22 abril, 2007

"O homem é a medida de todas as coisas"

Protágoras de Abdera, o mais famoso dos sofitas. Para os sofistas, a verdade é uma questão de opinião, para Marcos Coimbra, também.


Marcos Coimbra diz literalmente: "As crise de Lula foram políticas; as de Fernando Henrique, de gestão e de governo. (...) Ele [Lula], não começou seu segundo mandato com a crise cambial de 1999 e nem passou pelo "pai de todos os apagões", o elétrico de 2001. Com um mandato concluído, não viveu nenhum massacre de Eldorado dos Carajás, nenhum episódio de doentes renais em Caruaru, nenhuma clínica Santa Genoveva. Nunca disse, embora pudesse ser mal interpretado, que aposentados eram vagabundos"
Fica claro que, para Marcos Coimbra, crises políticas, embora graves, são menos graves que crises de governo e de gestão. O raciocínio é simples: o povo acha um absurdo que o político roube, forme uma organização criminosa, mas acha imperdoável que um governo seja mal dirigido e enfrente crises de governabilidade. O povo, que Marcos Coimbra fala, é o mesmo que achincalha deputados nas conversas de bar, diz que é tudo ladrão, mas não faz nada para exigir a punição dos corruptos. Esse povo fica mais indignado se seu time de futebol perde um título ou é desclassificado, a ponto de fazer arruaças e passar horas na sede do clube para protestar, do que saber que o dinheiro de seus impostos está sendo desviado para o enriquecimento dos políticos.

Marcos Coimbra não é patife, mas sua análise é de uma patifaria gigantesca. Os problemas de gestão que ele enumerou no segundo mandato de FHC não podem ser comparados com o segundo mandato de Lula, que a igor, nem começou, como o próprio Marcos reconheceu em artigo anterior. A crise cambial de 1999 é polêmica, mas não resta dúvida que fatores externos, fora do controle de qualquer governo, foram sua causa fundamental. Melhor uma crise dessa com FHC do que com Lula, não tenho dúvida!

"O pai de todos os apagões" foi reconhecido pelo próprio Fernando Henrique como um erro sério de seu governo, que só não foi mais grave porque o cidadão brasileiro provou que, se chamado com seriedade e confiando no governo, responde à altura. Não custa lembrar que o consumo médio foi reduzido não porque se passou a usar menos os equipamentos elétricos, mas porque se reduziu o desperdício.

O massacre de Eldorado foi uma mácula, não há dúvida. Nesse ponto, contudo, Lula perde feio. No pimeiro mandato de Lula, tanto os conflitos quanto as mortes no campo, superaram a média do governo de FHC. Se no governo FHC houve o problema de doentes renais em Caruaru, o Ministério da Saúde petista concentou uma das áreas mais corruptas do governo Lula (Máfia dos vampiros, sanguessugas), o que na ponta, vai provocar mortes no Sistema de Sáude (SUS). Não custa lembrar a epidemia de Dengue em Mato Grosso, governado por Zeca do PT, governo com nome e sobrenome, e que já foi reconhecido pelo ministro da saúde, o Temporão, como uma falha do ministério.

O presidente FHC declarou que havia alguns aposentados do serviço público, que têm por lei algumas regalias, como salário integral e rajuste integral com os servidores da ativa, que se aposentavam com menos de 45 anos, numa idade altamente produtiva. Esses são os vagabundos citados por FHC! Só que ganhando bem. Lula não pode chamar ninguém de vagabundo, falta-lhe uma certa autoridade moral para isso, mas já mandou o brasileiro levantar o traseiro da cadeira para procurar bancos que oferecessem juros mais baratos, chamando os brasileiros de acomodados, o que, é preciso reconhecer, não é mentira.

Algumas perguntas se impõe ao Marcos Coimbra: seria o acidente da GOL que vitimou 154 pessoas, um problema político ou de gestão do governo Lula? Seria o Caos nos aeropotos um problema político ou de gestão? A Crise na Agricultura no primeiro mandato de Lula, foi um problema político ou de gestão?

O segundo mandato de FHC foi ruim, como aliás, são ruins os segundos mandatos da maioria dos políticos que exercem cargo executivo. Se tivesse sido bom, Lula não teria ganho, é óbvio. Lula, mal começou o segundo mandato, muitos acreditam que ele ainda nem começou de fato, por isso, seria correto esperar o segundo mandato amadurecer, para compará-lo ao de FHC.


Marcos Coimbra entende de pesquisa. Diz o jornal que ele é sociólogo e presidente do Vox Populi, mas anda derrapando na sua carreira de articulista. Ele pode defender o governo Lula, é um direito, mas ele não pode criar confusão de conceitos, de números e de eventos, para justificar sua defesa. Que ele considere o governo Lula mais competente que o de Fernando Henrique Cardoso, tudo bem, cada qual com seus horizontes, mas para provar isso, comete uma desonestidade com a veracidade dos fatos.

Se Lula leu sua coluna hoje, Marcos, vai ficar feliz. Ele adora ganhar de Fernando Henrique, é uma obessão que ele tem, uma espécie de recalque. Quem sabe, com mais dois artigos como esse, você não é convidado para o trigésimo sétimo ministério de Lula?

5 comentários:

Ricardo Rayol disse...

O velho problema de não se olhar para o próprio umbigo. Apontar o erro do passado é genial, mas estúpido. O que não se olha é o presente e encontrar as soluções.

PATRICIA M. disse...

Muito boa sua analise! E como maior vagabundo do pais, o Lula realmente nao pode chamar ninguem de vagabundo... :-)

Blogildo disse...

O petralhismo é uma condição mental que deixa o mais brilhante dos analistas zonzos!
Concordo com a Patrícia, sua análise foi muito boa!

Cejunior disse...

Marcos Coimbra não é burro: tanto assim que o Vox Populi sempre é amigo dos governos. Qualquer um!
Abraços

PATRICIA M. disse...

Costa, por que seu destino sera semelhante? Vai nos abandonar TB????