09 agosto, 2007

Os cubanos queriam grana e acabaram no Granma.

Foto: Marcos D'Paula A/E

Do Estadão On Line:

"HAVANA - Os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara disseram em uma entrevista publicada nesta quinta-feira, 9, pelo Granma, o jornal do Partido Comunista, que a polícia brasileira tentou convencer os dois a permanecerem no Brasil. Rigondeaux e Lara, os dois principais astros do boxe cubano, foram repatriados no último domingo, depois de uma frustrada tentativa de deserção em julho, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio." Segundo os atletas cubanos:"a Polícia Federal dizia que ficássemos no Brasil, que no Brasil íamos ter muito mais dinheiro que em Cuba e que iam fazer os passaportes para que virássemos oficialmente brasileiros"

Meus alunos do 3 ° ano costumam me perguntar se num ambiente sem liberdade de expressão, é possível confiar na Imprensa. Costumo responder da seguinte forma: confiar na imprensa - seja num país democrático, seja numa ditadura - assim, 100%, não dá! Mas eu prefiro um país em que eu possa dizer: "Epa! Isso é mentira! Estão me enganando" e não ser amaeçado com a prisão, a viver num país em que a mentira está todos os dias estampadas nos jornais, e eu tenha que ficar calado, se não quiser sofrer represálias.

A notícia veiculada pela Agência Estado é uma piada. Os cubanos fizeram uma declaração ao jornal Granma, de Havana, típica dos regimes totalitários. Quem pode cair nessa? Quer dizer então que a PF pediu para os cubanos ficarem? Por isso os deportaram em tempo recorde? A PF pediu para que eles ficassem no país, e por isso proibiu que os atletas dessem declarações à imprensa? A arrogância da esquerda é imaginar que todos nós somos estúpidos, como eles.

No blog do Serjão, ele faz uma argumentação diferente para o caso. Não concordo com ela, mas é a forma como ele enxerga o imbróglio. Para Serjão, os atletas foram dois patetas, dois trapalhões que pagaram pela suas tolices. Em síntese: se eles voltaram, é porque deram ao governo brasileiro margem de manobra legal para a deportação. Enfim, a culpa foi deles.

Ainda que eu concordasse com a análise de Serjão, eu teria certos pruridos de atribuir aos cubanos a culpa pela deportação. Ainda que a análise procedesse, as autoridades do governo Lula agiram mal, agiram como funcionários de uma republiqueta latino-americana, agiram como uma camarilha do regime de Fidel. Foi vergonhoso.

Aos meus alunos, a notícia acima é uma prova de como é a liberdade de imprensa em regimes como Cuba. Nunca, nunca mesmo, o governo está errado. Aqui, ainda não é assim, mas a julgar por certos blogs ( eu não incluo o Serjão neles), e por certos jornalistas, não está tão longe de termos uma imprensa a la cubana.


8 comentários:

Serjão disse...

Tomei tanta porrada por causa do posicionamento que tive que acabei sonhando com o assunto. Passe lá em casa para ver.
Abs

Serjão disse...

Mas claro que os familiares seriam admoestados. É o tipo de atitude que não comporta meio-termo.Todo mundo que deserta sabe disso. Costa, se houvesse a garantia de que os familiares não seriam pressionados não voltava ninguém para a ilha, meu caro. Vou confessar: Eu não teria esta coragem. É coisa para bravos. Mas não existe o muro do não posicionamento.
E vc disse; "Enfim, a culpa foi deles."
Vc poderia corrigir: "Enfim a culpa não foi só do abominável Governo Lula"

Abs

Costajr disse...

O que dizer então do jogador de Handebol, não tinha família na ilha? Estava mais determinado?

Capitulo à idéia de que os cubanos entraram numa fria, e foram mesmo uns trapalhões, mas nesse caso, o papel mais feio coube ao governo.

Do episódio todo, uma lição: a ilha da utopia dos esquerdistas latino-americanos, revelou-se: não passa de uma prisão, de uma imensa senzala,cujo nhô nhô, embora com passaporte para o inferno, ainda tem tempo de infernizar a vida de seus escravos.

Quem pode, foge de Cuba. Sugiro a Frei Beto, aquele da Mosca Azul, que vá morar na ilha da democracia do povo, talvez ele goste, porque os cubanos, querem é se picar dela.

Cejunior disse...

É verdade... o papelão mesmo que fez foi o governo que não soube sequer dar segurança a dois atletas que foram enganados por espertalhões...e ainda mandou os dois de volta prá Cuba com uma eficiência, literalmente, fora do normal!!!!
Enfim, um episódio lamentável...

Serjão disse...

Exatamente, Rafael Capote teve uma outra postura, Isso foi claro desde o começo. Óbvio que isso terá um preço. Como disse, é o tipo de atitude que não comporta o meio-termo.

Outra coisa: corige o seu texto por favor; Eu jamais me referi aos boxeadore como trapalhões ou patetas. Eles foram apenas ingênuos e aproveitadores.

Também não concordo com vc: Quer dizer que o governo tem que dar segurança contra espertalhões? CeJr, os caras FUGIRAM por suas pernas, cara. E não sâo menosres de idade para precisar de tutela do estado. Até mesmo pq seria impossível fazer uma coisa dessas pq a Vla Panamericana não era um Campo de concentração; As pessoas saíam e entravam. O que o estado tinha que fazer e fêz foi preservar a segurança

Mas o que mais me decepciona no episódio, é que a direita sempre criticou a esquerda por uma atitude mais do que nojenta: de tratar as pessoas como coitadinhos incapazes para ajudar seu proselitismo. E nós estamos fazendo o mesmo com os atletas cubanos ignorando a parcela de culpa deles no imbroglio só pq nos é conveniente atacar o governo Lula.
Abs

Ricardo Rayol disse...

Apesar da suposta esperteza burra dos cubanos a forma que o caso foi tratado é um escandalo.

Estou convidando para mais uma blogagem coletiva. No dia 13 vamos publicar nossa opinião sobre a CPMF. Maiores informações lá em casa ou no blog Mataador.

andre wernner disse...

Vamos por partes, nessa história macabra…

1.- O embaixador cubano ligou para o Palácio para agradecer a driblada nas vias legais, para deportar quem não tinha culpa. Os atletas queriam apenas a sua liberdade e integridade física;
2.- Diz ainda que o embaixador queria agradecer o tratamento dispensado aos boxeadores no Brasil. Acho que foi ao contrário. Ele queria agradecer o “tratamento dispensado ao camarada Fidel”, com a deportação imediata dos esportistas. Em dois dias a fatura estava consuma. Valeu Medalha de Ouro em eficiência a serviço da esquerda cubana;
3.- Tenho dúvidas quanto à isenção do sr. Wadyh Domous. Afinal, foi ele que desandou comentários com deselegância, em função do cargo que ocupa – presidente OAB-RJ -, contra o Movimento Cansei, da OAB/São Paulo, que apóia os brasileiros que estão descontentes com o governo Lula. Ele, em sua defesa, pareceu um sindicalista tremulando a bandeira do PT;
4.- A Polícia Federal é um órgão competente e conhece bem os mecanismos da lei. Não pode ter se equivocado duas vezes. Isso é desculpa política.
5.- O diagnóstico do Planalto é lento, ‘tartarugoso’, de acordo com as conveniências. Está subentendido;
6.- Não permitiram a entrevista coletiva, pelo óbvio. Se houvesse farsa, seriam desmascarados. Então, mais vale a pecha de relapso depois do fato ocorrido. Pedem desculpas e Inêz está morta;
7.- Deportação e repatriados. Entendo. Deportação, no caso, demandava urgência, antes que o caldo entornasse para o lado do governo, pois entidades estavam de olho. Só não imaginava, que às coisas poderiam acontecer tão de pressa como aconteceu e, principalmente, na calada da noite;
8.- Já em relação à repatriação, nada mais do que uma devolução ao país de origem, seria feita sem grande pressa, no trâmite natural. Mas isso daria brecha para que a oposição à esquerda de Fidel, impedisse a repatriação e fosse dado asilo político aos jovens, e promissores atletas cubanos;
9.- O governo os entregou em bandeja de prata ao camarada Fidel que já declarou em seu folhetim Granma, que ambos os boxeadores estão fora da vida esportiva e devem voltar ao trabalho. Só não explicou que tipo de trabalho os espera;
10.- E o camarada Fidel declarou também, com ênfase, que em decorrência desses acontecimentos, quem sabe, talvez, não enviará representantes de Cuba, no ano que vem, para os Jogos Olímpicos na China. Ou seja, Fidel está encurralado. Está com medo que esses atos de seus atletas denunciem ainda mais, de forma gritante, o abuso contra os direitos humanos que se comete na ilha;
11.- Faltou um detalhe: nos jornais de hoje já se comenta que estes mesmos atletas já haviam pedido visto ao Consulado alemão, para embarcarem para aquele país. Eles poderiam pedir tal visto, pois estavam legalmente no Brasil. Portanto, poderiam, pelas leis brasileiras, viajarem para onde quisessem.

Tem mais: Mas vamos ficar por aqui. O BRASIL, nesse episódio sairá mal visto frente às demais democracias e parceiros comerciais. Lula corre o mundo vendendo uma nova imagem do país, enquanto, na prática, o espírito, parece, é de esquerdista nato. Qual é o peso político em agradar Fidel?

PATRICIA M. disse...

Seguranca a atletas enganados por espertalhoes? Perai, estao falando do empresario alemao? Ninguem enganou ninguem nao, o plano de fuga eh que deu errado... De onde eh que o CeJr tirou essa ideia de os atletas terem sido enganados? Foram eh entregues vilmente pelo governo brasileiro a Cuba, como trofeu de caca...