01 agosto, 2007

Lula não é Psammenit.





















Amanhã está marcada uma blogagem coletiva sobre o acidente da TAM. Como a internet aqui em casa anda arisca, decidi antecipar o post.

Em 525 a C, o exército persa, liderado pelo imperador Cambises, invade o Egito, aquela "dádiva do Nilo", segundo Heródoto, e aprisiona o faraó Psammenit. Como Cambises não estava satisfeito apenas com a conquista do território, queria também humilhar o faraó, resolveu fazer um desfile macabro; desfile este que deveria ser presenciado pelo faraó prisioneiro. O relato que vai abaixo está no Livro III, capítulo XIV, de Histórias, escrito por Heródoto.

Cambises deu ordens para que Psammenit fosse posto na rua em que passaria o cortejo triunfal dos persas. Organizou esse cortejeo de modo que o prisioneiro pudesse ver sua filha degradada à condição de criada, indo ao poço com um jarro, para buscar água. Enquanto todos os egípcios se lamentavam com esse espetáculo, Psmmenit ficou silencioso e imóvel, com os olhos no chão; e, quando logo em seguida viu seu filho, caminhando no cortejo para ser executado, continuou imóvel. Mas, quando viu um dos seus servidores, um velho miserável, na fila dos cativos, golpeou a cabeça com os punhos e mostrou os sinais de mais profundo desespero.

A narrativa acima, escrita há 2500 anos, dá uma idéia de como um governante deve reagir em situações difíceis. Psammenit ficou triste, como pai, quando seus filhos foram humilhados, mas como governante, entrou em desespero quando um serviçal, a quem deveria proteger e cuidar, havia sido reduzido à condição degradante de um escravo.

As autoridades do governo federal, a começar pelo presidente, reagiram de maneira bem diversa diante das chamas e da morte de 200 pessoas. O presidente escondeu-se, e quando reapareceu, fingiu uma consternação que não sentia. Seu assessor especial e um grumete, ficaram efusivos, a ponto de gesticularem de forma obscena, quando surgiu a hipótese de falha mecânica no airbus da TAM. Comemoravam, na visão deles, a inocência do governo. Membros da Infraero, diante da visão trágica das chamas, riam, ninguém sabe de quê.

Diante da dor de 200 famílias, diante do desespero de pais, mães, maridos e esposas, filhos e filhas, nossas autoridades riam, comemoravam e se escondiam, numa atitude de escárnio diante da dor daquelas pessoas.

Toda vez que esse acidente for relembrado, são as imagens acima que eu gostaria de guardar na memória. Elas evidenciam a dor de uma gente decente e a pusilanimidade de quem deveria zelar e cuidar da segurança e do bem estar do cidadão brasileiro.

7 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Zé Paulo nada como um historiador para fazer um paralelo desses. Ficou perfeito.

Cejunior disse...

Concordo com o Rayol. E fico com vergonha das famílias quando vejo nossas "autoridades" agindo da maneira que agem...
Essa gente simplesmente despreza o brasileiro (vê lá se o Marco Aurélio ia fazer esse gesto pro Fidel...)

Marcos disse...

Se uma televisão não fosse tão cara, a minha já teria virado cacos. Dá-me uma vontade tremenda de atirá-la contra a parede quando vejo a cara deslavada desses imbecis tentando mostrar um sentimento de solidariedade para com as famílias das vítimas ou quando ventilam hipóteses para o acidente, todos excluindo-os de qualquer responsabilidade.

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Você relatou a diferença entre estadistas e politiqueiros de raia miúda...

Suzy disse...

Costajr, mais que perfeito o seu post alertando para o que o Fábio muito bem definiu: a diferença entre politiqueiros e estadistas. Acredite se quiser, mas fiquei arrepiada de indignação ao ler seu texto, de tão bem formulado que está.
PS- eu não sabia que você fazia parte dessa blogagem também.

Suzy disse...

Ah, sobre o que o Cejunior colocou, estou rindo sozinha...hahahaha...fidel já teria eliminado o Sgt Garcia em su paredón...só que realmente o obsceno sabe bem disso e não ousaria nem diante do cadáver congelado de castro.

Chawca disse...

Os alvadores da Pátria mostraram-se piores do que aqueles que tanto criticavam...
Peixe morre pela boca e Petista pela não atitude...

Um abraço..