30 julho, 2007

Até no protesto a direita é superior a esquerda.




O jeito da esquerda protestar
























Soube assim, meio sem querer, que ontem, em São Paulo, sob chuva e um frio de 11° C, cerca de 6500 pessoas fizeram um protesto contra o Apagão Aéreo. O Movimento, denominado Cansei, foi chamado por muitos setores da mídia, aquela que é golpista, de um movimento da elite branca, dos endinheirados. Aliás, a mídia golpista, sequer divulgou e relatou o protesto.

A petralhada anda dizendo que o movimento foi político, capitaneado por gente ligada ao PSDB e ao DEM. Claro que a petralhada fala isso tentando desqualificar o movimento. Quando as ONGs e os "movimentos sociais", ligados ao PT e a outros grupelhos de esquerda, fazem os seus movimentos de reivindicação, não se trata de um movimento político? Em tempos de oposição, sempre tinha um vereador ou um deputado petista mostrando a cara, lutando pelos desfavorecidos. Então, conclui-se que, se os que fazem oposição ao PT se reúnem numa manifestação, o motivo é político, quando são os grumetes do PT, é movimento social. Não se contou, ontem, qualquer político de oposição no protesto em São Paulo, mas ainda que participasse, não veria problema.

A vaia no Maracanã, o protesto de ontem, e a certeza de que o Caos Aéreo é a herança legítima de Lula, sugerem que o encanto está no fim. Oposições, não façam nada, a incompetência desse governo, encarregar-se-á de prostrá-lo. Lula é um patife, como patifes são a maioria de seus colaboradores e como patifes são os que cegamente o seguem.

Esse movimento, finalmente, evidenciou a diferença entre um protesto da Direita e um protesto da Esquerda. Como a Direita respeita a lei, é muito mais civilizada, consegue protestar sem atrapalhar a vida de ninguém. Escolhe inclusive um dia de domingo, frio e chuvoso, nada mais desestimulante para um protesto, e mesmo assim, 6500 pessoas foram às ruas de São Paulo para protestarem. A Esquerda, por sua vez, gosta de protestar fazendo o que Bruno Maranhão e seu MLST fizeram na Câmara dos Deputados. Só por essa diferença, vocês vejam o nível de delinquência desses petralhas.

Um, anônimo - são covardes até nisso - como hienas, só atacam em bandos, sugeriu a mim um tratamento psiquiátrico. Como não teço loas ao PT e a Lula, sou maluco, é claro. Para essa gente, sadios, são os que pensam como eles. Nada mais democrático. Petralhas, esqueçam o meu blogue. Vocês não vão me converter. Comentem no Mino Carta, no Paulo Henrique Amorim, no Josias, há tantos blogueiros por aí que só almoçam com o dinheiro da viúva. Não percam o seu tempo comigo. Vão para os blogues que os carreguem.

28 julho, 2007

A petralhada está assanhada.

Recebi no post abaixo um comentário de um militante petista. Reproduzo em vermelho e respondo em seguida.

"Depois de 360 mortes e 10 meses de caos aéreo,..."

Eu pergunto: Você sabe a diferença entre o ingênuo e o imbecil?
Os ingênuos acreditaram que o avião da TAM derrapou na pista, deu um salto para o outro lado da pista, colidiu com um prédio e explodiu. Como não gostavam de Lula, acusaram Lula de ter sido o responsável pelo acidente.
Os imbecis, fizeram o mesmo só que continuam, apesar dos fatos, sustentando a mesma versão inicial.
Não mude de assunto. Cadê o Lula que matou os passageiros? Não se pode esperar grandeza de pessoas que utilizam uma tragédia para fazer política sensacionalista.
Quem disse que o governo não admite a crise aérea? Não admite o "caos" e nem o "apagão".
O apagão deve ter ocorrido nas suas diminutas inteligências provocando um evidente caos moral. Eu teria vergonha na cara e estaria escrevendo um post para admitir o erro. Até a Veja já está fazendo isso. Pedir desculpas é claro que não. Precisa ter grandeza moral. Essa mesma que você gostam de acusar o governo Lula de não ter.
Triste!!

A petralhada está assanhada. As investigações sobre o acidente do airbus da TAM apontam para uma falha humana como causa principal para a tragédia. Pronto. Diante disso, a camarilha petista anda efusiva pela rede nos cobrando um reconhecimento formal de que Lula nada teve a ver com o acidente.

Muito antes dessas investigações, disse que o acidente da TAM, tivesse a causa que tivesse, inseria-se num contexto do Apagão aéreo que nos assola há 10 meses. A reportagem de Veja que os anões morais do petismo estão exibindo como prova da inocência de Lula – no final a única coisa que conta para eles é isso mesmo, Lula inocente – lembra que falhas semelhantes ocorreram em outros aviões da airbus em outros aeroportos pelo mundo (Filipinas e Taipei), mas só em Congonhas os passageiros da aeronave morreram. A causa: pista curta, ausência de área de escape, enfim, condição insegura. De quem é a responsabilidade? Da Infraero e, claro, do governo.

O rapaz do comentário me pergunta se eu sei a diferença entre um ingênuo e um imbecil. Sei, sim. Sei que entre as duas opções, ele está longe de ser ingênuo. Também sei que o que é ética, moralidade pública, decência, decoro. Coisa que petista se arvora de ter, mas nunca praticou.

O rapaz do comentário, a seu modo, fez com palavras, o que o canalha, Marco Aurélio Garcia e seu grumete, fizeram com as mãos. Essa gente é torpe até quando tenta ser educada. Não duvido que nosso amigo saia por aí confeccionando uma faixa, quem sabe pichando muros, com dizeres: Lula não matou ninguém! Foi o piloto.

O motivo do comentário desse militante da Al Quaeda eletrônica é tirar das costas de Lula a responsabilidade pelas mortes. É inútil rapaz. Os fatos e as ações do governo depõem contra essa sua ambição militante.

Lula nada tem a ver com o acidente, mas reuniu às pressas, ministros, para debater a crise no dia que o airbus da TAM colidiu com o prédio da TAM Express. Lula nada tem a ver com o acidente e passou três dias escondido, sem dar uma declaração pública. Amarelou. Lula nada tem a ver com o acidente, mas mudou o Ministro da Defesa, tentando, ainda que tarde e depois de 360 mortes, dar uma resposta à sociedade que o responsabilizava pelo acidente. Lula nada tem a ver com acidente, mas evitou viagens a região sul e sudeste, estava com medo.
O piloto da TAM errou. Não houve a aquaplanagem. Informações suficientes para a horda de petistas saírem por aí cobrando a retratação dos adversários. Mesmo assim, caro grumete, Lula, ao não resolver o caos aéreo que sua imbecilidade nega, proporcionou as condições inseguras nas pista de Congonhas e o clima de medo entre os pilotos, para o maior acidente aéreo do mundo, nos últimos 5 anos.

Triste é isso.

25 julho, 2007

Lula troca Waldir Pires por Nelson Jobim e admite a crise aérea.

Depois de 360 mortes e 10 meses de caos aéreo, Lula finalmente, tomou uma decisão óbvia: demitiu o ministro mais incompetente de seu populoso séquito de colobaradores diretos, Waldir Pires, o ancião. Em seu lugar, pôs o vaidoso e de língua desenfreada, Nelson Jobim, que em seu currículo tem um Ministério da Justiça, no governo FHC, a presidência do TSE, também no governo do tucano. Em 2004 assumiu a presidência do STF, já na Era Lula. Nelson Jobim vem sendo tratado como a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa. Tenho minhas dúvidas. De qualquer forma, foi uma ação, ainda que tardia, desse governo inerte.

No discurso de posse, Lula, de pronto, admitiu de maneira objetiva, o que até agora, seus ministros e subordinados da Infraero e da Anac, negavam. Disse: "não é segredo para nenhum brasileiro que temos uma crise no setor aéreo, numa combinação de várias coisas que vêm acontecendo nos últimos meses". Até para admitir o óbvio ululante, esse governo é lerdo. Tirando isso, as demais declarações de Lula foram patéticas e estúpidas.

Começou dizendo que a troca de um ministro é o momento mais difícil de ser presidente, "quando a gente troca um ministro, é como se a gente estivesse se despedindo de um filho e recebendo outro que volta de viagem". Lula e suas metáforas, de novo. Dificil, Lula, é saber que um ente querido nunca mais vai voltar e por culpa da inépcia do governo.

Antecipando-se às críticas, o presidente declarou que "precisamos não transformar tragédias como essa em disputas menores, condenar pessoas à pena de morte antes do julgamento, [antes] de saber concretamente o que aconteceu. Isso é da cultura brasileira: primeiro condena-se, depois, analisa-se", afirmou. O PT, quando na oposição condenava sem titubear. Todavia, não se está condenando ninguém, está-se apenas cobrando de quem de direito, ou seja, do governo, as responsabilidade pela segurança da aviação civil no Brasil.

Aí Lula, confiante, decide, como vou dizer, levar o discurso para o botequim. Como se estivesse diante de um copo de pinga, tomando uma "lapada", com olhos esbugalhados, a língua ainda mais presa, o presidente disse: "[Nelson Jobim] estava sem fazer nada, atrapalhando a esposa. Falei: está na hora de Waldir, que é um pouco mais velho, descansar e o Jobim trabalhar".

Sem esquecer o real motivo dessas ações, Lula revela sem pudor o que o moveu a fazer o convite, mas principalmente, o que moveu Nelson Jobim a aceitá-lo. Disse o presidente: "O Jobim terá a oportunidade que o Waldir, o Alencar e o Viegas, e possivelmente outros ministros, não tiveram. Nós precisamos de momentos de crise, precisamos sofrer internamente para tirar lições e fazer as coisas que precisam ser feitas"

À socapa, aqui em Brasília, dizem que o novo ministro, depois de recusar o convite por duas vezes, foi seduzido pela lábia de Lula e pela atração do poder. O que contou mesmo, e aí a vaidade e as ambições políticas de Jobim foram decisivas, é a possibilidade que se abre para o novo ministro - que tentou ser vice de Lula e presidente do PMDB - caso ele consiga dar ao Ministério da Defesa uma imagem de competência que o Waldir Pires nunca deu, e também consiga dar um jeito no caos aéreo em sua gestão, de seu projeto político decolar. Sem trocadilhos.

Esperemos para ver. De qualquer forma, até o poste da esquina é mais ágil que Waldir Pires e seus subordinados.

A nova tática 1

Para entender os dois posts, comece lendo este e depois passe para o de baixo.

Estamos vivendo uma época surreal. O governo é surreal, as declarações das autoridades, surreais, e a cobertura da imprensa, incluindo principalmente o jornalismo opinativo, ainda mais surreal.

Impotentes para tirar do governo a pecha de culpado pelo acidente da TAM, certos setores do jornalismo e da blogosfera, têm insistido numa estratégia: o governo não é o único culpado. Antes, façamos uma pequena digressão:

O governo Lula, desde o acidente da GOL, mas sobretudo, desde o problema com os controladores, foi de uma desídia sem precedentes, no trato do problema. As autoridades do governo, que se fossem sérias, deveriam acabar com a humilhação sofrida pelo passageiros nos aeroportos desde outubro de 2006, preferiram menoscabar a crise, ou tratá-la com absoluta irrelevância.

Sem esquecer as falácias do ministro da defesa, Waldir Pires, e do presidente da Anac, Milton Zuanazzi, ou mesmo as patetices do brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, que em todos esses meses foram unânimes em não reconhecer a crise; é preciso destacar as declarações de certos figurões do primeiro escalão do governo, sobre a crise aérea.

Já virou slogan a declaração da ministra Marta Suplicy. Seu ralaxa e goza, é o emblema oral da desfaçatez e do pouco caso com que o governo trata a crise aérea. Ao explicar que não havia crise, mas prosperidade no Brasil, porque as pessoas estavam viajando mais de avião, o ministro Mantega se fez de cego e surdo às humilhações e aos protestos de passageiros no Brasil inteiro, nos últimos nove meses. Os gestos do horripilante, do nosso Átila do Planalto, Marco Aurélio Garcia e de seu grumete, tornaram-se o emblema visual de um governo que quer antes de tudo, livrar a própria cara, e não, resolver o problema do caos aéreo. Em todos esses casos, o governo considerou, ainda considera, que o problema nos aeroportos, assim como o acidente da TAM, onde 200 pessoas morreram, é apenas exagero da imprensa golpista que se aproveita da situação para malhar o governo. Tudo, portanto, é um golpismo da imprensa burguesa. As horas modorrentas e estressantes gastas nos check-in das empresas aéreas, a insegurança nos céus do Brasil, as mortes no Boeing da GOL e no Airbus da TAM, não têm a dimensão que a imprensa e as elites lhes dão.

O governo, contudo, já começou o movimento de contra-informação. Desde o início do acidente, o presidente Lula vem atuando para, no mínimo, dividir as responsabilidades. Primeiro autorizou a Infraero a divulgar imagens do pouso da Airbus A320 que estaria, segundo as imagens, em alta velocidade, sugerindo assim um problema na Aeronave, ou um erro do piloto. Depois, surgiu a informação, que ao que parece teve o dedo do governo, de que um dos reversores da turbina do airbus estava com defeito, reforçando a teoria de que o acidente teve como causa, uma falha mecânica. Ainda na quinta-feira, dia 19 de julho, quando já não dava mais para defender a pista de Congonhas, divulgou-se que o IPT (Instituto Tecnológico do estado de São Paulo), havia fornecido um laudo, apresentado pela Infraero, liberando a pista. Essa tese ainda prospera, mas agora, com menos força. O laudo nunca existiu da maneira que a petralhada propagou. Analisou-se o material do asfalto, não as condições da pista, ademais, o IPT não teria competência técnica de garantir a segurança da pista de Congonhas. A idéia era dividir com o governo de São Paulo a culpa pela tragédia. Em todos esses casos, o governo federal se eximiu de suas responsabilidades. Ora tentou transferi-la para outrem, ora tentou dividi-la com outros agentes, públicos e privados.

A nova tática, na verdade, uma tática antiga, apenas requentada, é a seguinte: Já que não dá para eximir o governo Lula das responsabilidades pelo acidente, é forçoso lembrar as “barbeiragens” do governo FHC, como se dissessem: “essa incompetência do governo independe dos partidos ou das pessoas que exercem ou exerceram cargos públicos”. Sempre que Lula está em apuros, sempre que sua defesa se torna impossível, vem a petralhada da imprensa, ou os intelectuais de meia-tigela, ou os blogueiros cara de pau, dizer que FHC e seu governo também fizeram lambança. Esse argumento é infame, sobretudo, porque desvia o assunto principal, mas isso fica para o post abaixo.

A nova tática 2

Em seu blog, Marconi Leal, depois de 7 dias, e com uma relação próxima com o Rio Grande do Sul, de onde vinham pelo menos 90, das 200 vítimas do acidente da TAM, em seu post EM DEFESA DO LÉPIDO PRESIDENTE LULA, sempre irônico e bem-humorado, ainda que seu humor seja um tanto chulo às vezes, escreveu:

Não via no Brasil atitude tão enérgica [refere-se aqui a transferência dos vôos de Congonhas para outros aeroportos de São Paulo] desde que FHC fez sua maior obra. Não me refiro ao Plano Real, claro, nem, como poderiam pensar os mais malevos, estou utilizando a palavra “obra” em sentido escatológico. Muito menos aludo à imensurável contribuição do ex-presidente para o progresso das artes e das ciências — particularmente do solipsismo, do sofismo e da tautologia —, mas ao grande impulso que deu à nação quando nos informou, durante sua administração, que não éramos mais um país “subdesenvolvido” e sim “em desenvolvi mento”. Lance magistral com que, permutando quatro letras do alfabeto, tirou em segundos milhões de pessoas da linha de pobreza. E muitas outras ainda teriam saído da miséria se houvessem lido jornal por aqueles dias. Por aí temos uma idéia de como é perverso o analfabetismo.

Um petralha autêntico, até aceita criticar Lula, mas não esquece de bater no governo anterior, como uma maneira de dizer que se mantém fiel aos princípios do petismo.

Juca Kfouri, persona non grata pela torcida do Sport Club do Recife, meu time do coração, em seu blog dedicado a esportes, reproduziu sua coluna na Folha de São Paulo de ontem, dia 24 de julho. Vejam este trecho:

A tragédia da TAM, que obscureceu o Pan, é rica em ensinamentos.

Começou não é de hoje, com o escândalo do Sivam, no governo anterior, e continuou impávida e colossal de lá para cá.

Uma frase debochada e ultrajante da ministra do Turismo, um gesto raivoso e moralmente pornográfico do assessor presidencial, um pronunciamento vazio e perplexo do presidente que nunca havia visto uma sucessão de acontecimentos tão caóticos nos aeroportos nacionais e pronto!

Tudo continua como antes, a não ser, é claro, para quem morreu e para quem ficou por aqui, na saudade.

Ora, nem Romário é um artilheiro comparável a Pelé nem Pereira é o novo Spitz nem este governo é mais ou menos culpado que o anterior.

Ora, isto é que é isenção. Bater em Lula implica também bater em FHC. Bater nos dois governos, seria uma espécie de atestado de imparcialidade e seriedade jornalística. É atestado sim, mas de desonestidade analítica. O governo FHC teve o Apagão que comprometeu o crescimento do país em 2001, foi criticado com justa firmeza. Também teve o caso do Sivam, que já foi provado, era mais um problema de interesses das empresas envolvidas - caso semelhante se deu no governo Lula com a Brasil Telecom de Daniel Dantas - do que de corrupção; mas vá lá, ainda que fosse isso, qual a relação com o descalabro que tomou conta dos aeroportos do Brasil e que resultou em mais de 360 mortes? As falcatruas e a incompetência da Era FHC produziu quantas mortes? E se produziu 10, 100 ou 1000, isso tiraria do governo Lula as responsabilidades no acidente da GOL e da TAM? A petralhada quer FHC para dividir a culpa pelas mortes, é nisso que eles apostam. Como em tudo, estão mais preocupados com as eleições de 2008 e 2010, do que em resolver o caos aéreo, do que em dar uma resposta às famílias que carregarão para sempre a dor da perda estúpida de seus entes queridos nesses acidentes.

24 julho, 2007

Petista não tem limites

Acho que foi o Millor quem disse a seguinte frase: " Quando a gente acha que um petista chegou no limite, ele sempre dá mais um passo".

No blog do Noblat, há uma denúncia extremamente grave - colhida no ex-blog do prefeito César Maia (DEM -RJ)- e que desnuda a malvadeza de um governo que não é apenas inepto e indolente, mas cruel e diabólico. Quando o JN divulgou em primeira mão que um dos reversores do avião da Tam, o airbus A320, estava com defeito, não se sabia que estávamos diante de uma armação stalinista. Há um relato de um alto funcionário da TAM, que por razões óbvias, mantém-se no anonimato, de que o tal defeito foi arranjado, por pressão do governo, para tirar das costas de Lula a responsabilidade pelo acidente. Leiam o post na íntegra.

"Transcrevo - mudando os termos para evitar identificação - informação recebida de um alto dirigente da TAM:


* Sobre a informação de um diretor da TAM acerca de um dos reversos da turbina, que foi divulgada pelo Jornal Nacional da TV Globo e que tanta polêmica gerou dando uma justificativa ao governo, posso afirmar -pois sou testemunha- que um alto personagem do governo contatou a alta direção da empresa (TAM) dizendo que ou eles davam uma boa saída ao governo, ou ele (alto personagem), garantia que baixada a poeira, o governo iria quebrar a TAM.


Foi um problema, pois admitir qualquer coisa dessas seria assumir o seguro dos passageiros sem seguradora, o que levaria a uma grave situação financeira. A saída encontrada foi dar uma explicação que do ponto de vista técnico e do mercado segurador, não muda nada. O governo com isso teria garantida uma saída "honrosa" e a TAM ficaria coberta, pois o não uso eventual de um dos reversos é fato regular.


Afirmo mais: o top, top, top do senhor Marco Aurélio Garcia, não foi pela surpresa. Ele sabia que viria a matéria e simplesmente fez os gestos como se confirma uma operação. Tradução do top, top: - É isso aí. Fu.......mos, eles. "


(De uma notícia que li ontem em vários sites: "Em ofício enviado à 8ª Vara Federal Cível de São Paulo, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) afirmou que "há evidências" de que problemas mecânicos do Airbus-A320 da TAM, "falha humana de operação" ou ambos os fatores provocaram o acidente do dia 17".)


comento:

Se esta denúncia puder ser comprovada estamos diante de um descalabro moral e ético típico dos regimes comunistas do mundo. É mais uma prova cabal de que esse governo não está nem aí para as vítimas que morreram e as vítimas que ficaram vivas no acidente da TAM. A Tam deverá negar a informação, o governo, esse nega até o Mensalão, também. O fato concreto é que caso a informação seja verdadeira e seja provada, Lula não teria mais condições morais e institucionais, para continuar governando o país.

Millor, petista não tem limites!

Colhido do blog da Saramar, o trecho de uma carta pública dirigida ao presidente Lula:

"Não pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas. Palavras que soaram tão falsas quanto a forçada e patética tentativa que demonstrou ao simular uma lágrima. Não, francamente eu não merecia ter de me submeter a mais essa provação nem necessitava presenciar a estúpida cena: ver o chefe da nação sofismar um sofrimento que não compartilhava conosco."

23 julho, 2007

Passageiro faz piada e Tam reage, e exagera!













Madrugada do sábado para o domingo no aeroporto dos Guararapes, em Recife. Passageiros da Tam com destino a Confins, em Minas, iniciam o procedimento de embarque. Todos instalados, bagagens de mão devidamente guardadas, cintos atados, aquele clima meio desconfiado, afinal era um avião da Tam, o empresário Rodrigo Meira pede a uma aeromoça, fones de ouvido. Os fones estavam falhando. O cidadão, que viajava junto com sua mulher, chama a aeromoça e comunica o fato, e aí, com uma boa dose de ironia, pergunta à comissária se os freios da aeronave também estavam falhando. Foi uma piada macabra, mas talvez tenha sido uma maneira de quebrar o gelo, dar um pouco de descontração ao ambiente. Foi pior. A comissária, atingida nos seus brios e defendendo a TAM, chamou o comadante, que irritado, exigiu que o passageiro deixasse o avião; ele, claro, disse que não sairia. Criou-se um constrangimento, um tumulto, a Polícia Federal foi chamada, e o passageiro, junto com sua mulher, saiu sem resistência.

A assessoria da TAM justificou a medida de expulsar o passageiro trocista, como adequada. Disse que : "... num momento de luto e dor este passageiro tente fazer uso de expressões e atitudes inapropriadas e constrangedoras". A atitude do comandante de chamar a polícia foi apropriada levando em consideração a gravidade da situação"

O passageiro fez uma queixa a Anac, e teve que esperar outro vôo da Tam. Às 16 h chegou a Cofins em outro avião da companhia.

Mais tarde, ainda em Recife, o vôo Tam 3491 com destino a Natal, foi cancelado por problemas na areonave. Os passageiros ficaram assutados quando o comandante , depois de realizar todo o procedimento de decolagem, informou que a abortaria porque o painel indicou uma falha técnica - seriam os freios? - mas não especificou o problema. O passageiro Vladimir Rodrigues questionou o que aconteceria caso o painel informasse o problema com o avião no ar. A tripulação ficou em silêncio. A TAM alugou um ônibus, embarcou os passageiros que chegaram a Natal por terra. Foi feita mais uma queixa na Anac.

Eu sinceramente não teria feito a piada que o empresário fez, mas tirá-lo do vôo? O pessoal da TAM, tripulação e assessoria, erram feio. Deveriam ter, fosse o caso, admoestado o passageiro, mas expulsá-lo do vôo? Que perigo ele representava? Quantos ali, não pensavam secretamente se estava tudo certo no avião da TAM? Qual o crime dele? Externar, ainda que ironicamente, uma angústia normal, sobretudo após o 17 de julho? Foi uma arbitrariedade. Temos agora que silenciar nossos temores? Não temos o direito de questionar?

o blog do Jc, do jornalista Jamildo, divulga hoje os "Mandamentos da Tam". Em 1997, o então comandante Rolim, dono da empresa, dizia que a política da Tam eram basicamente duas:

1ª Regra: O cliente sempre tem razão
2ª Regra: Se o cliente alguma vez estiver errado, releia a 1ª regra



Parece que entre essas regras não está o respeito a opinião dos clientes. Uma patetice da Tam. Ah, os 7 mandamentos da Companhia, são:

1º - Nada substitui o lucro
2º - Em busca do ótimo não se faz o bom
3º - Mais importante que o cliente é a segurança
4º - A maneira mais fácil de ganhar dinheiro é parar de perder
5º - Pense muito antes de agir
6º - A humildade é fundamental
7º - Quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar.






21 julho, 2007

Brasília, num domingo fim de tarde.

Fotos: D Costa Junior. Brasília, 15 de julho de 2007.

Fotos: D Costa Junior. Brasília, 15 de julho de 2007.


Esta semana meu blog completou 1 ano no ar. Foi no dia 18 de julho, um dia após a tragédia, não havia clima para festa.

Hoje, dia 21 de julho, é meu aniversário de casamento, 6 anos. Abaixo há um post a respeito, confiram.

As imagens acima são de um pôr de sol em Brasília. Eis um pedaço da cidade que me deu oportunidade de trabalho, algo que não consegui na minha querida Recife.

Aniversário.

Eis um post que eu gostaria de ter escrito... Abaixo é D. Costa Junior em seu blog ainda privado. Ela não aceita que eu o divulgue, pelo menos divulgo o post.


"Eu tinha 14 anos, ele 15. As portas do mundo se abriam na Escola Técnica Federal de Pernambuco. Eu que sempre estudei em escolas religiosas e particulares, entrava num mundo de liberdade que nunca imaginei. Fazia química em busca de ensino público de qualidade, meu pai estava desempregado.
Fui a uma das secretarias, resolver uma questão burocrática. Na minha frente, um rapaz magro de cabelos embaraçados que cobriam o rosto preenchia uma ficha de cabeça baixa. Olhei o papel, ele estava entrando no mesmo curso que eu já fazia há um período. Era um calouro, que lá chamávamos pé-de-banco...toda vez que uma turma nova entrava, o diretor fazia questão de explicar a história desse apelido, mas agora, se eu for falar, o meu filho acorda e eu não digo o que vim mesmo dizer aqui. Fica nas promessas de próximos posts... bem, procurei ver o rosto do rapaz. Tinha certeza de que o observava sem ser observada. Ele se virou, escondeu a ficha, e se apresentou. Estendeu a mão e disse " prazer, meu nome é ..." . Fiquei envergonhada, procurei ser simpática, dei as boas-vindas e saí rapidinho dali. Não me dei conta de que ele escondeu o papel porque estava solicitando uniforme, benefício dos comprovadamente pobres da ETFPE. Não percebi que tinha sido inconveniente. Achei somente que o menino era meio espantado, não tinha gostado de me ver lendo a papelada dele. Lá fora, uma amiga me esperava. Comentei " conheci outro maluco...do nosso curso".
Oito meses depois, em um diretório acadêmico - ah o movimento estudantil! - , começamos a namorar. Oito anos depois, casamos e hoje, completando 6 anos de casados, não saímos, não trocamos presentes, não chamamos os amigos pra brindarem em nossa casa. Hoje, trocamos fraldas, muitas fraldas. O dia todo só nós três. O nosso maior presente acordou às quatro e meia da manhã e somente às 19 horas tirou esse cochilo que me permitiu tomar um banho, ordenhar um pouco de leite para congelar, e finalmente escrever este post, para deixar registrado, e muito registrado, que este é meu aniversário de casamento mais importante. Deus nos ajude e nos capacite a cuidar de nosso menininho, e um do outro, sem perder o rumo.
Graças a Deus por tudo."

20 julho, 2007

Um governo de escarnecedores.

O governo Lula é o governo dos escarnecedores. O governo Lula é o governo dos termos chulos. O governo Lula, escarnece, é grosseiro e leviano, e a cada dia, é motivo de vergonha para quem é sério nesse país.

O relaxa e goza de Marta foi ao mesmo tempo um escárnio e uma grosseria. Os gestos do canalha, pulha, baixo, ridículo, Marco Aurélio Garcia, e de seu pupilo em má educação, evidenciam os valores desse governo. Eles querem livrar a própria cara, estão pouco se lixando para as vítimas e para a dor dos familiares e da sociedade brasileira.

O escárnio também veio do comando da Aeronáutica, esta tarde. Como uma provocação à nação, demonstrando indelicadeza com a dor dos parentes que perderam seus entes queridos no pior acidente aéreo do mundo nos últimos 5 anos, o comando da Aeronáutica decidiu condecorar, vejam só, homens que tinham como responsabilidade resolver o caos aéreo que já dura 9 meses, e que tinham o dever de tomar medidas administrativas que garantissem a segurança no aeroporto de Congonhas. Entre os condecorados com a comenda Santos Dumont, estava o petista, e também por isso incompetente, Zuanazzi, presidente da Anac. O seu feito: 360 mortos nas costas e o caos nos aeroportos. Foi por isso, só pode ter sido por isso, que a Aeronáutica decidiu condecorá-lo.

Lula, o principal escarnecedor, falou há pouco em Rede Nacional de rádio e TV. Minha mulher garantiu que ele iria chorar, e quase no final, como um ator mambembe, marejou os olhos, tentando se aproximar e se aproveitar das dores dos parentes das vítimas.

Como líder da súcia que governa o país desde 2003, Lula tentou se esquivar das responsabilidades. Admitiu que o sistema de aviação enfrenta problemas, não sem antes lembrar que muitos investimentos foram feitos. Mentira! O dinheiro gasto, o nosso dinheiro, foi para construir Shoppings em aeroportos, e quase nada em equipamentos de segurança. Nos últimos 4 anos, o orçamento destinado para o sistema de segurança da aviação civil no Brasil vem diminuindo a olhos vistos. Sem investimento e com demanda aumentada, o caos e as mortes eram questão de tempo.

Lula está com muito medo. O tremor que vimos no canalha Marco Aurélio Garcia quando tentou explicar cinicamente os gestos obscenos que fez e foram gravados pelo cinegrafista da TV Globo em Brasília, está na alma de Lula. Ele esperará pela reação de seu pronunciamento, que não será boa, e verificará que o melhor será evitar pronunciamentos e aparições públicas. Temos um presidente que não pode pôr a cara na rua.

Os parentes das vítimas nos acidentes da Gol e da Tam, mortos pela inépcia do governo, devem agora estar se sentindo ultrajados pelo gesto do canalha Marco Aurélio Gracia e pela condecoração da Aeronáutica aos resposáveis pelos caos aéreo que resultou nessas mortes. Já foram, e nós também, humilhados e troçados pela ministra Marta Suplicy e pelo ministro Mantega, que minimizaram, sequer adimitiram, a crise. A indignação, a revolta, a vergonha, a dor, tudo se mistura contra esse governo de escarnecedores.

19 julho, 2007

Eis o clamor que deve vir das ruas!


clique aqui para ampliar a imagem

— Nem mais um passo, cobardes!
Nem mais um passo! ladrões!
Se os outros roubam as bolsas,
Vós roubais os corações! ...

Castro Alves - Tragédia no lar.

Dois editoriais e uma verdade inescapável: Lula é o culpado, sim.

Como previsto, Lula, o PT e os petralhas, estão muito mais empenhados em livrar a própria cara do que em resolver o problema da Crise Aérea. Circulou por aí um tal laudo do IPT de São Paulo que liberava a pista de Congonhoas. Esse laudo não existe, foi uma invenção. Ainda que existisse, o laudo não poderia ser deliberativo, o IPT não tem autoridade para isso. O laudo do IPT que existe, avalia as condições técnicas da reforma, e mesmo assim, da pista auxiliar, não da principal, onde ocorreu o acidente.

Ontem, assisti na TV Nacional, um programa tosco, Opinião Pública, acho que o nome era esse. Muitos que ali estiveram, tentavam dividir a culpa do governo com outros agentes públicos e privados. Ora, quem tem o poder de decisão sobre Congonhas ou sobre qualquer outro aeroporto? A Infraero, é claro. E quem manda na Infraero? Lula. O presidente apresenta o silêncio dos culpados. Como disse o jornalista Reinaldo Azevendo: "Lula está em busca de uma justificativa, não de uma explicação".

Um petralha acusa-me de explorar politicamente o acidente. Eu? Quase ninguém ler o meu blog. Tenho 8 leitores, e garanto, nenhum é petista, pode até ter sido, mas não é mais. Não fui eu que os convenci contra o PT, foram os fatos. Dessa vez é impossível não atribuir a responsabilidade ao governo federal, ainda que as companhias aéreas também tenham sua parcela de culpa, na medida em que pressionavam a Anac para continuar operando Congonhas no limite da segurança. Contudo, quem dá a última palavra? A infraero E quem manda na Infraero? Lula.

Vou postar dois editoriais: um da Folha e o outro do Estadão. Para mim, resumem as causas desse acidente de forma primorosa. Primeiro o editorial do Estadão:

Desastres de aviação, dizem os especialistas, sempre têm mais de uma causa. Com a tragédia do Airbus da TAM não é diferente. As causas são a incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção presentes no sistema de transporte aéreo brasileiro. Perto desses fatores estruturais, eventuais falhas técnicas, ou do piloto, na origem da catástrofe de anteontem em Congonhas são dados acessórios. Essencial é o descalabro que permite o funcionamento a plena carga do maior aeroporto brasileiro numa área já abarcada pelo centro ampliado de São Paulo; a recusa das companhias aéreas em reduzir as suas operações ali, ou ao menos desconcentrá-las dos horários de pico; a submissão cúmplice da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aos interesses das empresas que dominam o setor; a calamidade administrativa, a politicagem e a fraude endêmica na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).

Tudo isso sob os olhos - e a responsabilidade objetiva - de um governo cujo presidente só quer ouvir o som da própria voz e continua a repetir hoje o que, horas antes do terrível acidente, admitiu fazer no passado - “a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinha substância para sustentar na hora em que você pega no concreto”. E que traça ele próprio o retrato acabado de sua gestão ao confessar que “em determinados cargos (...) a gente faz quando pode e, se não pode, deixa como está para ver como é que fica”. No dia 29 de setembro do ano passado, 154 pessoas morreram no que foi, até às 18 horas e 45 minutos de anteontem, o maior desastre aéreo da história brasileira. Desde os 154 mortos da tragédia da Gol até as duas centenas de mortes desta terça-feira, descontado o palavrório entorpecedor de todos quantos têm parte com os problemas da aviação comercial no País - e com as possíveis soluções para eles -, continuou-se na estaca zero em matéria de “pegar no concreto” para melhorar os padrões de segurança de vôo no território. Para todos os efeitos práticos, “deixou-se como está para ver como é que fica”.

Nesse quadro de falência dos poderes públicos e de voracidade de interesses privados, Congonhas - sem as chamas, os corpos e os destroços - é a síntese das incompetências e irresponsabilidades que marcam a administração pública brasileira. Em abril de 2005, um brigadeiro, Edilberto Teles Sirotheau Corrêa, denunciou a “obsessiva prioridade” dada pela Infraero “às obras que proporcionam ‘visibilidade’, em detrimento das necessidades operacionais”. De fato, gastaram-se R$ 350 milhões para modernizar esse shopping center no qual se transformou o terminal do aeroporto que, já em 2005, registrava 228 mil pousos e decolagens, 33 mil a mais do que o desejável pelos critérios internacionais. Em janeiro último, o Ministério Público Federal pediu à Justiça a interdição da pista principal de Congonhas. No mês seguinte, um juiz federal proibiu aviões de grande porte, como Boeings e Airbuses, de operar no aeroporto enquanto os problemas da pista não fossem sanados. Uma instância superior invalidou a decisão, considerando-a drástica demais e fonte de impactos econômicos negativos.

Enfim, ao custo de R$ 19,9 milhões, a Infraero contratou o conserto da pista - e a liberou escandalosamente antes de nela serem acrescentadas as ranhuras transversais que asseguram o escoamento da água das chuvas e aumentam a aderência dos pneus dos aviões ao solo, facilitando a freada e reduzindo o risco de derrapadas como a que, na segunda-feira, arrastou por 150 metros, até o gramado próximo, um turboélice com uma vintena de pessoas a bordo, muito mais manejável do que um Airbus capaz de levar cerca de 180 pessoas. (Outro episódio, negado pela TAM, foi a arremetida, também na segunda-feira, de um aparelho da companhia, cujo comandante desistiu do pouso no último momento devido ao alagamento da pista.) As obras do grooving só poderiam começar na próxima quarta-feira. Pode ser que tenha contribuído para a tragédia do vôo 3054 um erro na manobra de pouso ou uma pane no sistema de freios do Airbus. Mas é certo que o desfecho seria outro se a pista tivesse plenas condições de segurança. Não as tinha e ainda assim era usada, em última análise, por incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo.

Editorial da Folha, da mesma fonte.

Está para ser esclarecida a causa do maior acidente da aviação brasileira. É preciso esperar até que sejam concluídas as investigações, necessariamente complexas. Mas algumas conexões entre a tragédia -a segunda em dez meses- e o descalabro que tomou conta do setor aéreo nacional já podem ser estabelecidas.

O Executivo federal não está em condições de apresentar-se diante do desastre com o vôo 3054 na posição de quem tenha tomado todas as medidas para maximizar a segurança em Congonhas. Acidentes acontecem, mas a pista do aeroporto de maior tráfego do país só foi reformada agora -o governo preferiu investir antes no conforto e na cosmética do terminal.

Acidentes acontecem, mas a Infraero cometeu a imprudência de liberar pousos e decolagens no asfalto novo antes de ele ser tratado com os sulcos ("grooving", ranhura em inglês) destinados a facilitar o escoamento da água e melhorar a frenagem. Um dia após uma derrapagem e sob chuva, mantiveram-se as operações com a pista escorregadia.

Acidentes acontecem, mas o Executivo permitiu o inchaço de Congonhas, atendendo a conveniências comerciais das companhias aéreas -e à incapacidade do próprio governo de viabilizar investimentos para desafogar o tráfego crescente de aviões. A Anac, agência do setor, tem se portado como uma extensão dos interesses das empresas.

Incompetência, imprudência, tragédia. A despeito das causas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, o desastre potencializa a crise da aviação civil, escancara a precariedade do transporte aéreo brasileiro e torna ainda mais urgente uma redefinição ambiciosa e profunda do sistema.

É inacreditável que reiteradas demonstrações de inépcia, ao longo de dez meses de crise, não tenham rendido nenhuma demissão no alto escalão do governo Lula. O descalabro aéreo necessita ser tratado com a seriedade técnica e a prioridade política que o tema exige. No emaranhado burocrático atual, ações conseqüentes -como a que enfim enquadrou a sublevação dos controladores militares- custam a acontecer.

Enquanto as decisões se arrastam em Brasília, o tráfego aéreo doméstico de passageiros cresce à média anual de 13% há quatro anos. Nesse ritmo, o volume de usuários dobra a cada seis anos. Se a estrutura de aeroportos e de controle de vôo exibe reiterados sinais de esgotamento hoje, que dirá daqui a um ou dois anos.

É preciso deslanchar já um programa de grandes investimentos que contemple, entre outros itens, a construção do terceiro terminal de Guarulhos e de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo. O trágico acidente de anteontem evidencia que Congonhas precisará deixar de operar, em prazo visível, com vôos comerciais de média e grande escala.

O aeroporto central de São Paulo -com duas pistas curtas, elevadas, sem área de escape e incrustadas numa zona densamente povoada- transforma a menor falha numa tragédia em potencial. Desde já, a Anac precisa impor às companhias aéreas uma redistribuição de seus vôos para os aeroportos de Guarulhos e Viracopos (Campinas), ainda que essa providência implique, na prática, restrição na oferta de vôos a usuários da capital.

Outro passo necessário e emergencial para desafogar o tráfego aéreo na metrópole paulista é transferir pontos de conexão de viagens. Passageiros, por exemplo, que saem de Curitiba com destino a Belém não precisam fazer a troca de aviões na capital. A concentração em Congonhas dessas operações -bem como a permissão para partidas de vôos charter de suas pistas- é mais uma concessão feita pelas autoridades às conveniências comerciais das empresas.

Se tem faltado poder de regulação do Estado onde ele é mais necessário -no planejamento do setor e na imposição do interesse público às companhias aéreas-, sobra arcaísmo burocrático e ideológico quando se trata de alavancar os investimentos na infra-estrutura aeroportuária. O governo federal, como fartamente documentado, não teve fôlego financeiro para acompanhar as necessidades de gastos crescentes com o transporte aéreo.

As taxas aeroportuárias pagas pelos passageiros não redundaram na expansão nem na modernização do sistema no ritmo que seria adequado. O problema, no entanto, não foi o governo ter deixado de fazer tais investimentos com recursos próprios, a fim de cumprir metas de saneamento fiscal. A falta mais grave foi não ter permitido que outros agentes tomassem a iniciativa.

A construção de um aeroporto novo na Grande São Paulo poderia ser a contrapartida da concessão de Viracopos à iniciativa privada, por exemplo. Operação análoga em Cumbica poderia render a construção de seu terceiro terminal e a aquisição dos aparelhos mais atualizados para operar com segurança até sob a mais densa neblina.

Outros investimentos necessários para o setor -como os trens rápidos ligando terminais distantes a grandes centros- seriam passíveis de ser realizados na base das privatizações e das PPPs (parcerias público-privadas).

Mas, imobilizado, incompetente e confuso, o governo Lula nada fez. Para que as mortes não tenham sido de todo em vão, que o acidente de Congonhas ao menos sirva para compelir a uma profunda mudança de atitude.

18 julho, 2007

Imagens da tragédia





No portal G1, há um vídeo estarrecedor. Vou abrir um link para que não nos esqueçamos da dor e do desespero das famílias, causadas pela incompetência dos agentes públicos. Os novos números, divulgados pela Tam, aumentam para 186 o número de passageiros.

330 mortos. Até quando?

Em homenagem às vítimas, vou postar uma música do século XVIII, do compositor italiano Tomaso Albinoni. Quem quiser ouvi-la é só clicar no botão.

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Os primeiros nomes começaram a ser divulgados. Os corpos, 25 até agora, estavam carbonizados. A temperatura, por causa da explosão, ultrapassou os 1000 graus Celsius. Haverá dificuldade em identificar os corpos.

O acidente, com este avião, foi tão estarrecedor, que custo a admitir que ele tenha ocorrido. Meu Deus! Todos carbonizados! Que morte estúpida foi essa? Por que, mesmo com a derrapagem de ontem, a pista de Congonhas continuava liberada? Por que, mesmo sem as ranhuras que dariam mais segurança aos pousos, a pista foi liberada? Por que as autoridades foram tão negligentes com a segurança?

Em 10 meses, 330 pessoas morreram em dois acidentes estúpidos. No primeiro, os controladores de vôo não se deram conta de que dois aviões, em rotas opostas, dirigiam-se para a colisão. No outro, uma pista insegura, e o que é pior, com vários sinais de perigo, provoca uma derrapagem num airbus da Tam. Mais mortes. Esses acidentes são uma aberração.

Quantos têm que morrer? Quantos têm que chorar as perdas, para o governo tratar a segurança dos vôos e das pistas, como prioridade? Quantas vezes o presidente Lula repetiu que a Crise Aérea teria que ter hora e dia para acabar? O que assistimos hoje? Quantos meses, até a próxima tragédia?

Lula foi vaiado no Maracanã. O que aconteceria a Lula, às autoridades da INFRAERO, caso decidissem comparecer ao local do acidente? Vaias não bastariam. 330 pessoas mortas em 10 meses. Mortas pelo governo. As empresas aéreas têm que parar, em protesto. Alguma coisa tem que ser feita.

Quem vai consolar a mãe que perdeu o filho? O filho que perdeu a mãe? A mulher que perdeu o marido? O homem que perdeu a mulher? A nós, que perdemos a alegria. Que medida, decisão, indenização, compensará as perdas? Que dinheiro, pedido de desculpas, consternação, de quem deveria agir para evitar esses acidentes, preencherá o vazio de um abraço que nunca mais será dado? Como prosseguir... A partir de que ponto... Depois que pessoas queridas tiveram suas vidas abreviadas dessa forma?

330 pessoas mortas, em 10 meses, em dois acidentes, e os homens que deveriam evitar isso, fingem uma consternação. Deveriam se sentir culpados! Dirão que a investigação esclarecerá tudo, e ficará tudo por isso mesmo. Para quem perdeu parentes e amigos, restarão, a dor, a tristeza, o desespero, as lágrimas, a saudade, a revolta; e a certeza da impunidade dos responsáveis pela tragédia.

PS: hoje, meu blog completa 1 ano no ar. Não há nada para comemorar.

17 julho, 2007

Mais uma tragédia!

Mais uma tragédia aérea no Brasil. Mais uma tragédia causada pela incompetência da Infraero e do governo federal como um todo. Dessa vez não há pilotos americanos para exercitarmos o nosso anti-americanismo idiota. Como o acidente do boeing da Gol, em 30 de setembro de 2006, que matou 154 pessoas, este também teve um roteiro há muito anunciado.

A pista do aeroporto de Congonhas era um sabão. Quando chovia, os aviões escorregavam. Foi fechada para reformas. Foram gastos 20 milhões de reais e 3 meses reformando a pista auxiliar e a pista principal. Elas foram reinauguradas há menos de dois meses. Chove em São Paulo desde ontem, e, as pistas, continuam perigosamente escorregadias. Ontem, um avião escorregou e parou na grama. Há pouco, um airbus da Tam, com 155 passageiros e 6 tripulantes vindos de Porto Alegre, pousou, escorregou, atravessou a avenida Washington Luís, bateu num posto de gasolina, num depósito da Tam, e explodiu. Todos morreram.

Será preciso uma CPI para provar a responsabilidade do governo federal nesse acidente? Hoje, centenas de famílias carregarão para sempre uma dor incurável. Essa dor aumentará, transformar-se-á em revolta, quando ficar clara a responsabilidade do governo na tragédia. Nunca na história desse país tanta gente morreu em acidente aéreo.

Não gosto de avião. Viajo, porque em relação às rodovias, as chances de morrer são menores. Detesto, sobretudo, o momento em que o avião decola. Passam por mim pensamentos como: "agora não tem jeito. Se cair todos morrem". Com o tempo, resignado, na verdade com o medo sob controle, começo a ler alguma coisa. Na hora em que o piloto avisa que o avião vai pousar, sinto um alívio. Quem entende de avião, diz que o pouso é a hora mais perigosa. O pouso para mim significava a certeza de que em breve sairia daquele troço e, em terra firme, respiraria aliviado. Acabou minha tranquilidade com a informação de que o avião está manobrando para a aterrissagem.

Vou reproduzir um post do dia 30 de setembro, um dia após o acidente da Gol. Dez meses depois, infelizmente, a tragédia se repete.


Meu Deus, consolai-os nessa hora!


PEDAÇO DE MIM (música e Letra de Chico Buarque)

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus


16 julho, 2007

Você venderia sua alma?





















Eu estava na faculdade, quando o professor Bil Vicente, que ministrava para minha turma, duas disciplinas: Moderna 1 e América VI; apresentou-nos a um filme antigo, com um título enorme: O Homem que não vendeu a sua alma. (A Man for All Seasons). O filme me impressionou sobremaneira.

Quando me mudei para Brasília, procurei o filme em diversas locadoras, inclusive na Oscarito da 407 norte, famosa por ter filmes antigos, e nada. Ao descobrir que o filme fora relançado em DVD, comprei-o. Recomendo a vocês.

A película britânica é de 1966 e ganhou 6 oscars. O filme, que trata das reformas religiosas do século XVI, hoje pode ser “relido” como uma apologia à decência e à honestidade. Em muitas cenas, o paralelo com a recente história de escândalos no Brasil, com o puxa-saquismo de certos setores, e com as pessoas que não se vendem por dinheiro ou honraria alguma, pode ser feito de maneira simples.

Os diálogos, inteligentes e com uma boa dose de humor, também servem para refletir. Vou destacar alguns de memória, depois vocês conferem quando, ou se, forem assistir.

Em um deles, o jovem Rich suplica a Thomas More um cargo na corte em Londres, e o grande humanista, que era apenas um conselheiro do rei Henrique VIII, mais que acabará sendo nomeado chanceler do reino, nega o pedido e sugere o cargo de professor. A decepção é notória do jovem Rich. (Desde aquela época, parece, o magistério não atraía tanto.) Aí vem o diálogo que reproduzo em essência, não em fidedignidade.

--- Professor? Diz Rich decepcionado.

---- Sim. Acho que você seria um bom professor.

---- Mas assim eu não ficaria conhecido na corte.

---- Mas seria conhecido e reconhecido por seus alunos, por você e por Deus. Quer platéia melhor?

Em outro trecho, na verdade, antes desse diálogo, Thomas, que tem o cargo de juiz, depois de uma audiência tensa com o cardeal de Londres, Wolsey, vivido por Orson Welles, que pede a More que concorde com o novo casamento do rei - essa é a linha central do filme - o humanista inglês é cercado por gente simples que, como era comum na época, e é ainda hoje, principalmente nessas plagas, oferecem presentes, à guisa de propina, para que o juiz decida a favor de seus pleitos. O curioso é que para os pobres ele dispensa o mesmo tratamento que dispensará, um pouco mais adiante, a um nobre.

O filme é uma aula de inteligência, de Direito, da importância de se cumprir e respeitar a lei. Aliás, num outro diálogo, com o seu genro, Thomas More afirma que: "sim, daria ao diabo – estamos no século XVI, essa expressão não é retórica – a proteção da lei. Porque no fim, estava era protegendo a todos, dando ao diabo tal benefício."

Para terminar, quase no fim do filme, Thomas, depois de acusado injustamente por Rich, aquele a quem recusou um cargo na corte ( a política é cruel, meus amigos, sobretudo para gente decente.) pergunta aos juízes o que significa o símbolo numa corrente que está no pescoço de Rich. Os juízes respondem:

--- Ele foi recentemente nomeado Procurador de Gales.

Com um olhar triste de decepção, Thomas conclui:

--- Jesus afirmou: de que valeria ao homem ganhar o mundo todo e perder sua alma? Por Gales, Rich?



Thomas More ficou famoso também por ter escrito Utopia, que em grego significa lugar nenhum. Esse livro é uma obra clássica do humanismo europeu do século XVI.

Lula, não relaxa, e chora!

Duas situações muito claras, mostraram a índole do governo Lula quando se trata de liberdade. Foi Cecília Meireles que num belíssimo livro de poesia, Romanceiro da Inconfidência, melhor definiu a palavra liberdade: "Não há ninguém que explique/ e ninguém que não entenda". O PT não explica, não entende, e, detesta a liberdade. Vamos às aludidas situações.

A pedido do presidente Lula, a Peugeut retirou do ar uma peça publicitária bem-humorada onde fazia uma referência simpática à antipática, além de chula, frase da ministra do turismo, Marta Suplicy. O slogan da campanha da Peugeot era: "Relaxa e compra". A ministra e o presidente, chateados com a propaganda, fizeram um apelo, daqueles que é uma ameaça, à montadora francesa para que retirasse do ar a propaganda. A montadora atendeu, e desde sábado, dia 13, a peça não foi mais ao ar. Ainda bem que temos o youtube para salvar a liberdade ameaçada.

rememorando o caso...

A ministra do turismo, lembrando seus tempos de TV Mulher, onde dava dicas de sexualidade às moçoilas. Ou talvez, quem sabe, lembrando da última noite com seu argentino, foi questionada por uma repórter sobre a humilhante situação dos passageiros nos aeroportos do Brasil, com um ar de malícia, com aquele sorrisinho maroto de quem sabe que falará uma sacanagem, sacou:"Relaxa e goza". Pouco depois o ministério do turismo, em nota, pediu desculpas pela "frase infeliz". O relaxa e goza colou em Marta, não tem mais jeito. Com o pedido esdrúxulo do presidente, e a aceitação imediata da Peugeot, fica provado que nosso capitalismo é assim, subserviente, aos humores palacianos.

Já falei aqui sobre a vaia do Pan. Lula, em seu programa semanal de rádio, Café com Bobagem, quero dizer, com o presidente, soltou a voz e o coração, comentando os apupos que recebeu no Maracanã. Vamos ao relato e depois comento:

"A vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá. Eu tenho certeza de que não é esse o pensamento do Rio de Janeiro. Depois que terminou o evento, várias pessoas vieram dizer que tinha sido organizado, que gente tinha recebido o convite. A mim, não me interessa o que aconteceu, já aconteceu. O importante é que foi uma abertura extraordinária dos Jogos Pan-Americanos"

Oh! Presidente, o ser humano tem muito mais reações do que uma vaia e um aplauso. Na lógica perturbada de Lula, ou a gente vaia, ou a gente aplaude. Ficar indiferente, não dá. O presidente é mesmo um homem de idéias curtas.

Tentando minimizar a vaia que 80 mil pessoas lhe dispensaram no Maracanã, Lula, recorrendo às suas metáforas, disse que se sentiu como se fosse convidado para uma festa de aniversário de um amigo, e então, um grupo de pessoas protestaram contra sua presença. A rigor, seria mais correto dizer que um pequeno grupo o queria abrindo os jogos, pois a imensa maioria no Maracanã o queria longe dali. Em seguida, ele faz uma denúncia, velada. Sugere que a vaia foi combinada. Por quem? O presidente detesta declinar nomes. Foi assim com os "traidores" do primeiro mandato e com os "aloprados" nos estertores também do primeiro mandato.

"Eu tenho consciência do que representa o Rio para o Brasil. Eu tenho consciência de que o povo do Rio de Janeiro tem sua auto-estima nesse momento muito melhor do que tinha três, quatro anos atrás. Nós vamos trabalhar, nós temos muitos projetos para trabalhar no Rio de Janeiro e vamos trabalhar no Rio de Janeiro. Isso [as vaias] não muda um milímetro do meu comportamento com o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro a gente poderia dizer continua lindo e merece que o governo federal faça o que for possível para o Rio de Janeiro."

Desse último parágrafo, algo me chamou atenção: "Isso [as vaias] não muda um milímetro do meu comportamento com o Rio de Janeiro." Deveria mudar? Lula é tão pequeno, tão mesquinho, que passou sim, pela cabeça dele, retaliar o povo do Rio de Janeiro por conta da vaia dos 80 mil, no Maracanã. O presidente exalta como vitude, o que é uma obrigação. É como se dissesse: fui vaiado, desrespeitado, mas mesmo assim, o dinheiro continuará vindo para o Rio de Janeiro. Isso prova o quanto sou bom. Outro trecho revelador: "O Rio de Janeiro a gente poderia dizer continua lindo e merece que o governo federal faça o que for possível para o Rio de Janeiro." O Rio ficaria feio por conta da vaia? Para mim, depois da vaia, o Rio ficou ainda mais bonito. Na lógica pertubrada do apedeuta, porque o Rio continua lindo, vai merecer que o governo federal o ajude. Então, as cidades, se são feias, não merecem a ajuda do governo Federal, é isso?

"A festa foi uma coisa extraordinária. Antes da festa, eu tive a oportunidade de visitar a Vila Olímpica e conversar com atletas de vários países do mundo que estavam lá. Era unânime dizer que ninguém nunca tinha visto nada com a qualidade que o Brasil estava oferecendo na Vila Olímpica. Os atletas dizendo sobre as quadras que eles iriam participar".

Lula fez uma visita à vila do Pan, e lá, ele declarou que falou com atletas de "várias partes do mundo". A frase só faria sentido em se tratadando de uma olimpíada, pois aí sim, haveria atletas de todos os continentes. Lula, só falou com atletas da América, o que restringe bastante o espaço, tornando a locução adjetiva, "do mundo", inadequada.

Esse parágrafo também mostra a pusilanimidade do presidente. O apedeuta afirmou que os "atletas de várias países do mundo" elogiaram as instalações da vila, a organização do evento. Todos estavam felizes, menos os 80 mil que lotaram o Maracanã. Ele acha que foi injustiçado, que não merecia as vaias. Além do mais, ele atribui as vaias a uma possível falha do governo nas obras do pan. A vaia, Lula, foi pela corrupção e pela incompetência de seu governo, em particular; e pelos políticos, sobretudo os do congresso, em geral.

Lula mostrou nesse desabafo que não admite a livre manifestação do povo. Esse papo de que ele ouviu as vaias de forma democrática é uma falácia. O que ele faria? Contrataria os militantes do MR8 para bater no povo que o vaiava? Lula não engoliu a vaia, tanto que começou, como um bebê chorão, a reclamar e a buscar teorias conspiratórias para explicar o protesto.

No caso da Peugeot, a agressão à liberdade foi ainda maior. A rigor, Lula não exigiu a retirada da peça publicitária do ar, apenas pediu. Mas desde os tempos do absolutismo europeu, não se nega, em países de mentalidade subserviente ao estado, um pedido do monarca da ocasião. O governo deveria se envergonhar do pedido, mas convenhamos: um governo que não se vexa em, como direi, juntar recursos não contabilizados, envergonhar-se-ia de pedir o fim do relaxa e compra?

Ah, a liberdade! Que ninguém explica e ninguém entende.


15 julho, 2007

Lula, lá ! E a vaia também!

Muito já se falou sobre a vaia homérica com a qual o presidente Lula foi brindado na abertura do Pan do Rio. Não vou repetir ad nauseam o que já foi dito por aí, vou apenas expôr minha impressão.

Fiquei constrangido com a vaia, e olhem que eu acho que o presidente merecia mais do que vaias, mas foi constrangedor, sim. Senti por Lula uma comiseração típica de quem encontra um moribundo agonizando e alguém ainda achincalha. Lula, todo ancho, foi impedido pelas vaias de abrir os jogos no Rio. Sua vaidade é imensa e ele deve ter ficado muito magoado com os apupos dos que estavam presentes no estádio do Maracanã.

A Grande Imprensa poupou Lula. No máximo se referiu à vaia, qualificando-a de manifestação democrática, como de fato foi. Fico aqui pensando o que Lula poderia ter feito para evitar que 80 mil vozes o vaiassem. Todavia, a imprensa não foi atrás do significado político da vaia. Lula não foi questionado sobre o que achou da manifestação, no máximo, ministros e assessores fizeram circular pela imprensa as impressões do presidente após a vaia. E aí a coisa começa a ficar mais deliciosa.

Segundo interlocutores, Lula disse que aquela manifestação não é típica de eventos esportivos. Sugeriu assim, sorrateiramente, que houve uma armação. 80 mil vozes fizeram parte de um complô, para denegrir a imagem do presidente Lula em toda a América. Talvez a CIA esteja por trás das vaias, quem sabe, a imprensa, durante a semana, tenha articulado em surdina, com 80 mil pessoas, para vaiarem o presidente 7 vezes.

Lula, ainda segundo interlocutores, esperava uma calorosa recepção, pois colocou muito dinheiro no Pan. Esperava que o povo, agredecido, ovacionasse seu nome quando fosse chamado. Aposto qualquer coisa que Lula, em seus sonhos, imaginou uma recepção estrondosa, onde seu nome seria gritado em êxtase no Maracanã. Estrondosa foi a vaia.

Lula cogita não voltar à festa de encerramento, eu duvido. Ele voltará, sim. Ele precisa saber se a vaia foi mesmo uma manifestação livre ou arquitetada pelos golpistas de sempre. Haverá uma diferença: Quando Lula aparecer, os militantes vão estar a postos para aplaudir ou para provocar os insatisfeitos com o presidente.

Outra hipótese para a vaia, é o velho arranca-rabo de classes. Lula foi vaiado pelos ricos, se os pobres estivessem no Maracanã, ele seria aplaudido. Gente como Lavareda, que não é petista, disse no Estadão, que de fato quem vaiou Lula foi gente de renda mais alta. Alguns ricos em Brasília, que dependem das benesses do governo, aplaudiriam Lula, nõ tenho dúvida. A hipótese que defendo é a de que quem vaiou o presidente foi gente decente, rica e pobre, que não aguenta mais tanta molecagem na política. Lula, ali, representava não apenas o governo dos corruptos, mas o parlamento igualmente imoral.

A abertura do Pan foi um espetáculo, em muitos aspectos teatral, e como uma boa peça grega, o povo, com a vaia, fez sua catarse! O engraçado foi um ministro dizer que ali, no Maracanã, não havia povo. Para essa gente, povo é a patuléia. Verdade ou não, a vaia de mais de 80 mil pessoas, ecoou não apenas no Maracanã, mas em todos o país e também na América!

PS: Há, ainda, que considerar o seguinte: não é inverossímil imaginar que muita gente que vaiou o presidente no Maracanã, tenha sofrido com os atrasos nos aeroportos. Era, portanto, a chance de dar o troco. E que troco.

14 julho, 2007

De que lado você está?

A escolha de um lado revela uma posição moral. Explico-me: se a democracia é um valor para você, e não, uma mera palavra, como é para o esquerdista, você não pode flertar, nem de brincadeira, com a ditadura. Porém, é mister que não nos enganemos com gente de fala bonita e cheia de boas intenções. Há gente inteligente que anda tendo umas idéias estranhas, e, fingindo combater a ladroagem, a corrupção e mesmo a decadência moral, está mesmo é defendendo a ideologia totalitária. Vejamos dois exemplos, distintos.


Outro dia, aqui em Brasília, Paulo Queiroz, professor de Direito do Uni-Ceub e Procurador da República, escreveu em artigo no Correio Braziliense, em que dizia que o Congresso é absolutamente desnecessário. Fiquei estarrecido com a afirmação, e ainda mais, com o apoio de alguns amigos, à proposta. Esse magistrado, defensor, e, guardião da lei; declara sem pudor, que o Congresso, um dos poderes da república, seja extirpado! Ah Zé Paulo, mas esse Congresso que temos é uma vergonha! Sim, é. Mas não podemos confundir o congresso com os congressistas, que de resto, é eleito pelo povo. Essa gente é ardilosa, porque vem com boas intenções, com discurso a favor da ética, e, de maneira sorrateira, pretende minar as bases das instituições democráticas. Não sei, desconfio que o magistrado seja simpatizante, se não, militante do PT.

Muita gente também criticou, na semana que passou, um documento da Igreja Católica – eu não sou católico, mas protestante presbiteriano – que afirmava ser ela, a única verdadeira representante de Cristo. Espantou-me que católicos estivessem entre os críticos! O que essa gente esperava? Que o Papa dissesse que todas as “comunidades” cristãs têm o mesmo valor? Como chefe da Igreja Católica, o papa reafirmou uma verdade – para os católicos – há milênios aceita! Que as comunidades protestantes discordem, é natural! O que não podem é questionar o direito de um líder religioso de defender sua fé. Nos púlpitos, os pastores dizem a mesma coisa em relação à sua Igreja, e onde está a grita? A parte boa, é que no quesito salvação, quem decide é Jesus. Deixem o Papa defender sua religião. Que patrulha absurda! Tudo que o Papa Bento XVI fala, vira polêmica. Oh gente chata!

Ano passado, na Alemanha, o Papa Bento XVI declarou uma obviedade sem tamanho, e não demorou muito para os estressados radicais islâmicos e os ateístas militantes do ocidente, mas também católicos politicamente corretos, criticarem o discurso do Papa. E o que tinha nesse discurso que gerou tanta celeuma? O Papa, citando um documento medieval, afirmou que o islamismo tem práticas cruéis e se disseminou pela violência.

Manifestações dos estressadinhos islâmicos, do Egito à Indonésia, num exemplo claro de totalitarismo, exigiram que o Papa se desculpasse. Nunca vi alguém se desculpar por falar a verdade. O Papa não se desculpou, mas em tom conciliatório, declarou que sentia muito, que não era a intenção dele provocar uma celeuma. Esses muçulmanos agiram como certas minorias que quando confrontadas com a verdade, dão um “piti”, e nos acusam de preconceituosos.

O islã é violento? Há alguma dúvida de que seja? O Corão, livro sagrado dos muçulmanos, não defende a Jihad? (a Guerra Santa contra os que atentam contra à fé islâmica). Não foi a Jihad a justificativa ideológica de expansão do islamismo nos séculos VII e VIII? Isso é mentira? É interpretação? Não. É fato!

Vejam agora o caso da Mesquita Vermelha no Paquistão. Lá funcionavam escolas religiosas, conhecidas como madraçais, onde pregavam abertamente uma revolução islâmica contra o governo, porque alinhado com o ocidente, leia-se Estados Unidos. Alunos dessas escolas seqüestravam prostitutas e espancavam pessoas nas ruas. Isso não é violência?

Qual a principal proposta dos fanáticos de Islamabad? Que o governo adote a sharia, a lei islâmica. Numa palavra: querem uma teocracia fundamentalista! O Paquistão é uma ditadura militar, e há um movimento no país a favor da democracia. Alguns pedem, os fanáticos sobretudo, eleições. Vejam a ardilosidade: esses fundamentalistas querem eleições democráticas porque sabem que controlam milhões de fanáticos que estão dispostos a morrer pelos líderes, que dirá votar neles. Se eles conseguirem, a primeira coisa que farão é acabar com a democracia! Entre uma ditadura que mantém, sem muita competência, os fanáticos longe, e uma outra, que os coloquem no poder, fico com a primeira. O Paquistão tem armas nucleares, já pensaram o que essa gente torpe faria com um arsenal desses?

Então Zé Paulo, de que lado você está? Você é a favor ou contra a ditadura? Como é possível defender a democracia num canto e a ditadura num outro? Simples. Sou contra a qualquer ditadura, de direita ou de esquerda, todavia, tenho bom senso para reconhecer que, em se tratando de radicais islâmicos, a democracia que eles defendem é uma fachada, o que querem mesmo, porque essa é sua natureza, é o totalitarismo religioso. Se a única forma de contê-los é a ditadura militar, paciência...

10 julho, 2007

Este é o Pã da mitologia, não o do Rio.

Pã perseguindo Siringe. Queria tomá-la, acabou ficando com a a flauta.


Este quadro reproduz Pã, o tal deus mitológico grego que para o repórter da Band e sua professora de português, deu origem ao prefixo pan. No post abaixo, corrijo a bobagem. Segundo o Dicionário de Mitologia Greco-Romana, publicado pela editora Abril em 1973, Pã é a divindade protetora dos pastores e dos rabanhos. Filho de Mercúrio e da ninfa Driopéia, de Júpiter e da ninfa Calisto, ou de Mercúrio e Penélope, segundo diferente tradições. É descrito como um ser meio homem, meio animal, com torso humano, cobertos de pêlos negros, cabeça e pés de bode. Habitava os bosques, preferindo as vizinhanças das fontes. Assustava os homens com sua bruscas aparições , o que deu origem a expressão "terror pânico". Personificando também a fecundidade e a potência sexual, assediava, indiferentemente, Ninfas e rapazes. Perseguiu a ninfa Siringe, (o tema da imagem acima), que, quando estava para ser apanhada, transformou-se, graças ao rio Ladão, em caniços do brejo. Pã tomou os caniços e uniu-os com cera, inventando uma flauta, a que deu o nome de ninfa.

Quando a amada o preteriu por Narciso, Pã privou-a da fala ou, segundo uma versão, atraiu sobre ela o furor dos pastores, que a despedaçaram. (...) Seu culto, originário da Arcádia, espalhou-se por toda a Grécia e chegou a Roma, onde Pã era identificado ora a Fauno, ora a Silvano, deus das matas.

Pã ou Pan? Eis a questão.

Sou apenas um professor de história sem dinheiro no bolso, cujo patrimônio se resume a um GOL 1000, ano 2003 e sem título de mestre ou doutor. Mesmo assim, correndo o risco de ser chamado de pedante e petulante, vou prevenir meus 8 leitores a não caírem na esparrela de certos "doutores" e jornalistas com essa história da origem da palavra Pan.

Não costumo assistir ao jornal da Band, mas como a novela da Globo, Sete Pecados, é insuportável, fico mudando de canal à procura de algo menos ruim. Minha mulher sugere, quase como uma ordem, que eu desligue a TV. Como sempre, deveria ouvir mais a D. Costa Junior. Vixe! Estou eu tergiversando.

No jornal da Band desta noite, um repórter do Rio de Janeiro, que não me lembro o nome, fez uma matéria sobre a origem e o significado da palavra PAN. O repórter, cheio de si, perguntou aos cariocas se eles sabiam a origem e o significado da palavra. Ninguém sabia, e pasmem, nem o repórter.

Segundo a matéria, baseada inclusive na sabedoria de uma professora de português - seria aluna de Marcos Bagno? - Pan vem do deus mitológico grego, Pã. Este ser, meio homem e meio bode, a quem os romanos chamariam mais tarde de Fauno, segundo a matéria, deu origem ao termo PAN. No decorrer da reportagem - à esta altura eu sentia um constrangimento tão grande que cheguei a fechar os olhos para não ver tanta gente falando bobagem - a douta professora e o repórter sábio chegaram a relacionar os jogos do Pan às qualidades do deus Pã, a saber, sensualidade, erotismo, essas coisas. A parte sábia da reportagem e que passou batida pelo repórter, foi o depoimento de um taxista que temia que as ruas interditadas por causa do Pan, não se transformassem em pânico para o ganha-pão dos motoristas de taxi. A palavra pânico, esta sim, deriva diretamente do deus grego. Se vocês quiserem depois explico de onde vem essa relação.

PAN é a forma neutra do adjetivo pâs, em grego, e quer dizer todo, toda, tudo. Ou seja, nada tem a ver com o deus Pã. Quando anteposto a um vocábulo com existência independente, o prefixo pan, amplia-lhe o significado em toda a sua extensão e abrangência. Assim, pan-americanismo significa toda a América, como pan-eslavismo, todos os povos eslavos, e pan-helênico, relativo às Póleis gregas.

Enfim, o deus Pã, protetor dos rebanhos, um tanto fissurado nas ninfas, não deu origem a termos como pan-americanismo. Esse termo, vem do prefixo Pan, e tenho dito.

09 julho, 2007

Aquecimento Global em debate 2


Vejam como são as coisas: bastou eu mandar o link do vídeo sobre a farsa do aquecimento global para o professor João Martins, de Biologia, que também é dentista e já foi oficial do exército, que ele me responde com uma dica valiosa. Há um livro - este que ilustra o post, escrito em 1998 por um dinamarquês chamado Bjorn Lomborg, ex-ativista do Greepeace, chamado: O Ambientalista Cético. O livro em português já está disponível, seu preço é que uma catástrofe: 149 reais!

Neste livro, segundo resenha do site MidiasemMáscara.org, publicada em 12 de agosto de 2002, o autor faz uma série de críticas às previsões catastróficas que os ambientalistas do apocalipse fazem a respeito do aquecimento global. Utilizando dados estatísticos e relatórios da ONU e da WWF, entre outros; o autor, no minimo, põe em suspeição esse alarme apocalíptico a respeito do aquecimento global. Eu não conhecia o livro, o professor João mo apresentou ( esse mo, o professor Marcos Bagno não recomenda, hehehe). A seguir, um trecho da resenha. Para lê-la na íntegra, clique aqui

Afinal, que informações irritaram tanto os ambientalistas e os cientistas?

Entre outras coisas, ele afirma:

- Apenas 14% da floresta amazônica foi destruída.

- A redução das florestas é de 0,5% ao ano e não de 2 a 4%.

- A devastação de florestas não reduz a biodiversidade. Lombrog argumenta que as florestas dos EUA estão reduzidas a 1 ou 2% de seu tamanho original e só notou-se o desaparecimento de uma espécie de pássaro e ainda cita um exemplo brasileiro: só resta 12% da Mata Atlântica distribuída em grupos esparsos. Neste ponto, Lomborg afirma: "Segundo a regra utilizada pelos ecologistas, a metade das espécies deveria estar extinta. No entanto, quando a União Mundial pela Conservação da Natureza (UICN) e a Sociedade Brasileira de Zoologia, fizeram o recenseamento das 291 espécies conhecidas, nenhuma delas havia desaparecido. Podemos concluir com isso que as espécies são muito mais resistentes do que se imagina".

- Segundo a ONU, a produção agrícola no mundo em desenvolvimento aumentou 52% por pessoa.

- A ingestão diária de alimentos em países em desenvolvimento aumentou de 1.032 calorias em 1961 - o mínimo para sobreviver - para 2.650 calorias em 1998. E se prevê que aumente para 3.020 até 2030.

- A proporção das pessoas que passam fome nessas nações diminuiu de 45% em 1949 para os atuais 18%. Prevê-se que diminua ainda mais: 12% em 2010 e para 6% em 2030.

- Desde 1800, os preços dos gêneros alimentícios baixaram mais de 90%.

- O índice de crescimento da população humana atingiu seu pico, superior a 2% anuais, no início dos anos 60 do século 20. Situa-se hoje em 1,26%, e se prevê que caia para 0,46% em 2050. A ONU calcula que a maior parte do crescimento demográfico do mundo terminará em 2100, estabilizando-se pouco abaixo de 11 bilhões de pessoas.

- Lomborg afirma: "A poluição do ar diminui a partir do momento em que uma sociedade se torna suficientemente rica para se preocupar com o meio ambiente. No caso de Londres, a poluição atingiu seu ápice por volta de 1890. Atualmente, o ar nunca esteve mais puro e é preciso recuar até 1585 para encontrar uma qualidade de ar semelhante. Esse fenômeno pode ser generalizado para todos os países desenvolvidos".

- A expectativa de vida hoje é maior do que há 100 anos atrás.

- A pobreza diminuiu mais em 50 anos do que nos últimos 500.

- Há energia útil em abundância e petróleo para mais 150 anos.

- 20% das florestas foram perdidas para sempre e não dois terços delas como se supunha.

- 0,7% das espécies desaparecerá nos próximos 50 anos e não de 20 a 50%.

- A água está cada vez menos poluída.

Todos esses resultados são respaldados por organizações como a ONU, daí a dificuldade dos críticos em apontar informações falsas. Para Lomborg, os problemas existem, mas a sua dimensão é extremamente exagerada pelos ambientalistas e pela mídia, que não divulgam com a mesma consideração os problemas que já foram solucionados. Esta visão apocalíptica prejudica o progresso humano e favorece a credibilidade em ONG´s em detrimento das organizações empresariais. Lomborg questiona se a verdade está somente com as essas ONG´s.

Ele afirma que o aquecimento global é um fenômeno importante do ponto de vista ambiental, político e econômico. Não há dúvida alguma de que a humanidade tem contribuído para o aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, e que isso provocará a elevação da temperatura. Mas, saber quais são as melhores atitudes a serem tomadas com relação ao futuro exige que separemos a hipérbole da realidade.