22 abril, 2007

Vox Populi, Vox Dei! Será?

Marcos Coimbra, Presidente do Vox Populi, instituto de pesquisa famoso, há algumas semanas escreve uma coluna aos domingos no Correio Braziliense. Quase nunca perco meu tempo com ele, sobretudo quando ele fala, sua voz e o ritmo que ele impõe a ela são insuportavéis, mas dessa vez li com atenção o que ele escreveu.

Ele analisa as razões da popularidade do presidente Lula, medida semanas atrás por dois importantes institutos de pesquisa, e começa dizendo que existem dois pólos que tentam, a seu ver, de forma errônea, entender o porquê da popularidade do maior criador de ministérios da república brasileira.

O primeiro pólo, diz Coimbra, reporta à popularidade do presidente, aos programas assistencialistas do governo, como o Bolsa Família. Dessa forma, o povo assistido por essas políticas, apóiam o presidente, a despeito de seus auxiliares diretos serem pegos com a mão na grana - ou para ser assim como um bom petista, isto é, chulo, com a mão na merda - o povo aceita o roubo desde que as migalhas cheguem até à massa.

O outro pólo, segundo Coimbra, procura entender a popularidade de Lula num certo carisma sobrenatural. Lula é popular, porque Lula é povo; tem a cara da gente sofrida do país, representa a patuléia no poder. Assim, identificado com o povo, Lula teria a simpatia e o apoio da massa.

Marcos Coimbra analisa os dois pólos a conclui que ambos estão errados. O primiero peca pelo simplismo, o outro, pelo misticismo. Ele, é claro, oferece outra explicação, supostamente mais técnica, e por isso, nem simples, nem mística.

Ele lembra que em 2004 e 2005 o presidente Lula obteve os piores índices de aprovação de seu primeiro mandato, o que, segundo Coimbra, desmonta a tese de que o povo aceita tudo o que o presidente faz, seja por causa das políticas assistencialistas, seja por causa do carisma de Lula. Ele lembra que foram preciso 6 meses para o presidente recuperar seu prestígio na população e isso só ocorreu por causa de uma coisa... Já, já. Antes uma digressão.

A oposição, em 2005, caiu na conversa de que Lula estava morto. Caiu na conversa de que as pesquisas indicavam que ele perderia a eleição, por isso, popuparam o presidente dos escândalos, dizendo com certa arrogância que derrotariam Lula nas urnas; vimos o que aconteceu. Em seguida, subestimou-se a capilaridade do PT, agora em conluio com as lideranças dos grotões, no Brasil. Lula, o chefe do assalto, passou incólume, tanto por culpa da oposição, que o poupou, quando não deveria e nem Lula merecia, quanto por uma rede de apoio ampla, que ia dos radicais de esquerda, até os fisiologistas do PMDB, PTB, PP,PL e por aí vai. Finalmente, o que a oposição não percebeu, e o que Marcos Coimbra esconde, é que uma pesquisa não é um cenário fixo, mas uma tendência que será mais ou menos favorável dependendo de como os formadores de opinião tratam o cenário político ou econômico. Se Lula, em 2005 estava mal das pernas, isso ocorreu por causa das constantes provas contra o PT. Quando a poeira baixou, ficou para o povo os indicadores econômicos - que o PT herdou e fez a sensatez de não perdê-los, ainda que muitos dentro do governo desejassem isso - e os progrmas assistencialistas.

Marcos Coimbra, contudo, é enfático ao explicar porque Lula é tão aprovado pelo povo: Lula é mais competente que Fernando Henrique Cardoso. Se, diz o analista, o mensalão, o Waldomiro Diniz foram problemas de crise política ne governo do governo; o Apagão de FHC e a crise cambial de 1999 foram um problema de gestão. Lula não pôde evitar a corrupção, que lhe trouxe problemas, mas FHC governou mal, porque permitiu o Apagão e a crise cambial.

A análise é filo-petista, até aí tudo bem, cada um paga seu almoço como pode, mas o que me incomodou foi um homem experiente e informado como Marcos Coimbra, ter simplificado eventos que são de natureza complexa. Além do mais, fechou os olhos para crises de gestão do Governo Lula, mas isso fica para outro post.

Um comentário:

Blogildo disse...

Para filo-petistas, se os fatos desementem a tese, pior para os fatos.