29 setembro, 2007

Todo socialista é no fundo um assassino?

Outro dia, recebi apupos por ter chamado uma moça, quer dizer, uma senhora de quase 40 anos, Sandra Camurça, de assassina. Ela que confessara ter praticado um aborto aos 21 anos, e, segundo sua própria lavra, fora mais fácil que extrair um dente, não se sentiu sequer arrependida. Com remorso ou sem remorso, para mim, ela não passa de uma assassina. Conhecendo um pouco mais da moça, descobri que ela é socialista, daí ser fácil entender seu pouco caso com a vida humana, sobretudo, com a vida de inocentes. Ela tem um gosto digamos... pornográfico para os versos. Um, que li recentemente, faria Bruna Surfistinha corar de vergonha.

Che Guevara, um mito ensinado nas escolas como tendo sido um herói, líder revolucionário, colocado lado a lado de figuras como Gandhi e Madre Teresa de Calcutá - apesar de sua religião ser a da morte, não a da vida - foi apenas, e talvez por isso mais desprezível, um assassino torpe, um homem, segundo suas próprias palavras, sedento de sangue.

A matéria de Veja desta semana ajuda a desconstruir mais uma farsa histórica de pedigree marxista. Põe "Che" no seu devido lugar, a lata do lixo. Reproduz documentos, atenção, documentos, não opinião, em que a face do assassino se revela. Fico aqui pensando: é um herói ou um assassino um homem que..."[foi] responsável direto pela morte de 49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia. Eles foram mobilizados para defender a soberania de sua pátria e expulsar os invasores cubanos, sob cujo fogo pereceram."?

Che é herói por ter convertido a fortaleza La cabaña "em campo de extermínio?" "Nos seis meses sob seu comando, duas centenas de desafetos foram fuzilados, sendo que apenas uma minoria era formada por torturadores e outros agentes violentos do regime de Batista. A maioria era apenas gente incômoda."

Você usaria uma blusa com a foto de um homem que "procurado por uma mãe desesperada, que implorou pela soltura do filho, um menino de 15 anos preso por pichar muros com inscrições contra Fidel. Um soldado informou a Che que o jovem seria fuzilado dali a alguns dias. O comandante, então, ordenou que fosse executado imediatamente, "para que a senhora não passasse pela angústia de uma espera mais longa".?

O herói que disse que era preciso endurecer sem perder a ternura, foi o mesmo que encontrado pelo exército boliviano, com ajuda da CIA, implorou pela própria vida. Todo comunista é mesmo um covarde quando sente a morte de perto. Matava sem sentimento de culpa, mas na hora da própria morte iminente, implorou pela sua vida.

É justo comparar a Gandhi e à madre Teresa, alguém que confessou "com naturalidade como executou Eutímio Guerra, um rebelde acusado de colaborar com os soldados de Batista: "Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam".? Eu respondo. Não! Ernesto "Che" Guevara foi apenas um assassino, mitificado pela esquerda bocó.

Sandra é uma socialista assassina, que não se envergonha de ter abortado aos 21 anos. Ela não tá nem aí porque tirou a vida de um ser humano. "Che", foi um socialista que matava com a mesma frieza e numa escala maior, suponho. Talvez também dissesse que matar, para ele, era mais fácil que extrair um dente.



27 setembro, 2007

"Estatuto da Igualdade Racial, já! Cotas nas universidades públicas, já!"

Todos sabem o quanto acho aborrecida essa conversa mole de cotas para negros nas universidades públicas e essa mania estúpida dos esquerdopatas e dos "manos" e "manas" da classe média com sentimento de culpa, de se considerarem culpados pela escravidão.

O discurso de ONGs , do Movimento Negro e de outros idiotas da mesma espécie, é sempre o do vitimismo. Somos vítimas de racismo e preconceito. Somos excluídos, tratam-nos como escória. Essa elite branca, malvada, quer impedir que os negros tenham seu espaço na sociedade.

Há racismo no Brasil? É óbvio, que há! Há preconceito? Também. Mas quem disse que essas ações afirmativas, chamadas de discriminação positiva, como as cotas, resolvem o problema? Pelo contrário, podem agravá-lo. Racismo se combate é com educação e com punição para o racista, não com cotas nas universidades. Ninguém nasceu racista, aprendeu, e, normalmente, essa lição se aprende em casa. Para racistas, só há uma saída: a punição. É importante lembrar contudo, que o racismo não é uma via de mão única. Como se só existisse racismo do branco para o negro. Quando aquela ministra bocó, D Matilde, que não vale um bago de jaca mole mastigado, declarou com todas as letras que acha normal, natural até, que um negro odeie um branco, ela estava sendo racista, pior: estava incitando o racismo do negro contra o branco. Deveria ser punida, no minímo, demitida, mas o que aconteceu? Nada. Se fosse um ministro, de pele branca, falando o contrário, a história seria outra.

Um colega de trabalho, jovem, católico, cheio de ideias de justiça, defende as cotas da UNB não como uma forma de combater o racismo - ele reconhece que não resolve o problema - mas como uma maneira de equalizar a estética da universidade. Explico: para ele, as cotas servem para que o alunado da UNB apresente várias matizes de cor da pele, não seja majoritariamente branco. Suponhamos que 100 estudantes negros, muito competentes, perdessem a vaga numa universidade pública para 20 estudantes brancos, medíocres, em nome de uma democratização estética do copo discente. Seria uma absurdo! Universidade é centro de excelência, não é associação de caridade. Negros, brancos, amarelos, mestiços, conquistem seu espaço sem pedir favor a ninguém.

Hoje, um grupo que defende o que eles chamam de Estatuto da Igualdade Racial, que na lógica deles, é privilegiar os que se consideram negros ou pardos, foi até o gabinete do presidente da Câmara, o petista Arlindo Chinaglia, e fizeram sua cena, torpe, feia, adolescente mesmo, vociferando palavras de ordem insanas, pueris; e tomaram um carão do presidente Chinaglia. Tentaram contemporizar, pôr panos quentes, mas Chinaglia não recuou. (Vejam aqui).

Essa gente que não representa os negros, mas uma percelinha, assim, pequena mesma, de gente que se acha vítima, que lê a história de uma forma canhestra, e que vê no branco a razão de seus fracassos e insucessos.

Tenho muitos amigos, amigos mesmo, negros, que conseguiram o sucesso e o reconhecimento de seu valor, sem apelar para esse vitimismo idiota, esse discurso mentiroso de que os brancos impedem que os negros cheguem lá.

E agora, José?


José Paulo Diniz fez algo que o imoratalizou mais do que se tivesse recebido todos os prêmios ou vendido milhões de discos. José Paulo Diniz musicou um poema de Carlos Drummond de Andrade e reza a lenda que o poeta, toda vez que relia o poema, só o fazia cantando a música composta por José Paulo Diniz.

Os de antanho já sabem que estou me referindo ao poema José. Confesso que não sou muito fã da poesia de Drummond, mas isso é apenas uma limitação minha, todavia, há certos versos do poeta de Itabira que me tocam, mexem mesmo comigo. O peoma José, é um deles. Talvez pelo nome, talvez pelas imagens, não sei... o que sei é que o poema é fantástico!

Não tenho competência para analisar poemas, prefiro entendê-los de forma particular. Fazer minha leitura dos versos. Tenho certeza que cada um quer ler essa poesia ou qualquer outra, entendê-las-á de modo pessoal. Compartilho, sobretudo com os mais jovens, e aqui cito dois, que andam perdendo tempo com os meus posts, Natasha e Daniel, a poesia de Drummond e a música de Paulo Diniz.


;">José



E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, proptesta?

e agora, José?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?



E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você consasse,

se você morresse....

Mas você não morre,

você é duro, José!



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?



23 setembro, 2007

Como nasceu Ideli ou pequena crônica de fim de noite.

Há certas narrativas que quando passam para a oralidade, perdem lá sua graça ou sua carga dramática, capazes de cativar o ouvinte. Por isso, para essas estórias, existe sempre a possibilidade de deixá-la registrada no papel ou num blogue.

Ideli sempre fora uma menina sem graça e chata. Ela era tão chata que - confessava quase sempre - nem ela mesma se agüentava. O leitor deve entender como essa criatura, apesar de muitos duvidarem de pertencer ao gênero Homo e a espécie sapiens sapiens, conseguia aterrorizar espíritos sensíveis e provocar em pessoas pouco pacientes os mais primitivos instintos humanos.

Ideli não era alta, embora estivesse longe de ser anã. Tinha, assim, uns 1,52 de altura, pesava 350 newtons , e trazia na pele umas calosidades típicas de baleia franca. Seus cabelos, ora lembravam palhas de aço, quando acordava de manhã cedo, ora lembrava uma cerca bem organizada, de arame farpado, quando saia para ir trabalhar. Ela, ciente da escassez de atributos físicos, não se pintava, o batom lhe causava bolhas nos lábios. Certa vez, quando amanheceu com a auto-estima estranhamente elevada, decidiu pintar os lábios, e por que estava feliz, não percebeu que seus lábios grossos, ficaram ainda mais horrendos, pintados de vermelho. Mal entrou no ônibus. O cobrador, por excesso de misticismo, deu um grito aterrador, imaginou está vendo um ectoplasma de um animal, todos se assustaram, inclusive Ideli. Quando ela se olhou no espelho, viu que seus lábios estavam pipocados, dir-se-ia que iriam cair a qualquer momento. Foi horrendo. Nesse dia, ela não foi trabalhar.

Apesar de sua proverbial feiúra, Ideli incomodava mais quando falava. Suportava-se, com prova de caridade cristã, aquele quadro de Dali, na mesa pequena da repartição; mas aquela voz esganiçada, que sempre estava brigando ao telefone, era tortura demais. Ideli sempre sofrera preconceito. Se você leitor, estiver aí, julgando-me mau por escrever essas coisas, é porque nunca viu, mas principalmente, nunca ouviu Ideli.

Nossa heroína entrou para o sindicato, no que foi estimulada por seus colegas de sala, era uma chance de vê-la longe dali. Além do mais, se patrão não tem medo de cara feia, era porque nunca antes tinha visto Ideli. Disciplinada, leu todos os livros da esquerda inteligente e honesta. Ou seja, nenhum. Seu grande exemplo, era um operário que morava em São Bernardo, que fazia o maior sucesso na mídia, e jactava-se de nunca ter lido um livro na vida. Esse era o herói de Ideli.

Sua carreira no sindicato foi meteórica. Muitos acreditam que o segredo de seu sucesso esteve no carisma e na voz, e para livrarem-se dela, fizeram ela chegar à CUT. Ideli podia ser feia, chata, de voz esganiçada, mas estava podendo e logo se lançaria na política. Mas isso, fica para uma outra vez.

"Ética" Kokay, impune, como os demais.

Rôney Nemer, deputado distrital pelo PMDB do DF - do mesmo partido de Joaquim Roriz, Pedro Passos, Benício Tavares e Eurídes Brito, só gente sangue bom - como corregedor da assembléia legislativa do DF, concluiu que será impossível provar que a deputada Erica Kokay, do PT do DF, tenha alguma culpa no caso da conta laranja que movimentava dinheiro de Caixa Dois. Segundo o corregedor, existem provas da irregularidade na movimentação da conta, mas não da participação da deputada no esquema. O deputado reconhece, todavia, que as pessoas envolvidas são muito próximas à distrital, e, como uma maneira de não parecer corporativista, admite que precisaria de um tempo maior para invetigar o caso; mesmo assim, seu parecer deverá ser inconclusivo sobre o envolvimento da parlamentar mais ética da assembléia do DF.

Já disse aqui, que no suposto crime de Caixa Dois, Érica "Ética" Kokay, não agiu melhor ou pior do que os seus pares, apenas fez o que a maioria ali dentro, faz: preciso dizer?

A mácula ficará, mas petista não se importa com isso. Com o tempo, eles reescrevem a história, e o que hoje é uma suspeita sobre a idoneidade de Erica, será, com um tempo, lembrada como uma piada de salão.

Quando, parlamentares que deveriam zelar pelo decoro, têm suas razões, sempre imorais, para fechar os olhos às falcatruas de colegas, assistimos estarrecidos, à absolvição de canalhas, que receberam de outros velhacos e velhacas, um atestado de honra. É fundamental para nós, saber que, em tempos de PT e de Renan, a qualidade e a moralidades dos que se fazem juízes, ao invés de atestar a inocência, reforçam a culpa.

21 setembro, 2007

A primavera

Asher Durand, Early Morning at Cold Spring, pormenor, 1850


Hoje é dia da árvore e no fim de semana mudará a estação. Aqui, no centro-oeste, o que temos é um tempo seco que faz os olhos arderem, o lábios racharem e a garganta doer. Não tenho a menor idéia sobre o que escrever, e sem idéia, recorro a um clássico de Vivaldi. Para não ficar só na música, posto também um dos mais belos poemas de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Alberto Caeiro.




Quando vier a primavera


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

19 setembro, 2007

Fernando Pessoa e resposta a gente aborrecida

Há muito tempo assisti a uma reportagem sobre as conseqüências do que se escreve na internet. Lá pelas tantas, um especialista falou: "as pessoas precisam entender que quando se põe algo na rede, isso vai ser lido por muita gente, gente que sequer imaginamos quem seja, gente do mundo todo". Fernando Pessoa, em mais um exemplo de genialidade, escreveu os seguintes versos:

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.

Esses versos de Pessoa ajudam a entender que quando publicamos algo na rede, esse algo deixou de ser apenas nosso, passou a ser de toda a humanidade. Assim, quando alguém usa o google, pode encontrar textos que o agrade ou que o aborreça. É do jogo.

Recebi em meu e-mail dois comentários de gente que se aborreceu com o que escrevi no dia 13 de maio. Na ocasião, eu escrevia sobre um comentário de uma tal de Sandra Camurça, que de maneira cândida, confessava que já fizera um aborto aos 21 anos, e, segundo ela, tinha sido "mais fácil que extrair um dente". Lendo o comentário acima, num post que condenava o aborto, chamei a moça de assassina. Pronto. 4 meses depois, alguns amigos da arquiteta de Recife, que se define como socialista, mas não passa de uma assassina confessa, resolveram tomar as dores e me achincalharam. Como meu blogue tem moderador, não publiquei seus comentários, explico porquê: eles comentaram no post do dia 13 de maio, por isso não faz sentido publicar comentários em posts muito antigos. Depois, como o blogue é meu, faço o que eu quiser com ele. Acho importante moderar, cuido de minha casa para não permitir que todo tipinho, entre. Tem que ter educação e ser limpinho. Todavia, decidi publicar nesse post os e-mails que recebi dessas pessoas que se aborreceram comigo.

Acantha

E vem você, o famoso quem mesmo?? posar de guardião do moral e dos bons costumes no mais puro estilo TFP...
Como é mesmo a frase? Atire a primeira pedra?
Você pode mesmo fazer isso?
Como eu falo para meu cachorrinho, quando ele apronta alguma: "põe a patinha na consciência", rapaz..
Adendo: moderação de comentários é política de covardes, senhor..
Permita que as pessoas se expressem.

A moça tenta me desqualificar lembrando minha absoluta irrelevância. Não sou famoso, mas até onde sei, mesmo os anônimos têm o direito de se expressar. Menos mal que eu seja um zé ninguém, assim, a confissão da blogueira tricolor passou desapercebida.

Depois, com certa ironia, ela me lembra do versículo bíblico que diz que quem não tiver pecado, atire a primeira pedra. O conceito de pecado só vale para quem tem uma religião. Essa gente detesta o cristianismo. Chega mesmo a deliciar-se com crônicas que ridicularizam a pessoa de Jesus. Aí, eles, que não são cristãos, pedem que eu não atire a primeira pedra. O que Sandra cometeu foi um crime, na lei dos homens, não apenas um pecado. Ela confessou, eu não inventei.

Acantha diz que fala com seu cãozinho, que quando ele faz uma traquinagem, pede para pôr a patinha na consciência. Imagino, quem sabe, que ela dedique mais amor ao seu cachorrinho do que a um filho. Não sei, apenas especulo. É comovente como essa gente é: não vêem problema em matar uma criança que está no ventre, mas dedica a um bicho um respeito e uma consideração que não têm pela vida humana.

Agora, é a vez de Jens.

Jens
Vou seguir o teu conselho e não vou perder tempo contigo. Um canalha que promove o linchamento moral de quem tem uma visão diferente da sua não merece mesmo atenção. Até nunca mais, pulha!

Jens é um rapaz bem humorado. Vive por aí reclamando da abstinência sexual forçada, tudo gozação, é claro. Mas Jens perdeu o humor com o meu post. Ainda bem que ele afirma que seguirá meu conselho. Ignorar-me-á. Assim, ele fica lá, eu fico aqui. Na paz de Deus. Só uma coisa: ele me chamou de canalha, pulha e acusou-me de fazer linchamento moral. O que ele não pode me chamar é de assassino. Linchamento moral? Quantas pessoas comentaram o post da discórdia? Ninguém me lê, fiquem descansados. Comentei uma confissão, não fiz nenhuma ilação. Sandra matou uma criança, aos 21 anos, ela disse, eu não inventei. E quem mata, é assassino.

Ah, sobre minha irrelevância, termino o post com os seguintes versos de Fernando Pessoa em Tabacaria

Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.








17 setembro, 2007

Desse jeito vale

Reproduzo na íntegra um post do Reinaldo Azevedo que destrói o trololó sobre a privatização da Vale. Fiquem com ele, e desmascarem um esquerdofrênico

Tire cópia.
Guarde na carteira.
Use como uma arma da inteligência contra a empulhação.

Estou me referindo ao artigo que Eduardo Graeff escreve hoje na Folha (“Lula e seus militantes amestrados”) sobre essa conversa mole da privatização da Vale do Rio Doce. Sempre que um petista, com a fala perturbada e o olhar esgazeado pela ideologia bananeira, babar números inconseqüentes, vocês devem fulminá-lo com a verdade. A verdade é a kriptonita do petista.

A gestão da Vale foi, felizmente, privatizada, sim. E, por conta disso:

1 – Em seis anos, ela recebeu US$ 44,6 bilhões em investimentos: nos 54 anos de estatismo, foram US$ 24 bilhões;

2 – Em 1997, inteiramente estatal, empregava 11 mil pessoas; hoje, 56 mil;

3 – Como estatal, produzia 35 milhões de toneladas de ferro; hoje, são 300 milhões;

4 – Em 1997, exportou US$ 3 bilhões; em 2006, US$ 10 bilhões (mais de um quarto do saldo positivo da balança comercial);

5 – Se a empresa realmente vale hoje US$ 50 bilhões, TRATA-SE DA VALE INTEIRA; em 1997, venderam-se se por US$ 3 bilhões APENAS 42% das ações ordinárias;

6 – Quem continua a ser o verdadeiro “dono” da Vale? O fundo de pensão do Banco do Brasil e o BNDES: eles detêm dois terços do capital da empresa;

7- O outro terço se distribui entre Bradesco, a japonesa Mitsui e mais de 500 mil brasileiros que aplicaram parte do FGTS em ações da companhia.

Isso que vai acima é a verdade. Não a cascata que está sendo contada nas igrejas por padres que entendem de economia o que tendem dos Evangelhos: NADA!!! Eis a verdade, não o que os bispos brasileiros permitem que se fale nos púlpitos. Se quer entrar nesse mérito mundano, que nada tem a ver com Deus, dom Odilo Scherer deveria levar a boa-nova a seus fiéis, em vez conspurcar o altar com a urna da mistificação.

A mentira é coisa do demônio, bispo!

A verdade sobre a Vale também é a verdade sobre as outras empresas privatizadas, especialmente no setor de telefonia. Ou daquela que é hoje um caso de sucesso global: a Embraer, que foi da falência certa a um caso formidável de sucesso.

Vocês conhecem a capacidade da esquerda de contar mentiras. Mais do que isso: ela acha que a mentira é moral se for para garantir o que entende ser o bem da humanidade. Ela não tem qualquer receio de fraudar, de trapacear, de enganar se for para ver triunfar a sua verdade particular. Também é capaz de matar. Em proporções industriais. Não! Em proporções que faria Homero corar.

Lembram-se do post sobre a entrevista de Marxilena Oiapoque à revista portuguesa Debate? Ela admite que o PT meteu a mão na sujeira, mas diz que seu maior patrimônio é a “ética na política”. E isso significa que ela não distingue a fronteira entre a verdade e a mentira.

Não permita que a baba hidrófoba se espalhe por aí. Contra ela, use apenas a verdade.

16 setembro, 2007

Ligações indiscretas.

A aposta de Renan, à primeira vista, parecia segura. Contava com o esmorecimento das denúncias e com o corporativismo da casa. O corporativismo se confirmou, mas o esmorecimento das denúncias, não. A situação de Renan só está no nível atual, por causa da imprensa, e vale dizer de forma clara: por causa do jornalismo de Veja e da TV Globo.

O trecho acima foi escrito no dia 09 de agosto, e já o citei no post Confesso que errei. Retomo-o agora para algumas observações adicionais.

Segundo a matéria de Veja desta semana e reportagem do Estadão deste domingo, não foram os temores - ou apenas eles - que explicaram porque alguns senadores, a despeito das provas cabais de quebra de decoro por parte de Renan, decidiram afrontar a opinião pública e protagonizar o mais vergonhoso espetáculo do legislativo em todos os tempos. Os senadores deviam favores a Renan. De um bom apartamento funcional, passando pela indicação política de algum parente - filho, sobrinho, mulher, - até a liberação de viagens ao exterior com tudo pago pelos nossos impostos, com "alguém muito especial", muitos senadores eram por assim dizer, agradecidos ao presidente do senado. Esses pequenos favores, que Renan soube cobrar com estilo, ajudaram o presidente do senado na absolvição. Além disso, a oferta de um tal Gilberto Miranda, literalmente, comprou a consciência de outros tantos senadores, que nem cobrariam, mas já que ofereceram, pegaram.

O corporativismo falou mais alto que o clamor da opinião pública por mais decência. Mais influente que o corporativismo, foram as revelações que Renan poderia fazer, caso perdesse o mandato e os direitos políticos; e para fechar o pacote, o incentivo de Gilberto Miranda amoleceu senadores de corações duros e bolsos sensíveis.

A razão para esse post vem agora: por que quem mais se felicitou com a absolvição de Renan foram a petralhada e um certo grupo de jornatralhas que, na arena dos próprios ressentimentos, estão mais preocupados em combater a Veja e a Globo, do que defender o decoro dos homens públicos?

Quando escrevi que o jornalismo de Veja e da TV Globo não deixaram as denúncias contra Renan caírem no esquecimento, essa percepção também foi da militância petista e dos jornalistas alinhados com o PT. Para mim, a gênese da tese de que a absolvição de Renan foi uma derrota da "Mídia", está no fato de os seus defensores serem gente que sempre nutriram um ódio mortal, quase espiritual, contra Veja e a TV Globo. Espíritos de porcos que são, para eles o que interessa é a desqualificação dos concorrentes ou dos adversários, mesmo a custo da defesa da absolvição de uma pessoa como Renan Calheiros. O tempo vai dizer quem é quem nesse imbróglio.

Renan diz que não se afastará da presidência. Viajou com a família. Lula diz que se Renan ligar, irá recebê-lo, como sempre fez. Os petistas que se abstiveram ou que votaram contra a cassação, cobram nos bastidores que Renan se afaste, pelo menos até a aprovação da CPMF. O novo capítulo dessa novela abjeta é saber se Renan some por uns tempos ou se permance no centro do furacão.

Uma última pergunta: será que se José Dirceu ligar para Lula, ele o recebe? Afinal, o chefe da quadrilha do Mensalão não declarou à revista Playboy que um telefone seu para o Planalto, modéstia à parte, era um telefonema?

13 setembro, 2007

"Há algo de podre no reino da Dinamarca"

Lula, nas terras geladas da escandinávia (Noruega) tenta fazer seu populismo chinfrim. A criança, sábia, protestou. Num país onde as pessoas não precisam do governo, até as crianças tem aversão a políticos como Lula.

Antes, Lula visitou a Dinamarca. Como Hamlet, é lícito dizer dessa visita de nosso presidente à Jutlândia: "Há algo de podre no reino da Dinamarca."

Não cansam de mentir

SENADORES PARTIDO ESTADO POSIÇÃO
Adelmir Santana DEM DF a favor da cassação
Almeida Lima PMDB SE contra a cassação
Aloizio Mercadante PT SP abstenção
Álvaro Dias PSDB PR a favor da cassação
Antonio Carlos Júnior DEM BA a favor da cassação
Antônio Carlos Valadares PSB SE a favor da cassação
Arthur Virgílio PSDB AM a favor da cassação
Augusto Botelho PT RR a favor da cassação
César Borges DEM BA a favor da cassação
Cícero Lucena PSDB PB a favor da cassação
Cristovam Buarque PDT DF a favor da cassação
Delcidio Amaral PT MS a favor da cassação
Demostenes Torres DEM GO a favor da cassação
Edison Lobão DEM MA não divulga o voto
Eduardo Azeredo PSDB MG a favor da cassação
Eduardo Suplicy PT SP a favor da cassação
Efraim Morais DEM PB a favor da cassação
Eliseu Resende DEM MG a favor da cassação
Epitácio Cafeteira PTB MA não divulga o voto
Euclydes Mello (*) PTB AL contra a cassação
Expedito Júnior PR RO não divulga o voto
Fátima Cleide PT RO não divulga o voto
Flávio Arns PT PR a favor da cassação
Flexa Ribeiro PSDB PA a favor da cassação
Francisco Dornelles PP RJ contra a cassação
Garibaldi Alves Filho PMDB RN a favor da cassação
Geraldo Mesquita Júnior PMDB AC não divulga o voto
Gerson Camata PMDB ES a favor da cassação
Gilvam Borges PMDB AP contra a cassação
Gim Argello PTB DF contra a cassação
Heráclito Fortes DEM PI a favor da cassação
Ideli Salvatti PT SC não divulga o voto
Inácio Arruda PCDOB CE não divulga o voto
Jarbas Vasconcelos PMDB PE a favor cassação
Jayme Campos DEM MT a favor da cassação
Jefferson Peres PDT AM a favor da cassação
João Durval PDT BA não divulga o voto
João Pedro PT AM não divulga o voto
João Ribeiro PR TO não divulga o voto
João Tenório PSDB AL contra a cassação
João Vicente Claudino PTB PI não divulga o voto
Jonas Pinheiro DEM MT a favor cassação
José Agripino DEM RN a favor da cassação
José Maranhão PMDB PB não divulga o voto
José Nery PSOL PA a favor da cassação
José Sarney PMDB AP contra a cassação
Kátia Abreu DEM TO a favor da cassação
Leomar Quintanilha PMDB TO não divulga o voto
Lúcia Vânia PSDB GO a favor da cassação
Magno Malta PR ES a favor da cassação
Mão Santa PMDB PI não divulga o voto
Marcelo Crivella PRB RJ abstenção
Marco Maciel DEM PE a favor da cassação
Marconi Perillo PSDB GO a favor da cassação
Maria do Carmo Alves DEM SE a favor da cassação
Mário Couto PSDB PA a favor da cassação
Marisa Serrano PSDB MS a favor da cassação
Mozarildo Cavalcanti PTB RR não divulga o voto
Neuto De Conto PMDB SC não divulga o voto
Osmar Dias PDT PR a favor da cassação
Papaléo Paes PSDB AP a favor da cassação
Patrícia Saboya PSB CE a favor da cassação
Paulo Duque PMDB RJ contra a cassação
Paulo Paim PT RS a favor da cassação
Pedro Simon PMDB RS a favor da cassação
Raimundo Colombo DEM SC a favor da cassação
Renan Calheiros PMDB AL abstenção
Renato Casagrande PSB ES a favor da cassação
Romero Jucá PMDB RR não divulga o voto
Romeu Tuma DEM SP a favor da cassação
Rosalba Ciarlini DEM RN a favor da cassação
Roseana Sarney PMDB MA contra a cassação
Sérgio Guerra PSDB PE a favor da cassação
Sérgio Zambiasi PTB RS a favor da cassação
Serys Slhessarenko PT MT não divulga o voto
Sibá Machado PT AC não divulga o voto
Tasso Jereissati PSDB CE a favor da cassação
Tião Viana PT AC não divulga o voto
Valdir Raupp PMDB RO não divulga o voto
Valter Pereira PMDB MS não divulga o voto
Wellington Salgado PMDB MG contra a cassação

(*) A assessoria informou que o senador não revelaria o voto, mas o próprio Euclydes Mello disse ao G1 que votou contra a cassação.

A tabela abaixo está no site do G1. Contem, e vocês verão que 46 senadores declararam que votaram a favor da cassação de Renan. No placar oficial, foram 35 votos, logo, 11 senadores, no mínimo, estão mentindo. Mais: estão rindo de nossa cara. Eis porque empenharam-se tanto em tornar a sessão secreta. Crápulas.


Renan tripudia, do seu jeito. Declarou que se absteve na hora da votação. É óbvio que ele mente. Ah, mas mentir é com ele mesmo.

Os que não divulgam o voto, claro, votaram contra a cassação.

OS Seis covardes:

Aloizio Mercadante, Fátima Cleide, Sibá Machado, Ideli Salvati, João Pedro e Marcelo Crivella.

12 setembro, 2007

O primeiro covarde.

O primeiro covarde já apareceu. Engraçado, não me surpreende ele ser petista, menos ainda, ele ter sido Aloizio Marcadante (PT-SP). Segundo o blog do Josias, ele respondeu assim às perguntas do jornalista:

- Por isso se absteve?

Votei pela abstenção.

- Não acha que esse é o pior dos votos?

Não. Houve 40 votos favoráveis à anulação do processo. Outros 35 cassavam o mandato. Eu achava que as duas decisões eram precipitadas, por ausência de conclusão na investigação.


Segundo o blog do Reinaldo, muitos senadores acreditam que boa parte das abstenções tenham sido de petistas. Em tempo de abstenções decisivas, vou me abster de comentar a ação desse covarde.
PS: São 13:05, e acabo de saber que as outras abstenções foram de Sibá Machado (PT - AC), Ideli Salvati (PT - SC), Fátima Cleide (PT - RO) e João Pedro (PT - AM), que junto com Aloizio Mercadante, formaram a bancada da abstenção e da covardia. A bancada que ratificou a avacalhação no Poder Legislativo.
Quem diria que o PT teria como macular ainda mais a sua, já porca, reputação? Pois é, quando a gente pensa que um petista chegou no limite, ele sempre dá mais um passo.




A vitória dos ímpios, mais uma vez.

Foi no Natal de 1823, que, na então província de Pernambuco, um frade carmelita criava o seu jornal para denunciar as práticas autoritárias e absolutistas de D Pedro I. O religioso se chamava Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, seu jornal, O Tiphis Pernambucano. Pois bem, nesse número de estréia, escrevia o famoso padre liberal:

"Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe as nuvens, ora se submerge nos abismos; quando, levada do furor dos euripos, feita o ludíbrio dos mares, ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro ..."

Frei Caneca é de um tempo que não volta mais. Nesse tempo, padre revolucionário era liberal. Nesse tempo, a clareza e a sofisticação dos discursos eram marcas de distinção. Nesse tempo, violência institucional era não respeitar os trâmites legais. No semanário, Frei Caneca era duro com o "grupo português", que na época, era bastante combatido pelos brasileros que assumiam uma postura claramente anti-lusitana. Criticava o governo não pela corrupção ou pusilanimidade, mas pelo absolutismo, e, segundo o padre, pela incompetência e ardilosidade do grupo português que o imperador deixava mais junto de si, nas questões de estado.

Em 12 de novembro de 1823, a Assembléia Constituinte, reunida no Rio de Janeiro, foi cercada pelas forças militares a mando de D Pedro I. Acuados, os deputados resistiram em sessão permanente, por uma noite - A Noite da Agonia - mas no fim, prevaleceu o argumento das armas e dos canhões. Desiludidos, os parlamentares foram saindo um a um. Consta-se que Antônio Carlos Andrada, irmão de José Bonifácio, fez um gesto simbólico ao deixar o prédio da Assembléia. Na frente dos canhões, curvou-se, retirou o chapéu, e disse: "respeito muito o vosso poder".

No passado remoto ou mesmo recente, falo especificamente de 1968 e do caso Márcio Moreira Alves, nosso Parlamento foi aviltado pela força. Hoje, em tempos de Lula e do PT, foi o próprio poder legislativo que se aviltou. A absolvição de Renan Calheiros foi mais um escárnio da classe política. Foi uma vergonha.

Os 6 covardes

O que mais me deixou indignado, foram as seis abstenções na votação. Pior que votar pela absolvição, foi ficar em cima do muro. Seis senadores ou senadoras acovardaram-se. Mesmo diante do sigilo do voto, optaram por não se comprometer. Foram mais canalhas que Renan. Sabem, esses seis covardes, que ao se absterem, ajudaram o senador a se safar. Se não votaram pela absolvição, ajudaram, pela covardia, a absolver. Quem foram esses seis? Quero muito saber.

Vou terminar esse post com outro gigante do século XIX, o poeta Castro Alves. Em A mãe do cativo, ele aconselha uma escrava que cuidava do filho, a ensinar outros valores ao pequeno. Talvez eu deva, para o bem do pequeno e bravo Estêvão, ensinar os mesmos conselhos do poeta baiano.

A mãe do cativo.

Ó mãe do cativo! que alegre balanças
A rede que ataste nos galhos da selva!
Melhor tu farias se à pobre criança
Cavasses a cova por baixo da relva.


Ó mãe do cativo! que fias à noite
As roupas do filho na choça da palha!
Melhor tu farias se ao pobre pequeno
Tecesses o pano da branca mortalha.


Misérrima! E ensinas ao triste menino
Que existem virtudes e crimes no mundo
E ensinas ao filho que seja brioso,
Que evite dos vícios o abismo profundo ...


E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas,
O raio da espr'ança... Cruel ironia!
E ao pássaro mandas voar no infinito,
Enquanto que o prende cadeia sombria! ...



II


Ó Mãe! não despertes est'alma que dorme,
Com o verbo sublime do Mártir da Cruz!
O pobre que rola no abismo sem termo
Pra qu'há de sondá-lo... Que morra sem luz.


Não vês no futuro seu negro fadário,
Ó cega divina que cegas de amor?!
Ensina a teu filho - desonra, misérias,
A vida nos crimes - a morte na dor.


Que seja covarde... que marche encurvado...
Que de homem se torne sombrio reptíl.
Nem core de pejo, nem trema de raiva
Se a face lhe cortam com o látego vil.


Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se
Ao frio das noites, aos raios do sol.
Na vida - só cabe-lhe a tanga rasgada!
Na morte - só cabe-lhe o roto lençol.


Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se
Bem como a serpente por baixo da chã
Que impávido veja seus pais desonrados,
Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.


Ensina-lhe as dores de um fero trabalho...
Trabalho que pagam com pútrido pão.
Depois que os amigos açoite no tronco...
Depois que adormeça co'o sono de um cão.


Criança - não trema dos transes de um mártir!
Mancebo - não sonhe delírios de amor!
Marido - que a esposa conduza sorrindo
Ao leito devasso do próprio senhor! ...


São estes os cantos que deves na terra
Ao mísero escravo somente ensinar.
Ó Mãe que balanças a rede selvagem
Que ataste nos troncos do vasto palmar.



III


Ó Mãe do cativo, que fias à noite
À luz da candeia na choça de palha!
Embala teu filho com essas cantigas...
Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.

11 setembro, 2007

Confesso que errei.

Geralmente, quando um um jornalista ou analista, faz uma previsão que se confirma, com certa e justificada jactância, ele lembra aos leitores de que aquele fato fora previsto por ele há algum tempo. Eu, que não sou jornalista nem analista, muitas vezes aqui, já lembrei aos meus 6 leitores, sem disfarçar o orgulho, de certas análises e previsões que se confirmaram.

O incomum, é quando a análise e a previsão falham, o analista vir a público confessar, entre envergonhado e sem graça, que errou. Eu errei sim, e feio, no caso Renan. Escrevi em 09 de agosto, um post onde eu afirmava com todas as letras que Renan iria renunciar ao cargo para tentar salvar o mandato, e, mesmo assim, não evitaria a cassação. Minha hipótese partia de um pressuposto moral, isto é, diante das provas evidentes que o presidente do senado mentira aos seus pares, não restaria a ele outra alternativa que não fosse a renúncia do cargo como uma maneira de preservar o mandato, mas mesmo assim, dizia eu em 9 de agosto, ele seria cassado.

Renan não tem vergonha na cara. Ele não está nem aí para as evidências. Renan é um político como tantos outros que temos por aí, como Almeida Lima,Wellington Salgado, Sibá Machado, Ideli Salvati, que não se incomodam em defender o indefensável. Contam, como sempre, com o cinismo e a desfaçatez, como aliados. Renan é desse time, diria mais: pela postura que teve e que ainda tem, ele está mais para o dono do time, ao menos no senado.

Todos estão cautelosos sobre o resultado da sessão secreta de amanhã que decidirá sobre a cassação do mandato do senador Renan Calheiros. Não entro no mérito da sessão ser secreta. Se ali existirem 41 senadores dispostos a salvar o senado, não haverá como Renan escapar da cassação. Todavia, o que se sabe até agora, é que a maioria dos senadores está querendo salvar a própria pele, não o senado; e, por isso, Renan terá mais chances de sair absolvido pelos pares, enquanto o senado agoniza de vergonha.

Cogita-se que ao ser absolvido, Renan renunciará ao cargo de presidente. Seria uma maneira de satisfazer, em parte, a sociedade, e, também, uma maneira do governo conseguir aprovar a RECRIAÇÃO da CPMF, que pode empacar no senado, caso Renan permaneça no cargo. Acho essa saída de uma pusilanimidade sem limites. Cassar Renan é um imperativo ético e moral. Esse papo de Governo X Oposição é balela. Renan é um mal, uma doença maligna que contamina a instituição. Exrtirpá-la é uma maneira de salvar o senado. A rigor, porque as provas são muitas, todos deveriam votar pela cassação, mas, infelizmente, há uma grande chance, ainda que por uma margem pequena, de Renan escapar.

Seria de bom alvitre que amanhã, às 11 horas, na frente do congresso, os cidadãos de bem parassem e acompanhassem a decisão dos senhores senadores. Aguardando, ansiosos, se os senadores preservarão o mentiroso e corupto ou o senado.

PS: Meus caros, são 22:51, e passo aqui para registrar um fato: ao liberarem suas bancadas para votarem como quiserem, "de acordo com suas consciências" (eu diria de acordo com seus temores), o PT e o PMDB, estão, na prática, confessando que defender Renan não é ético, nem moral; do contrário, fechariam questão recomendando a absolvição do senador. Sabem tanto que Renan é culpado, que preferiram agir como Pilatos, lavando as mãos, evitando assumir o ônus de defender publicamente o senador. Vai adiantar? Acho que não.

09 setembro, 2007

Ciao, Pavarotti!

Na última quinta, o mundo soube que o tenor italiano Luciano Pavarotti vivia seus últimos momentos derrotado por um câncer no pâncreas. A mídia fez justas homenagens a este homem, que não foi apenas um talento excepcional, mas um propagador da música erudita. Duvido que haja alguém que mesmo que não tenha ouvido alguma ópera, quiçá saiba o que seja uma, que não conheça Luciano Pavarotti.

Não sou um conhecedor profundo das óperas. Aprecio, apenas. Outro dia, em Brasília, foi encenada a ópera Carmem, do francês Bizet, que nunca pisou em sevilha, cidade onde ocorre a estória da Ópera. Foi ao ar livre, ali na Torre de TV, mas o pequeno e bravo Estêvão, impediu-me de assisti-la.

Minha homenagem pessoal a Luciano Pavarotti é postar a ária, una furtiva lacrima, e dividir com vocês, o prazer de ouvi-la na voz retumbante e inesquecível do tenor de Modena.
Get this widget | Share | Track details



Una furtiva lacrima
Negli occhi suoi spuntò...
quelle festose giovani.
Invidiar sembrò...
Che più cercando io vò?
M'ama si, m'ama, lo vedo, lo vedo
Un solo istante i palpiti
Del suo bel cor sentir!...
I miei sospir confondere
Per poco a' suoi sospir!...
I palpiti, i palpiti sentir!
Confondere i miei con suoi sospir.
Cielo, si può morir,
Di più non chiedo, non chiedo.
Cielo, si può, si può morir;
Di più non chiedo,
Si può morire,
Si può morir d'amor.

L'elisir d'amore de Gaetano Donizetti (1797-1848)

Essa lingua portuguesa.

A língua portuguesa é traiçoeira até mesmo para quem lida com ela e deveria, por dever de ofício, usá-la com esmero. Eu, que não passo de um professor de história, sem eira nem beira, que procura errar o menos possível quando escreve e quando fala, também cometo meus deslizes, mas ao contrário de alguns, fico satisfeito quando me corrigem.

Foi na edição do último sábado, dia 08 de setembro, que numa matéria veiculada pelo Jornal Nacional, o repórter Roberto Paiva, ao falar sobre o perigo de se viajar de barco em Belém, deu uma deslizada daquelas, na conjugação do verbo viajar no modo subjuntivo, mais precisamente, no imperfeito do subjuntivo. Confiram a deslizada clicando aqui. É preciso esperar uns 45 segundos para constatar a derrapada.

Os gramáticos chamam de correlação verbal, a articulação temporal entre duas ou mais formas verbais. O erro do jornalista foi fazer essa correlação de forma inadequada. O vacilo do repórter, que passou batido pelos editores e revisores do jornal, foi o seguinte:

"Muitos passageiros desconhecem o que vai nos porões dos barcos, se soubessem, talvez não viajariam. O " se soubessem", seguido do "talvez" - e aqui está o x da questão - um condicional, exige o verbo viajar no modo imperfeito do subjuntivo. O certo seria, então: "Muitos passageiros desconhecem o que vai nos porões dos barcos, se soubessem, talvez não viajassem"

É bobagem? Não, não é. É uma prova de que até no ensino superior, nas faculdades de jornalismo, sobretudo, muitos formados também penam para usar corretamente a gramática. O pior, é que tem gente que acha isso - escrever certo - pedantismo, falta do que fazer. Outros, refugiam-se num argumento curioso: "não me preocupo com a gramática, sou um literato".

Saber gramática não é garantia para se ser um gênio das letras, mas é um amparo, seguro e confiável, para não se passar vexame por aí.

07 setembro, 2007

Língua Portuguesa.

Outro dia, na escola, uma colega de geografia mostrou-se preocupada com o rendimento de seu filho na prova de gramática. Como dou aula para o filho dela, aproveitei o ensejo para fazer um proselitismo do bem, penso. Disse aos alunos que na escola há duas disciplinas fundamentais. Todos esperavam que eu dissesse que História seria uma delas, mas já fui esclarecendo que história não tem importância nenhuma para o sucesso deles, no futuro. Claro que minha hipérbole foi retórica, mas a utilizei para destacar a importância capital que a língua portuguesa e a matemática têm para o futuro dos meninos e das meninas.

Surtiu efeito? Não sei. Melhor do que o meu discurso nessa turma, é a matéria de capa de Veja desta semana. Claro que vou comentá-la em sala, pois ela reforça a idéia que defendi na turma. Em época de Lula, defender a importância da gramática é também uma maneira de se lhe fazer oposição (hehehehe)

Abaixo, republico um post do dia 7 de julho, há exatos dois meses, onde comento um texto do professor Marcos Bagno, bastante oportuno para o tema de destaque dessa edição de Veja. Também posto links de outros textos meus que, de uma forma ou de outra, tratam do mesmo tema.

A LINGUA ACHADA NA RUA

A revista Veja que já está disponível para os assinantes na internet, traz uma matéria sobre a UNB e a inicia da seguinte maneira: A Universidade de Brasília é a vanguarda do retrocesso no Brasil” mais adiante arremata: “A UnB é ainda líder nas ações afirmativas em favor dos negros e na estupidez com que as implementa.” Vou dar minha singela contribuição para reforçar essa péssima imagem que a UNB está, de forma tão competente, construindo.

Recebi há alguns dias, a revista Carta Capital na Escola. Não dei atenção às matérias porque tenho mais o que fazer do que ler essa revista. Contudo, assim, quase sem querer, li a última página da revista que traz um pequeno artigo de um tal Marcos Bagno, professor da UNB e segundo a revista, também tradutor e lingüista. O texto é uma mixórdia de esquerdismo bocó da UNB com o método Paulo Freire de enganação. Vamos ao texto:

“Nossa tradição escolar sempre desprezou a língua viva, falada no dia-a-dia, como se fosse toda errada, uma forma corrompida de falar “a língua de Camões”. Havia (e há) a crença forte de que é missão da escola consertar a língua dos alunos, principalmente dos que vêm de grupos sociais desprestigiados, como a maioria dos que freqüentam a escola pública. Com isso, abriu-se um abismo profundo entre a língua (e a cultura) própria dos alunos e a língua (e a cultura) própria da escola, uma instituição comprometida com os valores e ideologias dominantes. Felizmente, nos últimos 20 e poucos anos, essa postura sofreu muitas críticas e cada vez mais é aceita que é preciso levar em conta o saber prévio dos estudantes, sua língua familiar e sua cultura característica, para, a partir daí, ampliar seu repertório lingüístico e cultural”

O professor Marcos Bagno que dá aulas na UNB - engraçado, isso não me surpreende - começa dizendo que nossa tradição escolar despreza a língua viva, aquela do cotidiano, das mesas de bar e das conversas nas esquinas. O que o professor considera uma violência, a saber, a escola ensinar a língua portuguesa aos estudantes, nada mais é que uma obrigação da escola. Não há desprezo pela língua errada do povo - Manuel Bandeira fez um verso belíssimo sobre esse assunto, mas falarei depois - há, quer dizer, já houve, a preocupação de ensinar o aluno, seja ele de onde for, da periferia ou não, como se deve escrever e falar a norma culta. A escola não castra as gírias, as singularidades dos grupos, ela apenas ensina, quer dizer, ensinava, como escrever e como falar a "língua de Camões, de Antônio Vieira, de Eça de Queirós, de Fernando Pessoa e de Machado de Assis."

Em outro trecho, o autor afirma que a escola é uma instituição comprometida com a ideologia das classes dominantes. Esse professor só dá aula na UNB - o que não deixa de ser um bom augúrio, imagina ele dando aulas por aí, já basta ele formando professores para ensinar a "língua achada na rua". Se o ilustre professor, com mestrado na UFPE e doutorado na USP, freqüentasse as escolas públicas e privadas em Brasília e no Brasil, constataria que a ideologia dominante na classe docente, é a ideologia do esquerdismo bocó.

A influência do picareta Paulo Freire fica clara no seguinte trecho: “Felizmente, nos últimos 20 e poucos anos, essa postura sofreu muitas críticas e cada vez mais é aceita que é preciso levar em conta o saber prévio dos estudantes, sua língua familiar e sua cultura característica, para, a partir daí, ampliar seu repertório lingüístico e cultural” Para o professor temos que avaliar o conhecimento prévio do aluno, admitir como válida sua maneira de se expressar, e, a partir daí, levá-lo a ampliar seu repertório lingüístico e cultural. É mais ou menos assim: dizemos para o aluno que sua maneira de falar e de escrever são interessantes, até bonitas, mas existe uma outra, que não é melhor, mas que vale a pena saber, afinal é a utilizada nos manuais, a cobrada nos vestibulares e concursos, a que garante uma vaga de emprego e a que estará nos livros se ele, o aluno, decidir prosseguir seus estudos. Assim, convencido de nossas boas intenções, o aluno, sem perder suas idiossincrasias lingüísticas, aprende a norma culta. Ora, ora, se um jovem acostumado a falar de um jeito, assim libertador e incogniscível, aprende que a norma padrão é apenas mais uma, não a fundamental para uma série de coisas, ele ficará com aquela que demandar menor esforço. Não é à toa que tantos alunos foram mal no exame medido pelo Ideb.

outro trecho do artigo:

“Por isso, em vez de reprimir e proibir o uso, na escola, da linguagem dos jovens, há muito mais vantagens em dar espaço para ela em sala de aula, promover algum tipo de trabalho que tenha como objeto essa linguagem. Por exemplo, trazer para a sala de aula a produção escrita ou musical desses jovens – grafites, fanzines, raps - , examinar os traços lingüísticos mais interessantes, os tipos de construção sintática mais freqüentes, a pronúncia, o vocabulário, sem erguer barreiras preconceituosas contra gírias e expressões consideradas “vulgares”. Sugerir atividades lúdicas como “traduzir” um poema clássico para a linguagem dos guetos, das favelas e das periferias.”

A escola não reprime a “língua achada na rua”, antes, é a norma culta, a forma correta de escrever e falar a língua portuguesa que sofre discriminação e preconceito, e pasmem, esse preconceito também vem de professores, muitos de língua portuguesa, quem sabe alunos do senhor Marcos Bagno.

Fico aqui pensando nas aulas de poesia e literatura segundo Marcos Bagno. Versos de hip hop ombreariam com versos de Bandeira, Drummond, João Cabral e Quintana, para ficar em alguns poetas conhecidos. Quem sabe o funk de Tati quebra barraco seja, em termos de língua, tão valiosos, quanto versos de Ferreira Gulart. Essa sugestão do Professor Marcos Bagno chegou até no programa de língua portuguesa do PAS da UNB. Os alunos são obrigados a ler um tal de Meu tio matou um cara, um livro estúpido, que atrapalha a formação do aluno, mas para a UNB, é uma maneira de se aproximar do universo do jovem.

Marcos Bagno é mesmo um achado. Segundo ele, os que vivem nos guetos - existe isso no Brasil?- nas favelas e na periferia, não precisam usar a norma culta se não quiserem interessar-se por ela. São todos representantes legítimos do idioma dos explorados. Eu nasci na periferia e sempre desejei aprender a escrever e a falar conforme a norma culta, se eu não consegui, uma parcela é culpa minha, outra, grande, é culpa de professores que não foram tão exigentes comigo. Outra curiosidade que tenho é como seria a “tradução” de um poema clássico para a “língua achada na rua” que Marcos Bagno defende. Prometo fazer o exercício.

o texto dele acaba agora.

“É urgente reconhecer que todas as formas de expressão são válidas e constituem a identidade individual e coletiva dos membros das múltiplas comunidades que compõe nossa sociedade Que a formação do cidadão também passa pela admissão, no convívio social, de todas as formas de falar e de escrever. Que é preciso levar o estudante a se apoderar de recursos lingüísticos mais amplos, para que se possa inserir (se quiser) na cultura letrada, isso não deve passar pela supressão nem pela substituição de outros modos de falar, de amar e de ser.”

A língua é uma roupa. Às vezes é indispensável um traje mais formal, outras vezes, uma sunga é o traje mais adequado. Se todas as formas de expressão são válidas, é forçoso reconhecer que saber usá-las nas ocasiões corretas é indispensável. O que a escola faz, ou deveria fazer, é ensinar a língua achada na gramática, para que naquela festinha black tie, o rapaz e a mocinha não compareçam com roupinhas inadequadas. Será que o departamento de letras da UNB aceitaria um candidato que escrevesse assim: “a parada é a seguinte: vamo mexer umas tretas aí, pra fazer uma paradinha de responsa”. Ou: Voxê é minha amigucha do coraxão. ou ainda: K8rpo
O professor, festejado na UNB, invoca um conceito caro aos esquerdofrênicos que é o multiculturalismo. Desde as mais priscas eras, a língua é um elemento que dá identidade nacional a uma coletividade. Esse pessoal da UNB parece que gosta de guetos, de grupos, detesta universalizar o saber e os direitos.


outros textos: 16 dezembro 2006 e 07 de julho de 2007.

06 setembro, 2007

Independência ou Morte, e muita sorte.

A imagem acima talvez seja da iconografia histórica brasileira, uma das mais conhecidas, ao lado do famoso quadro de Tiradentes esquartejado, ambos pintados por Pedro Américo. Boa parte dos brasileiros, mesmo sem muita instrução escolar, reconhece o quadro e, de pronto, são capazes de dizer que se trata do Grito do Ipiranga, da Independência do Brasil.

Todavia, o que pouca gente sabe, é que o quadro foi confecionado entre 1886 e 1888, na Europa, mais precisamente na Itália, e, ainda que pese a pesquisa histórica feita pelo artista, que chegou ao preciosismo de ouvir pessoas que participaram da cena, o pintor não se furtou de fazer a sua "leitura" pessoal do fato histórico.

A beleza altiva das montarias, as roupas de luxo, a topografia do lugar, a própria altivez do príncipe regente, D Pedro, tudo ficção; ou, se preferirem, uma glamourização do evento, que de resto, esteve longe de ser a cena plástica criada e imortalizada por Pedro Américo.

Seria pitoresco citar, por exemplo, que o príncipe acabara de sair do mato, como disse um aluno numa prova recente do 8° ano (antiga 7a série), levantando as calças, quando recebeu, em mãos, uma carta de José Bonifácio lhe pondo a par das últimas determinações das Cortes de Lisboa. Diante de um ultimato que as Cortes lhe impunha, D Pedro bradou o famoso independência ou morte.

Quero chamar atenção, contudo, para o personagem secundário da cena. Olhem lá, no canto inferior esquerdo, um tocador de bois, um popular, um excluído para utilizar uma expressão da moda, que pela cor da pele e pelas roupas, em tudo destoa da cena principal do quadro. Para mim, é neste personagem que está a genialidade de Pedro Américo. O "excluído" representa a forma como a população pobre recebeu a notícia da emancipação política do país: com espanto, sem entender direito o que estava acontecendo.

Pedro Américo fez uma espécie de "fotoshop" na cena do Grito, chegou a colocar a Guarda de Honra do imperador, regimento criado, é óbvio, após a emancipação; logo, não poderiam ter participado da cena. Porém, foi suficientemente didático, ali no canto inferior da tela, ao mostrar que a independência do Brasil foi conduzida pela elite brasileira.

Isso foi ruim? Para mim foi alvissareiro. Os grupos mais radicais, que defendiam entre outras coisas a participação popular de forma mais direta, inspiravam-se em modelos revolucionários que prometiam justiça e liberdade, mas que só produziram violência e morte. Não custa lembrar que um dos defensores mais ferrenhos de uma independência pela elite, foi José Bonifácio, que entre os seus projetos, constava a gradual abolição da escravidão no Brasil. Se o projeto vencedor foi mais conservador do que queria José Bonifácio, ao menos evitou os perigos da anarquia que os mais radicais, aqueles que queriam o povo no poder, procuravam.

Acreditem. Se no centro da cena estivesse o 'tocador de bois" e seus seguidores, manipulados pelos radicais, essa bagunça que chamamos de Brasil não existiria hoje, estaria repartido em diversas nações.

A unidade territorial do país não foi obra do acaso. Mantê-la foi sempre a principal preocupação da elite. Se, nas década de 1830, essa unidade não se rompeu, foi sobretudo pela ação enérgica de políticos conservadores, que enfrentando as rebeliões regenciais, evitaram a desintegração do território brasileiro.

03 setembro, 2007

Grito dos Excluídos ou como o inferno está cheio de boas itenções

Observem a imagem. Faltou pouco para o lema das Teses de Abril de Lênin: Terra, Paz e Pão! Sabe onde isso acabou? No totalitarismo stalinista

Sete de Setembro, Brasília, Eixo Monumental. Está prevista uma manifestação organizada pela Igreja - considerada progressista – e por partidos de esquerda, além de ONGs públicas – porque sobrevivem com dinheiro de nossos impostos– conhecida pelo nome pomposo de Grito dos Excluídos! Segundo os organizadores, a marcha ocorrerá simultaneamente ao desfile militar que acontece todos os anos. A intenção é clara: eles, os manifestantes, querem os holofotes da imprensa, e, quem sabe, provocar a caserna, que já anda ressabiada com a tolice revanchista de revisionismo da Lei de Anistia.

A manifestação será contra a corrupção, a privatização da Vale do Rio Doce , a desigualdade social e por uma democracia direta, isto é, com o povo participando diretamente das decisões do país. Não duvido que durante a marcha (os esquerdofrênicos adoram esse termo), os militantes vociferem palavras de ordem contra os militares que estarão desfilando na cerimônia do 7 de setembro.

O PT, com a ética do cinismo, apóia a manifestação, que por ironia, pede mais honestidade na política e punição para os corruptos. Fossem os manifestantes sérios, e não militantes bocós a serviço do PT, pediriam punição para aquela cúpula do partido, acusada no STF de crimes como peculato, corrupção ativa e passiva e, claro, formação de quadrilha. Outra estupidez dessa marcha é a defesa pelo plebiscito da privatização da Vale. Até o petista mais imbecil, e eles não são poucos, sabem que isso é uma falácia! Não há como reestatizar a Vale. Nem os petistas querem exatamente isso. Querem, é alimentar o discurso fácil e populista, que mistura a ignorância com a má fé. Mas os valentes, aqueles jovens, mulheres e homens, querem mais, pedem a democracia direta. Querem o povo decidindo sobre os assuntos do país. O povo, ao escolher gente como Lula para presidente, ou Roriz e Renan para o senado, já provou ser tolo o bastante para ter mais poder do que o de eleger esses facínoras. Ademais, sempre que a esquerda chega ao poder – foi assim na Rússia, é assim em Cuba, na China e na Coréia do Norte – o povo fica excluído de qualquer participação. Só são chamados para aquelas demonstrações tolas de obediência ao regime. Se esses valentes que querem um mundo melhor, reclamam da democracia representativa, caso conseguissem o regime que almejam, não haveria democracia, nem a direta, nem a indireta.

O Grito dos Excluídos, não é apenas uma tolice, se fosse só isso, lamentaria pela juventude que é seduzida por essas idéias. É principalmente, uma passeata totalitária, a entronização da burrice ou da má fé, travestida de boas intenções, de um discurso politicamente correto, mas que, se analisado, só se sustentaria num regime ditatorial. Querem ver?

Os jovens, seduzidos por essa ideologia, aprendem que a Privatização foi ruim. Você, jovem, pobre ou rico; do Lago sul ou da Ceilândia, tem hoje seu celular por causa dela. Tem a Internet cheia de recursos por causa da privatização. Estivessem as Telecomunicações nas mãos do Estado, estaríamos na fila esperando por uma linha telefônica caríssima. O que a Vale do Rio Doce, nas mãos do governo, produziu por você? O que ela fazia quando era estatal era absorver recursos do Estado que eram pagos com os nossos impostos. E para quê? Para ser mal gerida, para servir como cabide de emprego para afilhados políticos.