05 julho, 2007

"A universidade achada na rua"

Quando cheguei em Brasília em 2004, vim com um desejo: fazer mestrado em ciência política na UNB. Cheguei a ser admitido como aluno especial no referido curso, assisti a algumas aulas, mas divergências ideológicas e a necessidade de trabalhar em tempo integral, concorreram para minha desistência. Até aquele momento eu tinha algum respeito pela UNB. Esse respeito tem decaído um pouco a cada dia.

Minha mulher fez residência no HUB (Hospital Universitário de Brasília) e como eu, tinha uma imagem muito romântica da universidade. Lá, tanto os preceptores, quanto os residentes, mas ainda mais, os internos de medicina, tinham uma certa soberba quando falavam que eram os melhores, por estarem na UNB. Vinda da UFPE, minha mulher começou a entender que havia na Universidade de Brasília uma certa megalomania. Que nem os internos nem os preceptores eram assim essa coisa toda. Comparada aos precptores do HC de Recife e ao nível dos hospitais - públicos e privados - em Pernambuco, o curso de medicina da UNB tem muito o que caminhar.

Na vida profissional aqui em Brasília, conheço profissionais que fizeram mestrado nesta universidade, e digo, que poucos parecem ter realmente aprendido algo de relevante com o curso. Fizeram o mestrado para obterem o título, o direito de ensinar em faculdade, mas não demostraram, nem demostram, qualquer melhoria intelectual por causa do mestrado.

O professor Kramer, que não conheço, foi condenado pelo crime de racismo por uma comissão disciplinar da UNB. Um aluno do mestrado de ciência política, chamado Gustavo Amora, militante do Movimento Negro da universidade, munido de um gravador, provocou uma discussão com o referido professor em sala, por causa de uma declaração do lente que afirmou que um grupo de estudantes, 7 deles brancos, representavam a Ku Klux Klan negra, tudo porque o professor chamou os negros americanos de "crioulada". Apesar do pedido de desculpas do professor, o pessoal do politicamente correto queria mais: provocou a discussão e açodado, o professor Kramer disse que eles eram da Ku Klux Klan negra e acrescentou: "Vou falar crioulada quantas vezes quiser, nem que eu seja obrigado a impetrar um mandado de segurança". O caso você pode ver aqui.

O processo e a condenação indicam que a UNB virou refém da esquerdofrenia e aos poucos, cede espaço para o totalitarismo do politicamente correto. Que o estudante não tenha gostado da expressão do professor é um direito que lhe assiste, mas iniciar um processo de racismo quando não houve racismo, é um delírio. Se eu sou o professor Kramer, aceitaria os 30 dias de suspensão, e não pagaria um centavo, a pena de suspensão virou uma multa de 3500 reais a ser descontado em sua folha de pagamento, a essa gente. Além do mais, se foi racismo, Kramer teria que estar preso e não dando aula, nem pagando multa.

A UNB virou uma piada, e a cada dia, e cada vez mais, de mau gosto.

3 comentários:

Saramar disse...

Será só a UNB?
Não terão os esquedistas dominado inteiramente o ensino superior brasileiro?
Eu acho que sim. Pelo menos é a impressão que tenho ao ler a produção científica da área de "humanidades" acadêmicas.

Espero sinceramene estar errada.

beijos

PATRICIA M. disse...

Eh um absurdo, li a materia no RA tambem. O pior eh que esse movimento negro brasileiro nao passa nem perto do movimento negro por direitos civis americano... Eh a batalha dos falsos excluidos.

Blogildo disse...

Eu já disse que minha mãe é negra? Pois é! O chato de tudo isso é que acaba dando margem a uma banalização da questão do racismo. O professor deveria processar o aluno por calúnia!