20 agosto, 2007

A elite é o melhor do Brasil!



Fonte: revista Veja, 22 de agosto de 2007 (Clique aqui para ler a matéria)


Há alguns anos, eu negociei uma linha telefônica - isso mesmo, ganhei alguns trocados vendendo minha linha telefônica - com uma senhora que me disse que eu era muito arrumadinho e organizado para um aluno de história. Ela esperava um descabelado, barba rala, com uma bolsa à moda hippie, e quem sabe, esperava me ver usando uma camisa com a cara de Che Guevara. Começo esse post dessa forma, para confessar uma coisa: não sou mesmo um professor de história como os outros.

Calma, lá! Não me acho melhor do que ninguém. Sei que não sou dos piores, mas minha originalidade está no fato de eu não levar para sala de aula os valores esquerdofrênicos que tão bem caracterizam os chamados professores de "humanas"(história, geografia, sociologia e filosofia). Exemplo: não demonizo os Estados Unidos. Chamos os Hamas e o Hezbollah de grupos terroristas e não de grupos de resistência a Israel. Defendo as privatizações e rechaço a idéia maniqueísta, de que o pobre, a patuléia, o operário, são sempre os bonzinhos, enquanto a elite, os ricos, são sempre os bandidos da trama. Por isso, alguns colegas, acreditando me ofender, rotulam-me de neoliberal e direitista. Ofenderiam-me se me chamassem de petista ou de esquerdista.

Provocado por uma aluna de filosofia do 1° ano, a senhorita Natasha, passei a discutir em sala o conceito de Classe Média e de Elite. Há cerca de um mês, falei para eles que o conceito de elite tem duas vertentes: para um esquerdista, elite é quem tem muito dinheiro, é rico, pode comprar o que quiser. Para um liberal, elite são os melhores de uma sociedade, do ponto de vista intelectual e moral, de valores altos. Esse segundo conceito, independe de classe social, mas é claro, está mais presente, mas nunca exclusivamente, entre os que tem um certo conforto financeiro. No primeiro conceito, muitos petistas, inclusive o presidente Lula, encaixar-se-iam como elite; mas no segundo, Lula e muitos petistas, jamais seriam elite.

Uma pesquisa feita pelo Datauff da UFF (Universidade Federal Fluminense) coordenada pelo professor Alberto Carlos Almeida, resultou num livro chamado A cabeça do brasileiro, onde se verifica que o melhor do Brasil é a sua elite, não necessariamente a econômica, mas a intelectual. Se preferirem, a educada ou a mais escolarizada. Os pobres, aqueles sem acesso a educação, os mesmos que aprovam o presidente Lula, e agora se sabe porquê, são os mais coniventes com a corrupção, os que mais desprezam os valores democráticos, os mais intolerantes com as diferenças, os que mais apoiam a truculência da polícia contra os presos.

Segundo o pesquisador, os dados dão um norte para se moralizar e se modernizar o país: educar o povo. Quanto mais escolarizado, o povo tende a ser mais democrático, mais intolerante com a corrupção, mais consciente de seu papel de cidadão. Quando o senador Cristovam Buarque, a quem conheço e de quem às vezes discordo, sobretudo pelo seu pacifismo, defendia uma "revolução" pela educação, sabia o que estava dizendo. Não é à toa que a Coréia do Sul e a Irlanda, que na década de 70 apresentavam índices sociais e econômicos inferiores ao brasileiro, estão hoje, dos pontos de vista tecnológico, econômico e social, bem a frente do Brasil. O segredo: investimento sério, planejado e com cobrança de resultados, na educação.

Na campanha para presidente em 2006 o slogan do candidato Lula era: Lula de novo, com a força do povo! Há alguma semanas, o programa do PT na TV repetia o mantra: "o PT é a cara do povo". Lula e o PT são mesmo a cara do povo, do povo arcaico, pouco escolarizado, sem valores democráticos e leniente com a corrupção. Essa pesquisa comprovou que o melhor do Brasil, ao contrário do que pregam os esquerdopatas, é sua elite! Cai o mito estúpido de que as massas, a "pobrada", têm um espírito elevado, uma moral superior, valores justos. Não, não têm! Para adquiri-los, é preciso se educar, e essa tarefa é do governo. Todavia, não basta pôr a criança na escola, é preciso cobrar resultado, do professor, do diretor, de todos os envolvidos no processo.

Clique aqui e assista ao vídeo no G1, um bom resumo sobre o tema.




2 comentários:

Blogildo disse...

É bom saber que ainda há professores de história em Berlim! Hehehehe!

PATRICIA M. disse...

Nossa, toma cuidado que eh capaz de voce ser linchado por um desses grupos mais exaltados...

O pobre eh assim porque ele nao tem nada a perder. Por exemplo, pobre nao paga imposto (ta bom, tem imposto incluido nos bens de consumo, mas ainda assim). Pobre vai ligar se roubam o dinheiro do imposto, desviam, etc? Nao, ele nao paga mesmo.

Pobre brasileiro ainda eh uma raca mais ordinaria que a comum. Depois que li hoje que 1 em cada 4 brasileiros recebe Bolsa-Esmola, nao acredito em mais nada nesse pais. Pobre gosta de esmola, e nao quer saber de trabalhar. Progresso individual??? Ihhhh que preguica... Para que, se Papai Estado distribui uma graninha?