30 junho, 2007

Brasília é Roriz até a raiz.

Joaquim Roriz já foi governador de Brasília por 4 mandatos. Um biônico e três por voto popular. Os dois últimos foram consecutivos: (1995-2006). Em todas as eleições que Roriz disputou, suspeitou-se de fraudes e de crime eleitoral. Quando derrotou Cristovam Buarque em 1998, Roriz mentiu e baixou o nível na campanha eleitoral. Em debate na TV, prometeu aos professores um aumento salarial de 25 %, Cristovam, candidato à reeleição, não se comprometeu com o aumento. Os professores do DF acreditaram em Roriz, e o aumento nunca foi dado.

Em 2002, na campanha da reeleição, Roriz derrotou Geraldo Magela, e como em outras vezes, a baixaria e o crime eleitoral rondaram a campanha do atual senador. Naquela eleição, Magela foi taxado de homossexual e uma denúncia grave afirmava que na campanha, Roriz pagou 100 reais para eleitores votarem nele. O caso foi julgado e Roriz absolvido.

Em 2006, Roriz tinha dois candidatos a governador: José Roberto Arruda (DEM) e Maria de Lourdes Abadia (PSDB). Imbatível para o senado, as pesquisas indicavam isso, Roriz continuou com suas práticas pouco republicanas. Determinou a mudança do telefone de atendimento da CAESB(Companhia de abastecimento de Brasília) que era 115, para 151, número de Roriz para o senado naquela eleição. O crime eleitoral era evidente. O caso foi julgado pelo TRE-DF e Roriz mais uma vez foi absolvido. Esta última absolvição contudo, passou a ter um potencial explosivo. Em Veja desta semana, há uma grave denúncia sobre o famoso cheque de mais de 2 milhões reais que um dos donos da GOL deu a Roriz e que acaba descambado para a esquisita absolvição de Joaquim Roriz no TRE do DF. o dinheiro que sobrou, mais de 1 milhão de reais, foi usado para sibornar 2 juízes do TRE. Vejam o trecho da reportagem de Diego Escosteguy

Na semana passada, VEJA conversou com um político que priva da intimidade do senador e que ouviu a confissão do pagamento da propina do próprio senador – e não de terceiros. Ele conta que, no começo de fevereiro passado, Joaquim Roriz recebeu seu suplente, o ex-deputado distrital Gim Argello, em sua casa. Conversaram sobre os boatos de que a decisão pró-Roriz do TRE teria sido comprada. A certa altura, travou-se o seguinte diálogo:

Argello – O Agnelo (refere-se a Agnelo Queiroz, ex-ministro e candidato derrotado ao Senado) me disse que a decisão foi comprada. É isso mesmo?

Roriz – É isso mesmo. Achei que o processo não ia dar em nada, mas tivemos de resolver. Tivemos de comprar dois.

a matéria continua revelando algo jurídicamente estarrecedor:

O caso que livrou Roriz da cassação foi julgado em 23 de outubro, mas começou no dia 19 de setembro, quando o Ministério Público o acusou de uso político da máquina pública do governo do Distrito Federal. Na época, Roriz deixara o cargo de governador para concorrer ao Senado, e a estatal de abastecimento de água, a Caesb, mudara em propagandas seu número de atendimento telefônico de 115 para 151 – número de Roriz nas urnas. O placar do julgamento no TRE estava em 3 a 2 contra Roriz. Um juiz pediu vistas e, dias depois, quando a sessão foi retomada, votou a favor de Roriz, cravando um empate em 3 a 3. Antes que o presidente do tribunal desse seu voto de Minerva, um dos juízes que votaram contra Roriz subitamente mudou de idéia. Com isso, Roriz livrou-se da cassação por 4 a 2. A virada no placar teria custado pelo menos 1,2 milhão de reais. Procurado por VEJA, o suplente Gim Argello confirmou o encontro com Roriz, mas disse que não faria comentários a respeito de pagamento de propina.


Joaquim Roriz é a síntese de um político brasileiro, com raríssimas exceções, é claro: falastrão, cínico, indecente, corrupto, e que para justificar o injustificável, compra ou vende boi. O mais grave nisso tudo é que juízes estejam mancomunados nessa sujeira toda. Quando o estado de direito é corrompido, quando os poderes da república não inspiram confiança, o caminho ideológico para um estado totalitário fica aberto. Estamos há muito, flertando com o autoritarismo, e as pessoas e os poderes que deveriam zelar pela democracia, são os primeiros a desmoralizá-la.





3 comentários:

Blogildo disse...

O mal é contagioso. A nova moral estabelecida nessa cultura do "eu não sei, logo sou inocente" está eliminando os últimos resquícios de moralidade que os cidadãos tinham. Optou-se pelo "locupletemo-nos todos".

Saramar disse...

CostaJr, voc~e está certo.
Este indivíduo é o símbolo mais perfeito de tudo quanto a população identifica como político brasileiro.
O discurso dele no senado foi tão constrangedor e cínico que até Renan deve ter sentido vergonha.

beijos, boa semana.

Alice disse...

Perdeu-se td , a ética,a vergonha ...
Bom dia :)