27 outubro, 2007

A direita, a esquerda e a gramática.

Na última sexta, numa aula de revisão no 3° ano, uma aluna perguntou-me qual era a diferença entre a Direita e a Esquerda. Segundo ela, essa dúvida a persegue há algum tempo e, por alguma razão desconhecida, ela acreditava que eu a tiraria das sombras da ignorância.

Natane tem razão de estar em dúvida. Muitos acreditam que essa divisão ideológica é coisa de antanho, não existe mais no mundo globalizado. A coisa piora quando analisamos medidas de governos ditos de esquerda ou de direita, e percebemos que a diferença entre elas, como diria João Cabral, "é a mais mínima".

Comecei respondendo de forma clássica. Lembrei a ela que a terminologia, direita e esquerda, nasceu na fase da Convenção, da Revolução Francesa. Os jacobinos, tidos como os radicais, promovedores do Terror de 1793, sentavam-se à esquerda da Assembléia; já os girondinos, considerados mais moderados, responsáveis pela ascensão de Napoleão ao poder em 1799, sentavam-se à direita. Daí nasceu a tese de que os de direita, defendem a moderação, os interesses dos ricos e procuram impedir o acesso dos mais pobres às instâncias de decisão no governo. Os esquerdistas, por causa do DNA jacobino, passaram a ser indentificados como os defensores de causas mais populares.

No século XX, Norberto Bobbio dá uma definição similar. Segundo ele, uma pessoa de direita encara as diferenças sociais como normais e inerentes à humanidade. Já um esquerdista tende a enxergar essas diferenças como antinaturais, passíveis de transformação, por isso, buscam sempre a igualdade e a justiça sociais.

O jornalista Reinaldo Azevedo esclarece que, para ele, um direitista é uma pessoa que sempre vai defender a legalidade. Nada, para um direitista, justifica a transgressão à lei. A democracia é um valor a ser defendido, sempre sustentada nos direitos individuais, tudo, claro, dentro da legalidade. Um esquerdista por sua vez, não se constange a transgredir a lei. Para ele, o legal, se gera uma injustiça, não precisa ser respeitado, nem obedecido. Por isso, a maioria das ações de esquerda quase sempre extrapolam a legalidade. Um único exemplo: quando o MST invade uma propriedade produtiva e, portanto, comete uma ilegalidade, está agindo conforme o manual esquerdista: se minha demanda é justa, não preciso respeitar as leis.

Confesso que essa última diferenciação é muito boa. Acho que um esquerdista é isso mesmo, a saber, alguém que transgride a lei em nome de uma causa que eles consideram justa. Ademais, embora sempre falem em democracia, o entendimento que eles têm da mesma, é daquela que existe em Cuba, na Venezuela, na China e na Coréia do Norte. Dessa democracia quero distância.

Já disse aqui que um esquerdista é um disciplinado ideológico. É como um cachorrinho adestrado. Sempre faz o que o dono manda e ainda abana o rabinho. Por isso, para um esquerdista, o ato de matar, roubar, mentir, se for em nome de uma causa da esquerda, em nome do povo, dos mais pobres, todos esses crimes estão justificados. Deixam de ser crimes, passam a ser atitudes revolucionárias.

Quero dizer para Natane e para quem ler esse post, que uma forma segura de saber se uma pessoa é, ou não é, de esquerda, basta analisar sua gramática. Quando eles desprezam o saber e a gramática, é bingo! Trata-se de um esquerdista. Li, há pouco, no blog do Jamildo, que estudantes ligados, é óbvio, a partidos de esquerda, invadiram a reitoria da UFPE para protestarem contra um programa chamado Reuni, que depois explico o que é. Imitando seus colegas estúpidos da USP, os remelentos da UFPE vão permanecer no local até segunda-feira, desobedecendo a decisão judicial de desocupar a reitoria. É sempre assim. Como eles acham que defendem uma causa justa, não precisam cumprir a lei. Porém, na desobediência, há a conivência do reitor Amaro Lins, petista, que negociou com os meliantes para eles ficarem lá até segunda-feira, quando farã uma reunião. Segundo o blog, os jornalistas que foram até lá fazer a cobertura da invasão foram rechaçados pelos remelentos que se negaram a dar declarações.

Abaixo, vou reproduzir em vermelho, comentários de alguns desses invasores. Vejam como eles tratam a Língua Portuguesa. O espantoso, meu Deus, é que são universitários. Talvez sejam alunos de Cabeça de Ovo (hehehehe)

"Uma pessoa que faz um comentário infeliz desse, sem dúvida nunca nem deve ter pisado na UFPE. Os estudantes não são contra a criação de novas vagas, são contra a queda da qualidade de ensino, o que acontece com as vagas que existem, imagina com o aumento delas. Educação não é uma mercadoria para ser vendida desta forma. Nós, os alunos, devemos sim ser consultados sobre as decisões que afetarão o término do nosso curso. Procure ler mais sobre o Reune e sobre as besteiras que você anda escrevendo, porque até para criticar devemos saber sobre o que estamos falando.Afinal ninguém é obrigado a concordar com tudo. A propósito... eu trabalho durante todo o dia , saio do trabalho para a faculdade, onde pego 2 ônibus para voltar para casa e só chego por volta das 23:30 e essa rotina é adotada por grande parte das pessoas da minha sala. Cuidado ao generalizar as coisas, talvez você apenas esteja confundindo com algumas dessas faculdades que têm em toda esquina, onde você, provavelmente deve ter se formado (se é que foi formado em alguma coisa, se foi, só justifica ignorancia do comentário). Lamento muito. "

Viram a sofisticação do rapaz? Onde está a coesão, a coerência, as vírgulas, a conjugação verbal, os acentos tônicos? Talvez na Reitoria invadida. Concentrem-se na arrogância do iluminado. O cara, com uma gramática dessas, ainda se acha superior porque cursa uma universidade federal. Eu - que sempre tropeço nas vígulas, vou melhorar, apostem - nunca vi um exemplo tão dantesco de má aplicação da mesma. Alguma dúvida que o estúpido federal é um esquerdista?

"Acompanho a movimentações dos estudantes. E descordo profundamente com o comentário a baixo!! Pois é bom esclarecer que este movimento não é só do PSTU. Lá estão vários partidos: PSOL, PCdoB, PT e o PCR, alem de independentes. Um movimento democrático e muito importante. Acho que viver na democracia, para alguns ainda é muito difícil, principalmente conviver com as divergências. Quanto ao reuni da UFPE, foi muito mal discutido pela comunidade universitária, e acho que os estudantes têm este papel fundamental de exigi o debate deste tema, que influirá nos seus cursos e na vida universitária. E que sirva de exemplo para os docentes e servidores reforçarem esta luta. Sou solidário e torço para que consigam reverter este quadro, que não é nem nunca foi à reforma universitária que sempre desejamos. Abraço e boa luta. "

Esse é ainda mais esquerdista. Seus erros machucam e ferem os olhos. Daria um belo exemplo de um estudante formado com a gramática achada na rua. Como bom esquerdista, ele dispensa o s nos plurais.

O texto abaixo discorda da invasão, mas a divergência é antes disputa política do que indignação pela transgressão à lei. Vejam:

"quando se fala em ampliar vagas todos sicam contram sabem porquê? Mais estudantes na universidade sigunifica mais trabalho para estes funcionários, na sua grande maioria não trabalham, ficam só enrolando e falando mal do governo. Podem ter certeza que tem por trás dessa invasão o sindicato e o tão famoso PSTU, quase sempre cheios de estudantes vagabundos sustentados pelo pai. Por fim quero dizer que a maioria desses estudantes são filhinhos de papai, não trabalham, não fazem @#$% nenhuma da vida e, ao invés de estarem na reitoria deviam estar nas salas de aula. Por que esses filhinhos de papai, que não sabem de nada da vida não vão trabalhar como voluntários nos hospitais e/ou entidades que precisam de capital humano. A maioria dos lideres desses movimentos estudantis estão filiados no PSTU. Por que são contra o aumento de vagas? São contras porque não querem dividir seu espaço com estudantes pobres que não tem a mesma oportunidades dele. É sempre assim. Sempre que querem fazer política para beneficiar os mais pobres esses grupinhos se organizam e conjecturam uma serie de coisas que não tem nada a haver com com a política. Estes estudantes mereciam sair da reitoria sob escolta da polícia. Querem apenas chamar a atenção"

É óbvio que se trata de um petista defendendo o governo. O discurso e a gramática são de um militante de esquerda. Percebam que a pessoa critica mais o PSTU que a invasão. É a velha divisão da esquerda. Numa coisa eles se parecem. Abominam a maneira certa de escrever. Por isso, costumo dizer que uma maneira de distinguir uma pessoa de esquerda de uma de direita, aqui no Brasil, é a gramática.


Dimenstein defende o aborto.

O povo brasileiro tem lá sua graça. Aqui, se você usa terno, contrata um pedreiro ou é importunado por uma flanelinha, que acha você incapaz de fazer uma baliza, logo é chamado de doutor. Essa postura de cachorro sarnento, do brasileiro, também se mostra em outras situações. Aqui, quem escreve um livro, tem curso de mestrado, doutorado, vive dizendo coisas óbvias ou absolutamente incognoscíveis, logo é tachado de intelectual. Recentemente, participei de um congresso em que os palestrantes, quanto mais títulos exibiam, mais pífias eram suas idéias. Houve exceções, claro. Uma delas, até me surpreendeu. Refiro-me ao antropólogo Roberto da Mata, que fez uma palestra muito enriquecedora.

Meus alunos do 1° ano, que sonham entrar na Unb, são obrigados a ler um livro panfletário, cheio de clichês, mas que se pretende humanitário. Falo de Cidadão de Papel, do jornalista e colunista da Folha, Gilberto Dimenstein. Basicamente, o livro trata das desigualdades sociais do país, e lógico, culpa, ainda que sorrateiramente, o sistema capitalista, que produz concentração de renda. O livro exibe números perturbados, sensacionalistas, alguns, defasados, mas ainda é tido como referência de uma obra sobre os problemas sociais brasileiros. O que a Unb pretende, é óbvio, é doutrinar os meninos numa ideologia esquerdista e, nesse caso, prepará-los, não intelectualmente, mas ideologicamente, para entrarem na universidade.

Há muito sei que Gilberto Dimenstein é um picareta. Eu só não sabia que ele também era preconceituoso e propagandista do aborto. Na espreita, porque ele nunca fala diretamente as coisas, ele sugere que o aborto pode ser usado como medida preventiva contra o aumento da criminalidade. Vejam o que ele escreveu na coluna pensata, da Folha On line:

25/10/2007

O aborto do governador


O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou a provocar polêmica ao vincular o crime ao excesso de fertilidade materna nas comunidades mais pobres. Foi chamado de preconceituoso. Mas a verdade é que, em parte, ele está certo. Aliás, é óbvio que está certo.

Alta fertilidade não significa necessariamente mais crime. Mas uma jovem repleta de filhos, vivendo numa comunidade desestruturada, violenta, com baixa perspectiva educacional e de trabalho para jovens é mais um, entre tantos, fatores de risco. Crianças descuidadas, sem atenção, sem acolhimento familiar, são candidatas a marginais. Por trás de todo o criminoso, há uma história de desestrutura familiar.

O maior problema do crime não é o número de filhos por mulher, mas certamente é um dos agravantes. O problema mesmo é a falta de perspectiva aos jovens combinada com a ineficiência policial.


A polêmica nasceu quando o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, declarou que o excesso de filhos dos moradores da rocinha - que de resto é uma mentira, diga-se - é responsável pela reprodução de criminosos. O governador chegou a dizer que o Estado não tem como lidar com o número, cada vez mais crescente, de criminosos. Solução: garantir às mulheres da rocinha e às pobres em geral, o direito ao aborto.

A tese se apóia, erradamente, no livro Fraeakonomics de Steven D. Levit e Stephen J. Dubner. Nesta obra, o matemático, usando sempre estatística, faz reflexões desconcertantes, como a de constatar, pelos números, que ter uma piscina em casa é muito mais perigoso para uma criança do que ter uma arma de fogo. A tese mais polêmica do livro, é justamente a explicação que ele encontra para a redução da criminalidade em Nova Iorque, nos anos 90. O autor, contudo, deixa claro, que várias ações, como mais prisões, mais rigor da polícia, enfim, mais eficiência no sistema de segurança pública, são fatores que contribuíram para a redução da criminalidade na metrópole americana. Porém, mesmo com essas advertências, o argumento que ficou famoso, porque polêmico, foi que a legalização do aborto em 1973, diminuiu o número potencial de criminosos em Nova Iorque. No livro, o autor chega a dar um exemplo emblemático de uma vicidada em drogas que, sem condições de criar o filho que esperava, se fosse impedida de abortar, com muita probabilidade, geraria um criminoso.

O argumento é estúpido! Pior: é preconceituso. É a visão de que o crime deriva da pobreza, como se ao pobre o único destino reservado fosse a vida no crime. Todos sabemos que isso é uma falácia! Imagino, caso a tese vingasse, uma menina chegando no hospital para abortar o seu filho, dizendo: "sabe cumé, né doutor. Esse moleque aqui, com três meses, vai ser bandido, não tem a menor chance de ser alguém na vida. Se ao menos eu morasse no Leblon ele teria alguma chance, poderia até ser artista, como o Cazuza, mas como vai morar na Rocinha, vai ser é traficante mesmo. O seu fim, o senhor sabe, né doutor? Vai acabar ou na cadeia, ou na vala. Então, é melhor a gente poupar o moleque desse destino e abortar logo." A menina volta para casa com a consciência tranquila, ciente de que cumpriu seu papel social de cidadã.

Gilberto Dimenstein afirma que o governador está certo em defender a tese do aborto. Logo, por lógica, também defende a medida. Talvez Dimenstein esteja cansado de esperar a redução das desigualdades sociais pelo crescimento econômico. Quer uma ação mais rápida, como impedir que nasçam mais pobres.



25 outubro, 2007

Cabeça de ovo e crânio oco.

Vejam um e-mail que recebi a respeito de um texto que publiquei em 7 de julho.

Vc já parou pra pensar que a tal "festinha black-tie" (utilizada em sua analogia), não é o tipo de "festa" na qual a GRANDE maioria da população brasileira tem (ou terá) a oportunidade de participar? Então, fica a minha pergunta (embasada, aí, nas conclusões de Freire, Alves, Bagno etc): pra quê preocupar-se com essa tal “roupagem lingüística” pra cada ocasião? Sejamos realistas... Quantos dos nossos alunos, hoje formados pela escola pública, desfrutarão das benesses de poder pertencer ao seleto grupo que habita o topo da pirâmide social brasileira? Quantos? É por isso que aquele discurso (neoliberal) de preparar o aluno pro mercado de trabalho, pra economia globalizada etc, realmente me irrita. Como educador - sou formado em Letras e dou aula numa escola estadual -, confesso: não curto muito esse “puritanismo literário” em relação à língua portuguesa. Penso, tal como meus mestres, que o ser humano é muito mais valioso que sua língua, logo, esta não pode ser objeto de divisão ideológica, de discriminação ou de (vã) alavanca social. Na minha modesta opinião, a língua tem uma função apenas: a comunicação.

Vc sabia que, Camões, após sofrer naufrágio, preferiu salvar sua obra à sua companheira? Ela sucumbiu, já seus sonetos estão aí: objeto de idolatria de muitos. No entanto, diz-se que Camões morreu na miséria, completamente abandonado.

Onde está a sabedoria das letras? A quem serve a Norma? Os nossos alunos precisam falar e escrever como um professor Pasquale, um Jorge Amado, um José Sarney, pra ser feliz?

Abraços.

Cabeça de ovo.
Email:
cabecadeovo2007@yahoo.com.br

Um camarada que assina como cabeça de ovo não merece muito crédito, mas como ele diz que é educador – estupidez criada por Paulo Freire – e diz que é formado em letras e dá aulas em colégio público, sua fala ganha ao menos a relevância de um exemplo do que acontece nas salas de aula desse país. Vamos por partes.

Cabeça de ovo, entendo que você rejeite a gramática. Em duas ocasiões no seu comentário, você provou que a menoscaba. Na primeira você escreve: “...não é o tipo de "festa" na qual a GRANDE maioria da população...” Ninguém participa "em uma festa", mas "de uma festa." Assim, a construção correta seria: da qual, e não, na qual, ok? Lá no final, para se despedir com estilo, você escreve: “Onde está a sabedoria das letras? A quem serve a Norma? Os nossos alunos precisam falar e escrever como um professor Pasquale, um Jorge Amado, um José Sarney, pra ser feliz?” Como você escreveu “os nossos alunos”, deveria, para efeito de concordância, terminar assim: para serem felizes. É isso.

Cabeça de Ovo, eu chamaria você de crânio oco, porque seus argumentos são de um oligofrenismo constrangedor. Você, professor de português que é, não entendeu que a festa black tie foi uma metáfora? Ao escrever que a maioria da população jamais participará de uma festa black tie, você confunde um sentido figurado com um sentido concreto. Lembra? Linguagem denotativa e conotativa. Você ensina mesmo língua portuguesa?

Se você, com sua gramática achada na rua, considera a Norma Culta irrelevante, vá militar no PT, vá dar aulas na UNB, mas não ameace o futuro daqueles que estão sob a sua responsabilidade de professor. Não cometa o crime de ensinar para os seus alunos que a Norma não vale de nada, afinal, eles nunca precisarão usá-la mesmo, não é? Será, Cabeça oca, que eles nunca precisarão mesmo?

Você mostra suas credenciais esquerdistas - e então é mais fácil de entender sua ignorância, pior, seu orgulho em ser ignorante - quando você diz que se irrita com o discurso neoliberal. É neoliberal ensinar a gramática? Eu pensei que fosse apenas obrigação da escola.

Claro que você gosta de Paulo Freire, a escrita dele não era tão superior a sua.

Se meu aluno escrever como José Sarney, e aqui não falo da gramática, mas do estilo, sentirei aquela frustração de quem semeou no deserto.

“...não curto muito esse “puritanismo literário” em relação à língua portuguesa. Penso, tal como meus mestres, que o ser humano é muito mais valioso que sua língua, logo, esta não pode ser objeto de divisão ideológica, de discriminação ou de (vã) alavanca social. Na minha modesta opinião, a língua tem uma função apenas: a comunicação."

Ora, ora, Cabeça de ovo, você é um fanfarrão, meu caro. Que papo é esse de que o ser humano é mais valioso do que sua língua, cara? O que isso tem a ver, meu? Tá com medinho Cabeça de ovo? O que é isso, Cabeça de Ovo? É para me fazer chorar? Você, Cabeça de ovo, é um estúpido! Vem com esse melodrama que Camões preferiu salvar a sua obra à sua amada, para chocar mentes sensíveis. Se ele salvou sua poesia, fez muito bem! Seus versos valiam muito mais que sua mulher adúltera!

Sabe o que é triste, Cabeça de ovo? Você deve fazer o maior sucesso na escola. Todos devem olhar para você e dizer: lá vai um humanista, um educador que ensina para vida, um libertário.

PS: Também cometo meus erros de português, mas ao contrário de Cabeça de ovo, morro de vergonha quando erro, mas não me vexo quando me corrigem. Por isso, coragem amigos!






23 outubro, 2007

O porco fedorento é exaltado no senado.

Existem duas invenções da esquerda que abomino de maneira particular: o discurso politicamente correto e quase sempre farsante que eles defendem e a falta de argumentos quando atacam veículos e reputações que não comungam de suas crenças.

Hoje, no senado, numa sessão solene pedida pelo senador José Nery, do Psol, o que se ouviu foram discursos que mais achincalhavam a matéria de Veja sobre o porco fedorento do Che Guevara, do que discursos que exaltassem as "virtudes" - sob a ótica da esquerda, é claro - do mito inventado pelo esquerdismo bocó. Senadores e deputados ocuparam a tribuna e vociferaram palavras de ordem e apupos pueris contra a matéria. Fossem pessoas comuns, estariam naquela patota que foi fazer seu alto de fé em frente à editora abril. Espanta-me que nenhum senador, mesmo medianamente inteligente, não tenha se levantado, pedido um à parte e feito as seguintes perguntas: o que a Veja publicou é mentira? "Che" matou ou não aquelas pessoas? Escreveu ou não que estava sedento de sangue? Determinou ou não a morte de um adolescente que havia pichado palavras de ordem contra o outro facínora, Fidel Castro? Executou ou não um compaheiro que havia roubado um pedaço de pão para comer? Se os deputados e os senadores que fizeram a pantomima de homenagear um assassino frio, responderem essas perguntas, vão perceber que a Veja só publicou fatos, e contra os fato - vou usar um clichê - não há argumentos.

O site G1 registrou assim, trechos dos discursos dos idiotas de Senado e da Câmara:

O senador José Nery (PSOL-PA), que solicitou a sessão de homenagem, foi o primeiro a falar. Afirmou que a sessão serviu para "honrar a memória do comandante no momento em que setores reacionários da imprensa fizeram ataques contra sua história".
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) classificou a reportagem como uma "atrocidade à inteligência". "Muitos falaram sobre essa famigerada reportagem da revista 'Veja', que é de uma atrocidade à inteligência e que não foi nem levada em conta. Situo como mais um tiro no pé que a imprensa dá." Para o senador João Pedro (PT-AC), a "Veja" agiu com "estupidez". "É de uma estupidez o que a Revista 'Veja' fez. É um desrespeito porque é uma tentativa de desconstituir e desqualificar a luta da esquerda na América Latina e no Brasil. Não podemos concordar e temos que repudiar a postura da revista." A deputada Manuela D´ávila (PCdoB-RS) disse que a revista tentou "esvaziar" a imagem de Che. "Ele não é um ícone esvaziado. Nossa juventude reconhece em Guevara a rebeldia com causa, a luta por uma sociedade com justiça social. Haveria sentido em esvaziar alguém vazio de conteúdo. É evidente que não." Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) classificou a reportagem como "mal cheirosa". "A revista 'Veja' fez uma matéria meio mal cheirosa, destacando que aproveitaram da sua beleza física para torná-lo um ícone. Será que, para ser de esquerda, tem de ser feio, degenerado?"

Viram só? Nenhum falou que se tratava de uma mentira. Foram mais adjetivos que substantivos nas acusações contra a Veja. Reacionária, mal cheirosa, interesseira, estúpida, etc. Poderiam ter dito: mentirosa. Mas eles sabiam que não podiam acusar a Veja de mentir sobre "Che." O que incomoda essa gentinha é a verdade, eles não suportam a realidade. Outros acham um absurdo mexer na aura revolucionária de Che Guevara, que, segundo aquela deputada comunista, ainda é uma referência para a juventude. Só se for para a juventude que ela representa: a juventude bocó e desinformada.

Nem quando eu militava no ME (Movimento Estudantil) morria de amores por "Che." Sempre achei seu sonho muito sangrento para o meu gosto. Abomino Che, como abomino a suástica e a foice e o martelo. Tudo são símbolos do mal, exemplos do quanto o ser humano pode ser violento e cruel.

21 outubro, 2007

Sindicato. Quero distância!

Aconteceu esse ano. Acho que em maio. Estava na sala dos professores quando chegou um diretor do Sinproep - DF (sindicato dos professores das escolas particulares do DF) com aquela conversa mole de todo sindicalista de que o sindicato é importante, que como era recente - há 3 anos houve o desmembramento entre os professores da rede pública e da rede particular - e que mesmo assim sendo novo, já havia conquistado uma série de direitos para os profissionais da educação. Depois de cantar as loas do sindicato, o diretor veio com a ameaça: sem sindicato ficamos vulneráveis, podemos perder direitos históricos etc. Finalmente veio a razão da visita: "olha a sacolinha!" O tal sindicalista veio tentar, com a retórica perturbada de todo sindicalista, convecer-nos de que a contribuição de 4% do salário, esta opcional, seria indispensável para a manutenção da estrtura do sindicato e garantiria a atuação do mesmo na defesa dos nossos interesses.

Essa contribuição não é o imposto sindical. É pior. Os trabalhadores, sindicalizados ou não, devem entregar ao sindicato, em duas parcelas, 4% dos seus proventos brutos. Se, e somente se, os trabalhadores não quiserem contribuir, podem, desde que se manisfestem por escrito em um documento entregue pelo sindicato, declarando-se contrário à cobrança. Indaguei ao diretor se ele não achava absurdo alguém ter que pedir para não contribuir, quando o lógico seria o contrário. Ele, nervoso, respondeu-me que antes das pessoas criticarem o sindicato, deveriam conhecê-lo, por dentro, para ficar ciente das dificuldades. Respondi que minha pergunta não criticava o sindicato, tratava apenas de uma questão de lógica invertida. Ele ficou ainda mais nervoso, aí quem não aguentou fui eu e ataquei: Eu não sou sindicalizado, quero distância de pessoas que ganham vida tentando fazer a dos outros melhor, não confio nelas.

Todo ano é a mesma coisa. Pego o documento, em duas vias, e deixo claro que não dou meu dinheiro para sindicalista fazer campanha política para o PT. Porque meus caros, é inescapável: sindicalista quer nosso dinheiro para financiar e se lançar em campanhas políticas, Erica Kokay que o diga.

Augusto Carvalho, deputado pelo PPS do DF, propôs uma emenda, já aprovada pelos deputados, que torna a violência do imposto sindical facultativa. Se a medida aprovada na câmara, resistir ao senado, ficarei muito satisfeito. Os sindicalistas estão nervosinhos. Os que sobrevivem com o dinheiro do trabalho dos outros sentem o perigo no ar. Se a medida virar lei eu não me aborrecerei de preencher mais papel, antes isso, do que ver meu dinheiro desviado para esse covil que se transformou a maioria dos sindicatos no Brasil.

15 outubro, 2007

Eu vi o Rio, em parte.

Dia do professor. Por isso, ao contrário de muitos que saíram cedo para labutar, cá estou aqui, a aproveitar, em tese, o descanso. Na verdade, acabei de chegar de Niterói, uma viagem que durou 16 horas para ir e mais 16 para voltar. Soube de gente que optou pelo avião e chegou 24 horas depois a Niterói. Esse é o nosso país. Chega-se mais rápido de ônibus que de avião.

Participei, na antiga Praia Grande, de um congresso internacional promovido pela associação brasileira de educadores lassalistas, na Uni La Salle de Niterói. Sobre o congresso falo depois, há o que contar. Quero agora relatar alguns pormenores da minha visita, inédita, ao Rio de Janeiro.

A viagem

Partimos por volta das 15:00 horas da 906 sul e antes de seguirmos viagem, o ônibus parou no Núcleo Bandeirante para o restante da delegação, subir. Todos sentados, seguimos rumo ao Rio de Janeiro. Na viagem assisti ao filme tropa de elite. Acho que de todos que estavam no ônibus, eu era o único que não tinha visto o filme. E como a maioria, o filme, para mim, é só aplauso. O capitão Nascimento, à parte todos os defeitos que ele tem, deixa claro em seus diálogos e na sua fala em off, uma coisa: paremos de ser hipócritas! Deixemos essa sociologia vagabunda que sustentada na patifaria romântica de Rousseau, tende a ver o favelado, o pobre em particular, e, na ponta, o bandido, como bons selvagens que são corrompidos pela miséria. A miséria ou a pobreza podem seduzir para o crime, mas o crime não é o destino fatídico dos pobres. Aqueles bandidos de fuzil e pistola, não estão ali cumprindo uma predestinação, mas uma escolha. Não me venham com essa conversa mole de que o sistema os levou para o crime, eles foram porque quiseram, e uma vez feita a escolha, arque-se com as consequências. Ademais, o filme chuta o saco dessa classe média cheia de boas intenções, que defende o bandido e repudia a polícia, que fuma maconha e cheira cocaína, mas que defende a paz nos morros, como se isso anulasse o incentivo que eles, ao consumirem as drogas que de lá vêm, acabam dando à guerra. Não me espanta que a maioria das críticas ao filme venham da esquerda, que detesta combater o crime, prefere praticá-lo.

A chegada.

Não conheço a geografia do Rio. Fui informado que chegamos pela zona oeste, na baixada fluminense. Procurei as imagens que são exibidas nas novelas, só encontrei aquelas que reproduzem as simulações do Linha Direta. Enfim, a paisagem da chegada não me encantou, muito pelo contrário.

Depois de um engarrafamento homérico, chegamos à ponte Rio-Niterói. O engarrafamento piorou. Havia uma fina neblina, vi alguns navios na Baía da Guanabara e o palácio da ilha fiscal, onde a monarquia realizou, em Novembro de 1889, um baile, sem saber que seria a sua última festa antes do Golpe da República. Atravessamos a ponte e chegamos em Niterói.

A visita ao Cristo.

À tarde, lá pelas 15:00 horas, um grupo de 15 pessoas pagou 40 reais per capita a uma van, para visitar o corcovado. Na viagem, fiquei impressionado com as montanhas tão próximas das ruas. O Rio nasce das montanhas. O efeito é bonito. Depois de uma subida interminável, finalmente alcançamos o Cristo, e a vista lá de cima é simplesmente inolvidável! Ainda que uma certa nebilna embaçasse a paisagem, a beleza era de se ver, não de se descrever. Fiquei impressionado, como centenas de outros turistas que estavam lá.

Na volta, passamos na orla de Copacabana. Paramos uns dez minutos, tirei o sapato, levantei as pernas da calça, pisei na areia da praia e fui molhar os pés. A água é fria e a força da onda molhou as pernas da calça, em vão erguidas.

Também passamos pela lagoa Rodrigo de Freitas, pelo Leblon, e finalmente voltamos para o Hotel Niterói Palace. Não tive tempo de visitar o centro do Rio de Janeiro, a Quinta da Boa Vista, a Biblioteca Nacional, uma pena. Fica para uma próxima vez.

Concluindo:

Foi uma visita rápida. Fui a um congresso, não a um passeio. O que pude ver de ponto turístico, agradou-me, mas sei que não explorei tudo que o Rio pode oferecer. Havia palestras para acompanhar e mesas redondas para participar. É a elas que irei me referir no próximo post.





09 outubro, 2007

As características de um esquerdista.

O que torna um esquerdista peculiar? A ignorância? A arrogância? A estupidez? Não. Embora a maioria dos esquerdistas sejam mesmo estúpidos, arrogantes e ignorantes. O que caracteriza, de fato, um esquerdista, é a sua disciplina partidária e ideológica. Peguemos um exemplo: a maioria dos brasileiros, segundo várias pesquisas, é contrária ao aborto. É bem possível que um militante de esquerda até possa, pessoalmente, no campo individual, também ser contra a interrupção provocada da gravidez, mas se o partido, se as direções partidárias, impuserem, que descriminalizar o aborto é ser progressista, é não compactuar com a sociedade burguesa e reacionária, nosso pobre militante sufoca suas convicções pessoais e passa a defender o aborto, ou então, a silenciar sobre ele. Portanto, classifico um esquerdista como aquele que considera que tudo é permitido, a saber, matar, roubar, mentir, enganar, locupletar e distorcer a verdade, desde que se alcance um fim que eles considerem nobre, como de uma sociedade justa, sem classes, e claro, sem capitalismo. Todos os governos de esquerda que buscaram esse projeto, transformaram-se em ditaduras ferozes, eliminando o indíviduo que passou a ser um - mais um - na coletividade. Em todos esses países, a economia foi um fiasco, e a China e o Vietnã, que ainda são ditaduras comunistas, só não ajoelharam, porque se renderam aos encantos da economia de mercado. Tivessem mantido a ideologia no campo da economia, hoje estariam como Cuba e Coréia do Norte.

Todo esse intróito tem uma razão. Muitos que hoje defendem as cotas nas universidades, não o fazem por convicção pessoal, mas por disciplina partidária. Muito colegas que defendem essa medida, alguns de pele preta, outros de pele branca e outros que são classificados como pardos, reconhecem que as cotas não são a melhor saída, que as cotas só irão beneficiar, entre os que se consideram negros, os mais afortunados, enfim, que o negro pobre continuará na mesma situação de antes. Muitos afirmam que embora o racismo exista no Brasil, e existe mesmo, o brasileiro repudia esse sentimento, isto é, ser racista não é traço de nossa identidade, tanto que muitos escondem o racismo porque sabem que será censurado pela maioria. Ora, se a média dos brasileiros não é racista, se as cotas não resolvem o problema do negro pobre, por que essa gente ainda defende as cotas? Por disciplina partidária e cegueira ideológica.

As cotas, onde quer que elas tenham sido introduzidas, não resolveram o problema, pior, agravaram. As cotas não promoveram em lugar nenhum uma aproximação entre grupos, antes, distanciaram-nos ainda mais. No Brasil, onde não existe guetos que levem em conta a cor da pele, as cotas podem produzir algo que não temos: a divisão da sociedade por cor da pele. Um absurdo! Perderemos esse ativo, deixaremos de nos orgulhar de nossa miscigenação, caso único no mundo, para aderir, segundo a expressão de Demétrio Magnoli, a uma engrenagem racista que quer fabricar raças no Brasil. Você leitor, consulte uma daquelas fotos de família, que tem pai, mãe, avô, primo, tio, tia, enfim, todo mundo e constate que na foto haverá diversos matizes de cor da pele. Este é o Brasil miscigenado, que os fabricantes de raça na UNB e em outras universidades, querem criar.

O artigo que reproduzo abaixo, publicado no jornal O Globo em 4 de outubro de 2007, escrito por Demétrio Magnoli, é importantíssimo para aqueles que combatem essa parvoíce do sistema de cotas. Também serviria para aqueles que defendem as cotas, revissem suas posições, caso não fossem tão disciplinados e ideologicamente fanáticos.


A nação é um plebiscito cotidiano. (Ernest Renan, 1823-1892)

Rita de Cássia Camisolão, coordenadora do Programa de Educação Anti-racista da UFRGS, que utilizará pela primeira vez um sistema de cotas no seu vestibular, reuniu-se com estudantes de escolas públicas para prestar esclarecimentos sobre as regras do sistema. Confrontada com a questão de saber como devem proceder os jovens com "fenótipo pardo" mas certidões de nascimento que os identificam como "brancos", fulminou: "O documento comprobatório da opção do cotista é a autodeclaração, não a certidão. O que importa é a aparência."

Está claro? Mais ou menos, pois nada é o que parece quando se trata de atribuir rótulos raciais às pessoas. Na UnB, também é a "aparência" que importa ? mas uma aparência interpretada por acadêmicos e militantes de movimentos negros, congregados em tribunais raciais que até há pouco se dedicavam à análise de fotografias dos candidatos mas agora preferem apenas submetê-los a "entrevistas identitárias". Na UFRGS, ao contrário, a aparência do candidato é definida pelo próprio candidato, o que implica uma "fluidez racial" muito maior: "negros" da UFRGS podem bem ser "brancos" da UnB.

Na UFRGS, separaram-se 30% das vagas para egressos de escolas públicas, sendo metade delas reservadas para "negros". Segundo o IBGE, 7% dos habitantes do Rio Grande do Sul são "pardos" e 4% são "pretos" - ou seja, na novilíngua da moda, os "afrodescendentes" representam 11% da população do estado. Eis o motivo pelo qual a UFRGS optou pela "fluidez racial": os fanáticos da raça pretendem "retificar" o perfil demográfico rio-grandense, fabricando "afrodescendentes". Pode-se apostar sem risco na expansão da parcela de "pardos" e "pretos" nos próximos censos, especialmente entre jovens em idade pré-universitária.

Raças humanas não existem, a não ser como "uma das formas de identificar as pessoas em nossa própria mente" (Thomas Sowell). Sem a intervenção do Estado, os brasileiros tendem a borrar o conceito de raça, tanto na prática da mestiçagem quanto no imaginário da identidade, o que se verifica pela expansão estatística dos "pardos" (de 21% em 1940 para 43% em 2006) e pela retração dos "brancos" (63% para 49%) e dos "pretos" (15% para 7%). Os nossos fanáticos da raça projetam reverter essa tendência e fabricar um país polarizado entre "brancos" e "afrodescendentes".

Produzir a bipartição racial da nação - essa é a função das cotas raciais. Seus promotores a ocultam sob o pretexto de promoção da inclusão social, mas não têm interesse em políticas de qualificação do ensino público e repudiam os estímulos ao ingresso de alunos de escolas públicas, sem distinção de cor, oferecidos em algumas universidades.

Na UnB, dínamo principal da fábrica das raças, o sentido das coisas é cada vez mais evidente. Diante da desmoralização do método fotográfico de certificação racial, a reitoria decidiu investir todas as fichas nas entrevistas. O método equivale a um tribunal racial político e psicológico. A comissão de entrevistadores se compõe de professores e representantes de movimentos negros. As perguntas abrangem temas como a percepção de discriminação do candidato e suas relações com o movimento negro. A "negritude" passa a ser definida pelo potencial de alinhamento ideológico do jovem estudante com o programa racialista dos donos das chaves de entrada na universidade.

No limiar das universidades, a mestiçagem dos brasileiros pode ser abolida pelas regras dos fabricantes de raças. Mas como fazê-lo na escala da nação? O IBGE anuncia um experimento de campo para a introdução de uma "nova classificação de cor" nos censos. Aventa-se incluir uma variável de "origem étnica" nos questionários - algo estranho quando os geneticistas já mapearam a ancestralidade genética da população. A finalidade é fazer surgir, magicamente, uma nação repartida em "brancos" e "afrodescendentes". O mágico é José Luís Petruccelli, responsável pelo experimento, que abriu o jogo: "Nós não vamos direto ao assunto, como era feito: vai ter uma introdução." Petruccelli é um intelectual engajado na fabricação de raças. Seus pesquisadores saberão persuadir os entrevistados a formular respostas adaptadas ao dogma oficial.

Todos os dias a nação se refaz pela decisão tácita de cada indivíduo de continuar a viver sob o princípio da igualdade política e jurídica inscrito no pacto republicano. A fábrica das raças e do racismo oferece a proposta de se responder "não" a esse "plebiscito cotidiano". Seus gerentes estão dizendo que há duas nações no Brasil - e que, no lugar do princípio da igualdade, podemos, no máximo, conviver sob um frágil arranjo diplomático de distribuição de benesses e privilégios entre "nações étnicas" separadas pelo abismo da cultura.

(O Globo, 04 de outubro de 2007)



08 outubro, 2007

Ele não é professor, é criminoso!


Paulo César Timponi estaria em alta velocidade e alcoolizado
Paulo H. Carvalho/CB/Reproducao 6/10/2007


Nos jornais impressos, nos telejornais e nos sites de notícias, o facínora Paulo César Timponi é apresentado como professor de educação física. Pesquisei e não encontrei qualquer escola ou academia que o tenha contratado. O fato de alguém ter concluído um curso superior em licenciatura não o torna automaticamente, um professor. Muitos se formam, e por razões várias, não exercem a profissão. Portanto, o que esse bandido é, além de canalha e criminoso, é um funcionário público, lotado no Serpro.

Descobriu-se que o meliante já havia sido condenado por tráfico de drogas, ficando preso por 1 ano e seis meses. Pesam contra ele outras acusações e condenações, como receptação e roubo, além de falsidade ideológica. Com essa folha corrida, pensei que o dito cujo fosse deputado distrital.

Como não poderia deixar de ser, o sepultamento das vítimas foi marcado pela dor, revolta e sentimento de impotência. O discurso do motorista do Corolla e marido de uma das vítimas , de que o crime não pode ficar impune e que deve servir de exemplo, comoveu a todos; mas repito: não dará em nada. O maligno não sofrerá qualquer punição, mínima que seja, que o faça pagar pela morte das três mulheres.

O outro condutor, o da S10, já foi indentificado, mas a polícia não revela o seu nome. Diz que pode prejudicar a captura.

Os advogados - isso mesmo, no plural - do sacripanta Paulo César Timponi, entregaram um atestado médico dizendo que o cliente está necessitando de repouso - seria a ressaca? - e que nega ter participado de um pega. No devido tempo, dizem os advogados, ele vai se apresentar e esclarecer tudo. O delegado titular diz que o atestado não impede o pedido da prisão preventiva do assassino. Vamos ver.

07 outubro, 2007

Bebida, direção, racha e morte. Quem deveria morrer, não morreu.


Fotos: Paulo H. Carvalho/CB
Acidente provocado por racha matou três mulheres

Alguns jovens têm lido o meu blogue e é para eles que faço este post. No início da noite de sábado, dia 06 de outubro, um acidente na ponte JK tirou a vida de três mulheres, vítimas de dois criminosos vis, cuja ação só se compreende porque vivemos no país da impunidade. Esses dois canalhas faziam um racha na ponte JK, quando um dos carros, o golf cinza chumbo, placa JGR 8365, dirigido pelo professor de educação física Paulo César Timponi, 49 anos, colidiu contra um corolla em que estavam 4 pessoas: o motorista, Luiz Cláudio Vasconcelos e as mulheres Altair Barreto de Paiva, 53 anos, Antônia Maria de Vasconcelos, 34, e Cíntia dos Santos Cysneiros, 34, que morreram na hora. O meliante, fugiu.

Poucas horas depois a polícia chegou ao Golf, graças a uma testemunha que anotou a placa do carro e informou aos policiais. No carro foram encontrados bebidas e preservativos lacrados. Novas revelações dão conta que o assassino, que mora no condomínio Estância no Jardim Botânico, tem 11 multas por excesso de velocidade.

Ontem mesmo, eu voltava para casa com meu filho e minha mulher, quando fomos provocados por um motorista embriagado, dirigindo um Jipe Troller, sem cinto de segurança, bebendo ao volante, manobrando com irresponsabilidade, gritando com outros motoristas, enfim, louco para causar um acidente. Fui até ao batalhão da PM no sudoeste, estava escuro, fechado. Era por volta de 21:00 horas. A certeza da impunidade faz esse tipo de gente agir desse modo. Eles são ricos, moram bem, ganham bem e se acham superiores a tudo e a todos, e, por isso, menoscabam a lei.

A legislação protege o infrator.

Como todo criminoso bem nascido, o assassino Paulo César Timponi já acionou o seu advogado, que segundo o Correio Web, já fez contato com o delegado Joás Rosa de Souza, informando que seu cliente vai se apresentar nesta segunda-feira. Por ter livrado o flagrante, o meliante pode, por lei, responder ao processo em liberdade. Vai esconder o rosto, fingir arrependimento, mas sairá, lépido e fagueiro, desfrutando de um direito que ele negou às três mulheres vítimas de sua irresponsabilidade. Vocês conhecem alguém que tenha matado uma pessoa, seja atropleada ou em colisão de veículos, que esteja presa? Eu não conheço. Esse assassino cruel escapará ileso. Eles sempre contam com isso. Já escrevi antes, a punição deve partir de nós. Devemos negar a gente como esse pulha, toda e qualquer chance de se relacionar com as pessoas de bem. Devemos mostrar nossa ojeriza à gente como ele. Ele deve sentir, perceber, que sua liberdade é um acinte; sua presença, em encontros sociais, um desrespeito às pessoas de bem.

O que mais causa dor e indignação nesse crime, é que três pessoas, que nada tinham a ver com o "racha", foram vítimas da irresponsabilidade dos outros. Nada trará a vida dessas três mulheres de volta, mas o pior é saber que os responsáveis pela morte delas, não serão punidos.


01 outubro, 2007

O fracasso das cotas na UNB.

A política de cotas da UnB, se não estiver com os dias contados, acaba de sofrer um duro revés. Segundo a reitoria dessa universidade pública, o modelo de definição para apontar quem é negro, pardo ou branco, vai mudar. Antes, o candidato que se inscrevia no sistema de cotas, apresentava uma foto que era analisada por uma comissão - um verdadeiro tribunal da pureza racial - e então, a dita comissão definia se o candidato teria, ou não, o direito de se candidatar pelo sistema de cotas.

Depois do caso dos gêmeos univitelinos, um vexame para a UNB, em que um foi considerado negro e o outro, branco; a universidade mudou, piorando, é justo que se diga, a metodologia para definir quem é negro, branco ou pardo. Como ficou o novo modelo?

O aluno se inscreve como cotista, faz a prova, e depois, passará por uma entrevista. Na entrevista, a comissão definirá se aquele candidato é negro, pardo ou branco. Aí vem a estupidez: caso o aluno tenha tido uma boa nota na prova, mas como se candidatou como cotista, for considerado branco, ele estará automaticamente eliminado. Essa metodologia reduzirá, suponho, a quantidade de alunos que se candidatam pelas cotas, pois antes, os que se declaravam negros disputavam a vaga pelas cotas e pelo sistema universal. Agora, só pelas cotas.

A UNB insiste na idiotice das cotas, mas essa nova metodologia, alterada, é bom lembrar, por causa do vexame dos gêmeos univitelinos, prova que é impossível, no Brasil, determinar com segurança quem é negro, pardo ou branco. Numa palavra, o sistema de cotas é uma estupidez!

O reitor da UNB, o branco bonzinho, confessa que nenhum sistema é 100 % justo. Sempre haverá, segundo ele, distorções e injustiças. Ele está enganado. O mérito, sempre ele, será mais justo que qualquer política de cotas.