26 junho, 2007

Renan, Júlio César e o senado.

Sibá Machado é mesmo um pândego. Seguindo o mesmo raciocínio simiesco de um petista desavergonhado, ele, que é um petista anão, encontrou uma variante para a tese do "crime sem criminoso". Vocês lembram, não é? Houve mensalão, mas não mensaleiro. O dossiê fajuto existiu, o dinheiro ilegal também, mas o criminoso, não. Pois bem... esse gigante do Acre, em reunião com os colegas do Conselho, lançou a pérola: " o relatório - aquele de Cafeteira e com o aditivo do senador das madeixas longas - será mantido." Mas quem será o relator? Ninguém. Teremos o relatório e não o relator para defendê-lo.

Jefferson Peres (PDT-AM) foi ao ponto: "ou presidente do conselho cumpre o seu papel escolhendo o relator ou renuncia." Sibá ameça renunciar. Que o faça logo!

Ninguém quer ser relator neste caso. Renan Calheiros confiou em gente miúda, não só na ética, mas na estatura, e deve estar arrependido amargamente. O que interessa a Renan é salvar-se politicamente. Não lhe interessa mais se os seus pares serão ou não convecidos das mentiras que criou, o que ele quer é safar-se. Vai conseguir. O senado, ainda que puna Renan, o que eu duvido, já perdeu sua honorabilidade. Renan acabou com o senado, porque o senado se recusou, por compadrio, a acabar com Renan.

Júlio César

Em 44 a C, era 14 de março, Júlio César foi ao senado. Sua mulher lhe pedira em vão que não fosse. Júlio César foi assassinado pelos senadores. César humilhou o senado, tirou dos senadores um prestígio de 500 anos, foi morto por isso. Quando César agiu contra o senado, este já estava combalido e nem de longe mantinha aquele respeito cerimonioso dos primeiros séculos da república romana. César batia em bêbado, mesmo assim, o ébrio agiu. Renan não é César. Este, apesar de autoritário, era talentoso e corajoso. Renan é um pulha. Tão pequeno que se protege no cargo de presidente do senado. Os senadores do Brasil ainda mais nefastos que aqueles dos tempos de César ( há exceções, é claro), tem um defeito a mais: são covardes! Não agirão contra o Renan. Entre se livrar de um senador que ameaça a instituição, e protegê-la, os senadores vão esfaquiar - já estão fazendo isso - o senado.

PS: Do próprio punho Renan mandou bilhetes, recados, aos colegas. Dizia que está sendo vítima do "esquadrão da morte" moral. Vai resisitir até o fim. Esse bilhete não é um pedido, mas uma ameaça. Os blogs e os sites jogaram a versão de que Renan ameaçava os senadores da oposição com revelações bombáticas, mentira. Renan ameaça sim, mas os aliados, sobretudo os que estão pulando fora do barco. Este bilhete é uma prova disso, basta ler nas entrelinhas.

Um comentário:

PATRICIA M. disse...

Triste eh verificar que nem um Cicero temos no nosso Senado, que se disponha a enfrentar Catilina... Muito triste.