31 maio, 2007

Educação, outra piada.

O Ministério da Educação passou, até agora, incólume às suspeitas de negociatas com a Gautama. Isso não é de causar espanto, porque o governo Lula prefere contruir pontes que ligam... Ligam o quê mesmo? a investir na educação. A última do governo foi prometer, novamente, construir presídios para diminuir a violência. Só não vale chamar o Zuleido e sua patota. Pô! A Gautama construir presídio seria muita ironia. Voltemos ao tema.

O Ministério da Educação divulgou os números do ENADE, e, para a alegria do Lula, nossos alunos universitários estão entrando, e pior, também estão saindo do ensino superior com a mesma bagagem intelectual de nosso presidente. Apenas 0,79 % dos cursos avaliados receberam nota máxima. Em números absolutos, foram 45 cursos com boas notas num universo de mais de 5701 cursos.

O estudo revelou pela enésima vez que os alunos das universidades públicas - eu fui um deles, lá pelos idos de 1997 a 2003 - têm, em termos de notas, um desempenho melhor do que os seus colegas da rede privada. Toda vez que sai um resultado desses, os alunos das federais - tipo assim, aluno da UNB - enchem o peito de um orgulho idiota e alienado. Acreditam na falácia de que estudam nas melhores faculdades, de que são mais bem preparados para o mercado de trabalho, sentem-se como se fossem deuses.

A verdade é que esses alunos deveriam, antes de tudo, sentir menos orgulho da universidade em que estudam, e mais de si mesmos. Explico: A diferença nas avaliações entre alunos das federais e alunos das privadas, está mais na qualidade do aluno do que na da universidade.

Todos sabemos como é feita a seleção dos jovens que ingressam na quase totalidade das faculdades privadas do país. Já escrevi a respeito aqui, que o vestibular de um UNICEUB e de um IESB desmoraliza a inteligência de um candidato que se submete a prova. Não falo da qualidade dos professores e das instalações dessas faculdades, acho até que em relação a UNB e a outras federais, as instalações das faculdades privadas são muito melhores e o nível dos professores não me parece ser assim tão diferente. A diferença são os alunos, que nas federais passaram por um funil muito estreito e tiveram uma formação menos deficiente na escola básica. Quando se trabalha com bons alunos, que estudam por prazer e com compromisso, até um professor medíocre parece ser um gênio.

Numa escala de 0 a 100, as notas do ENADE foram em conhecimentos específicos 36,0 e em conhecimentos gerais 45,4, em média. Ou seja, até os alunos das universidades públicas, nesse ENADE, não foram lá grande coisa, quer dizer, nem medíocres foram. Assim, a qualidade do Ensino superior, público e privado, foi contestada. O problema, a meu ver, está na escola básica. Como diria o senador Cristovam, a revolução na educação não está na melhoria do ensino superior, mas em garantir qualidade e eficiência no ensino básico. Formem bons alunos de Ensino Fundamental e Médio e logo o ensino superior dará um salto de qualidade.

A escola hoje vive num grande faz de conta. Soube que nas escolas municipais do Rio de Janeiro está proibido reprovar o aluno. O argumento, dizem, é pedagógico, mas sabemos que o motivo é econômico. Dá-se um certificado a um aluno que não sabe juntar lé com cré e apresenta-se números vistosos depois. O aluno médio, aquele que vai para a escola cumprir um dever social, percebe as brechas do sistema e surfa nessa onda. Estuda o mínimo, não se incomoda com a própria ignorância e vai levando, levando... Sem estudo, sem dedicação e no final, faz uma faculdade privada, ou mesmo pública, repete o estratagema, vem o ENADE e aí, BOMBA! A faculdade privada é ruim e a pública - apesar de ter notas maiores, não é tão melhor.

Isso é Paulo Freire na veia! Esse cientista, pensador, educador e prestidigitador sempre sonhou em formar alunos críticos, ainda que esses alunos continuassem ignorando a gramática, a tabuada, a história, a geografia, a biologia, a física, etc. O que interessava, para Paulo Freire, claro, era formar militantes, não bons alunos.

Um comentário:

Blogildo disse...

Não é a toa que a Veja fez uma capa com o título: O PT está emburrecendo o Brasil ou coisa parecida.
O fim do Provão é uma dessas coisas iníquas de certos burocratas para mediocrizar o ensino.