19 março, 2007

Um pouco sobre mim.

O presidente Lula não consegue achar no PMDB um político que não tenha problemas na justiça. Dos nomes aventados pelo partido ou pelo presidente Michel Temer, todos são réus em processo de evasão fiscal, apenas para ficar nos crimes... Digamos... Ao sistema financeiro. O preço que se paga para ter o PMDB no governo só não é maior do que o peso de se ter petista em secretarias, ministérios, escolas, no prédio ou mesmo numa casinha de sapê.

Mas não quero falar de política, isso é muito chato e previsível. Quero falar um pouco de mim, porque além de chato e previsível, também é irrelevante.

Estava eu voltado para casa, ali na altura do Parque da Cidade, entre o Sudoeste e a Octogonal, e me peguei lembrando de quando tinha 12 ou 14 anos. Lembrei que meu pai, numa das várias vezes que enfrentou problemas com o emprego formal, tomou-me pelo braço e disse:

--- Tu vai vender bermuda na feira comigo meu filho. Eu serei o “veio” mineiro e você será o menino da bermuda. (Meu pai nunca foi à Minas Gerais)

Durante 1 ano vendemos bermudas nas feiras-livres de Recife: Cordeiro, Afogados, Casa Amarela, Ceasa e adjacências. Foram tempos difíceis, mas confesso que sentia uma certa animação quando conseguia vender mais bermudas que meu pai. A Spalu Line, grife de fundo de quintal, cujo garoto propaganda era o bom Carlitos, fez tanto sucesso que em pouco tempo ninguém queria mais comprar nossa bermuda, e o negócio precisou acabar por falta de compradores e por um déficit crescente na balança de pagamentos. Ficamos descapitalizados. Eu fui estudar na ETFPE, meu pai continuou em sua saga por um emprego, minha mãe ajudando o quanto podia, meus irmãos... Bem, por essa época não pertenciam à PEA familiar.

Quatro anos depois eu me formava como Técnico em Química pela ETFPE e trabalhava na Brahma, ganhava bem para um operário, embora não tão bem quanto Lula, ainda que eu tivesse mais estudo que ele, o que claro, não era tão difícil assim. Foram 4 anos na Cia Cervejaria Brahma - Filial Nordeste. Quatro anos de horror!

9 comentários:

PATRICIA M. disse...

Os meus tempos na Brahma de Lages poderiam ser melhores se a cidade nao fosse Lages... :-)

Mas ate que eu curti... Hahahaha. Loucos, loucos tempos por faculdade!

Blogildo disse...

Quatro anos na Brahma não foi legal? Poxa, Lula morreria por um emprego desses. Rsrsrs!

Joking! A sua história não é irrelevante. É mais honesta que a de certos operários virtuosos.

Anônimo disse...

Coitado.

Costajr disse...

Os anônimos petralhas são mesmo uma graça. O de cima foi lacônico, decidir sentir por minha história um pouco de comiseração. Não precisava, apesar de ter achado o gesto gentil. Até aqui, minhas conquistas, tímidas é verdade, foram frutos de meu trabalho e esforço pessoal, coisas é claro, que os esquerdopatas não conhecem.

Ricardo Rayol disse...

Caraca, uma saga mesmo. Interessante que todos temos uma história e poucos sabemos conta-la com tanta hombridade.

PATRICIA M. disse...

Costa, nao se incomode. Esses triunfos, o merito pessoal, costumam causar peso na consciencia deles. :-)

Anônimo disse...

Para quem lê o trecho de sua vida, aqui publicado, fica clara narrativa de dois momentos de sua história marcados pela falta de sucesso. Porém, para quem lê com mais atenção, fica a certeza de que você é alguém que faz sua própria história: teve a ousadia de recomeçar, de fazer diferente, de mudar sua vida. Há tantas pessoas que se acomodam, reclamando de quem são, de sua existência...
Você, por outro lado, mostra que pensa em como as coisas poderiam ser e corre atrás disso!
O mais importante, na verdade, não é saber quem somos, porque isto é passageiro (daqui a um minuto seremos diferentes), mas saber quem queremos ser. É isto que buscamos durante nossa vida inteira.
É por isto que mudamos nossos ideais, nos transformamos, abandonamos antigas convicções e nos refazemos a cada dia.
Quem bom que não virou o "menino das bermudas", e nem se acomodou num emprego que não lhe trazia satisfação, pois, agora, é o "Costa Jr.", esse pernambucano arretado, professor apaixonado pelo que faz, que tantas lições apresenta neste blog.
Se existe uma fórmula para a felicidade, ela seria justamente esta: não ter medo de buscá-la, ainda que isto signifique enfrentar duras escolhas e arcar com os riscos de se recriar a cada dia!
Parabéns por quem você é!!!

Cejunior disse...

CostaJR, meu amigo, o Rayol falou tudo: todos tem uma história mas (aí eu mudaria) poucos tem a hombridade de contá-la. E pouquíssmos podem sentir orgulho dela.
Um grande abraço e lembre-se que uma das coisas que mais dão satisfação é você olhar para trás e ver que tudo o que você viveu valeu a pena.

iakkhos disse...

Cabra velho, fico feliz em saber que tenho um conterrâneo feito você; não lhe chamo de herói*, pois você não é filho de uma divindade com um mortal, mas, você é um vencedor. Temos homens ilustres aqui em nossa terra, que nos dão orgulhos; como: Joaquim Nabuco, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Nilo Coelho, Nelson Rodrigues, Edmir Domingues, Nelson Ferreira, Abelardo Barbosa Cchacrinha), Capiba, Chico Science e outros também falicidos que a memória agora não me ajuda. Agora cito os vivos que nos orgulham: Dominguinhos, Naná Vasconcelos, Jarbas Vasconcelos...
Agora, temos também pernambucanos, que não nos traz nem um orgulho, muito pelo contrário; aqui vai alguns deles: O apedeuto mor, o presidente Lula. Eduardo Campos, João Paulo, Severino Cavalcanti...

Parabéns, Costa Júnior. Parabéns!
Obs: Com toda adversidade na sua pré-adolescência , você estudou; não é o caso do Presidente da República, que ainda hoje, é um ignorante.

* Herói - filho da união de um deus ou uma deusa com um ser humano; semideus.