07 outubro, 2007

Bebida, direção, racha e morte. Quem deveria morrer, não morreu.


Fotos: Paulo H. Carvalho/CB
Acidente provocado por racha matou três mulheres

Alguns jovens têm lido o meu blogue e é para eles que faço este post. No início da noite de sábado, dia 06 de outubro, um acidente na ponte JK tirou a vida de três mulheres, vítimas de dois criminosos vis, cuja ação só se compreende porque vivemos no país da impunidade. Esses dois canalhas faziam um racha na ponte JK, quando um dos carros, o golf cinza chumbo, placa JGR 8365, dirigido pelo professor de educação física Paulo César Timponi, 49 anos, colidiu contra um corolla em que estavam 4 pessoas: o motorista, Luiz Cláudio Vasconcelos e as mulheres Altair Barreto de Paiva, 53 anos, Antônia Maria de Vasconcelos, 34, e Cíntia dos Santos Cysneiros, 34, que morreram na hora. O meliante, fugiu.

Poucas horas depois a polícia chegou ao Golf, graças a uma testemunha que anotou a placa do carro e informou aos policiais. No carro foram encontrados bebidas e preservativos lacrados. Novas revelações dão conta que o assassino, que mora no condomínio Estância no Jardim Botânico, tem 11 multas por excesso de velocidade.

Ontem mesmo, eu voltava para casa com meu filho e minha mulher, quando fomos provocados por um motorista embriagado, dirigindo um Jipe Troller, sem cinto de segurança, bebendo ao volante, manobrando com irresponsabilidade, gritando com outros motoristas, enfim, louco para causar um acidente. Fui até ao batalhão da PM no sudoeste, estava escuro, fechado. Era por volta de 21:00 horas. A certeza da impunidade faz esse tipo de gente agir desse modo. Eles são ricos, moram bem, ganham bem e se acham superiores a tudo e a todos, e, por isso, menoscabam a lei.

A legislação protege o infrator.

Como todo criminoso bem nascido, o assassino Paulo César Timponi já acionou o seu advogado, que segundo o Correio Web, já fez contato com o delegado Joás Rosa de Souza, informando que seu cliente vai se apresentar nesta segunda-feira. Por ter livrado o flagrante, o meliante pode, por lei, responder ao processo em liberdade. Vai esconder o rosto, fingir arrependimento, mas sairá, lépido e fagueiro, desfrutando de um direito que ele negou às três mulheres vítimas de sua irresponsabilidade. Vocês conhecem alguém que tenha matado uma pessoa, seja atropleada ou em colisão de veículos, que esteja presa? Eu não conheço. Esse assassino cruel escapará ileso. Eles sempre contam com isso. Já escrevi antes, a punição deve partir de nós. Devemos negar a gente como esse pulha, toda e qualquer chance de se relacionar com as pessoas de bem. Devemos mostrar nossa ojeriza à gente como ele. Ele deve sentir, perceber, que sua liberdade é um acinte; sua presença, em encontros sociais, um desrespeito às pessoas de bem.

O que mais causa dor e indignação nesse crime, é que três pessoas, que nada tinham a ver com o "racha", foram vítimas da irresponsabilidade dos outros. Nada trará a vida dessas três mulheres de volta, mas o pior é saber que os responsáveis pela morte delas, não serão punidos.


4 comentários:

Saramar disse...

Sobre este triste fato eu estava, há pouco, discutindo com meus familiares justamente a questão da impunidade e a suavidade do Código de Trânsito em relação a esses indivíduos que participam de "rachas".
Acredito, assim como meus familiares, que este deveria ser um crime previsto no Código, com penalidades pesadas porque trata-se, pelo que entendo de crime doloso, uma vez que esses monstros geralmente andam na contra-mão, não deixando qualquer alternativa para suas vítimas.
Eu não conheço ninguém que tenha sido exemplarmente punido por matar alguém no trânsito.
Aliás, você deve ter visto a pena imputada ao integrante de uma dupla sertaneja que matou duas pessoas: doação de cestas básicas que, para ele, nada representará, nem em termos econômicos. E ainda se corre o risco de qur tal doação seja usada como propaganda. Eu não duvido. E você?

Zé Paulo, mudando de assunto, por favor, não se sinta constrangido sobre o meme.
Na realidade, eu também reluto muito em participar dessas correntes. Porém, como se trata de livros, achei interessante.
Eu é que peço perdão por convidá-lo.

Mudando se assunto, estou tentando escrever um texto que, ouso dizer, é quase um cordel, sobre a questão das cotas. Devo publicá-lo até amanhã e gostaria que você lesse.
Obrigada.


beijos

Costajr disse...

Assim que estiver publicado, vou lá conferir!

Blogildo disse...

Sabe o que é curioso? Lendo hoje a coluna do Roberto Pompeu de Toledo na Veja dessa semana fiquei com a impressão que o trânsito em Brasília era igual a Genebra ou coisa assim. Segundo a crônica, graças a algumas medidas tomadas na gestão do C.Buarque o trânsito melhorou.
Esse tipo de coisa que você citou nesse post é de deixar qualquer um com uma angustiante sensação de impotência!

Costajr disse...

Blogildo, o grande legado de Cristovam Buarque para o trânsito em Brasília, foi o respeito à faixa de pedestres. Tratando-se de Brasil, é um feito.

A dita ponte, que ainda cria polêmica por causa de suposto superfaturamento, foi construída na gestão Roriz (1998 -2006)

O trânsito aqui não é essa maravilha que está na crônica, tem muitos probelemas e pesquisando um pouco, só nesse fim de semana, 8 pessoas morreram em três acidentes envolvendo motos e veículos. O trânsito aqui, como no Brasil, mata muito. A culpa? Da impunidade.