17 julho, 2007

Mais uma tragédia!

Mais uma tragédia aérea no Brasil. Mais uma tragédia causada pela incompetência da Infraero e do governo federal como um todo. Dessa vez não há pilotos americanos para exercitarmos o nosso anti-americanismo idiota. Como o acidente do boeing da Gol, em 30 de setembro de 2006, que matou 154 pessoas, este também teve um roteiro há muito anunciado.

A pista do aeroporto de Congonhas era um sabão. Quando chovia, os aviões escorregavam. Foi fechada para reformas. Foram gastos 20 milhões de reais e 3 meses reformando a pista auxiliar e a pista principal. Elas foram reinauguradas há menos de dois meses. Chove em São Paulo desde ontem, e, as pistas, continuam perigosamente escorregadias. Ontem, um avião escorregou e parou na grama. Há pouco, um airbus da Tam, com 155 passageiros e 6 tripulantes vindos de Porto Alegre, pousou, escorregou, atravessou a avenida Washington Luís, bateu num posto de gasolina, num depósito da Tam, e explodiu. Todos morreram.

Será preciso uma CPI para provar a responsabilidade do governo federal nesse acidente? Hoje, centenas de famílias carregarão para sempre uma dor incurável. Essa dor aumentará, transformar-se-á em revolta, quando ficar clara a responsabilidade do governo na tragédia. Nunca na história desse país tanta gente morreu em acidente aéreo.

Não gosto de avião. Viajo, porque em relação às rodovias, as chances de morrer são menores. Detesto, sobretudo, o momento em que o avião decola. Passam por mim pensamentos como: "agora não tem jeito. Se cair todos morrem". Com o tempo, resignado, na verdade com o medo sob controle, começo a ler alguma coisa. Na hora em que o piloto avisa que o avião vai pousar, sinto um alívio. Quem entende de avião, diz que o pouso é a hora mais perigosa. O pouso para mim significava a certeza de que em breve sairia daquele troço e, em terra firme, respiraria aliviado. Acabou minha tranquilidade com a informação de que o avião está manobrando para a aterrissagem.

Vou reproduzir um post do dia 30 de setembro, um dia após o acidente da Gol. Dez meses depois, infelizmente, a tragédia se repete.


Meu Deus, consolai-os nessa hora!


PEDAÇO DE MIM (música e Letra de Chico Buarque)

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus


5 comentários:

Cejunior disse...

Cenas dantescas, uma coisa horrorosa de se ver. E a dor das famílias... Puxa vida, vai começar tudo de novo ?
Graças a incompetência de Infraero, Anac, Min.Defesa, Gol e Tam e é claro, do chefe desse bando todo, assistimos de novo esse sofrimento, essa tragédia...
Até quando ????

Cejunior disse...

Meu caro amigo, tomei a liberdade de linkar esse post lá no blog, juntamente com os posts revoltados do Rayol, Fábio Max e do Mário, do Apoio Fraterno. Não estou conseguindo escrever nada...

Ricardo Rayol disse...

Nada mais a declarar.

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Porque, eu pergunto, o governo manobra tudo o que pode para que não se investigue a INFRAERO?

É uma das muitas perguntas que ficam...

Rafael disse...

foi culpa do piloto???