27 outubro, 2007

A direita, a esquerda e a gramática.

Na última sexta, numa aula de revisão no 3° ano, uma aluna perguntou-me qual era a diferença entre a Direita e a Esquerda. Segundo ela, essa dúvida a persegue há algum tempo e, por alguma razão desconhecida, ela acreditava que eu a tiraria das sombras da ignorância.

Natane tem razão de estar em dúvida. Muitos acreditam que essa divisão ideológica é coisa de antanho, não existe mais no mundo globalizado. A coisa piora quando analisamos medidas de governos ditos de esquerda ou de direita, e percebemos que a diferença entre elas, como diria João Cabral, "é a mais mínima".

Comecei respondendo de forma clássica. Lembrei a ela que a terminologia, direita e esquerda, nasceu na fase da Convenção, da Revolução Francesa. Os jacobinos, tidos como os radicais, promovedores do Terror de 1793, sentavam-se à esquerda da Assembléia; já os girondinos, considerados mais moderados, responsáveis pela ascensão de Napoleão ao poder em 1799, sentavam-se à direita. Daí nasceu a tese de que os de direita, defendem a moderação, os interesses dos ricos e procuram impedir o acesso dos mais pobres às instâncias de decisão no governo. Os esquerdistas, por causa do DNA jacobino, passaram a ser indentificados como os defensores de causas mais populares.

No século XX, Norberto Bobbio dá uma definição similar. Segundo ele, uma pessoa de direita encara as diferenças sociais como normais e inerentes à humanidade. Já um esquerdista tende a enxergar essas diferenças como antinaturais, passíveis de transformação, por isso, buscam sempre a igualdade e a justiça sociais.

O jornalista Reinaldo Azevedo esclarece que, para ele, um direitista é uma pessoa que sempre vai defender a legalidade. Nada, para um direitista, justifica a transgressão à lei. A democracia é um valor a ser defendido, sempre sustentada nos direitos individuais, tudo, claro, dentro da legalidade. Um esquerdista por sua vez, não se constange a transgredir a lei. Para ele, o legal, se gera uma injustiça, não precisa ser respeitado, nem obedecido. Por isso, a maioria das ações de esquerda quase sempre extrapolam a legalidade. Um único exemplo: quando o MST invade uma propriedade produtiva e, portanto, comete uma ilegalidade, está agindo conforme o manual esquerdista: se minha demanda é justa, não preciso respeitar as leis.

Confesso que essa última diferenciação é muito boa. Acho que um esquerdista é isso mesmo, a saber, alguém que transgride a lei em nome de uma causa que eles consideram justa. Ademais, embora sempre falem em democracia, o entendimento que eles têm da mesma, é daquela que existe em Cuba, na Venezuela, na China e na Coréia do Norte. Dessa democracia quero distância.

Já disse aqui que um esquerdista é um disciplinado ideológico. É como um cachorrinho adestrado. Sempre faz o que o dono manda e ainda abana o rabinho. Por isso, para um esquerdista, o ato de matar, roubar, mentir, se for em nome de uma causa da esquerda, em nome do povo, dos mais pobres, todos esses crimes estão justificados. Deixam de ser crimes, passam a ser atitudes revolucionárias.

Quero dizer para Natane e para quem ler esse post, que uma forma segura de saber se uma pessoa é, ou não é, de esquerda, basta analisar sua gramática. Quando eles desprezam o saber e a gramática, é bingo! Trata-se de um esquerdista. Li, há pouco, no blog do Jamildo, que estudantes ligados, é óbvio, a partidos de esquerda, invadiram a reitoria da UFPE para protestarem contra um programa chamado Reuni, que depois explico o que é. Imitando seus colegas estúpidos da USP, os remelentos da UFPE vão permanecer no local até segunda-feira, desobedecendo a decisão judicial de desocupar a reitoria. É sempre assim. Como eles acham que defendem uma causa justa, não precisam cumprir a lei. Porém, na desobediência, há a conivência do reitor Amaro Lins, petista, que negociou com os meliantes para eles ficarem lá até segunda-feira, quando farã uma reunião. Segundo o blog, os jornalistas que foram até lá fazer a cobertura da invasão foram rechaçados pelos remelentos que se negaram a dar declarações.

Abaixo, vou reproduzir em vermelho, comentários de alguns desses invasores. Vejam como eles tratam a Língua Portuguesa. O espantoso, meu Deus, é que são universitários. Talvez sejam alunos de Cabeça de Ovo (hehehehe)

"Uma pessoa que faz um comentário infeliz desse, sem dúvida nunca nem deve ter pisado na UFPE. Os estudantes não são contra a criação de novas vagas, são contra a queda da qualidade de ensino, o que acontece com as vagas que existem, imagina com o aumento delas. Educação não é uma mercadoria para ser vendida desta forma. Nós, os alunos, devemos sim ser consultados sobre as decisões que afetarão o término do nosso curso. Procure ler mais sobre o Reune e sobre as besteiras que você anda escrevendo, porque até para criticar devemos saber sobre o que estamos falando.Afinal ninguém é obrigado a concordar com tudo. A propósito... eu trabalho durante todo o dia , saio do trabalho para a faculdade, onde pego 2 ônibus para voltar para casa e só chego por volta das 23:30 e essa rotina é adotada por grande parte das pessoas da minha sala. Cuidado ao generalizar as coisas, talvez você apenas esteja confundindo com algumas dessas faculdades que têm em toda esquina, onde você, provavelmente deve ter se formado (se é que foi formado em alguma coisa, se foi, só justifica ignorancia do comentário). Lamento muito. "

Viram a sofisticação do rapaz? Onde está a coesão, a coerência, as vírgulas, a conjugação verbal, os acentos tônicos? Talvez na Reitoria invadida. Concentrem-se na arrogância do iluminado. O cara, com uma gramática dessas, ainda se acha superior porque cursa uma universidade federal. Eu - que sempre tropeço nas vígulas, vou melhorar, apostem - nunca vi um exemplo tão dantesco de má aplicação da mesma. Alguma dúvida que o estúpido federal é um esquerdista?

"Acompanho a movimentações dos estudantes. E descordo profundamente com o comentário a baixo!! Pois é bom esclarecer que este movimento não é só do PSTU. Lá estão vários partidos: PSOL, PCdoB, PT e o PCR, alem de independentes. Um movimento democrático e muito importante. Acho que viver na democracia, para alguns ainda é muito difícil, principalmente conviver com as divergências. Quanto ao reuni da UFPE, foi muito mal discutido pela comunidade universitária, e acho que os estudantes têm este papel fundamental de exigi o debate deste tema, que influirá nos seus cursos e na vida universitária. E que sirva de exemplo para os docentes e servidores reforçarem esta luta. Sou solidário e torço para que consigam reverter este quadro, que não é nem nunca foi à reforma universitária que sempre desejamos. Abraço e boa luta. "

Esse é ainda mais esquerdista. Seus erros machucam e ferem os olhos. Daria um belo exemplo de um estudante formado com a gramática achada na rua. Como bom esquerdista, ele dispensa o s nos plurais.

O texto abaixo discorda da invasão, mas a divergência é antes disputa política do que indignação pela transgressão à lei. Vejam:

"quando se fala em ampliar vagas todos sicam contram sabem porquê? Mais estudantes na universidade sigunifica mais trabalho para estes funcionários, na sua grande maioria não trabalham, ficam só enrolando e falando mal do governo. Podem ter certeza que tem por trás dessa invasão o sindicato e o tão famoso PSTU, quase sempre cheios de estudantes vagabundos sustentados pelo pai. Por fim quero dizer que a maioria desses estudantes são filhinhos de papai, não trabalham, não fazem @#$% nenhuma da vida e, ao invés de estarem na reitoria deviam estar nas salas de aula. Por que esses filhinhos de papai, que não sabem de nada da vida não vão trabalhar como voluntários nos hospitais e/ou entidades que precisam de capital humano. A maioria dos lideres desses movimentos estudantis estão filiados no PSTU. Por que são contra o aumento de vagas? São contras porque não querem dividir seu espaço com estudantes pobres que não tem a mesma oportunidades dele. É sempre assim. Sempre que querem fazer política para beneficiar os mais pobres esses grupinhos se organizam e conjecturam uma serie de coisas que não tem nada a haver com com a política. Estes estudantes mereciam sair da reitoria sob escolta da polícia. Querem apenas chamar a atenção"

É óbvio que se trata de um petista defendendo o governo. O discurso e a gramática são de um militante de esquerda. Percebam que a pessoa critica mais o PSTU que a invasão. É a velha divisão da esquerda. Numa coisa eles se parecem. Abominam a maneira certa de escrever. Por isso, costumo dizer que uma maneira de distinguir uma pessoa de esquerda de uma de direita, aqui no Brasil, é a gramática.


2 comentários:

PATRICIA M. disse...

E sabe por que? Os esquerdalhas matam aula para fazer arruaca, por isso nao aprendem nada.

João Batista disse...

E é assim que você também pode distinguir entre um Europeu e um petista infiltrado na Europa: pteuropa.blogspot.com

Sugeri no blogildo que você cobrasse por aulas de gramática aos petistas. Desde os anos 90 eles escrevem tudo errado nas atas e documentos diversos. Navegar pelo blog principal e pelos blogs dos núcleos distintos é como passear no museu do erro e do feio.