19 setembro, 2007

Fernando Pessoa e resposta a gente aborrecida

Há muito tempo assisti a uma reportagem sobre as conseqüências do que se escreve na internet. Lá pelas tantas, um especialista falou: "as pessoas precisam entender que quando se põe algo na rede, isso vai ser lido por muita gente, gente que sequer imaginamos quem seja, gente do mundo todo". Fernando Pessoa, em mais um exemplo de genialidade, escreveu os seguintes versos:

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.

Esses versos de Pessoa ajudam a entender que quando publicamos algo na rede, esse algo deixou de ser apenas nosso, passou a ser de toda a humanidade. Assim, quando alguém usa o google, pode encontrar textos que o agrade ou que o aborreça. É do jogo.

Recebi em meu e-mail dois comentários de gente que se aborreceu com o que escrevi no dia 13 de maio. Na ocasião, eu escrevia sobre um comentário de uma tal de Sandra Camurça, que de maneira cândida, confessava que já fizera um aborto aos 21 anos, e, segundo ela, tinha sido "mais fácil que extrair um dente". Lendo o comentário acima, num post que condenava o aborto, chamei a moça de assassina. Pronto. 4 meses depois, alguns amigos da arquiteta de Recife, que se define como socialista, mas não passa de uma assassina confessa, resolveram tomar as dores e me achincalharam. Como meu blogue tem moderador, não publiquei seus comentários, explico porquê: eles comentaram no post do dia 13 de maio, por isso não faz sentido publicar comentários em posts muito antigos. Depois, como o blogue é meu, faço o que eu quiser com ele. Acho importante moderar, cuido de minha casa para não permitir que todo tipinho, entre. Tem que ter educação e ser limpinho. Todavia, decidi publicar nesse post os e-mails que recebi dessas pessoas que se aborreceram comigo.

Acantha

E vem você, o famoso quem mesmo?? posar de guardião do moral e dos bons costumes no mais puro estilo TFP...
Como é mesmo a frase? Atire a primeira pedra?
Você pode mesmo fazer isso?
Como eu falo para meu cachorrinho, quando ele apronta alguma: "põe a patinha na consciência", rapaz..
Adendo: moderação de comentários é política de covardes, senhor..
Permita que as pessoas se expressem.

A moça tenta me desqualificar lembrando minha absoluta irrelevância. Não sou famoso, mas até onde sei, mesmo os anônimos têm o direito de se expressar. Menos mal que eu seja um zé ninguém, assim, a confissão da blogueira tricolor passou desapercebida.

Depois, com certa ironia, ela me lembra do versículo bíblico que diz que quem não tiver pecado, atire a primeira pedra. O conceito de pecado só vale para quem tem uma religião. Essa gente detesta o cristianismo. Chega mesmo a deliciar-se com crônicas que ridicularizam a pessoa de Jesus. Aí, eles, que não são cristãos, pedem que eu não atire a primeira pedra. O que Sandra cometeu foi um crime, na lei dos homens, não apenas um pecado. Ela confessou, eu não inventei.

Acantha diz que fala com seu cãozinho, que quando ele faz uma traquinagem, pede para pôr a patinha na consciência. Imagino, quem sabe, que ela dedique mais amor ao seu cachorrinho do que a um filho. Não sei, apenas especulo. É comovente como essa gente é: não vêem problema em matar uma criança que está no ventre, mas dedica a um bicho um respeito e uma consideração que não têm pela vida humana.

Agora, é a vez de Jens.

Jens
Vou seguir o teu conselho e não vou perder tempo contigo. Um canalha que promove o linchamento moral de quem tem uma visão diferente da sua não merece mesmo atenção. Até nunca mais, pulha!

Jens é um rapaz bem humorado. Vive por aí reclamando da abstinência sexual forçada, tudo gozação, é claro. Mas Jens perdeu o humor com o meu post. Ainda bem que ele afirma que seguirá meu conselho. Ignorar-me-á. Assim, ele fica lá, eu fico aqui. Na paz de Deus. Só uma coisa: ele me chamou de canalha, pulha e acusou-me de fazer linchamento moral. O que ele não pode me chamar é de assassino. Linchamento moral? Quantas pessoas comentaram o post da discórdia? Ninguém me lê, fiquem descansados. Comentei uma confissão, não fiz nenhuma ilação. Sandra matou uma criança, aos 21 anos, ela disse, eu não inventei. E quem mata, é assassino.

Ah, sobre minha irrelevância, termino o post com os seguintes versos de Fernando Pessoa em Tabacaria

Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.








Um comentário:

Blogildo disse...

Quase toda semana recebo um desses! É patético esse tipo de comentário. Já pensou no que motiva a pessoa a comentar negativamente num post antigo? É que lá no fundo o que você escreveu mexeu com a pessoa. Por um instante o brilho da moral e do bem penetrou aquela mente. Mas todo o lixo moral se move novamente a cobre aquela luz antes que a pessoa saia do breu.

2 Coríntios 4:4

Abraço!