14 junho, 2007

Morte, não tenho preferências.

O triunfo da morte; Peter Brueghel, 1582.

Patrícia M, de Nova Iorque, andou refletindo sobre a indesejada das gentes. Eis um assunto meio mórbido para mim. Não temo morrer, porque é inútil, mas confesso que tenho certos receios de como se dará o fenômeno.

Sempre que o assunto morte é ventilado, lembro de dois poetas: Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa. Este último, sob o heterônimo de Alberto Caeiro, escreveu os versos que seguem abaixo.

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.

Um comentário:

PATRICIA M. disse...

Costa, concordo com Fernando Pessoa, e o que tiver que ser, sera. Mas sou do tipo organizadinho (ou pelo menos tento ser) e nao gostaria de deixar certas coisas atrapalhadas por ai, haha. Como por exemplo minha voz agora ecoando pela internet, sem rumo, sem destino...