09 setembro, 2007

Essa lingua portuguesa.

A língua portuguesa é traiçoeira até mesmo para quem lida com ela e deveria, por dever de ofício, usá-la com esmero. Eu, que não passo de um professor de história, sem eira nem beira, que procura errar o menos possível quando escreve e quando fala, também cometo meus deslizes, mas ao contrário de alguns, fico satisfeito quando me corrigem.

Foi na edição do último sábado, dia 08 de setembro, que numa matéria veiculada pelo Jornal Nacional, o repórter Roberto Paiva, ao falar sobre o perigo de se viajar de barco em Belém, deu uma deslizada daquelas, na conjugação do verbo viajar no modo subjuntivo, mais precisamente, no imperfeito do subjuntivo. Confiram a deslizada clicando aqui. É preciso esperar uns 45 segundos para constatar a derrapada.

Os gramáticos chamam de correlação verbal, a articulação temporal entre duas ou mais formas verbais. O erro do jornalista foi fazer essa correlação de forma inadequada. O vacilo do repórter, que passou batido pelos editores e revisores do jornal, foi o seguinte:

"Muitos passageiros desconhecem o que vai nos porões dos barcos, se soubessem, talvez não viajariam. O " se soubessem", seguido do "talvez" - e aqui está o x da questão - um condicional, exige o verbo viajar no modo imperfeito do subjuntivo. O certo seria, então: "Muitos passageiros desconhecem o que vai nos porões dos barcos, se soubessem, talvez não viajassem"

É bobagem? Não, não é. É uma prova de que até no ensino superior, nas faculdades de jornalismo, sobretudo, muitos formados também penam para usar corretamente a gramática. O pior, é que tem gente que acha isso - escrever certo - pedantismo, falta do que fazer. Outros, refugiam-se num argumento curioso: "não me preocupo com a gramática, sou um literato".

Saber gramática não é garantia para se ser um gênio das letras, mas é um amparo, seguro e confiável, para não se passar vexame por aí.

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