27 junho, 2007

Assim é a educação por aqui.

Professora de História agredida por um deliqüente disfarçado de aluno.


Perdi o pouco respeito que eu tinha pelo educafórum, blog que trata de educação, mormente no estado de São Paulo. Quando professores cometem abusos de poder contra alunos indefesos - esta é a linha editorial do referido blog - os autores da página, como soldados da ética, acusam o professor de autoritário e afirmam que os professores, não importa o que façam, nunca são punidos. Todavia, dois casos em São Paulo, comprovados, mostram uma realidade bem diferente. Duas professoras da rede pública paulista foram vítimas de agressão, muito séria, por alunos indefesos. Uma professora teve seu cabelo queimado por um isqueiro, o aluno incendiário, não foi punido. Amanhã talvez ele queime um índio. Em Suzano uma professora de 26 anos foi o agredida por um marginal de 15 anos, já conhecido pela violência e pelo desrespeito aos professores, o marginal é aluno da 8a série. Esses dois casos não receberam do educaforum nem sequer um registro, pelo menos até agora.

O que protege esses alunos delinqüentes é o tal ECA, que virou um estatuto que protege o malfeitor menor de 18 anos, não a criança. Os professores, em sua imensa maioria, e sobretudo os de escolas públicas, são rotineiramente vítimas de humilhação e constrangimento por parte de alunos como esses. Leiam as matérias sobre o assunto aqui

5 comentários:

PATRICIA M. disse...

Costa, devem ter tido a mesma reacao que o pai do troglodita que atacou a coitada da empregada domestica no Rio: o meu filhinho nao eh bandido!!!!!

Passam sempre a mao na cabeca dos filhinhos, ate eles virarem os marginais que vemos por ai... Sao os pais de hoje. Ser pai (ou mae) nao eh brincadeira, eh preciso ter pulso firme e cabeca muito boa para educar. Eles acham que educar eh comprar presentes e fazer as vontades. Tristeza viu...

Zeus disse...

Perfil do direitista tupiniquim, em dez traços

10. Ao contrário dos direitistas gringos, europeus ou mesmo mexicanos – virulentamente patrióticos ao ponto da xenofobia – o direitista brasileiro odeia o Brasil. É curioso, porque nenhuma direita traz tantas marcas do seu lugar de origem como a brasileira. Até quando fala de Chesterton.

9. O direitista brazuca sofre de profunda nostalgia. Entende-se: ele um dia teve Carlos Lacerda e Paulo Francis. Hoje deve contentar-se com Diogo Mainardi e outros funcionários da Veja. Ou seja, já completa uma geração em total orfandade de gurus. Andam tão carentes que seu mais novo mestre é um auto-intitulado "filósofo" de cujo trabalho nenhum profissional de filosofia jamais ouviu falar.

8. Os direitistas tupiniquins em geral se dividem em dois grupos: os raivosos e os blasé. Aqueles vociferam em blogs, lançam insultos, ordenam que os adversários se mudem para Cuba. Reagem histericamente à própria infelicidade. Os blasé, em busca de uma elegância copiada de algum filme gringo, intercalam em suas frases expressões inglesas já completamente fora de uso. Reagem esquizofrenicamente à sua infelicidade, à sua incapacidade de reconciliarem-se com o que são.

7. O direitismo brasileiro costuma ser um grande clube do Bolinha. Tem verdadeiro pânico das mulheres, especialmente das mulheres fortes, seguras, profissionalmente bem-sucedidas. Estas últimas costumam ter o poder de fazer até mesmo do blasé um raivoso.

6. O direitista tupiniquim adora lamber as botas de Bush. Numa época em que até vozes do conservadorismo tradicional norte-americano reconhecem o caráter da mentirada (link via Smart) sobre a qual se sustenta Bush, o direitista daqui ainda defende o genocídio praticado pelos EUA no Iraque.

5. Por alguma razão, o direitista brasileiro sente-se profundamente incomodado com o cinema iraniano. Talvez, se a história do menino que perdeu um sapato fosse contada em inglês, com um orçamento milionário, dois personagens maniqueistamente representando o bem e o mal, algumas explosões e um final bem moralista, o direitista tupiniquim o saudaria como uma pérola.

4. O direitista brazuca adora declarar-se “liberal”. Sonha com o capitalismo preconizado por Adam Smith, quem sabe nalguma ilha onde ainda exista “livre competição pelo mercado”. Afinal de contas, no capitalismo realmente existente o que vemos são quatro megaconglomerados controlando toda a indústria musical do mundo, ricos impondo barreiras e tarifas aos produtos dos pobres, oligopólios praticando dumping, guerras de rapinha para saquear petróleo dos outros. Ao ser confrontado com esses fatos, o máximo que o direitista aceitará é que no “verdadeiro” liberalismo essas coisas deverão ser “corrigidas”. Talvez no dia em que o direitista consiga impor seu modelo de capitalismo à ilha de Robinson Crusoé.

3. O direitista tupiniquim tem pânico de discutir questões relacionadas a raça e etnia. Quando aflora qualquer conversa sobre a discriminação racial ou sobre o lugar subordinado do negro na sociedade, ele raivosamente acusa os interlocutores de estarem acusando-o de racista. Para essa “vestida de carapuça” Freud inventou um nome: denegação. É a atitude preferida do direitista quando o tema é relações raciais.

2. O direitista tem verdadeiro ódio da MPB. Vocifera, por exemplo, contra o silêncio de Chico Buarque sobre o caixa dois do PT, ao mesmo tempo em que idolatra pop stars americanos que silenciam sobre o genocídio no Iraque. Faz sentido: as áreas nas quais, em quantidade e em qualidade, o Brasil tem a mais respeitável produção do mundo desmentem a ficção auto-depreciatória com que o direitista tupiniquim transfere para o país o seu incômodo consigo mesmo.

1. O direitista brasileiro louva e idolatra o mercado, mas curiosamente pouquíssimos espécimes dessa turma se estabeleceram no mercado com o próprio trabalho. É mais comum que herdem um negócio do pai, recebam via jabaculê o emprego que terão pelo resto da vida ou, mais comum ainda, que concluam a quarta década de vida morando com a mãe e tomando todinho.

Cejunior disse...

É o grande problema do ECA: alguns marginais "di menor" se protegem nele...
Esse assunto tem que ser rediscutido.
E com urgência.
Abraços.

Giulia disse...

Olá, CostaJr! Estou chegando só agora de uma maratona de trabalho que me impediu administrar até mesmo os próprios comentários do EducaFórum. Você é ainda muito jovem para entender nossos pontos de vista e provavelmente não teve a paciência necessária para acessar os nossos arquivos mais antigos. Aliás, o mais antigo é o site do EducaFórum, que está parado desde 2002 (link à esquerda do blog), mas que dá uma boa idéia do que tem sido a educação pública nas últimas décadas, citando inclusive o nome de políticos descompromissados e corruptos.
Respeito se ganha, não se impõe. Se você perdeu o respeito pelo EducaFórum, significa que em algum momento você já o teve. E isso é muito raro, pois os professores geralmente se voltam contra nós pais de alunos já nas primeiras visitas. Mas não faz mal. Espero que você continue visitando nosso espaço, da mesma forma como vamos continuar visitando o seu, com muito respeito.
Quanto ao caso das professoras agredidas, não é do nosso interesse mostrar casos limites, pois trata-se da loucura do ser humano, que ninguém até hoje consegue explicar. Da mesma forma, nunca defendemos o Champinha ou os psicopatas destruidores de escolas nos EUA.
O que temos denunciado corriqueiramente no EducaFórum são os casos de agressão de alunos por parte de professores e diretores da rede pública, que nos são comunicados por pais apavorados com a possibilidade das perseguições e represálias de que seus filhos são vítimas após as denúncias.
Este é o principal motivo pelo qual a mídia dificilmente publica a agressão de alunos por profissionais da educação. É porque os pais preferem colocar "panos quentes" e se calam, já que não podem trocar seus filhos de escola e esses alunos vão ter que continuar convivendo com os agressores... Você não faz idéia do que seja a vida de um aluno marcado com a pecha de "delator" dentro de uma escola pública.
Mas, como já disse, talvez você seja muito jovem e se sinta "dono da verdade", após alguns anos de vivência na educação, freqüentando salas de professores onde os assuntos mais falados são o salário "ruim" e os alunos insuportáveis...
Bem, não estou tentando defender o EducaFórum, pois você tem todo o direito de ter seu ponto de vista. Só não gostaria de perder os contatos, pois percebo que você é um cara sincero e bem intencionado. Nós também somos. A maior diferença, talvez, é que nossos filhos passaram por muitas e "boas" durante sua vida escolar na rede pública. E talvez tenham sido entre os mais perseguidos, justamente por terem seus pais empenhados numa luta que - acredite! - não é contra o professor. Respeitamos profundamente a "figura de professor" (coisa que você já colocou em dúvida), ou seja, profissionais como a Glória Reis e a Marta Bellini, que deram aula na rede pública durante toda sua vida sem perder o espírito crítico e o respeito pelo aluno.
Desculpe a verborragia e sinta-se à vontade para deletar este comentário, se quiser.

Blogildo disse...

Eu perdi a fé no sistema de ensino do país. Não vale a pena ser professor aqui no Brasil. Não falo nem do salário. Falo das condições de trabalho.