16 abril, 2007

Células - Tronco adultas.


Fazia tempo que eu não participava de uma blogagem coletiva. Contudo, instado por amigos queridos, como o David, o Cejunior e o Rayol, lá vou eu me meter numa seara perigosa.

Hoje, por coincidência, conversei sobre o assunto com o professor de Biologia João Martins, falávamos sobre a eugenia. Durante o papo ele me alertou sobre estudos feito nos Estados Unidos com células-tronco adultas que vêm obtendo resultados muito satisfatórios e que acaba com a polêmica entre cientistas e religiosos. É importante lembrar que as células-tronco umbilicais (do cordão umbilical) também apresentam um grau de confiabilidade muito maior que as chamadas células-tronco embrionárias, estas, são as combatidas pela Igreja e por outras religiões, cristãs ou não.

"Phil Coelho é o principal executivo e presidente do Conselho de Administração da Thermogenesis Corp., que presta serviços de processamento e de preservação criogênica para os principais bancos de células-tronco de cordões umbilicais. Coelho afirma que as células-tronco adultas "foram usadas cerca de 30.000 vezes" em procedimentos clínicos nos Estados Unidos, e diz que as células-tronco de cordões umbilicais, tema de uma das propostas que o Congresso dos Estados Unidos discutirá, "apresenta vantagens dramáticas".

De acordo com Coelho, as células-tronco adultas "podem se transformar em muitos - e talvez em todos - diferentes tipos de tecido; elas possuem a capacidade de suportarem muitas divisões celulares e exigem menos enxertos para uma mesma doença".

Ainda segundo Coelho, o primeiro paciente tratado com células-tronco adultas, em 1988, não apresenta nenhum sinal da Anemia de Fanconi da qual sofria quando criança. Desde então, mais de 6.000 pacientes, com 66 diferentes moléstias foram tratados nos Estados Unidos com sucesso, utilizando células-tronco adultas.

Ele complementa que são espetaculares os resultados com células-tronco adultas. "Um estudo recente aponto um índice de sobrevivência de cerca de 70% entre adultos portadores de alto risco que foram tratados com células-tronco umbilicais. Os resultados são ainda mais promissores entre crianças, com índices de sobrevivência de 80% para as que apresentam síndromes de imunodeficiência".

Comparando os resultados sobre células-tronco embrionárias com células-tronco adultas o mesmo especialista revela: "Células-tronco adultas e, em particular, células-tronco umbilicais, estão destinadas a serem as fontes da medicina regenerativa e miraculosa no futuro", disse ele. "A pesquisa com células-tronco embrionárias não está obtendo resultados tão bons".

Por outro lado, a pesquisa com células-tronco embrionárias ainda está por curar um único paciente. Nenhum tratamento aprovado nos Estados Unidos está sendo aplicado em pacientes, como resultado da pesquisa com células-tronco embrionárias, e não há experimentação clínica com pessoas. Depois de 20 anos de pesquisa em laboratório, com cobaias, os resultados alcançados não são seguros.

Nos laboratórios, as células-tronco embrionárias produziram tumores, provocaram rejeição quando transplantadas, e apenas resultaram no tipo errado de células necessárias para substituição das células comprometidas de pacientes. (clique aqui)

Para informações mais técnicas clique aqui
Por isso, se passarmos a discutir a pesquisa em células-tronco adultas, acho que o problema ético, levantado pela Igreja - e digo de antemão, concordo com esse posicionamento - deixa de ser relevante. Não será preciso formar embriões, logo, a polêmica sobre a origem da vida perde sentido. Todos saem felizes e salvos!


8 comentários:

Blogildo disse...

Costa você foi ao ponto chave do debate. E infelizmente, muita gente boa está ignorando esse aspecto.

Além da CT extraída do cordão umbilical há também a extraída da medula óssea. Até onde sabemos os religiosos não têm absolutamente nada contra a utilização de tais células. O problema é contra as CT embrionárias.

Malandramente foi cunhando o termo "pré-embrião". A idéia é que até 14 dias desde a concepção, nós somos apenas um aglomerado impessoal de células. No décimo quinto dia somos "promovidos" a embrião. Não é uma graça? Gostaria de saber os critérios científicos para 14 e não 20 dias.

Por trás disso é óbvio que estão os grupos pró-aborto. Basta o estado decidir que até 14 dias não há vida e está liberada as pesquisas com CT embrionárias! A liberação do aborto vem de brinde.
Não é genial?

PATRICIA M. disse...

Costa, muito lucido seu texto. Eu tambem ja havia lido textos aqui sobre as falhas dos estudos que utilizam celulas-tronco embrinarias. Como disse o Blogildo, muitas pessoas honestas mas ignorantes estao defendendo as celulas-tronco embrionarias, e ainda acusam a Igreja de nao querer que os doentes sobrevivam.

A questao eh investir dinheiro onde os resultados sao os melhores, e esses com certeza nao vem do uso de celulas-tronco embrionarias.

cejunior disse...

Interessante o comentário do Blogildo mas continuo achando que as pesquisas vão acontecer de qualquer maneira. O importante é saber se o Brasil vai ficar para trás aqui também.
Um abração.

Santa disse...

Quertido,

Que comentário carinhoso que vc deixou lá no blog. Fique certo que teu blog faz diferença na blogosfera!
Bjs

Ricardo Rayol disse...

Me desculpem mas estou entendendo que quem não ficar satisfeito com o pseudo moralismo da Igreja, que entende tanto disso quanto eu de fisica quântica, que vá reclamar diretamente com Jesus? Todo mundo conhece alguém que poderá, ou poderia ser, salvo se esse tipo de terapia já estivesse disponível. E ai meu amigo, queria ver o Blogildo, com um filho muito doente, reclamar se o embrião tem 14, 20 ou 3 meses.

Costajr disse...

Amigo Rayol

Acho que você foi imprudente nas palavras, ainda que eu entenda seu ponto de vista.

O post deixa claro que não há recusa da Igreja em se estudar as células-tronco, desde que não sejam as embrionárias. Além do mais, os cientistas já constataram que as pesquisas com o cordão umbilical e com a medula óssea são mais eficazes que as embrionárias.

Suas palavras foram imprudentes porque Blogildo, assim como eu, em breve, seremos pais, de primeiro filho; e é chocante ler o que você escreveu sobre um filho muito doente.

Se me filho vier ou ficar muito doente, vai me causar sofrimento e dor, mas continuarei achando que não devemos formar embriões para estudar células-tronco, sobretudo porque as pesquisas mais recentes dizem que outras técnicas mostram resultados melhores.

Blogildo disse...

Rayol, pra mim tudo é vida. Ameba é vida? Então embrião também é. Eu não mataria para salvar a vida de um filho.

João Bio disse...

Olá Zé Paulo,
Lembrei de nossa conversa sobre células tronco e passei aqui para avisar que o Discovery Channel vai passar na próxima quarta-feira ( 09/02) um documentári muito aguardado sobre o tema. Parece que o doc dá destaque para a pesquisa brasileira!
Um abraço