14 julho, 2007

De que lado você está?

A escolha de um lado revela uma posição moral. Explico-me: se a democracia é um valor para você, e não, uma mera palavra, como é para o esquerdista, você não pode flertar, nem de brincadeira, com a ditadura. Porém, é mister que não nos enganemos com gente de fala bonita e cheia de boas intenções. Há gente inteligente que anda tendo umas idéias estranhas, e, fingindo combater a ladroagem, a corrupção e mesmo a decadência moral, está mesmo é defendendo a ideologia totalitária. Vejamos dois exemplos, distintos.


Outro dia, aqui em Brasília, Paulo Queiroz, professor de Direito do Uni-Ceub e Procurador da República, escreveu em artigo no Correio Braziliense, em que dizia que o Congresso é absolutamente desnecessário. Fiquei estarrecido com a afirmação, e ainda mais, com o apoio de alguns amigos, à proposta. Esse magistrado, defensor, e, guardião da lei; declara sem pudor, que o Congresso, um dos poderes da república, seja extirpado! Ah Zé Paulo, mas esse Congresso que temos é uma vergonha! Sim, é. Mas não podemos confundir o congresso com os congressistas, que de resto, é eleito pelo povo. Essa gente é ardilosa, porque vem com boas intenções, com discurso a favor da ética, e, de maneira sorrateira, pretende minar as bases das instituições democráticas. Não sei, desconfio que o magistrado seja simpatizante, se não, militante do PT.

Muita gente também criticou, na semana que passou, um documento da Igreja Católica – eu não sou católico, mas protestante presbiteriano – que afirmava ser ela, a única verdadeira representante de Cristo. Espantou-me que católicos estivessem entre os críticos! O que essa gente esperava? Que o Papa dissesse que todas as “comunidades” cristãs têm o mesmo valor? Como chefe da Igreja Católica, o papa reafirmou uma verdade – para os católicos – há milênios aceita! Que as comunidades protestantes discordem, é natural! O que não podem é questionar o direito de um líder religioso de defender sua fé. Nos púlpitos, os pastores dizem a mesma coisa em relação à sua Igreja, e onde está a grita? A parte boa, é que no quesito salvação, quem decide é Jesus. Deixem o Papa defender sua religião. Que patrulha absurda! Tudo que o Papa Bento XVI fala, vira polêmica. Oh gente chata!

Ano passado, na Alemanha, o Papa Bento XVI declarou uma obviedade sem tamanho, e não demorou muito para os estressados radicais islâmicos e os ateístas militantes do ocidente, mas também católicos politicamente corretos, criticarem o discurso do Papa. E o que tinha nesse discurso que gerou tanta celeuma? O Papa, citando um documento medieval, afirmou que o islamismo tem práticas cruéis e se disseminou pela violência.

Manifestações dos estressadinhos islâmicos, do Egito à Indonésia, num exemplo claro de totalitarismo, exigiram que o Papa se desculpasse. Nunca vi alguém se desculpar por falar a verdade. O Papa não se desculpou, mas em tom conciliatório, declarou que sentia muito, que não era a intenção dele provocar uma celeuma. Esses muçulmanos agiram como certas minorias que quando confrontadas com a verdade, dão um “piti”, e nos acusam de preconceituosos.

O islã é violento? Há alguma dúvida de que seja? O Corão, livro sagrado dos muçulmanos, não defende a Jihad? (a Guerra Santa contra os que atentam contra à fé islâmica). Não foi a Jihad a justificativa ideológica de expansão do islamismo nos séculos VII e VIII? Isso é mentira? É interpretação? Não. É fato!

Vejam agora o caso da Mesquita Vermelha no Paquistão. Lá funcionavam escolas religiosas, conhecidas como madraçais, onde pregavam abertamente uma revolução islâmica contra o governo, porque alinhado com o ocidente, leia-se Estados Unidos. Alunos dessas escolas seqüestravam prostitutas e espancavam pessoas nas ruas. Isso não é violência?

Qual a principal proposta dos fanáticos de Islamabad? Que o governo adote a sharia, a lei islâmica. Numa palavra: querem uma teocracia fundamentalista! O Paquistão é uma ditadura militar, e há um movimento no país a favor da democracia. Alguns pedem, os fanáticos sobretudo, eleições. Vejam a ardilosidade: esses fundamentalistas querem eleições democráticas porque sabem que controlam milhões de fanáticos que estão dispostos a morrer pelos líderes, que dirá votar neles. Se eles conseguirem, a primeira coisa que farão é acabar com a democracia! Entre uma ditadura que mantém, sem muita competência, os fanáticos longe, e uma outra, que os coloquem no poder, fico com a primeira. O Paquistão tem armas nucleares, já pensaram o que essa gente torpe faria com um arsenal desses?

Então Zé Paulo, de que lado você está? Você é a favor ou contra a ditadura? Como é possível defender a democracia num canto e a ditadura num outro? Simples. Sou contra a qualquer ditadura, de direita ou de esquerda, todavia, tenho bom senso para reconhecer que, em se tratando de radicais islâmicos, a democracia que eles defendem é uma fachada, o que querem mesmo, porque essa é sua natureza, é o totalitarismo religioso. Se a única forma de contê-los é a ditadura militar, paciência...

2 comentários:

Saramar disse...

Concordo com você.
Neste caso do islã, dos males, o menor.

PATRICIA M. disse...

Estou com voce e nao abro. Paquistao, com armas nucleares, tem que continuar firme sob a tutela de Musharraf.