11 setembro, 2007

Confesso que errei.

Geralmente, quando um um jornalista ou analista, faz uma previsão que se confirma, com certa e justificada jactância, ele lembra aos leitores de que aquele fato fora previsto por ele há algum tempo. Eu, que não sou jornalista nem analista, muitas vezes aqui, já lembrei aos meus 6 leitores, sem disfarçar o orgulho, de certas análises e previsões que se confirmaram.

O incomum, é quando a análise e a previsão falham, o analista vir a público confessar, entre envergonhado e sem graça, que errou. Eu errei sim, e feio, no caso Renan. Escrevi em 09 de agosto, um post onde eu afirmava com todas as letras que Renan iria renunciar ao cargo para tentar salvar o mandato, e, mesmo assim, não evitaria a cassação. Minha hipótese partia de um pressuposto moral, isto é, diante das provas evidentes que o presidente do senado mentira aos seus pares, não restaria a ele outra alternativa que não fosse a renúncia do cargo como uma maneira de preservar o mandato, mas mesmo assim, dizia eu em 9 de agosto, ele seria cassado.

Renan não tem vergonha na cara. Ele não está nem aí para as evidências. Renan é um político como tantos outros que temos por aí, como Almeida Lima,Wellington Salgado, Sibá Machado, Ideli Salvati, que não se incomodam em defender o indefensável. Contam, como sempre, com o cinismo e a desfaçatez, como aliados. Renan é desse time, diria mais: pela postura que teve e que ainda tem, ele está mais para o dono do time, ao menos no senado.

Todos estão cautelosos sobre o resultado da sessão secreta de amanhã que decidirá sobre a cassação do mandato do senador Renan Calheiros. Não entro no mérito da sessão ser secreta. Se ali existirem 41 senadores dispostos a salvar o senado, não haverá como Renan escapar da cassação. Todavia, o que se sabe até agora, é que a maioria dos senadores está querendo salvar a própria pele, não o senado; e, por isso, Renan terá mais chances de sair absolvido pelos pares, enquanto o senado agoniza de vergonha.

Cogita-se que ao ser absolvido, Renan renunciará ao cargo de presidente. Seria uma maneira de satisfazer, em parte, a sociedade, e, também, uma maneira do governo conseguir aprovar a RECRIAÇÃO da CPMF, que pode empacar no senado, caso Renan permaneça no cargo. Acho essa saída de uma pusilanimidade sem limites. Cassar Renan é um imperativo ético e moral. Esse papo de Governo X Oposição é balela. Renan é um mal, uma doença maligna que contamina a instituição. Exrtirpá-la é uma maneira de salvar o senado. A rigor, porque as provas são muitas, todos deveriam votar pela cassação, mas, infelizmente, há uma grande chance, ainda que por uma margem pequena, de Renan escapar.

Seria de bom alvitre que amanhã, às 11 horas, na frente do congresso, os cidadãos de bem parassem e acompanhassem a decisão dos senhores senadores. Aguardando, ansiosos, se os senadores preservarão o mentiroso e corupto ou o senado.

PS: Meus caros, são 22:51, e passo aqui para registrar um fato: ao liberarem suas bancadas para votarem como quiserem, "de acordo com suas consciências" (eu diria de acordo com seus temores), o PT e o PMDB, estão, na prática, confessando que defender Renan não é ético, nem moral; do contrário, fechariam questão recomendando a absolvição do senador. Sabem tanto que Renan é culpado, que preferiram agir como Pilatos, lavando as mãos, evitando assumir o ônus de defender publicamente o senador. Vai adiantar? Acho que não.

4 comentários:

Sandro disse...

Olá!
no terceiro parágrafo, início do segundo período está falando uma palavra... "Ele não [] nem aí para as evidências."
fique bem e esperemos pelo dia de amanhã e as surpresas que nos espera.
pax

Costajr disse...

Obrigado padre, já corrigi o lapso.

Suzy disse...

Zé Paulo, cito você mesmo:
"Cassar Renan é um imperativo ético e moral."
Sem dúvida que concordo! ´
E se verificarnos a totalidade do governo também nada seria mais ético e moral que cassá-los a todos.
Um abraço

Cejunior disse...

Você não errou não, meu caro Zé Paulo: o problema é que você tem vergonha na cara, coisa que os senadores não tem! Assim, seu julgamento foi, digamos, prejudicado por essa qualidade (defeito, no ponto de vista dos "nobres" parlamentares...)
Um abração.