22 agosto, 2007

A esquerda é o pior do Brasil.

A pesquisa, exposta no livro Como pensa o brasileiro, tem um dado que acho importante abordar: ela indica o que o brasileiro considera certo ou errado, mas não diz se, nas situações sugeridas pela pesquisa, o pesquisado agiria como pensa. Por exemplo: perguntando a um adolescente se ele acharia certo usar preservativo com uma namorada recente, ele certamente diria que sim. Mas se a pergunta fosse: você usa preservativo nas suas relações sexuais? A resposta talvez fosse outra. De qualquer modo, a elite instruída do Brasil, pode não fazer o que é certo, mas sabe bem o que é.

Ao contrário do que pode parecer, a pesquisa não demoniza a patuléia, não a chama de atrasada, apenas indica que as pessoas com menos escolaridade, tendem a ter um visão anacrônica do mundo, o que pode ser corrigido com educação. Elas são mais propensas ao discurso populista e não vêem a corrupção como um pecado em si, desde que suas necessidades básicas, sejam atendidas, ainda que precariamente.

Atrasada no Brasil (só no Brasil?) é a esquerda. É ela que alimenta essa visão canhestra de mundo. É ela que faz a apologia da burrice e da estupidez. É ela que difunde a idéia de que o rico é mau e o pobre é bom. Ao contrário do que se pensa, os progressistas - são todos de esquerda- são na verdade retrógrados. Os reacionários, são eles. Deixem-me apresentar uma pequena prova.

Recebo na instiuição em que dou aula, mensalmente, a revista Carta Capital na Escola. A Revista é um esculacho na análise histórica e social dos temas abordados. A edição desse mês faz uma analogia entre o racismo na África do Sul e o racismo no Brasil. O autor, um professor de história aposentado, embora admita diferenças, conclui que o nosso racismo e o racismo sul-africano que produziu o apartheid, têm a mesma origem. Só um detalhe: nem a colonização foi a mesma nem o contexto histórico da dominação européia, no Brasil e na região sul-africana, foi o mesmo.

Uma outra matéria, esta sim, deliciosa, fala sobre maneiras alternativas de se selecionar alunos para as universidades públicas, descendo o sarrafo no vestibular, tido como um modelo cruel, incompetente, e, claro, conservador. Eles adoram usar essa palavra em sentido depreciativo. As sugestões, apresentadas como genais, são de uma tolice sem tamanho. Uma delas, propõe que as universidades ofereçam mais vagas, promovendo um curso pré-acadêmico, depois, os mais bem avaliados seguiriam no curso da universidade pública, e os outros, os que não atingiram o nível desejado, seriam encaminhados para outras instituições. Fico imaginando como essas "outras instituições" seriam vistas pela sociedade. Vejam esse diálogo hipotético:

---Eu passei na federal para o pré-acadêmico, mas não fui bem nas provas, e agora estou aqui na fafifó, onde me saio super bem. Não fiquei na Primeira Divisão, mas na segunda, mando bem.

--- Pois é, rapaz, eu não. Formei-me pela federal, dei conta do curso.

É bom deixar claro que, à exceção daquelas biroscas que aceitam alunos do ProUni, muitas instituições privadas no Brasil são sérias e competentes, e alguns casos, podendo-se pagar, é preferível cursá-las a fazer uma federal qualquer, e passar 80 dias de greve a acada três semestres.

Há um trecho da matéria que me provocou aquele riso de indiganção quando constatamos um tolice inominável! Vejam esse trecho da página 57

"A classe média alta está se enforcando na própria indústria que alimenta [ a dos cursinhos pré-vestibulares], porque agora não basta um, são dois, três anos de cursinho. Isso inibe o movimento social vertical, ou seja, impede o filho competente do pedreiro de chegar a uma boa universidade, mas proporciona que o filho do médico, que muitas vezes nem quer estudar, entre". O autor dessa burrice? O professor aposentado do Deparatamento de Matemática da Universidade estadual de Londrina, José Carani.

O trecho acima é preconceituso. Segundo ele, o filho do médico, mas também poderia ser o do advogado, o do professor universitário, entra na universidade, mesmo sem querer estudar; enquanto que o filho do pedreiro, ou da faxineira, ou o do ambulante, coitado, quer entrar, mas não consegue. É o velho maniqueísmo idiota da esquerdofrenia: o pobre é bom, o rico ou o remediado, é ruim.

O trecho também é contraditório. Ora, se uma rapaz ou uma moça, de classe média, não quer estudar, porque então faz um, dois, três anos de cursinho pré-vestibular para entrar numa universidade boa? O sensato, seria passar numa faculdade qualquer e seguir vivendo. Essa gente acredita que quem gosta de estudar é o pobre, o rico gosta de curtir. Isso é cretinismo e preconceito social.

A matéria é longa, e, são tantos os absurdos, que até os meus três leitores fiéis, enfadados de mim - caso eu tratasse os absurdos da matéria por completo nesse blog - logo iriam ler blogs com assuntos muito mais atraentes, encontrados no Blogildo, na Patrícia e no Serjão. Por isso, fico por aqui, com a certeza de que, o que há de pior no Brasil, é o pensamento de esquerda.

3 comentários:

PATRICIA M. disse...

Tem toda razao, hahahahaha. A esquerda eh burra e atrasada, e la vamos nos seguindo pelo caminho que ela trilha, ai que maravilha... Ja estou desejando secretamente (e agora abertamente) que - quer saber de uma coisa? - quero mais que esse pais se exploda, bem explodido mesmo. Pelo menos daqui a 20 anos eu vou dizer: eu avisei, nao avisei?

Hahahahahaha.

Serjão disse...

Costa
Tudo o que a pesquisa revela e que vc divulga agora foi objeto de uns três ou quatro textos meus, inclusive um recentemente. Mas a coisa não é tão romântica como vc enfatizou. “O rico é mau e o pobre é bom”. Se fosse assim daria no máximo uma novela da Globo. A coisa é um tanto mais profunda e mais perversa na medida em que é divulgada para a população como causa de seus problemas. A satanização do capital traz conseqüências muito mais nefastas. Deixa eu dar um exemplo:
Vamos imaginar que um caminhão das Casas Bahia, sei lá, de liqüidificadores, seja roubado e levado para uma comunidade favelada. Sabe o que vai acontecer? Será saqueado pelos moradores que se dizem de bem. Exatamente como a pesquisa. Até pela senhora que acabou de sair de um culto evangélico com a bíblia debaixo do braço vai pegar o seu eletrodoméstico. E por que? É simples. A esquerda calhorda botou na cabeça deles que pelo fato de a Casas Bahia ter mais dinheiro do que eles, o saque é legitimado. Logo é normal. E estou falando de liquidificadores que não é um produto essencial a ninguém. Não estou me referindo a produtos alimentícios onde a fome poderia ser responsabilizada pela conduta. A esquerda quer tutelar a população pobre, os considerando coitados, os fazendo de massa de manobra para seu proselitismo.Outro efeito nefasto é criar uma acomodação fazendo-os esperar que as coisas caiam do céu.
Mas termino deixando uma provocação: eles sabem que o que defendem não deu certo em nenhum lugar do mundo. Sabem que tomaram um xeque-mate com a queda do muro de Berlim. Sabem que a mãe Rússia está embebida no mais absoluto capitalismo no que ele tem de mais cruel com suas máfias e monopólios privados mantidos à base de corrupção. Sabem que a “Grande Marcha” da China de agora é atrás de grana e que “Sierra Maestra” é apenas o nome de um hotel em Havana. Por que raios então estes caras continuam defendendo isso? E o pior: onde eles cometem a grande contradição em defender que o rico é privilegiado e o pobre explorado?
Abs

Costajr disse...

Não desejo o mesmo que você Patrícia, gostaria que, daqui há vinte anos, eu pudesse escrever um post no seu blog, dizendo: e a gente tinha razão.

Você está certíssimo Serjão! Aos pobres, por serem pobres, tudo será permitido, principalmente se a ação for contra os ricos.