27 outubro, 2007

Dimenstein defende o aborto.

O povo brasileiro tem lá sua graça. Aqui, se você usa terno, contrata um pedreiro ou é importunado por uma flanelinha, que acha você incapaz de fazer uma baliza, logo é chamado de doutor. Essa postura de cachorro sarnento, do brasileiro, também se mostra em outras situações. Aqui, quem escreve um livro, tem curso de mestrado, doutorado, vive dizendo coisas óbvias ou absolutamente incognoscíveis, logo é tachado de intelectual. Recentemente, participei de um congresso em que os palestrantes, quanto mais títulos exibiam, mais pífias eram suas idéias. Houve exceções, claro. Uma delas, até me surpreendeu. Refiro-me ao antropólogo Roberto da Mata, que fez uma palestra muito enriquecedora.

Meus alunos do 1° ano, que sonham entrar na Unb, são obrigados a ler um livro panfletário, cheio de clichês, mas que se pretende humanitário. Falo de Cidadão de Papel, do jornalista e colunista da Folha, Gilberto Dimenstein. Basicamente, o livro trata das desigualdades sociais do país, e lógico, culpa, ainda que sorrateiramente, o sistema capitalista, que produz concentração de renda. O livro exibe números perturbados, sensacionalistas, alguns, defasados, mas ainda é tido como referência de uma obra sobre os problemas sociais brasileiros. O que a Unb pretende, é óbvio, é doutrinar os meninos numa ideologia esquerdista e, nesse caso, prepará-los, não intelectualmente, mas ideologicamente, para entrarem na universidade.

Há muito sei que Gilberto Dimenstein é um picareta. Eu só não sabia que ele também era preconceituoso e propagandista do aborto. Na espreita, porque ele nunca fala diretamente as coisas, ele sugere que o aborto pode ser usado como medida preventiva contra o aumento da criminalidade. Vejam o que ele escreveu na coluna pensata, da Folha On line:

25/10/2007

O aborto do governador


O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou a provocar polêmica ao vincular o crime ao excesso de fertilidade materna nas comunidades mais pobres. Foi chamado de preconceituoso. Mas a verdade é que, em parte, ele está certo. Aliás, é óbvio que está certo.

Alta fertilidade não significa necessariamente mais crime. Mas uma jovem repleta de filhos, vivendo numa comunidade desestruturada, violenta, com baixa perspectiva educacional e de trabalho para jovens é mais um, entre tantos, fatores de risco. Crianças descuidadas, sem atenção, sem acolhimento familiar, são candidatas a marginais. Por trás de todo o criminoso, há uma história de desestrutura familiar.

O maior problema do crime não é o número de filhos por mulher, mas certamente é um dos agravantes. O problema mesmo é a falta de perspectiva aos jovens combinada com a ineficiência policial.


A polêmica nasceu quando o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, declarou que o excesso de filhos dos moradores da rocinha - que de resto é uma mentira, diga-se - é responsável pela reprodução de criminosos. O governador chegou a dizer que o Estado não tem como lidar com o número, cada vez mais crescente, de criminosos. Solução: garantir às mulheres da rocinha e às pobres em geral, o direito ao aborto.

A tese se apóia, erradamente, no livro Fraeakonomics de Steven D. Levit e Stephen J. Dubner. Nesta obra, o matemático, usando sempre estatística, faz reflexões desconcertantes, como a de constatar, pelos números, que ter uma piscina em casa é muito mais perigoso para uma criança do que ter uma arma de fogo. A tese mais polêmica do livro, é justamente a explicação que ele encontra para a redução da criminalidade em Nova Iorque, nos anos 90. O autor, contudo, deixa claro, que várias ações, como mais prisões, mais rigor da polícia, enfim, mais eficiência no sistema de segurança pública, são fatores que contribuíram para a redução da criminalidade na metrópole americana. Porém, mesmo com essas advertências, o argumento que ficou famoso, porque polêmico, foi que a legalização do aborto em 1973, diminuiu o número potencial de criminosos em Nova Iorque. No livro, o autor chega a dar um exemplo emblemático de uma vicidada em drogas que, sem condições de criar o filho que esperava, se fosse impedida de abortar, com muita probabilidade, geraria um criminoso.

O argumento é estúpido! Pior: é preconceituso. É a visão de que o crime deriva da pobreza, como se ao pobre o único destino reservado fosse a vida no crime. Todos sabemos que isso é uma falácia! Imagino, caso a tese vingasse, uma menina chegando no hospital para abortar o seu filho, dizendo: "sabe cumé, né doutor. Esse moleque aqui, com três meses, vai ser bandido, não tem a menor chance de ser alguém na vida. Se ao menos eu morasse no Leblon ele teria alguma chance, poderia até ser artista, como o Cazuza, mas como vai morar na Rocinha, vai ser é traficante mesmo. O seu fim, o senhor sabe, né doutor? Vai acabar ou na cadeia, ou na vala. Então, é melhor a gente poupar o moleque desse destino e abortar logo." A menina volta para casa com a consciência tranquila, ciente de que cumpriu seu papel social de cidadã.

Gilberto Dimenstein afirma que o governador está certo em defender a tese do aborto. Logo, por lógica, também defende a medida. Talvez Dimenstein esteja cansado de esperar a redução das desigualdades sociais pelo crescimento econômico. Quer uma ação mais rápida, como impedir que nasçam mais pobres.



10 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Meu caro, pensar numa política de controle de natalidade sem pensar em aborto é hipocrisia. Mas dizer que o filho de pobre é bandido enquanto o do rico não é mais do que bizarro.

Costajr disse...

Olá, Rayol!

Já debatemos o assunto alhures e, claro, discordamos nisso também. Em primeiro lugar, porque o aborto, mesmo nos países onde ele é legal, caso dos EUA, por exemplo, não é considerado política de controle de natalidade, mas um direito que a mulher tem de não gerar um filho indesejado.


Política de controle de natalidade, conduzida pelo Estado, é típico de regimes totalitários. Creio que o melhor controle de natalidade é a instrução aliada ao desenvolvimento econômico. Pessoas esclarecidas e com boa renda, tendem a ter menos filhos.

Todavia, meu principal argumento contra o aborto é moral. Para mim é um assassinato, cruel e covarde!

matabaratas disse...

Bosta Jr.

Voltou às manias gramaticais? Então tá! Meu filho?Gramática é importante, mas que fazer? nâo adianta escrever gramaticalmente certo idéias erradas. O inverso seria de maior relevância.
Faça o favor: corrige o texto para mim e publica já que é incapaz de corrigir a sua mediocridade intelectual. Olha! Só lembrando, em se tratando de valores não existe certo e errado viu? Escreveste muito e não disseste nada. Como de costume.

matabaratas disse...

"...Para mim é um assassinato, cruel e covarde!"


Simplório, para dizer o mínimo.

Costajr disse...

Desconfio que matabaratas seja uma moça, se não for, bem...

A moça pega no meu pé porque defendo a forma certa de escrever, logo, é uma esquerdista. Para ela, minhas idéias são erradas. E por quê? Porque penso diferente dela, é claro.

A pérola é : " em se tratando de valores, não existe certo e errado, viu?" Acho que nem os sofistas chegariam a tanto.

Numa coisa ela tá certa. Meu argumento contra o aborto é mesmo simples. É um assassinato cruel e covarde!

Thiago disse...

Para estes que criticam sua posição sobre o aborto, eu faço a sugestão de relerem o que o amigo escreveu.

Ele disse "Todavia, meu principal argumento contra o aborto é moral. PARA MIM é um assassinato, cruel e covarde!"

Vejam que é uma questão moral de ordem pessoal e não universal.

Aprender a ler é moleza, o duro é saber interpretar o que se esta lendo. Vamos exercitar a lógica senhores.

PATRICIA M. disse...

Eu acredito em politica de controle da natalidade, e obviamente isso nada a tem a ver com o aborto. Evitar que a mulher engravide eh uma coisa; matar o feto depois eh outra completamente diferente.

Ja que pobre nao tem instrucao nem educacao, deveria haver uma politica eficaz de planejamento familiar para eles.

PATRICIA M. disse...

Costa, o Matabarata nao eh nem homem nem mulher, pertence ao sexo do meio. E eh um recalcado com a vida, pois a diversao maior da coisa eh entrar no blog dos outros para mandar esse tipo de comentario. Imagina o quanto a coisa nao leva... no traseiro diariamente.

Sorry pelo comnetario um tanto quanto rude.

Costajr disse...

Ok, Patrícia, está perdoada. No mais, concordo com seu ponto de vista.

João Batista disse...

Faça os abortos e você terá sim menos criminosos, claro, e também terá menos policiais, menos delegados, menos procuradores, menos juízes, menos promotores e menos agentes penitenciários. Ou você vai me dizer que policial, delegado e agente penitenciário no Brasil vêm em maioria de famílias estruturadas e ricas?

Os números do Freakonomics foram contestados, as estatísticas não batem com a realidade, não significam nenhum objeto real, é uma mera abstração. Procure na internet, faz muito tempo e eu já esqueci da contra-argumentação estatística.

Acontece que Dimenstein, Cabral e quem for estão servindo ao Império que tanto repudiam, porque é de lá que vem tanto a idéia como o desejo de impedir os pobres de terem filhos.