15 junho, 2007

Renan, ainda tem mais.

Assisti há pouco a sessão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, e confesso: gostei do que ouvi. Os três votos em separado foram irretocáveis. Ainda que seja esquisito o senador Demóstenes Torres, dos Democratas de Goiás, estar junto com Marconi Perillo, senador do PSDB e inimigos no estado, nos seus pareceres contra o relatório ridículo de Cafeteira - que com 82 anos deveria, em nome de sua condição de ancião, ser mais zeloso de sua moral - que pede o arquivamento do processo contra o senador Renan, por falta de provas.

Sobre os votos em separado quero fazer algumas considerações:

a) O senador Perilo foi elegante, diplomático e respeitoso. Há quem aprecie esse estilo cordato, cerimonioso. Eu não gosto, mas na essência relatou o óbvio: se o conselho aprovasse o parecer do senador Cafeteira, ficaria desmoralizado perante a opinião pública, e a decisão, se questionada no STF, seria, conforme jurisprudência, derrubada.

b) O senador Demóstenes Torres foi mais contundente. Chamou as coisas pelo nome, não se preocupou em não melindrar confrades e se mostrou coerente, de forma dura, ao declarar que a absolvição sumária do senadorRenan, seria mais um duro golpe na já combalida credibilidade da classe política no Brasil.

c) O senador Jefferson Perez, do PDT do Amazonas, não recorreu à normas jurídicas. Disse que redigiu o voto do próprio punho e num discurso logicamente desconcertante, desconstruiu as explicações de Renan. Lembrou, repetindo a Veja, que era no mímino estranho recorrer a um lobista para ser o intermediário num assunto particular, e de forma simples, sugeriu que se o senador Renan falou a verdade, foi imprudente ao escolher o amigo menos indicado para lhe prestar esse favor.

Renan Calheiros está perdido? Desculpe minha incredulidade, acho que não. Quem cassa é o plenário em voto secreto e embora sejam apenas 81 senadores, acho que Renan escapa. O que para mim é inevitável é que o parecer de Cafeteira será outro, ou será outro, o relator. Cafeteira veio para absolver; Tuma, o corregedor, não queria punir. Os pares do senado não querem investigar, mas a imprensa, incasável, tornou a manobra para salvar Renan inviável. Hoje o senado ficou mais uma vez no dilema de salvar o presidente do Senado ou salvar a Casa legislativa. Postergou a decisão.

PS: No final os senadores que deram o voto em separado usaram o termo sobrestamento ao parecer do relator Epitácio Cafeteira. O que danado é sobrestamento? Em síntese é impedir a votação do parecer até maiores conclusões.


3 comentários:

Paulo disse...

De certa forma, o imbroglio Renan Calheiros está servindo para desviar a atenção da mídia -- e da população -- de outro não menos grave assunto: o irmão do presidente...

Costajr disse...

Caro Paulo, obrigado pela visita. Dessa forma terei que aumentar o número de leitores para 8.

um abraço.

PATRICIA M. disse...

Nem sei mais se eh para desviar a atencao ou nao. Para falar a verdade, ha tanto, mas tanto escandalo no Brasil, que nem nos conseguimos acompanhar todos. O mais legal de tudo eh ver todo mundo solto no final das investigacoes, haha. Paisinho sem vergonha. Os da Navalha ja estao soltos, viva o carnaval que eh o Brasil o ano inteiro.