23 maio, 2007

Benício, cômico e pândego

Há declarações que se não fossem trágicas, seriam cômicas. Não, meus caros 7 leitores avulsos, não falo das pobres metáforas de Lula. Falo da desfaçatez do deputado distrital Benício Tavares do PMDB.

Não é que o deputado anda indignado com a divulgação na imprensa das conversas comprometedoras dos envolvidos na Operação Navalha da PF? Enquanto alguns deputados da assembléia legislativa do DF fazem fita - jogam para a platéia - abrindo na corregedoria um processo contra Pedro Passos, outros, como Benício Tavares, declara, segundo informa o correio web: "A colocação da fita me trouxe um prejuízo muito grande. Peço que apure o vazamento do CD em uma investigação interna". E conclui: "Aquela foi uma conversa mais do que normal, entre colegas de partido. A vinculação que foi feita foi desastrada e exagerada". Benício, o que lhe traz prejuízo muito grande é o processo que investiga sua participação na orgia do rio Amazonas, onde menores de idade, em troca de dinheiro, faziam "carícias" nos passageiros do navio da sacanagem. O deputado Benício acha "normal" que um deputado preso, ligue para ele e peça para articular o relaxamento de sua prisão. Só seria normal Benício, se os outros deputados fossem cumplices no crime. Taí, agora entendo porque Benício achou essa conversa com Pedro Passos preso, normal.

Disse acima que os demais deputados da assembléia estão jogando para a platéia ao dizer que abriram processo por quebra de decoro parlamentar contra Pedro Passos. Crimes de maior envergadura foram cometidos por ele - conhecidíssimo como grileiro - por tantos outros, como o próprio Benício Tavares, e eles estão aí, lépidos e fagueiros, fazendo festa com nosso dinheiro. O caso vai esfriar, os deputados vão alegar falta de provas e vão arquivar o processo. Não acredito na punição dos culpados.

O fim do voto secreto...

Um dado que passou desapercebido pela Grande Mídia do DF foi que os deputados da assembléia legislativa não votaram em plenário o relaxamento da prisão - ele já foi solto - do deputado Pedro Passos, porque teriam que mostrar a cara. Nenhum deputado queria ficar mal com seu colega, mas também não queriam passar aos eleitores, a imagem de lenientes com a corrupção. Foram salvos pelo gongo, quer dizer, pelo recado de Passos. Vejam o post, Meu amigo Pedro.

Um comentário:

Serjão disse...

É Normal mesmo. Corporativismos nesses lugares é mais do que normal. E se há mais crimes a denunciar. pq não fazem? Pq é antes de tudo uma casa de amigos.

Abraços