21 abril, 2007

Dez anos depois...

Tomás Oliveira de Almeida, Eros Chaves de Oliveira e Max Rogerio Alves: três dos quatro acusados.

Em abril de 1997, eu trabalhava na Brahma, hoje Ambev. Foi lá, numa tarde, que recebi a notícia de que um índio Pataxó havia sido queimado por jovens de Brasília num ponto de ônibus. A ação, selvagem por natureza, ganhou um efeito ainda mais bárbaro, quando os assassinos justificaram o ato como uma brincadeira que queriam fazer com um mendigo. Na época escrevi versos sobre a tragédia, mas perdi esses e outros versos. Só não consegui esquecer da primeira estrofe:

Bolsos cheios, cabeças vazias

Pais importantes, valores tacanhos,

idéias nefastas, pensamentos estranhos,

São discutidos por mentes sombrias.

Hoje, há exatos 10 anos do crime, todos os envolvidos estão em liberdade, gozando de um direito que negaram ao índio Galdino, o direito de viver. Em reportagem do Correio web desta sexta (clique aqui) , há uma matéria muito pertinente sobre a boa vida desses assassinos durante a reclusão, e, agora, na condicional.

Hoje moro em Brasília e já passei diversas vezes na parada de ônibus onde o índio foi queimado. É uma sensação esquisita, uma mistura de revolta e indignação. Já disse, mas não custa repetir: esses assassinos selvagens não pagaram pelo crime, a justiça não os puniu. A punição deverá vir de nós, repudiando a liberdade deles, mostrando a eles, o quanto são desprezíveis.

A matéria do Correio web traz vários trunfos. O maior deles, é informar onde esses 5 jovens trabalham ou trabalharam e o que estão fazendo agora. Um, o Tomás Oliveira de Almeida, trabalha no hospital Santa Helena, no setor de marcação de consultas, na Asa Norte e cursa Administração, à noite, 5° Período, no IESB. Se os encontrarmos, se tivermos esse desprazer, que vejam nossa ojeriza à figura deles e que saibam: se a justiça os perdoou, a sociedade, os cidadãos de bem, não aceitam a impunidade e repudiam a liberdade que injustamente desfrutam.

6 comentários:

cejunior disse...

CostaJr., depois reclamam quando dizemos que o Brasil é o país da impunidade... Se esses zé-manés fossem pobres já tinham sumido dentro de alguma penitenciária.
A justiça não é cega meu amigo!

Ricardo Rayol disse...

Digamos que eu tenha uma vontade de brincar com um maracdor de consultas e toque fogo neles. Serei punido ou vou ter moleza?

Patricia M. disse...

Se a gente tivesse pena de morte, ou ate mesmo prisao perpetua, esses caras nao estariam ai soltos. Pois eh...

Blogildo disse...

Lembra quem foi o advogado deles? Pois é...

daniella disse...

Thomas é um otima pessoa!!!! E com certeza se arrepende do que fez!! é uma pessoa maravilhosa!

Anônimo disse...

Eu tb posso queimar um marcador de consultas e me arrepender depois \o/