03 setembro, 2007

Grito dos Excluídos ou como o inferno está cheio de boas itenções

Observem a imagem. Faltou pouco para o lema das Teses de Abril de Lênin: Terra, Paz e Pão! Sabe onde isso acabou? No totalitarismo stalinista

Sete de Setembro, Brasília, Eixo Monumental. Está prevista uma manifestação organizada pela Igreja - considerada progressista – e por partidos de esquerda, além de ONGs públicas – porque sobrevivem com dinheiro de nossos impostos– conhecida pelo nome pomposo de Grito dos Excluídos! Segundo os organizadores, a marcha ocorrerá simultaneamente ao desfile militar que acontece todos os anos. A intenção é clara: eles, os manifestantes, querem os holofotes da imprensa, e, quem sabe, provocar a caserna, que já anda ressabiada com a tolice revanchista de revisionismo da Lei de Anistia.

A manifestação será contra a corrupção, a privatização da Vale do Rio Doce , a desigualdade social e por uma democracia direta, isto é, com o povo participando diretamente das decisões do país. Não duvido que durante a marcha (os esquerdofrênicos adoram esse termo), os militantes vociferem palavras de ordem contra os militares que estarão desfilando na cerimônia do 7 de setembro.

O PT, com a ética do cinismo, apóia a manifestação, que por ironia, pede mais honestidade na política e punição para os corruptos. Fossem os manifestantes sérios, e não militantes bocós a serviço do PT, pediriam punição para aquela cúpula do partido, acusada no STF de crimes como peculato, corrupção ativa e passiva e, claro, formação de quadrilha. Outra estupidez dessa marcha é a defesa pelo plebiscito da privatização da Vale. Até o petista mais imbecil, e eles não são poucos, sabem que isso é uma falácia! Não há como reestatizar a Vale. Nem os petistas querem exatamente isso. Querem, é alimentar o discurso fácil e populista, que mistura a ignorância com a má fé. Mas os valentes, aqueles jovens, mulheres e homens, querem mais, pedem a democracia direta. Querem o povo decidindo sobre os assuntos do país. O povo, ao escolher gente como Lula para presidente, ou Roriz e Renan para o senado, já provou ser tolo o bastante para ter mais poder do que o de eleger esses facínoras. Ademais, sempre que a esquerda chega ao poder – foi assim na Rússia, é assim em Cuba, na China e na Coréia do Norte – o povo fica excluído de qualquer participação. Só são chamados para aquelas demonstrações tolas de obediência ao regime. Se esses valentes que querem um mundo melhor, reclamam da democracia representativa, caso conseguissem o regime que almejam, não haveria democracia, nem a direta, nem a indireta.

O Grito dos Excluídos, não é apenas uma tolice, se fosse só isso, lamentaria pela juventude que é seduzida por essas idéias. É principalmente, uma passeata totalitária, a entronização da burrice ou da má fé, travestida de boas intenções, de um discurso politicamente correto, mas que, se analisado, só se sustentaria num regime ditatorial. Querem ver?

Os jovens, seduzidos por essa ideologia, aprendem que a Privatização foi ruim. Você, jovem, pobre ou rico; do Lago sul ou da Ceilândia, tem hoje seu celular por causa dela. Tem a Internet cheia de recursos por causa da privatização. Estivessem as Telecomunicações nas mãos do Estado, estaríamos na fila esperando por uma linha telefônica caríssima. O que a Vale do Rio Doce, nas mãos do governo, produziu por você? O que ela fazia quando era estatal era absorver recursos do Estado que eram pagos com os nossos impostos. E para quê? Para ser mal gerida, para servir como cabide de emprego para afilhados políticos.

7 comentários:

Suzy disse...

Zé paulo, você foi didático além de brilhante.
Essa tal marcha (somada a tantas outras patrocinadas com o dinheiro do contribuinte) mostra o quanto existe de massa de manobra para defender a ditadura do proletariado, cujo exemplo histórico nos mostra ser uma grande cilada. Cilada que levou Stálin ao topo da lista como maior assassino do século XX.
Parabéns pelo texto. Só mesmo um verdadeiro professor de História poderia concebê-lo.

Um grande abraço

sandrogerio@bol.com.br disse...

Caro Costajr, descobri seu blog faz poucos dias e me tornei leitor assíduo. Bons textos e idéias provocativas!
Sou padre, não me considero da esquerda nem da direita, tento fazer política, ora buscando na direita ora na esquerda o possível para que o bem comum seja alcançado etc.
De tudo o que você escreveu sobre o Grito dos Excluídos, só queria observar que a reivindicação pela "estatização" ou "desprivatização" da Vale está mais por causa do valor subfaturado. Seria uma espécie de auditoria. Claro que tudo isso você tem conhecimento, nem seria meu intuito informá-lo, apenas fazer constar aos que lerem e desejarem manter aberto o canal da discussão no nível sempre elegante por você proposto.

Costajr disse...

Suzy, obrigado pelas palavras! Foram reconfortantes.

Caro Padre Sandro.

Não vou dar conselhos ao senhor. Todavia, se eu fosse padre, eu faria missas, pregaria o evangelho, não faria política. Claro que é apenas minha opinião. Acho, contudo, que se envolver em política, para um padre, é sempre temerário. Jesus,quando pôde, afastou-se desse cálice.

A esquerdofrenia repete que a Vale foi vendida a preço de banana, mas esconde o quanto os investidores privados gastaram para modernizar a mineradora. Some os 3 bilhões da venda com os outros tantos bilhões em investimento, e se saberá quanto custou a vale. Acredite, o Estado não teria o dinheiro que os investidores privados gastaram para transformar a Vale na 2a maior mineradora do mundo. O resto é tolice, burrice e atraso.

Anônimo disse...

Desculpe-me Costa Jr, mas seu texto brilhante cai por terra quando diz que o padre não deveria envolver-se em política. Todo mundo, querendo ou não, já está envolvido quando compra um pão na padaria, quando fica horas na fila do serviço público, quando pensa se vai jogar um papel no chão ou não. Caso não saiba, fazer política é muito mais que ser esquerdopata ou de direitotolo, é estar no mundo, com as pessoas, ser cidadão ou não, eh comprar ou vender qualquer coisa, afinal, não vivemos sem transações financeiras e mesmo o que é deste campo,é política. Se o padre seguisse seu conselho, não leria nem seu blog. Não é porque sou católico e não tenho partido, mas você foi deveras mau educado. Parece que fica atirando para tudo quanto é lado, querendo ferir alguém, seja do governo, alguns blogueiros e passa do limite tem hora. Não faça de suas palavras armas contra alguém que nem conhece. Fira quem quer ferir.

Costajr disse...

O anônimo acima é tão altruísta, que me repreende, mas não se identifica.

Diz que meu texto foi brilhante, mas caiu por terra. Ora, se foi brilhante, não teria como cair por terra. Ele me elogia para depois me desancar.

Padre, pastor, guru, devem ser, acho,antes de tudo, guias morais. Devem ser mensageiros da mensagem do evangelho ou da crença que abraçaram. O que a Igreja tem a ver com a privatização da Vale? Nada! A política a que me refiro, é aquela, partidária. Dessa, repito, os religiosos deveriam evitar. Mas eles não precisam me seguir, é apenas minha opinião. É sempre muito triste ir para Igreja procurar Jesus e encontrar o PT

O leitor anônimo se diz católico e apartidário, e toma as dores do padre. O padre me mandou um e-mail que não publiquei porque ele não autorizou, e não vi nada nas palavras do religioso que me acusasse de grosseiro. O padre Sandro, caro anônimo, não se importou com as minhas palavras, retrucou, mas não fez beicinho.

O Leitor disse que fui "deveras mau educado". O correto, e corrijo porque acho feio esse tipo de erro, seria mal educado, com L, anônimo.

Não quero ferir ninguém, não ganho nada com isso. Se minhas palavras parecem ácidas, é o estilo, paciência. Se bato, também apanho, é do jogo.

Anônimo, não se ofenda com minhas palavras, não sou esse monstro que você imagina, mas minhas opiniões são contundentes, sou claro. Podem discordar de mim, detesto esse negócio de politicamente correto.

Obrigado pela visita ao blog.

Blogildo disse...

Aqui no Rio o PT tá recolhendo assinaturas nas ruas para fazer uma petição "popular" da re-estatização da Vale. É mole?

O pior é que parte da ICAR está nessa. Fico pensando na vergonha que certos católicos devem sentir nessas horas.

Bom feriado e abraço pro Estevão!

João Batista disse...

Como o Reinaldo Azevedo lembra, excluído hoje é o branco heterossexual católico.