16 julho, 2007

Lula, não relaxa, e chora!

Duas situações muito claras, mostraram a índole do governo Lula quando se trata de liberdade. Foi Cecília Meireles que num belíssimo livro de poesia, Romanceiro da Inconfidência, melhor definiu a palavra liberdade: "Não há ninguém que explique/ e ninguém que não entenda". O PT não explica, não entende, e, detesta a liberdade. Vamos às aludidas situações.

A pedido do presidente Lula, a Peugeut retirou do ar uma peça publicitária bem-humorada onde fazia uma referência simpática à antipática, além de chula, frase da ministra do turismo, Marta Suplicy. O slogan da campanha da Peugeot era: "Relaxa e compra". A ministra e o presidente, chateados com a propaganda, fizeram um apelo, daqueles que é uma ameaça, à montadora francesa para que retirasse do ar a propaganda. A montadora atendeu, e desde sábado, dia 13, a peça não foi mais ao ar. Ainda bem que temos o youtube para salvar a liberdade ameaçada.

rememorando o caso...

A ministra do turismo, lembrando seus tempos de TV Mulher, onde dava dicas de sexualidade às moçoilas. Ou talvez, quem sabe, lembrando da última noite com seu argentino, foi questionada por uma repórter sobre a humilhante situação dos passageiros nos aeroportos do Brasil, com um ar de malícia, com aquele sorrisinho maroto de quem sabe que falará uma sacanagem, sacou:"Relaxa e goza". Pouco depois o ministério do turismo, em nota, pediu desculpas pela "frase infeliz". O relaxa e goza colou em Marta, não tem mais jeito. Com o pedido esdrúxulo do presidente, e a aceitação imediata da Peugeot, fica provado que nosso capitalismo é assim, subserviente, aos humores palacianos.

Já falei aqui sobre a vaia do Pan. Lula, em seu programa semanal de rádio, Café com Bobagem, quero dizer, com o presidente, soltou a voz e o coração, comentando os apupos que recebeu no Maracanã. Vamos ao relato e depois comento:

"A vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá. Eu tenho certeza de que não é esse o pensamento do Rio de Janeiro. Depois que terminou o evento, várias pessoas vieram dizer que tinha sido organizado, que gente tinha recebido o convite. A mim, não me interessa o que aconteceu, já aconteceu. O importante é que foi uma abertura extraordinária dos Jogos Pan-Americanos"

Oh! Presidente, o ser humano tem muito mais reações do que uma vaia e um aplauso. Na lógica perturbada de Lula, ou a gente vaia, ou a gente aplaude. Ficar indiferente, não dá. O presidente é mesmo um homem de idéias curtas.

Tentando minimizar a vaia que 80 mil pessoas lhe dispensaram no Maracanã, Lula, recorrendo às suas metáforas, disse que se sentiu como se fosse convidado para uma festa de aniversário de um amigo, e então, um grupo de pessoas protestaram contra sua presença. A rigor, seria mais correto dizer que um pequeno grupo o queria abrindo os jogos, pois a imensa maioria no Maracanã o queria longe dali. Em seguida, ele faz uma denúncia, velada. Sugere que a vaia foi combinada. Por quem? O presidente detesta declinar nomes. Foi assim com os "traidores" do primeiro mandato e com os "aloprados" nos estertores também do primeiro mandato.

"Eu tenho consciência do que representa o Rio para o Brasil. Eu tenho consciência de que o povo do Rio de Janeiro tem sua auto-estima nesse momento muito melhor do que tinha três, quatro anos atrás. Nós vamos trabalhar, nós temos muitos projetos para trabalhar no Rio de Janeiro e vamos trabalhar no Rio de Janeiro. Isso [as vaias] não muda um milímetro do meu comportamento com o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro a gente poderia dizer continua lindo e merece que o governo federal faça o que for possível para o Rio de Janeiro."

Desse último parágrafo, algo me chamou atenção: "Isso [as vaias] não muda um milímetro do meu comportamento com o Rio de Janeiro." Deveria mudar? Lula é tão pequeno, tão mesquinho, que passou sim, pela cabeça dele, retaliar o povo do Rio de Janeiro por conta da vaia dos 80 mil, no Maracanã. O presidente exalta como vitude, o que é uma obrigação. É como se dissesse: fui vaiado, desrespeitado, mas mesmo assim, o dinheiro continuará vindo para o Rio de Janeiro. Isso prova o quanto sou bom. Outro trecho revelador: "O Rio de Janeiro a gente poderia dizer continua lindo e merece que o governo federal faça o que for possível para o Rio de Janeiro." O Rio ficaria feio por conta da vaia? Para mim, depois da vaia, o Rio ficou ainda mais bonito. Na lógica pertubrada do apedeuta, porque o Rio continua lindo, vai merecer que o governo federal o ajude. Então, as cidades, se são feias, não merecem a ajuda do governo Federal, é isso?

"A festa foi uma coisa extraordinária. Antes da festa, eu tive a oportunidade de visitar a Vila Olímpica e conversar com atletas de vários países do mundo que estavam lá. Era unânime dizer que ninguém nunca tinha visto nada com a qualidade que o Brasil estava oferecendo na Vila Olímpica. Os atletas dizendo sobre as quadras que eles iriam participar".

Lula fez uma visita à vila do Pan, e lá, ele declarou que falou com atletas de "várias partes do mundo". A frase só faria sentido em se tratadando de uma olimpíada, pois aí sim, haveria atletas de todos os continentes. Lula, só falou com atletas da América, o que restringe bastante o espaço, tornando a locução adjetiva, "do mundo", inadequada.

Esse parágrafo também mostra a pusilanimidade do presidente. O apedeuta afirmou que os "atletas de várias países do mundo" elogiaram as instalações da vila, a organização do evento. Todos estavam felizes, menos os 80 mil que lotaram o Maracanã. Ele acha que foi injustiçado, que não merecia as vaias. Além do mais, ele atribui as vaias a uma possível falha do governo nas obras do pan. A vaia, Lula, foi pela corrupção e pela incompetência de seu governo, em particular; e pelos políticos, sobretudo os do congresso, em geral.

Lula mostrou nesse desabafo que não admite a livre manifestação do povo. Esse papo de que ele ouviu as vaias de forma democrática é uma falácia. O que ele faria? Contrataria os militantes do MR8 para bater no povo que o vaiava? Lula não engoliu a vaia, tanto que começou, como um bebê chorão, a reclamar e a buscar teorias conspiratórias para explicar o protesto.

No caso da Peugeot, a agressão à liberdade foi ainda maior. A rigor, Lula não exigiu a retirada da peça publicitária do ar, apenas pediu. Mas desde os tempos do absolutismo europeu, não se nega, em países de mentalidade subserviente ao estado, um pedido do monarca da ocasião. O governo deveria se envergonhar do pedido, mas convenhamos: um governo que não se vexa em, como direi, juntar recursos não contabilizados, envergonhar-se-ia de pedir o fim do relaxa e compra?

Ah, a liberdade! Que ninguém explica e ninguém entende.


2 comentários:

PATRICIA M. disse...

Ele eh ridiculo. Cansei de ler bobagens, desculpas esfarrapadas e coisas do genero.

Marcus Mayer disse...

Há lucidez no Brasil! Ler o seu texto confirma a importância desse valor tão caro da democracia, a liberdade. Estamos 100% de acordo nessa questão, Costa Jr.!

Também conto os dias para que chegue 2010, pois a nossa fraca oposição não terá coragem de tirar o "apedeuta" de lá antes disso.

Parabéns, pelo texto e pelos comentários!