25 julho, 2007

A nova tática 2

Em seu blog, Marconi Leal, depois de 7 dias, e com uma relação próxima com o Rio Grande do Sul, de onde vinham pelo menos 90, das 200 vítimas do acidente da TAM, em seu post EM DEFESA DO LÉPIDO PRESIDENTE LULA, sempre irônico e bem-humorado, ainda que seu humor seja um tanto chulo às vezes, escreveu:

Não via no Brasil atitude tão enérgica [refere-se aqui a transferência dos vôos de Congonhas para outros aeroportos de São Paulo] desde que FHC fez sua maior obra. Não me refiro ao Plano Real, claro, nem, como poderiam pensar os mais malevos, estou utilizando a palavra “obra” em sentido escatológico. Muito menos aludo à imensurável contribuição do ex-presidente para o progresso das artes e das ciências — particularmente do solipsismo, do sofismo e da tautologia —, mas ao grande impulso que deu à nação quando nos informou, durante sua administração, que não éramos mais um país “subdesenvolvido” e sim “em desenvolvi mento”. Lance magistral com que, permutando quatro letras do alfabeto, tirou em segundos milhões de pessoas da linha de pobreza. E muitas outras ainda teriam saído da miséria se houvessem lido jornal por aqueles dias. Por aí temos uma idéia de como é perverso o analfabetismo.

Um petralha autêntico, até aceita criticar Lula, mas não esquece de bater no governo anterior, como uma maneira de dizer que se mantém fiel aos princípios do petismo.

Juca Kfouri, persona non grata pela torcida do Sport Club do Recife, meu time do coração, em seu blog dedicado a esportes, reproduziu sua coluna na Folha de São Paulo de ontem, dia 24 de julho. Vejam este trecho:

A tragédia da TAM, que obscureceu o Pan, é rica em ensinamentos.

Começou não é de hoje, com o escândalo do Sivam, no governo anterior, e continuou impávida e colossal de lá para cá.

Uma frase debochada e ultrajante da ministra do Turismo, um gesto raivoso e moralmente pornográfico do assessor presidencial, um pronunciamento vazio e perplexo do presidente que nunca havia visto uma sucessão de acontecimentos tão caóticos nos aeroportos nacionais e pronto!

Tudo continua como antes, a não ser, é claro, para quem morreu e para quem ficou por aqui, na saudade.

Ora, nem Romário é um artilheiro comparável a Pelé nem Pereira é o novo Spitz nem este governo é mais ou menos culpado que o anterior.

Ora, isto é que é isenção. Bater em Lula implica também bater em FHC. Bater nos dois governos, seria uma espécie de atestado de imparcialidade e seriedade jornalística. É atestado sim, mas de desonestidade analítica. O governo FHC teve o Apagão que comprometeu o crescimento do país em 2001, foi criticado com justa firmeza. Também teve o caso do Sivam, que já foi provado, era mais um problema de interesses das empresas envolvidas - caso semelhante se deu no governo Lula com a Brasil Telecom de Daniel Dantas - do que de corrupção; mas vá lá, ainda que fosse isso, qual a relação com o descalabro que tomou conta dos aeroportos do Brasil e que resultou em mais de 360 mortes? As falcatruas e a incompetência da Era FHC produziu quantas mortes? E se produziu 10, 100 ou 1000, isso tiraria do governo Lula as responsabilidades no acidente da GOL e da TAM? A petralhada quer FHC para dividir a culpa pelas mortes, é nisso que eles apostam. Como em tudo, estão mais preocupados com as eleições de 2008 e 2010, do que em resolver o caos aéreo, do que em dar uma resposta às famílias que carregarão para sempre a dor da perda estúpida de seus entes queridos nesses acidentes.

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