02 setembro, 2007

A Ética do caju.
















Na semana que passou, um assunto de suma importância passou em branco. Fiquei tão atento ao julgamento no STF, tão feliz com a aceitação da denúncia de peculato, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha, de colaboradores diretos do presidente Lula, que não dei a devida atenção à fala presidencial sobre o Caju:



“Em algum momento da História, algum de nós cometeu um erro contra o caju. Um cajuzinho puro é muito bom no domingo à tarde ou próximo do almoço. Mas eu acho que o Brasil não tem o direito, nós não temos o direito de prescindir de uma riqueza como essa. Vamos fazer do caju um debate nacional. Eu acho que em algum momento alguém cometeu um erro e nós estamos aqui dizendo que não dá mais para continuar no erro.”

Lula, se lesse um pouquinho só, talvez não se furtasse de declamar o soneto que segue abaixo, de Vinícius de Moraes, o Soneto do Caju.


Amo na vida as coisas que têm sumo

E oferecem matéria onde pegar

Amo a noite, amo a música, amo o mar

Amo a mulher, amo o álcool e amo o fumo.

Por isso amo o caju, em que resumo

Esse materialismo elementar

Fruto de cica, fruto de manchar

Sempre mordaz, constantemente a prumo.

Amo vê-lo agarrado ao cajueiro

À beira-mar, a copular com o galho

A castanha brutal como que tesa:

O único fruto – não fruta – brasileiro

Que possui consistência de caralho

E carrega um culhão na natureza.

Um comentário:

Blogildo disse...

Muito boa lembrança, Costa!