas tergiverso. No final, numa tela escura, vem o slogan infeliz: Era apenas um racha, mas rachou a família ao meio. Horrível! Macabro! Dantesco!

Aliás, de propaganda, José Roberto Arruda anda muito mal assessorado. Há cerca de um mês, publicou no Diário Oficial a demissão do gerúndio. Jogada de marketing? Pode ser, mas que foi de uma inutilidade, não há dúvida.

Quem ainda lembra desse desenho?



Quem lembra do Scooby-Doo? Aquele cachorro covarde e glutão que quando não estava fugindo de um "fantasma", estava comendo sanduíche com seu parceiro de glutonaria e covardia, o psicodélico Salsicha?

Quando era um "pirraia", eu sempre assistia ao desenho. Eu não gostava de Scooby e de seu amigo, o que me atraía no desenho era o tom investigativo e a tentativa racional de explicar as aparições que tanto assustavam a dupla principal do filme. Dafne e Fred tinham lá sua graça, mas a horrível Velma era a mais sagaz. No final, os dois trapalhões sempre levavam o mérito pelo trabalho dos outros. O herói era o estúpido cão e seu amigo apalermado, enquanto os outros, os cérebros da solução do mistério, ficavam à parte.

O que o Scooby e seu amigo ganhavam no final? Os famosos biscoitos Scooby!. Essa iguaria era tão apreciada, que em alguns episódios, os jovens ofereciam o biscoito mais de uma vez ao Scooby quando este, por covardia - recusava-se a participar da aventura. O biscoito era atirado, o animal dava um salto e caía, lentamente, de costas. Pronto! O valente cachorro estava apto para a aventura. Seu amigo Salsicha também apreciava os biscoitos e como o Scooby, enchia-se de coragem depois de comê-los. Eram sempre assim: fanfarrões movidos a biscoito. O patético e por isso, rísivel, eram as artimanhas da dupla para ganharem sempre mais biscoitos.


09 novembro, 2007

Monarquia ou República?

A MÍDIA GOLPISTA
Chamado de Rei Caju, por causa do queixo saliente, ou de Pedro Banana, em razão da sonolência provocada pelo diabetes, o imperador era criticado tanto por jornais monarquistas quanto republicanos, em que grassava a militância pela mudança de regime. Não se deixava abalar: "Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais"


Um dos valores mais caros desse blog é a liberdade de expressão. Não há violência maior que a não poder escrever, falar e publicar o que pensa. Não há pior tolhimento que ser enxovalhado por imbecis que, por não concordarem com nossas idéias, impede-nos de nos expressar.

A matéria de capa de Veja traz uma visão muito curiosa do último imperador do Brasil, D Pedro II. Lendo a matéria percebe-se que a monarquia no Brasil caiu mais pelas virtudes do rei do que pelos seus equívocos. Muitos elogiam a simplicidade de D Pedro II; outros tantos, elogiam seu gosto pelo saber e pela cultura; Veja, de forma acertada, elogia seu amor pelas liberdades individuais, mormente a de imprensa. Quando a amante do imperador, Luísa Margarida Barral, reclamava da imprensa, ele respondia:"Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais, mas apenas manejo ou desabafo partidário". Foi o monarca mais republicano da história.

Recentemente, foi lançado o livro Lula é minha anta, do colunista de Veja, Diogo Mainardi. A súcia petista está em polvorosa. Torceram pelo fracasso nas prateleiras, perderam. Nossos republicanos, não é de hoje, não convivem bem com a liberdade de imprensa. Vejam o exemplo do Marechal Deodoro da Fonseca, o amigo do imperador que depôs o monarca em 16 de novembro: assim que assumiu o país como presidente provisório, não suportou as críticas dos jornais e decidiu fechá-los.

Uma das mais ferozes críticas ao governo de D Pedro II e até hoje a grande mácula de seu longo reinado, foi a manutenção da escravidão. Lembram os apressados que o Brasil foi o último país ocidental a acabar com a escravidão, em 13 de maio de 1888. Esquecem-se ou ignoram que por essa época, o número de escravos no Brasil era mínimo. Muitas províncias, por conta própria, tinham abolido a escravidão, caso emblemático do Ceará em 1884. Muitos esquecem ou desconhecem que desde 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, a instiuição da escravidão no país estava com os dias contados. O que talvez pouca gente saiba, é que a família real - a princesa Isabel e o próprio imperador eram abolicionistas. Na conturbada década de 1860, ele escrevia à sua amante Luísa Barral "A escravidão é uma terrível maldição sobre qualquer nação, mas ela deve, e irá, desaparecer entre nós"

D Pedro II, rei ou presidente, não importa o regime, seria uma referência moral, ética e lúcida na administração pública e na defesa dos interesses do país. Nosso problema, portanto, não é de regime, mas da escassez de homens públicos como D Pedro II. Homens em que as palavras brio, honra, gosto pelo saber não são para fazer pose.


08 novembro, 2007

Navegar é preciso

Quem acessa internet na China, é assim


A militância estudantil de esquerda em Pernambuco está rachada. Há duas semanas, um monte de vagabundos que se dizem estudantes, invadiram a Reitoria da UFPE em protesto a um tal programa chamado Reuni. Boa parte dos desocupados e invasores são do PSTU. Pois bem. Hoje, houve na UFPE uma aula especial que contou com a presença do reitor da UFPE, o petista Amaro Lins e a filo-petista, presidente da UNE, aquela que quer ser jornalista, Lúcia Stumpf. A esquerda invade e a esquerda protesta contra a invasão. Eles "são " e não são", ao mesmo tempo.

A liberdade na China.

Ei, socialistas, quando vocês cantarem as loas do modelo socialista, sejam honestos e mostrem como o comunismo na China tratam os internautas de lá. Vejam a imagem.

A liberdade na Venezuela.

Ei, defensores de Chaves, não esqueçam de mostrar que em Caracas, quem é contra o ditador é recebido a balas. É impressionante como em duas situações a esquerda sempre nos brinda com a violência.

04 novembro, 2007

O socialismo sempre foi real

Eu tenho vários alunos e alunas que, seduzidos pelas "boas intenções" do discurso da esquerda, dizem que não podemos censurar o socialismo só porque onde ele foi implantado, foi desvirtuado. Sei que esses alunos reproduzem a desculpa esfarrapada de muito intelectual desonesto que sem ter como defender o socialismo que existiu na União Soviética e na China, por exemplo, acusam alguns líderes socialistas de terem desvirtuado o "magnífico" pensamento socialista.

Pois bem. Os exemplos que refutam essa bobagem, vêm às pencas; mas ficarei apenas num só. Leiam com atenção o que diz uma cozinheira, dona Maria da Graça Pereira de Moura, 50 anos e ex-integrane do MST. Numa invasão em 2003, no bairro de Ribeirão Verde, na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, ela sonhava: "Eu tinha o sonho de ter terra, não ter de trabalhar para os outros". Anos depois, acordou para a realidade do socialismo prometido pelo MST. Maria deixou o movimento por não concordar com as regras do acampamento. "Você não pode trabalhar fora, não pode buscar outras coisas. Percebi que a cidade te dá mais oportunidades. O MST diz que o governo vai dar terra, vai dar tudo, mas nada chega."

Conforme constata o jornalista Reinaldo Azevedo, "tão logo os "sem-terra" passem a integrar um acampamento, ficam impedidos de ter qualquer atividade remunerada. Sim, vocês leram certo: o sujeito fica obrigado a viver segundo as condições e as leis dos acampamentos, que passa a prover a gororoba para que ele seja um “sem-terra” de carteirinha."

No socialismo, meus caros, perde-se a liberdade de agir por conta própria. No socialismo, meus caros, o esforço individual não é um virtude, mas um pecado. Enfim, no socialismo meus caros, ou você segue os líderes, ou está em apuros. É numa sociedade assim que vocês querem viver? Desconfiem de ideologias que prometem amanhãs que cantam, porque o sonho, logo logo, transforma-se em prisão e assassínio.

Segundo a Folha de São Paulo, com o aumento do Bolsa Família, o número de famílias "sem - terra", entre 2003 e 2006, acampadas, diminuiu 82,6%. O de famílias que invadiram terras, 32 ,3 %. Espantoso mesmo foi que o dinheiro que o geverno federal, entre 2003 e 2006, injetou no MST, ficou na ordem de 39,9 milhões de reais. No segundo mandato de FHC, esse valor foi de 3,9 milhões reais. O que governo Lula faz, portanto, é financiar, com nossos impostos, um movimento cuja causa é bonita, mas irreal. Como é possível provar? Bastou o governo expandir o Bolsa Família, que o número de famílias que invadiam terras ou estavam em acampamentos do MST, diminuíram.

Em 2003, a revista Primeira Leitura, infelizmente extinta, já alertava que os "sem - terra" de Stédile, nada mais eram que os sem renda e os sem emprego. A solução sempre esteve no crescimento econômico, não na Reforma Agrária.

Os números:

Número de família beneficiadas com o Bolsa Família, em 2003: 3,6 milhões
Número de famílias beneficiadas com o Bolsa-Família, em 2006: 10,9 milhões

Famílias que invadiram terras, em 2003: 65.552
Famílias que invadiram terras, em 2006: 44.364

Número de famílias "sem -terra"acampadas, em 2003: 59.082
Número de famílias "sem - terra acampadas, em 2006: 10.259

Número de invasões promovidas pelo MST, em 2003: 391
Número de invasões promovidas pelo MST, em 2006: 384

As declarações infelizes

"Há indício forte de que Bolsa Família tira a combatividade das pessoas para lutar pela reforma agrária. É o efeito mais perverso do programa". O autor da pérola é Plínio de Arruda Sampaio, ex-petista, hoje no P-sol. O que ele quer é o pobre sofrendo, para lutar com mais garra e determinação. Tudo bem, é um estúpido de esquerda. Pior, mesmo, é a próxima declaração:" o assistencialismo é uma forma de solução mais fácil, e é fato que o Bolsa Família arrefeceu a luta dos sem-terra. Só onde há consciência política é que as ocupações se mantêm”. D Tomás Balduino, ex-presidente da CPT (comissão pastoral da terra). Arrefeceu Balduino? Mas eles queriam terras ou dinheiro? Não seria melhor chamá-los de sem dinheiro do que de sem-terra? Afinal, bastaram poucas moedinhas para esses bravos arrefecerem a luta, não foi?

Como essa revista faz falta.


Julho de 2001. Eu estava de passagem por Brasília, quando, no supermercado Extra, no final da Asa Norte, deparei-me com uma capa de revista que me chamou atenção. Nela, uma menina pobre, brincava com uma boneca. A Revista se chamava República. Depois de comprá-la, ainda que de início eu rejeitasse muitas de suas idéias - porque existia em meu cerébro o tumor maligno da esquerda - fui agrilhoado pelo estilo elegante, a narrativa lógica e o argumento consistente dos jornalistas que escreviam as matérias.

Alguns meses depois, a revista mudou de nome, passando a chamar-se Primeira Leitura. Seus editores eram os jornalistas Rui Nogueira e Reinaldo Azevedo. Por essa época eu já era assinante. Foi com muita tristeza que recebi de Primeira Leitura um comunicado explicando o fim da revista. Na correspondência, havia um lembrete para que os assinantes entrassem em contato com a área comercial para receber de volta o dinheiro das edições que deveriam chegar, mas que pelo fechamento da revista, não chegariam. Nunca liguei. Aquele dinheiro não me faria falta, Primeira Leitura, sim.

Tivesse eu dinheiro, muito mesmo, assumiria o controle da revista e diria para os jornalistas: vem cá! Continuem a fazer o trabalho de vocês. Há muito precisávamos de uma revista assim. Mas eu não tinha - nem tenho - dinheiro. A Revista acabou, e as pessoas lúcidas desse país, ficaram órfãs de um jornalismo que tinha lado, que não se pretendia imparcial, mas que fazia tudo com muita seriedade e impressionante poder de análise.

As Virtudes

As virtudes da revista não eram poucas. A maior delas, com certeza, era a capacidade de antecipar diagnósticos econômicos, políticos e sociais. Outra importante virtude era a maneira como a Língua Portuguesa era tratada. Foi lendo os artigos e as matérias que senti a premente necessidade de aperfeiçoar minha gramática e dar uma lapidada no meu estilo. Se hoje escrevo um blog, se batalho contra as forças das trevas que odeiam minha fixação na gramática, se procuro aperfeiçoar meu estilo, foi por causa dessa revista e do jornalista Reinaldo Azevedo.
Finalmente, outra virtude da revista, era as resenhas de livros. Hugo Estenssoro e outros, traziam luz à obras lançadas na Europa, Estados Unidos e Brasil; sempre nos enriquecendo com suas considerações .

Hoje, no blog do Reinaldo Azevedo, há uma capa da antiga Primeira Leitura. Essa capa - reproduzida no início do post - lembro bem, incomodou muito jornalista e muito esquerdista de miolo mole. Abaixo, leiam o que está escrito no blog do Reinaldo Azevedo e confiram por que, 3 anos depois, com o fim de Primeira Leitura, nosso mercado de revistas ficou mais pobre. Não fosse a Veja...

Abaixo, o post reproduzido na íntegra, do blog do Reinaldo Azevedo.



A Folha traz hoje reportagens sobre a diminuição da massa de manobra do MST. Assim resumo eu. O jornal é mais pudoroso do que isso. A razão principal que estaria na origem dessa desmobilização é o Bolsa Família. A síntese: com alguma graninha na mão, muitos desistem de invadir. Falarei mais dessas reportagens e debaterei o mérito no post logo abaixo deste. Mas, antes, quero fazer um pouco de história.

A história
Em agosto de 2003, a extinta revista Primeira Leitura publicou, conforme se vê acima, aquela que foi a sua capa mais polêmica: “Os sem-terra não existem”, rezava o título, ao lado de um João Pedro Stedile que discursava, inflamado. A acusação era óbvia, como podem imaginar: “São uns reacionários”. Nem diga... O nosso reacionarismo já ficava claro no subtítulo da capa — ou “olho”, conforme se diz no jargão jornalístico. Leiam: “Stedile é o líder de uma causa tão influente quanto inexistente. A agricultura brasileira é um sucesso, e o país tem de dar resposta aos sem-emprego e sem-renda. Isso, sim, define um governo progressista. O resto é desgoverno e leniência com o crime”.

O que a reportagem da revista demonstrava com números é o que vai explicitado na capa. O país crescia pouco e mal. E tratava como questão agrária o que era, na verdade, uma equação derivada do baixo crescimento. Pra quê!!! Os sites e veículos de esquerda babaram a sua fúria. Carta Capital não teve dúvida. Escreveu a revista quase clandestina, condição que preserva ainda hoje, naquele estilo cheio de pesto genovês:

“A novilíngua de George Orwell definiu a impessoa , declarada inexistente por contrariar a linha do partido, mas não a incausa e o improblema. Essas são criações da revista Primeira Leitura.
Dizer que o MST defende uma solução equivocada, ou que sua causa não justifica os métodos a que recorre, seria uma posição racional, ainda que conservadora. Mas o articulista defende algo muito mais radical: os sem-terra não existem.
(...)
Mas a forma do raciocínio se pretende lógica. Os sem-terra não existem porque sua motivação é inexistente, decreta-se. Inexistente porque impossível concretizá-la. Pois não há terras improdutivas a distribuir. Não as há, porque a agricultura brasileira é um sucesso. É um sucesso porque a produção e exportação de grãos cresceram. Em resumo: se o latifúndio vai bem, o sem-terra não existe. (...) Dá para ouvir Wittgenstein se debater no túmulo.”

A reportagem de Primeira Leitura não dizia que os “verdadeiros sem-terra” era os assentados por FHC. Isso e uma das invenções de Carta Capital. Ao contrário. Também não eram. Respondi, é claro. Pedi a Mino Carta que marcasse hora e local para um debate público sobre a obra de Wittgenstein. Ele não aceitou. Um estafeta seu respondeu que eu estava em “busca de um banquinho” para aparecer. Diante de argumentação tão consistente, restou-me treplicar o óbvio: a quem se oferece, por gentileza, um banquinho? A quem mede 1m85 ou a quem mede 1m50? É claro que altura não é argumento — desde que o oponente não ponha um banquinho na equação.

De volta
Faço essa pequena arqueologia para que vocês vejam a força que o velho e as idéias mortas ainda têm no Brasil. Qualquer alfabetizado que lesse a reportagem perceberia o óbvio: a revista não estava negando a existência dos acampados do MST. Ora, é claro que eles existiam e existem. A questão era e é saber se são mesmo sem-terra. Não são. A maioria dos “militantes políticos” de Stedile é formada por trabalhadores urbanos que exerciam alguma forma de subemprego ou trabalho informal. Não saberiam distinguir um pé de melancia de um de abóbora.

Nota: tão logo os "sem-terra" passem a integrar um acampamento, ficam impedidos de ter qualquer atividade remunerada. Sim, vocês leram certo: o sujeito fica obrigado a viver segundo as condições e as leis dos acampamentos, que passa a prover a gororoba para que ele seja um “sem-terra” de carteirinha.

As reportagens da Folha de hoje voltam a provar a capa de Primeira Leitura de agosto de 2003. Os sem-terra não existem. Estamos tratando como questão agrária gente que tem problema de emprego e de renda.

01 novembro, 2007

A classe média, segundo Max Gonzaga.

Classe Média

Max Gonzaga

Composição: Max Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mas eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida




A obra - prima acima, é assinada por Max Gonzaga. Aqui você confere a performance do rapaz. Pela letra, pensei que se tratava do Zeca Baleiro, mas é do Max mesmo. Tem gente séria, que admiro de verdade, que gostou muito da música. Eu a achei bocó e, claro, com várias digitais esquerdistas. Analisemos alguns trechos.

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal

Esse trecho já evidencia que o compositor que vende discos para a classe média, não morre de amores por ela. O cara desconfia da mídia - é daquele tipo de esquerdopata que, a priori, considera toda notícia veiculada pela mídia, mentirosa. Ainda bem que ele vive numa democracia. Fosse cubano, teria que ouvir e ler mentiras sem reclamar. O quê? O que digo? Aposto que ele crê que a mídia esquerdista nunca mente. Que um Gramna sempre é imparcial.

Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação

Esse trecho é um dos mais estúpidos. Usar o cartão para pagar as compras, hoje em dia, é corriqueiro. O crítico da classe média considera essa prática, penso, elitista. É um vagabundo e um mentiroso. Os números comprovam que as classes C e D vêm, cada vez mais, usando o dinheiro de plástico.

Quem gosta de utilizar o ônibus - aqui em Brasília se chama de "bauzão" - quando se tem carro? Pergunte a quem não tem carro se, caso tivesse, preferiria deixá-lo na garagem ou usá-lo para se deslocar para o trabalho. Ademais, você conhece alguém que pagou o carro à vista? É pecado financiar um veículo?

Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual

A classe média não é a única que paga impostos, mas é fato, é a que mais paga. Quanto ao limite do cheque especial, bem... cada qual com sua política de gastos, não é? O pobre, não tem cheque especial, mas se tivesse, aposto, também entraria no limite do cheque. E quem disse que as classes mais pobres não se endividam? Já fizeram o estudo de quem mais se endivida nas Casas Bahia?

Mas eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Esse é o refrão da música. Nesse trecho a estupidez se amanceba com a impostura. O representante da classe média, segundo o compositor, é um alienado, um insensível e um egoísta. Você, leitor, que pertence à classe média, reconhece-se nesses versos? Duvido. Ademais, o artista, como bom esquerdista que é, explode a gramática ao usar a forma "que se exploda". O verbo explodir - falo isso para os esquerdofrênicos que vivem por aqui - é defectivo, não tem a 1a pessoa do Presente do Indicativo - eu explodo - por isso, não existe o Presente do Subjuntivo - " que se exploda"- é uma construção gramaticalmente incorreta. Pode ser usada numa letra de música? Claro! Isso se chama licença poética mas, insisto: esse tipo de conjugação está errado.

O mais engraçado nisso tudo é que quem ouve essa música, paga para assistir ao show desse poeta da MPB e compra seus discos, é a classe média, achincalhada por ele.

Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol

Querem coisa mais canalha do que esses versos? Acho difícil encontrar. Se o brasileiro ficasse mesmo indignado com o estado, muita coisa já teria mudado. Mais uma vez nós, da classe média, somos um bando de gente má, que detesta os pobres e os miseráveis. Não temos coração. Quem pensa neles, é óbvio, são os esquerdistas. Todavia, Max tem razão. Fico indignado com o estado por causa do mendigo, da criança que perde a infância limpando pára-brisas, vendendo chicletes ou fazendo malabarismo nos sinais desse país. É de se revoltar com o estado que dá uma bolsa-miséria e acha que já fez a sua parte. É como se déssemos as moedinhas para o pedinte e saíssemos felizes com a nossa boa ação do dia.

Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal

Oh Max, quem gosta de matar à "mancheias" são as esquerdas, meu caro. Ele, fica claro, é um defensor da tese bocó de que o criminoso é vítima da sociedade. Para Max, os assassinos de João Hélio cometeram o crime porque eram pobres, se não fossem... Querem preconceito maior? Ademais, as vítimas da violência que suscitaram o debate da pena de morte e da redução da idade penal foram gente da classe média baixa. Eram ricos os pais do Menino João Hélio?
Eu sou contra a pena de morte, mas a favor de reduzir a idade penal. Países com níveis baixos de educação, como a Inglaterra e a Dinamarca, vejam só, punem infratores com menos de 14 anos.

E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Quando os movimentos sociais convocam estudantes-militantes, sindicalistas e outros vagabundos da espécie, para uma passeata ou uma manifestação, são pessoas com consciência política. Agora, se a classe média se mobiliza numa passeata, então ela não passa de uma pobre massa manipulada, que só serve para aumentar as tiragens da mídia impressa e a audiência dos telejornais. Esse Max é um típico vagabundo de esquerda.

Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Que coisa meiga esse dois últimos versos. Lembrei de uma quadra de Mário Quintana que diz:

DOS NOSSOS MALES

A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

E acreditem, Quintana tinha razão. Pena de vida? Ai, eu poderia recorrer a João Cabral, mas para ficar no popular, recorro à Gonzaguinha, xará do Max:

"sempre desejada [ a vida] /por mais que esteja errada/ninguém quer a morte/só, saúde e sorte"

E há quem aplauda Max Gonzaga! Chega!

PS: o verbo aplaudir, ao contrário do verbo explodir, não é defectivo, mas regular.