21 outubro, 2007

Sindicato. Quero distância!

Aconteceu esse ano. Acho que em maio. Estava na sala dos professores quando chegou um diretor do Sinproep - DF (sindicato dos professores das escolas particulares do DF) com aquela conversa mole de todo sindicalista de que o sindicato é importante, que como era recente - há 3 anos houve o desmembramento entre os professores da rede pública e da rede particular - e que mesmo assim sendo novo, já havia conquistado uma série de direitos para os profissionais da educação. Depois de cantar as loas do sindicato, o diretor veio com a ameaça: sem sindicato ficamos vulneráveis, podemos perder direitos históricos etc. Finalmente veio a razão da visita: "olha a sacolinha!" O tal sindicalista veio tentar, com a retórica perturbada de todo sindicalista, convecer-nos de que a contribuição de 4% do salário, esta opcional, seria indispensável para a manutenção da estrtura do sindicato e garantiria a atuação do mesmo na defesa dos nossos interesses.

Essa contribuição não é o imposto sindical. É pior. Os trabalhadores, sindicalizados ou não, devem entregar ao sindicato, em duas parcelas, 4% dos seus proventos brutos. Se, e somente se, os trabalhadores não quiserem contribuir, podem, desde que se manisfestem por escrito em um documento entregue pelo sindicato, declarando-se contrário à cobrança. Indaguei ao diretor se ele não achava absurdo alguém ter que pedir para não contribuir, quando o lógico seria o contrário. Ele, nervoso, respondeu-me que antes das pessoas criticarem o sindicato, deveriam conhecê-lo, por dentro, para ficar ciente das dificuldades. Respondi que minha pergunta não criticava o sindicato, tratava apenas de uma questão de lógica invertida. Ele ficou ainda mais nervoso, aí quem não aguentou fui eu e ataquei: Eu não sou sindicalizado, quero distância de pessoas que ganham vida tentando fazer a dos outros melhor, não confio nelas.

Todo ano é a mesma coisa. Pego o documento, em duas vias, e deixo claro que não dou meu dinheiro para sindicalista fazer campanha política para o PT. Porque meus caros, é inescapável: sindicalista quer nosso dinheiro para financiar e se lançar em campanhas políticas, Erica Kokay que o diga.

Augusto Carvalho, deputado pelo PPS do DF, propôs uma emenda, já aprovada pelos deputados, que torna a violência do imposto sindical facultativa. Se a medida aprovada na câmara, resistir ao senado, ficarei muito satisfeito. Os sindicalistas estão nervosinhos. Os que sobrevivem com o dinheiro do trabalho dos outros sentem o perigo no ar. Se a medida virar lei eu não me aborrecerei de preencher mais papel, antes isso, do que ver meu dinheiro desviado para esse covil que se transformou a maioria dos sindicatos no Brasil.

Um comentário:

PATRICIA M. disse...

Costa, eu fazia a mesma coisa com o Sindicato dos Bancarios em Sampa. Pior, para reaver o dinheiro voce tinha que ir pessoalmente à sede do sindicato. Mais: eles marcavam apenas 2 dias, em horarios espremidos: das 11 das 3 da tarde. Um nojo só. Precisava ver o tamanho da fila para reaver o dinheiro.

Ah mas com o meu dinheirinho suado esses escroques nao iam ficar, mas nao iam mesmo. Vida de sindicalista eh a maior mamata, sao parasitas, vivem as custas dos outros. Vide o Lulla.