25 junho, 2007

Renan e Roriz, o PMDB é isso!

No auge da operação Navalha da Polícia Federal, corria à boca pequena que mais cedo ou mais tarde, as denúncia chegariam ao senador Joaquim Roriz. Quando Pedro Passos, deputado distrital pelo PMDB do DF, esteve no olho do furacão, a impressão era de que dessa vez o ex-governador de Brasília não escaparia. A Navalha passou, veio o Xeque-Mate e Roriz, acabrunhado e com aquele silêncio dos culpados, passou incólume pelas denúncias. Todavia, uma conversa reveladora e sem sofismos de interpretação, deixou claro como agem Roriz e seus asseclas.

Aqui em Brasília reza a lenda de que nenhum político é mais poderoso e corrupto do que Joaquim Roriz. Seu poder em Brasília é incontestável. Seus familiares que estão na política não estão apenas no PMDB, mas no PSDB e no DEM. Sua família é eclética em maneira de ideologia partidária. Falta um Roriz no PT, e vejam que do ponto de vista moral, um Roriz no PT até que viria a calhar.

Roriz descontou um cheque módico - 2,2 milhões de reais - do Banco do Brasil, mas que foi sacado no BRB, o que não é ilegal, apenas esquisito, e põe esquisito nisso. No reino das esquisitices a explicação de Roriz é majestade. Nosso senador explicou sua participação no imbroglio como uma complicada transação de empréstimo. A coisa funcionou assim: Roriz, que é amigo de longa data de Nenê Constantino, sócio da GOL e pai dos outros donos da empresa, pediu emprestado ao amigo 300 mil reais; como o amigo só tinha dinheiro pegado, deu a Roriz um cheque de mais de 2 milhões para que ele tirasse sua parte, o tal 300 mil, e depois devolvesse o troco, a bagatela de 1 milhão e 900 mil reais. A verossimilhança da história cai por terra quando se escuta o diálogo nada republicano de um senador da república com um ex- apaniguado que presidiu o BRB na época em que ele foi governador do DF.

Os diálogos falavam abertamente da partilha da grana - não se ouviu nada de Roriz em devolver o troco para o seu amigo, Nenê. Roriz, raposa velha, não quis que a dinheirama fosse levada para a sua casa, preferiu o escritório de um outro amigo (como em amigos esse Senador) onde a gangue, digo, os parceiros, estariam reunidos para o butim.

A história é tão estapafúrdia que se fôssemos sérios, Roriz, Renan e afins estariam no mínimo afastados da vida pública em nome da decência. Contudo, em tempos de Renan e de seus bois mais que valiosos, a versão quanto mais imponderável e desmentida pelos fatos, melhor. Roriz segue o padrão do cacique de seu partido e presidente do senado: mentir, inventar e esperar que o próximo escândalo faça o atual cair no esquecimento.

Aqui em Brasília poucos acreditam que Roriz será punido. Moro aqui há apenas 3 anos, não conheço a cidade como os colegas de trabalho, mas se eu fosse apostar, eu diria: é mais fácil Roriz ser preso que Renan ser cassado.

4 comentários:

PATRICIA M. disse...

Se eh mais facil Roriz ser preso do que Renan ser cassado, entao significa que nada vai acontecer a nenhum dos dois... Eh seu vaticinio final? Por favor, nao fale como Cassandra, diga palavras que possam ser mais claramente interpretadas, hehe.

Costa Jr, a Cassandra de Brasilia. Gostei do titulo, sir.

Costajr disse...

Não chega a ser um vaticínio, apenas uma hipótese bastante provável. O máximo que acontecerá a eles, e para mim já tá bom, é renunciarem, mas punidos, nem pelo eleitor.

Cassandra tinha o péssimo hábito de falar a verdade e de prevenir os troianos dos perigos, e ninguém lhe dava ouvidos. Nesse sentido, não sou uma cassandra, a não ser pelo fato de ninguém me ouvir mesmo.

PS: Obrigado pela defesa desse modesto blogueiro no Blogildo.

Blogildo disse...

Não acredito que o Senado terá coragem necessária para agir contra Renan. É triste, mas a probabilidade é pouca!

Ps.: Eu conheço sua postura quanto ao uso de células-tronco. É pena que nem todos querem aceitar pontos de vista diferentes do senso comum.

PATRICIA M. disse...

Costa, que isso, nao ha de que. So falei a verdade, nada mais do que a verdade: o seu post foi o melhor de todos, e nao eh por eu concordar com ele que o defendi, mas sim por ter mostrado uma opiniao diferente das demais, por ter saido do comportamento massificante que eh a blogagem coletiva. E justamente por ter feito isso sofreu as criticas...