27 setembro, 2007

E agora, José?


José Paulo Diniz fez algo que o imoratalizou mais do que se tivesse recebido todos os prêmios ou vendido milhões de discos. José Paulo Diniz musicou um poema de Carlos Drummond de Andrade e reza a lenda que o poeta, toda vez que relia o poema, só o fazia cantando a música composta por José Paulo Diniz.

Os de antanho já sabem que estou me referindo ao poema José. Confesso que não sou muito fã da poesia de Drummond, mas isso é apenas uma limitação minha, todavia, há certos versos do poeta de Itabira que me tocam, mexem mesmo comigo. O peoma José, é um deles. Talvez pelo nome, talvez pelas imagens, não sei... o que sei é que o poema é fantástico!

Não tenho competência para analisar poemas, prefiro entendê-los de forma particular. Fazer minha leitura dos versos. Tenho certeza que cada um quer ler essa poesia ou qualquer outra, entendê-las-á de modo pessoal. Compartilho, sobretudo com os mais jovens, e aqui cito dois, que andam perdendo tempo com os meus posts, Natasha e Daniel, a poesia de Drummond e a música de Paulo Diniz.


;">José



E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, proptesta?

e agora, José?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?



E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você consasse,

se você morresse....

Mas você não morre,

você é duro, José!



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?



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