09 agosto, 2007

Renan perdeu todas as fichas.

Renan está acabado. Nada, nem o visível constrangimento do líder do PSDB Artur Virgílio quando pedia, em discurso no senado, o afastamento de Renan, evitará o inevitável: Renan vai se licenciar da presidência e será cassado.

A aposta de Renan, à primeira vista, parecia segura. Contava com o esmorecimento das denúncias e com o corporativismo da casa. O corporativismo se confirmou, mas o esmorecimento das denúncias, não. A situação de Renan só está no nível atual, por causa da imprensa, e vale dizer de forma clara: por causa do jornalismo de Veja e da TV Globo.

Veja iniciou a denúncia com o caso Mônica Veloso, que o senador de forma patética, tentou transformar em um problema de alcova, um caso privado. Não deu certo. O problema não foi Renan ter dado um "tapa na pantera", mas ter usado dinheiro duvidoso, entregue por um lobista da Mendes Junior, para sustentar a "gestante", a "mãe da criança.

Em seguida, Renan tentou provar que tinha renda suficiente para custear uma pensão, ainda não oficial, de 8 mil reais e, ainda por cima, pagar o aluguel de uma casa, para a jornalista, no Lago Norte e na Asa Norte - quem mora ou já morou em Brasília, sabe que o aluguel desses imóveis, está longe de ser módico - Resumindo: Mônica Veloso recebia 12 mil reais por mês das mãos do lobista da Mendes Junior, em nome de Renan. Para comprovar que o dinheiro era dele, não da empreiteira, Renan exibiu notas de venda de gado em Alagoas. Tudo parecia resolvido, os senadores queriam acreditar na veracidade das provas, tanto que, não fosse a matéria do Jornal Nacional, que desmontou a tática de Renan, comprovando que as notas eram frias e chamando atenção para a impressionante lucratividade dos bois do senador, Renan teria se livrado facilmente.

Com mais um fracasso, Renan partiu para o rolo compressor. Escolheu o presidente e o relator do conselho de ética do senado e começou a insinuar que outros colegas estavam longe de ser inocentes, numa palavra: chantagem. No conselho de ética, A idéia de Renan era dar um aspecto legal a uma investigação, que na verdade era uma farsa. Como em tempos de PT o cinismo é distinção, o relatório do senador Epitácio Cafeteira, ignorando as séria acusações e a inconsistência da defesa de Renan, recomendou o arquivamento do processo sem qualquer investigação. A estratégia teria funcionado, não fosse, mais uma vez, o papel da imprensa e a pressão da opinião pública. Nesta altura, o apoio político a Renan, mesmo entre os aliados, começou a fazer água. A aposta de Renan começava a ficar arriscada demais.

Renan não aceitava se licenciar da presidência do senado. Apostou, mais uma vez de forma arriscada, que o Pan desviaria o foco de imprensa. Acreditou que o acidente da TAM concentraria os esforços da mídia, aliviando sua barra. Perdeu, de novo. As denúncias só se acumulam, e agora, Renan já não tem mais fichas.

Ele vai se licenciar, não tenho dúvidas, mas agora, aposto minhas fichas, sua cassação é uma questão de tempo.

2 comentários:

Cejunior disse...

Tomara que sim! E o sujeito nem se dá conta do prejuízo que está causando à já tão desgastada imagem do senado...

andre wernner disse...

Caro CostaJr.,.
Com as devidas ressalvas a nossa imprensa, sem dúvida, Renan nada mais tem a fazer no trono congressual. Aliás, já deveria ter decido à sua insignificância política há mais tempo. Concordo com você: a Globo e a revista Veja estão alimentando o fogo que consome esse político carreirista – com todo o respeito, é claro -, porém, respeito que ele não teve e não está tendo com o povo brasileiro. É bem verdade, que a lenha para o fogo, o próprio Renan fornece e de graça!

Foi eleito para ajudar a fazer deste um país melhor, porém atuou em causa própria, e sabemos, não é de hoje. Além de suas vaquinhas mal contadas, suas inúmeras fazendas, envolvimento extraconjugal que virou escândalo colocando sua reputação como homem público ainda mais na lama, principalmente pelo cargo que ocupa no Congresso, enfim.

Como se não bastasse, ainda aparece mais essa JR Radiodifusão, por baixo dos panos, com pagamentos em dinheiro vivo – e dólares -, que não é pouca coisa. O que configura que a vida do ilustre – mais nem tanto – Renan Calheiros é cheia de artimanhas e desvios perigosos, cujo telhado de vidro fica muito visível. Mônica Velloso apenas puxou a corda.

Renan está mais para uma velha raposa de rabo felpudo com o pé na cova política e já não era sem tempo. Afinal, o brasileiro já está cansado desse modus operandi de nossos políticos.

E onde está a renovação, meu caro CostaJr.? Cadê a juventude universitária que não assume uma postura política para a formação de novos quadros para o futuro?

Será que vamos continuar, ainda, por décadas nas mãos dos herdeiros dos medalhões do Congresso? Os sarneys, barbalhos, Magalhães etc, etc, etc.
Abs

P.S: o comentário é longo como o desespero dos brasileiros da classe média...