25 outubro, 2007

Cabeça de ovo e crânio oco.

Vejam um e-mail que recebi a respeito de um texto que publiquei em 7 de julho.

Vc já parou pra pensar que a tal "festinha black-tie" (utilizada em sua analogia), não é o tipo de "festa" na qual a GRANDE maioria da população brasileira tem (ou terá) a oportunidade de participar? Então, fica a minha pergunta (embasada, aí, nas conclusões de Freire, Alves, Bagno etc): pra quê preocupar-se com essa tal “roupagem lingüística” pra cada ocasião? Sejamos realistas... Quantos dos nossos alunos, hoje formados pela escola pública, desfrutarão das benesses de poder pertencer ao seleto grupo que habita o topo da pirâmide social brasileira? Quantos? É por isso que aquele discurso (neoliberal) de preparar o aluno pro mercado de trabalho, pra economia globalizada etc, realmente me irrita. Como educador - sou formado em Letras e dou aula numa escola estadual -, confesso: não curto muito esse “puritanismo literário” em relação à língua portuguesa. Penso, tal como meus mestres, que o ser humano é muito mais valioso que sua língua, logo, esta não pode ser objeto de divisão ideológica, de discriminação ou de (vã) alavanca social. Na minha modesta opinião, a língua tem uma função apenas: a comunicação.

Vc sabia que, Camões, após sofrer naufrágio, preferiu salvar sua obra à sua companheira? Ela sucumbiu, já seus sonetos estão aí: objeto de idolatria de muitos. No entanto, diz-se que Camões morreu na miséria, completamente abandonado.

Onde está a sabedoria das letras? A quem serve a Norma? Os nossos alunos precisam falar e escrever como um professor Pasquale, um Jorge Amado, um José Sarney, pra ser feliz?

Abraços.

Cabeça de ovo.
Email:
cabecadeovo2007@yahoo.com.br

Um camarada que assina como cabeça de ovo não merece muito crédito, mas como ele diz que é educador – estupidez criada por Paulo Freire – e diz que é formado em letras e dá aulas em colégio público, sua fala ganha ao menos a relevância de um exemplo do que acontece nas salas de aula desse país. Vamos por partes.

Cabeça de ovo, entendo que você rejeite a gramática. Em duas ocasiões no seu comentário, você provou que a menoscaba. Na primeira você escreve: “...não é o tipo de "festa" na qual a GRANDE maioria da população...” Ninguém participa "em uma festa", mas "de uma festa." Assim, a construção correta seria: da qual, e não, na qual, ok? Lá no final, para se despedir com estilo, você escreve: “Onde está a sabedoria das letras? A quem serve a Norma? Os nossos alunos precisam falar e escrever como um professor Pasquale, um Jorge Amado, um José Sarney, pra ser feliz?” Como você escreveu “os nossos alunos”, deveria, para efeito de concordância, terminar assim: para serem felizes. É isso.

Cabeça de Ovo, eu chamaria você de crânio oco, porque seus argumentos são de um oligofrenismo constrangedor. Você, professor de português que é, não entendeu que a festa black tie foi uma metáfora? Ao escrever que a maioria da população jamais participará de uma festa black tie, você confunde um sentido figurado com um sentido concreto. Lembra? Linguagem denotativa e conotativa. Você ensina mesmo língua portuguesa?

Se você, com sua gramática achada na rua, considera a Norma Culta irrelevante, vá militar no PT, vá dar aulas na UNB, mas não ameace o futuro daqueles que estão sob a sua responsabilidade de professor. Não cometa o crime de ensinar para os seus alunos que a Norma não vale de nada, afinal, eles nunca precisarão usá-la mesmo, não é? Será, Cabeça oca, que eles nunca precisarão mesmo?

Você mostra suas credenciais esquerdistas - e então é mais fácil de entender sua ignorância, pior, seu orgulho em ser ignorante - quando você diz que se irrita com o discurso neoliberal. É neoliberal ensinar a gramática? Eu pensei que fosse apenas obrigação da escola.

Claro que você gosta de Paulo Freire, a escrita dele não era tão superior a sua.

Se meu aluno escrever como José Sarney, e aqui não falo da gramática, mas do estilo, sentirei aquela frustração de quem semeou no deserto.

“...não curto muito esse “puritanismo literário” em relação à língua portuguesa. Penso, tal como meus mestres, que o ser humano é muito mais valioso que sua língua, logo, esta não pode ser objeto de divisão ideológica, de discriminação ou de (vã) alavanca social. Na minha modesta opinião, a língua tem uma função apenas: a comunicação."

Ora, ora, Cabeça de ovo, você é um fanfarrão, meu caro. Que papo é esse de que o ser humano é mais valioso do que sua língua, cara? O que isso tem a ver, meu? Tá com medinho Cabeça de ovo? O que é isso, Cabeça de Ovo? É para me fazer chorar? Você, Cabeça de ovo, é um estúpido! Vem com esse melodrama que Camões preferiu salvar a sua obra à sua amada, para chocar mentes sensíveis. Se ele salvou sua poesia, fez muito bem! Seus versos valiam muito mais que sua mulher adúltera!

Sabe o que é triste, Cabeça de ovo? Você deve fazer o maior sucesso na escola. Todos devem olhar para você e dizer: lá vai um humanista, um educador que ensina para vida, um libertário.

PS: Também cometo meus erros de português, mas ao contrário de Cabeça de ovo, morro de vergonha quando erro, mas não me vexo quando me corrigem. Por isso, coragem amigos!






8 comentários:

Thiago disse...

Olá Zé Paulo.

Vi seu comentário em meu blog, agradeço pelos elogios, e depois me conta quais foram as idéias que vc teve pra suas aulas :)

Eu erro muito, na verdade acho que sou razoavelmente disléxico. Troco muitas letras e tudo. Reviso cada texto meu umas 5 vezes antes de mandar pro ar e, mesmo assim, as vezes passa alguma coisa.

Em todo caso, assim como vc, eu não me orgulho disso e faço questão que me corrijam.

Já ao Sr. Cabeça de Ovo, o que dizer? Fico triste por seus alunos... Os coitados só vão perceber o tempo perdido quando já for tarde demais... Isso se perceberem.

Triste, triste, triste.

João Batista disse...

Mas ele não percebeu que é justamente através da Norma que todos podem se igualar? Ricos, pobres, miseráveis, em se tratando da Língua, todos podem dominá-la, ou ignorá-la, independente de quanto dinheiro possuem. A gramática é uma festa black-tie acessível a qualquer um que queira entrar.

Como todo gênio que pretende melhorar o mundo antes mesmo de tentar melhorar a si próprio, não percebe que pregando a libertinagem lingüística aí sim é que haverá discriminação e divisão, já que uns não conseguirão mais se comunicar com outros e precisarão de bons motivos para tentar transpor a barreira das línguas quase que diferentes.

Perder a ligação da linguagem é outro enfraquecimento da união nacional. Um país que mereça existir não se faz difundindo o caos e a bagunça. É incrível, mas tudo que o esquerdista faz leva a resultados contrários ao desejado, quer dizer, supostamente desejado, porque se o inocente útil não sabe o que está fazendo, o safado culpado sabe, e a diferença entre um jovem esquerdista e um velho esquerdista é que o jovem ainda pode alegar estar iludido, o velho não, é safado mesmo.

Sim, os alunos precisam aprender a falar e escrever direito se é para ajudar-lhes com a felicidade, pois assim aprendem a se expressar melhor, e pois, se comunicar melhor. Veja, não basta você saber dizer a seu amiguinho que está com fome ou que quer ir ao banheiro. Você tem de ser capaz de expressar os seus sentimentos mais sutis, o que se passa com o seu espírito, seus motivos e razões, para remover suas angustias e temores, para ajudar o próximo, para ensinar o que quer que seja, tudo isso porque a fatia mais importante da sua vida nem comunicável é, e toda comunicação é precária, dependendo do esforço da outra parte para referir aquelas palavras a um conhecimento já sabido, e por isso é importante entender a língua e dominá-la o máximo possível, e não desistir logo de início como se você fosse um macaquinho incapaz ou se a tarefa demandasse esforços sobre-humanos. Porque se você acha que aprender Português já é muito, o que dizer de Inglês e Francês, necessários para a Literatura que nunca foi traduzida para o Português, para não dizer expandir sua capacidade de comunicação com o globo terrestre inteiro, e pois, com a humanidade?

É verdade, o Português é até mais difícil do que o Inglês, mas tem uma vantagem: quem aprende uma língua latina aprende as outras em pouco tempo. Com um Português decente, Italiano e Francês são apenas questão de trocar alguns detalhes e aprender as palavras, tantas tão similares. Ao invés disso, se oferece aos pobres mais pobreza, pobreza de língua, pobreza de aprendizado, pobreza de vida, pobreza de felicidade, tudo em nome de bons princípios, motivos e fins, o que apenas torna o show de horrores ainda mais perverso.

Blogildo disse...

Vc fez um verdadeiro omelete! Hehehehe!

Concordo em gênero, número e grau! Esse Marcos Bagno é um picareta ainda pior que Paulo Freire. Já falei dele em meu blog.

Quanto a Jane Austen, ela só era fraca em ortografia. A sintaxe dela era ótima, segundo o autor de "Os criadores". Ou seja, ela era boa no essencial.

É claro que ninguém precisa ser um filólogo para ter êxito. Mas nenhum povo consegue sobreviver - como povo, cultura etc - se não proteger a sua língua. É por isso que os petralhas adoram menosprezar a gramática! É mais fácil vender o Lula para o povo!

PATRICIA M. disse...

Esse cabeca de ovo eh mesmo... um cabeca de bagre. Que pobreza de espirito, meu Deus. Eh por causa de gente assim que esse pais continua na miseria, enquanto outras nacoes que eram muito mais miseraveis vao nos passando a frente.

So podia ser petralha mesmo, que nojo eu tenho dessa escoria. E para variar, estao la, na educacao. Nao temos futuro messmo.

Saramar disse...

Costajr, eu fui professora de matemática. E sempre exigi dos meus alunos correção gramatical e ortográfica.

Para falar a verdade, eu nem consigo conceber aquilo que o tal Bagno propôs, ou seja, levar para a sala de aula a linguagem das ruas.
Por que será que oes esquerdistas sempre querem nivelar todos pelo parãmetro mais baixo e menos qualificado?
Será que a fobia deles pelo sucesso pessoal e social chega a utilizar a língua como meio de impedir as pessoas de alcançá-lo?
Ademais, se todos se imaginassem mais importantes que a língua que falam, existiria civilização?
Quanta imbecilidade desse "professor"! Pobres alunos, os dele.

beijos, boa semana para você.

soldadonofront disse...

ZéPaulo, não enendi ainda de que lado voce esta mas voce é um soldado no front.

Costajr disse...

Soldado no front, se voc~es e refere a um comentário seu que não foi publicado, esclareço que o recusei por engano, uma pena...

Estou sempre ao lado das leis e da democracia.

Soldado no front? Não sei... não gosto dessas analogias.

ph disse...

Costa Jr, morri de rir com sua resposta. Esse tipo de gente grassa por aí, principalmente nos fronts petistas - nos quais o comentarista soldado, aí, parece se entrincheirar.
Boas festas!
ph