25 julho, 2007

A nova tática 1

Para entender os dois posts, comece lendo este e depois passe para o de baixo.

Estamos vivendo uma época surreal. O governo é surreal, as declarações das autoridades, surreais, e a cobertura da imprensa, incluindo principalmente o jornalismo opinativo, ainda mais surreal.

Impotentes para tirar do governo a pecha de culpado pelo acidente da TAM, certos setores do jornalismo e da blogosfera, têm insistido numa estratégia: o governo não é o único culpado. Antes, façamos uma pequena digressão:

O governo Lula, desde o acidente da GOL, mas sobretudo, desde o problema com os controladores, foi de uma desídia sem precedentes, no trato do problema. As autoridades do governo, que se fossem sérias, deveriam acabar com a humilhação sofrida pelo passageiros nos aeroportos desde outubro de 2006, preferiram menoscabar a crise, ou tratá-la com absoluta irrelevância.

Sem esquecer as falácias do ministro da defesa, Waldir Pires, e do presidente da Anac, Milton Zuanazzi, ou mesmo as patetices do brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, que em todos esses meses foram unânimes em não reconhecer a crise; é preciso destacar as declarações de certos figurões do primeiro escalão do governo, sobre a crise aérea.

Já virou slogan a declaração da ministra Marta Suplicy. Seu ralaxa e goza, é o emblema oral da desfaçatez e do pouco caso com que o governo trata a crise aérea. Ao explicar que não havia crise, mas prosperidade no Brasil, porque as pessoas estavam viajando mais de avião, o ministro Mantega se fez de cego e surdo às humilhações e aos protestos de passageiros no Brasil inteiro, nos últimos nove meses. Os gestos do horripilante, do nosso Átila do Planalto, Marco Aurélio Garcia e de seu grumete, tornaram-se o emblema visual de um governo que quer antes de tudo, livrar a própria cara, e não, resolver o problema do caos aéreo. Em todos esses casos, o governo considerou, ainda considera, que o problema nos aeroportos, assim como o acidente da TAM, onde 200 pessoas morreram, é apenas exagero da imprensa golpista que se aproveita da situação para malhar o governo. Tudo, portanto, é um golpismo da imprensa burguesa. As horas modorrentas e estressantes gastas nos check-in das empresas aéreas, a insegurança nos céus do Brasil, as mortes no Boeing da GOL e no Airbus da TAM, não têm a dimensão que a imprensa e as elites lhes dão.

O governo, contudo, já começou o movimento de contra-informação. Desde o início do acidente, o presidente Lula vem atuando para, no mínimo, dividir as responsabilidades. Primeiro autorizou a Infraero a divulgar imagens do pouso da Airbus A320 que estaria, segundo as imagens, em alta velocidade, sugerindo assim um problema na Aeronave, ou um erro do piloto. Depois, surgiu a informação, que ao que parece teve o dedo do governo, de que um dos reversores da turbina do airbus estava com defeito, reforçando a teoria de que o acidente teve como causa, uma falha mecânica. Ainda na quinta-feira, dia 19 de julho, quando já não dava mais para defender a pista de Congonhas, divulgou-se que o IPT (Instituto Tecnológico do estado de São Paulo), havia fornecido um laudo, apresentado pela Infraero, liberando a pista. Essa tese ainda prospera, mas agora, com menos força. O laudo nunca existiu da maneira que a petralhada propagou. Analisou-se o material do asfalto, não as condições da pista, ademais, o IPT não teria competência técnica de garantir a segurança da pista de Congonhas. A idéia era dividir com o governo de São Paulo a culpa pela tragédia. Em todos esses casos, o governo federal se eximiu de suas responsabilidades. Ora tentou transferi-la para outrem, ora tentou dividi-la com outros agentes, públicos e privados.

A nova tática, na verdade, uma tática antiga, apenas requentada, é a seguinte: Já que não dá para eximir o governo Lula das responsabilidades pelo acidente, é forçoso lembrar as “barbeiragens” do governo FHC, como se dissessem: “essa incompetência do governo independe dos partidos ou das pessoas que exercem ou exerceram cargos públicos”. Sempre que Lula está em apuros, sempre que sua defesa se torna impossível, vem a petralhada da imprensa, ou os intelectuais de meia-tigela, ou os blogueiros cara de pau, dizer que FHC e seu governo também fizeram lambança. Esse argumento é infame, sobretudo, porque desvia o assunto principal, mas isso fica para o post abaixo.

Um comentário:

Anônimo disse...

SER ÉTICO É CHATO, MAS...
... é o único caminho.

UM TEXTO DE FERNANDO GOUVEIA


Meu nome é Fernando Gouveia e o n. do meu CREA-MG é 53538/D e desafio qualquer técnico ou perito a contradizer minha exposição, óbvia, dos fatos. Se eu estiver errado, rasgo minha carteira do CREA. Desafio qualquer político, rato, FDP, que se sinta prejudicado pela realidade que aqui relato, a me processar. Estou dando meu número do CREA (que não é falso) e meu e-mail. Não precisa fazer esforço pra me achar.

Agora, caso vc não seja um dos pestilentos responsáveis pela desgraça que se abate sobre nós, dia após dia, então não seja um "Zé Ninguém". Pare alguns minutos do seu precioso trabalho, leia o texto abaixo, com atenção, e, caso concorde, pulverize para todos da sua caixa postal. Não se omita. Se não concorda, responda-me, argumente, "defenda" sua posição, mas não seja mais um covarde, mais um egoísta, mais um bundão. Essa coisa tem que acabar, para que nossos netos e filhos tenham condições de viver sem vergonha de serem bem sucedidos e sem medo de usufruir com liberdade das suas próprias conquistas (...).

Minha única irmã estará, na próxima semana, nesse mesmo vôo, também pela TAM e espero que o avião não caia, mas minhas palavras transcendem minha preocupação pessoal com uma pessoa que amo, seja minha irmã, esposa, filhas, amigos, seja quem for. Morrer é o caminho de todos nós e isso, que soa como a questão principal, na verdade, não passa de um detalhe, sórdido, mas subliminar.

Vejam os números: Imaginemos 200 vítimas fatais, cada uma com uma média de 10 parentes e 10 amigos, então teremos 20.000 pessoas indignadas por terem sido atingidas diretamente. No que interessa aos políticos, o voto, esse número é ínfimo. Divida 20.000 indignados por 100.000.000 de eleitores e você verá que foram perdidos "apenas" 0,02% do eleitorado, ou seja, 2% dividido por cem (para os que se confundem com números). E daí? Agora veja quantas pessoas transitam, passeiam, relaxando e gozando, felizes, ou passando raiva, no aeroporto de Congonhas, TODOS OS DIAS. E é a essa "china" humana, de transeuntes, vivos e capazes de votar, que os políticos preferem atender. Por isso que a verba para a reforma, digamos, "antropodinâmica" (que garante conforto, estética, luxo, etc.) saiu primeiro que a verba para os serviços técnicos de pista. Essa é a sordidez da mente nefasta dos nossos políticos: "Que diferença faz uma meia dúzia de 20.000 que se estrepam dali, se outros milhões se alegram de cá".

Fui engenheiro responsável por várias obras de porte que prestei para a INFRAERO, inclusive nas pistas e sou testemunha viva da capacidade técnica desse órgão. Os departamentos de engenharia beiram a perfeição, tanto em recursos humanos quanto físicos. O pessoal da segurança treina até o mais reles peão, um mero carregador de sacos. Todos os trabalhadores, peões ou engenheiros são checados pela segurança, que só depois desta conferência libera os crachás com as indicações de acesso, ou seja, as permissões para transitar nessa ou naquela parte.

Tive um fiscal da INFRAERO que tinha sido meu aluno na Faculdade de Engenharia da FUMEC e, por coincidência, já engenheiro formado, acabou designado para fiscalizar minha obra. O sujeito não relaxou, ao contrário, dobrou a rigorosidade, que já não era pouca. Resumindo, os técnicos e o pessoal da segurança da INFRAERO são sérios, são técnicos e não políticos, sabiam que a pista não estava plenamente segura e não fizeram nada, porque não puderam fazer nada, porque pra nossa infelicidade os Diretores e Presidentes das "INFRAERO da vida", mesmo que tenham sido técnicos um dia, deixaram de sê-lo e hoje vivem da e para a política.

O que se viu ali foi crime, mas não apenas contra meia dúzia de 20.000 vítimas diretas, mas sim contra todos os brasileiros. Os números não assustam e a comoção é uma questão de mídia. Um único feriado mata três vezes a quantidade de pessoas que morreram ontem, só em acidentes de estradas, sem falar na violência desenfreada e na fome.

Se a rede Globo dedicasse o tempo de UM ÚNICO capítulo da sua mega educativa novela, "Os Sete Pecados", para explicar, em linguagem simplificada, para 50 milhões de brasileiros grudados na TV, o que realmente ocorreu naquele acidente, teríamos uma revolução. Só que não interessa a ela, como não interessou mostrar, com detalhes, a vaia que o Lula recebeu no Pan. Cala-se e continua passando seu absurdo folhetim que glamouriza a ruindade de espírito e fica anunciando e repetindo a balela dos interessados em ganhar tempo, com essa conversa mole de "aguardar a perícia". É disso que vivem nossos políticos. De aguardar. De esperar a poeira abaixar, como abaixará mais essa e mais outras tantas.

Não tem papo de perícia: Sou perito formado pelo antigo Instituto Mineiro de Avaliação e Perícias, hoje Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias - Sucursal MG, fui professor da Faculdade de Engenharia da Universidade FUMEC por 11 anos e afirmo, taxativamente, que, nesse caso, não precisa "esperar" o resultado da perícia. Trata-se de um evento óbvio, derivado de um vício construtivo, fruto da irresponsabilidade dos que priorizaram as obras valorizando a plástica e relegando a segurança ao segundo plano.

Toda pista de rolamento precisa de drenagem, o que ocorre um pouco pela permeabilidade dos materiais e a maior parte por um sistema de drenagem básico, jogando a água do centro da pista para as laterais, com recursos primários de inclinação e coleta perimetral. Em locais de maior necessidade de aderência, como em algumas curvas de ruas, avenidas e estradas e também em pontos de pistas de pouso, pontes e viadutos inclinados ou em curva, pátios, enfim, onde se pretenda aumentar o atrito da roda com o piso, são feitas ranhuras, que além de melhorarem o atrito favorecem a drenagem radial. Uma dessas situações é o caso de Congonhas, que tem a chamada "pista curta".

Alguém pode alegar que a pista do Santos Dumont também é curta e também não tem ranhuras, mas existe a questão do ar. Lembrem-se dos jogos de futebol do Brasil, nos países muito altos, onde o ar é rarefeito: O goleiro cobra um tiro de meta e a bola sai do outro lado do campo. Pois é; O Santos Dumont está ao nível do mar e São Paulo a 860 metros acima do nível do mar. Com altitude maior, o ar fica mais rarefeito, o que exige mais pista ou então mais recursos de frenagem para a aeronave. Engenharia é isso, muda tudo e tudo depende de um tanto de coisa e foi pra isso que a engenharia surgiu como ciência.

Especula-se: FOI FALHA TÉCNICA? A equipe técnica da INFRAERO sabe que 2+2=4. Falha técnica seria, se eles não soubessem disso. Mas tenham certeza, eles sabiam. Não fizeram nada porque são mandados por pessoas hierarquicamente superiores, que vão cobrindo a técnica com uma espessa camada de política.

FALHA DO PILOTO? É bom lembrar sempre que ele também estava no avião e ele também morreu. Arremeter é o procedimento indicado em qualquer situação anormal que ocorra entre o momento de início dos trabalhos para aterrisagem até a parada completa da aeronave em solo. O piloto fez o que pôde. FALHA DA AERONAVE? Alegar excesso de tecnologia, ou falha de equipamentos é ridículo. É mais fácil uma arara azul fugir da Amazônia e fazer cocô na sua cabeça do que uma aeronave como essa dar problema.

Sabe qual o nome do ÚNICO VERDADEIRO CAUSADOR DESSA TRAGÉDIA? Eleições 2010. É a ânsia pelo poder... E a culpa nem é do Lula, que não passa de um gerente encantado e lambuzado (quem nuca comeu melado, quando come se lambuza), mas inócuo. O problema é nosso, da classe alta e privilegiada, que muitas vezes nos omitimos, ou nos escondemos atrás dos nossos próprios interesses. Esperem o povão dopado pela ignorância resolver o problema e as coisas só vão piorar. Cada Projeto Shangrilá, cada Urbanização de Aglomerado (nome chique e conveniente dados às favelas), irá comprar a alma e a mente dos pobres. E nós? Vamos vender nossa alma em troca de um aeroporto confortável, de uma vida confortável na base do "foda-se do mundo que não me chamo Raimundo"?

Precisamos entender o mundo com o olho do outro e principalmente, saber se queremos a polícia e a política igual para todos. Porque se for assim, nós, os abastados, teremos que socializar nossas riquezas e teremos que sentar no banco da escola pra estudar ética, pra parar de fechar o cruzamento, de estacionar em lugar errado, de chamar as pessoas usando a buzina, de fechar as ruas pra comemorar jogo de futebol, de trocar de celular de mês em mês "encostando" um aparelho feito pra durar 10 anos e se esquecendo que aquilo vira lixo, etc.

Ser ético é "chato", mas é o único caminho. Eu estou nessa. E você? Se estiver também, comece a exercitar sua ética disparando esse e-mail para o maior número possível de pessoas.