07 setembro, 2007

Língua Portuguesa.

Outro dia, na escola, uma colega de geografia mostrou-se preocupada com o rendimento de seu filho na prova de gramática. Como dou aula para o filho dela, aproveitei o ensejo para fazer um proselitismo do bem, penso. Disse aos alunos que na escola há duas disciplinas fundamentais. Todos esperavam que eu dissesse que História seria uma delas, mas já fui esclarecendo que história não tem importância nenhuma para o sucesso deles, no futuro. Claro que minha hipérbole foi retórica, mas a utilizei para destacar a importância capital que a língua portuguesa e a matemática têm para o futuro dos meninos e das meninas.

Surtiu efeito? Não sei. Melhor do que o meu discurso nessa turma, é a matéria de capa de Veja desta semana. Claro que vou comentá-la em sala, pois ela reforça a idéia que defendi na turma. Em época de Lula, defender a importância da gramática é também uma maneira de se lhe fazer oposição (hehehehe)

Abaixo, republico um post do dia 7 de julho, há exatos dois meses, onde comento um texto do professor Marcos Bagno, bastante oportuno para o tema de destaque dessa edição de Veja. Também posto links de outros textos meus que, de uma forma ou de outra, tratam do mesmo tema.

A LINGUA ACHADA NA RUA

A revista Veja que já está disponível para os assinantes na internet, traz uma matéria sobre a UNB e a inicia da seguinte maneira: A Universidade de Brasília é a vanguarda do retrocesso no Brasil” mais adiante arremata: “A UnB é ainda líder nas ações afirmativas em favor dos negros e na estupidez com que as implementa.” Vou dar minha singela contribuição para reforçar essa péssima imagem que a UNB está, de forma tão competente, construindo.

Recebi há alguns dias, a revista Carta Capital na Escola. Não dei atenção às matérias porque tenho mais o que fazer do que ler essa revista. Contudo, assim, quase sem querer, li a última página da revista que traz um pequeno artigo de um tal Marcos Bagno, professor da UNB e segundo a revista, também tradutor e lingüista. O texto é uma mixórdia de esquerdismo bocó da UNB com o método Paulo Freire de enganação. Vamos ao texto:

“Nossa tradição escolar sempre desprezou a língua viva, falada no dia-a-dia, como se fosse toda errada, uma forma corrompida de falar “a língua de Camões”. Havia (e há) a crença forte de que é missão da escola consertar a língua dos alunos, principalmente dos que vêm de grupos sociais desprestigiados, como a maioria dos que freqüentam a escola pública. Com isso, abriu-se um abismo profundo entre a língua (e a cultura) própria dos alunos e a língua (e a cultura) própria da escola, uma instituição comprometida com os valores e ideologias dominantes. Felizmente, nos últimos 20 e poucos anos, essa postura sofreu muitas críticas e cada vez mais é aceita que é preciso levar em conta o saber prévio dos estudantes, sua língua familiar e sua cultura característica, para, a partir daí, ampliar seu repertório lingüístico e cultural”

O professor Marcos Bagno que dá aulas na UNB - engraçado, isso não me surpreende - começa dizendo que nossa tradição escolar despreza a língua viva, aquela do cotidiano, das mesas de bar e das conversas nas esquinas. O que o professor considera uma violência, a saber, a escola ensinar a língua portuguesa aos estudantes, nada mais é que uma obrigação da escola. Não há desprezo pela língua errada do povo - Manuel Bandeira fez um verso belíssimo sobre esse assunto, mas falarei depois - há, quer dizer, já houve, a preocupação de ensinar o aluno, seja ele de onde for, da periferia ou não, como se deve escrever e falar a norma culta. A escola não castra as gírias, as singularidades dos grupos, ela apenas ensina, quer dizer, ensinava, como escrever e como falar a "língua de Camões, de Antônio Vieira, de Eça de Queirós, de Fernando Pessoa e de Machado de Assis."

Em outro trecho, o autor afirma que a escola é uma instituição comprometida com a ideologia das classes dominantes. Esse professor só dá aula na UNB - o que não deixa de ser um bom augúrio, imagina ele dando aulas por aí, já basta ele formando professores para ensinar a "língua achada na rua". Se o ilustre professor, com mestrado na UFPE e doutorado na USP, freqüentasse as escolas públicas e privadas em Brasília e no Brasil, constataria que a ideologia dominante na classe docente, é a ideologia do esquerdismo bocó.

A influência do picareta Paulo Freire fica clara no seguinte trecho: “Felizmente, nos últimos 20 e poucos anos, essa postura sofreu muitas críticas e cada vez mais é aceita que é preciso levar em conta o saber prévio dos estudantes, sua língua familiar e sua cultura característica, para, a partir daí, ampliar seu repertório lingüístico e cultural” Para o professor temos que avaliar o conhecimento prévio do aluno, admitir como válida sua maneira de se expressar, e, a partir daí, levá-lo a ampliar seu repertório lingüístico e cultural. É mais ou menos assim: dizemos para o aluno que sua maneira de falar e de escrever são interessantes, até bonitas, mas existe uma outra, que não é melhor, mas que vale a pena saber, afinal é a utilizada nos manuais, a cobrada nos vestibulares e concursos, a que garante uma vaga de emprego e a que estará nos livros se ele, o aluno, decidir prosseguir seus estudos. Assim, convencido de nossas boas intenções, o aluno, sem perder suas idiossincrasias lingüísticas, aprende a norma culta. Ora, ora, se um jovem acostumado a falar de um jeito, assim libertador e incogniscível, aprende que a norma padrão é apenas mais uma, não a fundamental para uma série de coisas, ele ficará com aquela que demandar menor esforço. Não é à toa que tantos alunos foram mal no exame medido pelo Ideb.

outro trecho do artigo:

“Por isso, em vez de reprimir e proibir o uso, na escola, da linguagem dos jovens, há muito mais vantagens em dar espaço para ela em sala de aula, promover algum tipo de trabalho que tenha como objeto essa linguagem. Por exemplo, trazer para a sala de aula a produção escrita ou musical desses jovens – grafites, fanzines, raps - , examinar os traços lingüísticos mais interessantes, os tipos de construção sintática mais freqüentes, a pronúncia, o vocabulário, sem erguer barreiras preconceituosas contra gírias e expressões consideradas “vulgares”. Sugerir atividades lúdicas como “traduzir” um poema clássico para a linguagem dos guetos, das favelas e das periferias.”

A escola não reprime a “língua achada na rua”, antes, é a norma culta, a forma correta de escrever e falar a língua portuguesa que sofre discriminação e preconceito, e pasmem, esse preconceito também vem de professores, muitos de língua portuguesa, quem sabe alunos do senhor Marcos Bagno.

Fico aqui pensando nas aulas de poesia e literatura segundo Marcos Bagno. Versos de hip hop ombreariam com versos de Bandeira, Drummond, João Cabral e Quintana, para ficar em alguns poetas conhecidos. Quem sabe o funk de Tati quebra barraco seja, em termos de língua, tão valiosos, quanto versos de Ferreira Gulart. Essa sugestão do Professor Marcos Bagno chegou até no programa de língua portuguesa do PAS da UNB. Os alunos são obrigados a ler um tal de Meu tio matou um cara, um livro estúpido, que atrapalha a formação do aluno, mas para a UNB, é uma maneira de se aproximar do universo do jovem.

Marcos Bagno é mesmo um achado. Segundo ele, os que vivem nos guetos - existe isso no Brasil?- nas favelas e na periferia, não precisam usar a norma culta se não quiserem interessar-se por ela. São todos representantes legítimos do idioma dos explorados. Eu nasci na periferia e sempre desejei aprender a escrever e a falar conforme a norma culta, se eu não consegui, uma parcela é culpa minha, outra, grande, é culpa de professores que não foram tão exigentes comigo. Outra curiosidade que tenho é como seria a “tradução” de um poema clássico para a “língua achada na rua” que Marcos Bagno defende. Prometo fazer o exercício.

o texto dele acaba agora.

“É urgente reconhecer que todas as formas de expressão são válidas e constituem a identidade individual e coletiva dos membros das múltiplas comunidades que compõe nossa sociedade Que a formação do cidadão também passa pela admissão, no convívio social, de todas as formas de falar e de escrever. Que é preciso levar o estudante a se apoderar de recursos lingüísticos mais amplos, para que se possa inserir (se quiser) na cultura letrada, isso não deve passar pela supressão nem pela substituição de outros modos de falar, de amar e de ser.”

A língua é uma roupa. Às vezes é indispensável um traje mais formal, outras vezes, uma sunga é o traje mais adequado. Se todas as formas de expressão são válidas, é forçoso reconhecer que saber usá-las nas ocasiões corretas é indispensável. O que a escola faz, ou deveria fazer, é ensinar a língua achada na gramática, para que naquela festinha black tie, o rapaz e a mocinha não compareçam com roupinhas inadequadas. Será que o departamento de letras da UNB aceitaria um candidato que escrevesse assim: “a parada é a seguinte: vamo mexer umas tretas aí, pra fazer uma paradinha de responsa”. Ou: Voxê é minha amigucha do coraxão. ou ainda: K8rpo
O professor, festejado na UNB, invoca um conceito caro aos esquerdofrênicos que é o multiculturalismo. Desde as mais priscas eras, a língua é um elemento que dá identidade nacional a uma coletividade. Esse pessoal da UNB parece que gosta de guetos, de grupos, detesta universalizar o saber e os direitos.


outros textos: 16 dezembro 2006 e 07 de julho de 2007.

4 comentários:

D. Messias disse...

" mas já fui esclarecendo que história não tem importância nenhuma para o sucesso deles, no futuro."
Foi esclarecido mesmo? É pena meu amigo, gramática é irrelevante para o pensamento.
Veja o seu caso: deve saber gramática mas não sabe pensar e culturalmente é mediano. Fui generoso.

Tive um amigo de bairro aqui em Sampa, o Pasqualle, que me ensinou a relatividade da gramática.

Mas, como você deve ser um ilustre Zé mané, pedante até a última, vai se refugiar na gramática para exercer a sua "superioridade".

Parodiando um certo autor: A gramática é o último refúgio dos pedantes e dos mediocres que escrevem "analises" em Blogs.

A coisa funciona assim: Na incapacidade das palavras corrigirem o seu intelecto, o gramático corrige as palavras.

O "picareta" é mundialmente conhecido e você é um insignificante que escreve reacionarismos dementes nesse e em outros blogs, igualmente dementes.

Não adianta corrigir algum erro de gramática e apontar. Não dou a mínima. Não perco um segundo da minha vida com isso.

Agora: revise o seu post na incapacidade de revisar sua idéias.

Costajr disse...

O asno que escreveu o comentário acima, sabe bem do que fala. Para ele, o conhecimento da língua é irrelevante para o pensamento. Quem sabe ele fale por línguas estranhas. Como não penso como ele, não sei pensar. Eles não escondem o totalitarismo. Eita gente previsível.

Sei menos gramática do que gostaria, mas me esforço para aprendê-la um pouco mais a cada dia. Sinto vergonha quando cometo um erro, mas as pessoas que você admira, não sentem vergonha nem quando assaltam o estado.

A gramática é sim relativa, em alguns aspectos. Por exemplo, na língua falada ela não é decisiva, mas na escrita, a ignorância dela produz gente como você.

Se eu dominasse a gramática eu sentiria orgulho disso. Escrever bem, concatenar as idéias, ter um estilo elegante, são para mim, metas a alcançar. Desconfio que as suas sejam mais rasteiras. Tudo bem, cada qual com o seu padrão moral.

Será que ele se ofendeu porque chamei o santo Paulo Freire de picareta? Existe muita gente pior do que esse prestidigitador da educação que é mais conhecida no mundo do que ele, nem por isso se tornaram pessoas melhores. Claro que ele defende Paulo Freire, os preguiçosos, aqueles que detestam ser avaliados pelo que sabem, adoram Paulo picareta Freire.

Acho que Messias é o anônimo que me chamou de "mau educado" em outro post. Corrigi o erro, ele deveria me agradecer, mas preferiu desdenhar.

Sempre reviso os meus posts e sempre reviso minhas idéias, mas sei que você não pode fazer isso, não pensa por si, pensa pela ideologia bocó do esquerdismo que entroniza a ignorância e a burrice como valores.

Não perca seu tempo comigo. Leia Mino Carta, PH Amorim, essa gentinha que tanto seduz você.

Ricardo Rayol disse...

Pelo jeito "nós vai e nóis feiz" é o português considerado castiço pela esquerda...

João Batista disse...

De onde saiu esse primeiro comentário? O que é isto Costajr? O cara sai visitando blogs que detesta, espumando de raiva, não consegue se segurar, e solta uma monstruosidade gratuita dessas? Ora, tem comentário mais mediano do que acusar os outros de... ser mediano?! Parece-me recorrente hoje em dia. Mas nem isto vem ao caso. Até parece que é algo além de pseudo-retórica boba: apelando ao argumento de autoridade, acusam os outros de não serem ninguém, comparando-os a qualquer “alguém”, qualquer autoridade cabível no caso. Como se eles próprios não fossem zes ninguém, serviçais do projeto de poder da pior gente que já andou sobre a face da terra. Ou então que se identifique. Por que ele não reconhece sua autoridade de professor?