15 julho, 2007

Lula, lá ! E a vaia também!

Muito já se falou sobre a vaia homérica com a qual o presidente Lula foi brindado na abertura do Pan do Rio. Não vou repetir ad nauseam o que já foi dito por aí, vou apenas expôr minha impressão.

Fiquei constrangido com a vaia, e olhem que eu acho que o presidente merecia mais do que vaias, mas foi constrangedor, sim. Senti por Lula uma comiseração típica de quem encontra um moribundo agonizando e alguém ainda achincalha. Lula, todo ancho, foi impedido pelas vaias de abrir os jogos no Rio. Sua vaidade é imensa e ele deve ter ficado muito magoado com os apupos dos que estavam presentes no estádio do Maracanã.

A Grande Imprensa poupou Lula. No máximo se referiu à vaia, qualificando-a de manifestação democrática, como de fato foi. Fico aqui pensando o que Lula poderia ter feito para evitar que 80 mil vozes o vaiassem. Todavia, a imprensa não foi atrás do significado político da vaia. Lula não foi questionado sobre o que achou da manifestação, no máximo, ministros e assessores fizeram circular pela imprensa as impressões do presidente após a vaia. E aí a coisa começa a ficar mais deliciosa.

Segundo interlocutores, Lula disse que aquela manifestação não é típica de eventos esportivos. Sugeriu assim, sorrateiramente, que houve uma armação. 80 mil vozes fizeram parte de um complô, para denegrir a imagem do presidente Lula em toda a América. Talvez a CIA esteja por trás das vaias, quem sabe, a imprensa, durante a semana, tenha articulado em surdina, com 80 mil pessoas, para vaiarem o presidente 7 vezes.

Lula, ainda segundo interlocutores, esperava uma calorosa recepção, pois colocou muito dinheiro no Pan. Esperava que o povo, agredecido, ovacionasse seu nome quando fosse chamado. Aposto qualquer coisa que Lula, em seus sonhos, imaginou uma recepção estrondosa, onde seu nome seria gritado em êxtase no Maracanã. Estrondosa foi a vaia.

Lula cogita não voltar à festa de encerramento, eu duvido. Ele voltará, sim. Ele precisa saber se a vaia foi mesmo uma manifestação livre ou arquitetada pelos golpistas de sempre. Haverá uma diferença: Quando Lula aparecer, os militantes vão estar a postos para aplaudir ou para provocar os insatisfeitos com o presidente.

Outra hipótese para a vaia, é o velho arranca-rabo de classes. Lula foi vaiado pelos ricos, se os pobres estivessem no Maracanã, ele seria aplaudido. Gente como Lavareda, que não é petista, disse no Estadão, que de fato quem vaiou Lula foi gente de renda mais alta. Alguns ricos em Brasília, que dependem das benesses do governo, aplaudiriam Lula, nõ tenho dúvida. A hipótese que defendo é a de que quem vaiou o presidente foi gente decente, rica e pobre, que não aguenta mais tanta molecagem na política. Lula, ali, representava não apenas o governo dos corruptos, mas o parlamento igualmente imoral.

A abertura do Pan foi um espetáculo, em muitos aspectos teatral, e como uma boa peça grega, o povo, com a vaia, fez sua catarse! O engraçado foi um ministro dizer que ali, no Maracanã, não havia povo. Para essa gente, povo é a patuléia. Verdade ou não, a vaia de mais de 80 mil pessoas, ecoou não apenas no Maracanã, mas em todos o país e também na América!

PS: Há, ainda, que considerar o seguinte: não é inverossímil imaginar que muita gente que vaiou o presidente no Maracanã, tenha sofrido com os atrasos nos aeroportos. Era, portanto, a chance de dar o troco. E que troco.

3 comentários:

Clarisse disse...

Mas eu também fiquei com pena dele na hora.

PATRICIA M. disse...

Eu amei, lavei a alma, nao tenho a menor pena do molusco, que bom que o povo vaiou e deve vaiar mais ainda. Adorei, quero bis.

Blogildo disse...

É nessas horas que a gente enche o peito de orgulho de ser carioca!