16 março, 2007

O discurso de Collor

Em agosto de 1992 eu tinha 15 anos e acabava de entrar na Escola Técnica Federal de Pernambuco, cursando Química Industrial. Nos primeiros meses dessa escola - talvez por vaidade, talvez por necessidade juvenil de ser aceito - participei do Movimento Estudantil. Naquele mesmo mês, a Rede Globo exibia a mini-série Anos Rebeldes de Gilberto Braga, e que contava a saga do Movimento Estudantil entre 1968 e 1974. Muita gente acreditou, eu também, que os estudantes em 1992, tinham voltado a ter algum tipo de participação na vida política do país.

Não, meus queridos 6 leitores fiéis, eu não pintei a cara, sempre tive pejo de certos arroubos, mas fiz pior: fui na linha de frente em passeatas Fora Collor! subi em carro de som, discursei contra os "tubarões da educação", quanta vergonha me causa essa lembrança. Tivesse eu mais idade e menos sangue indígena na família, eu seria um desses barbudos classe média, com uma boina na cabeça e defendendo o PT como uma religião qualquer. Já disse a vocês, meu passado não foi bonito.

O que me salvou não foi a Faculdade de História, que cursei na UFPE, lá também fui doutrinado nas idéias universais de justiça, liberdade, igualdade e fraternidade. Também fui convecido que a foice e o martelo era o símbolo da justiça contra o capitalismo mal. O que me salvou foram os livros que passei a ler depois que me formei. O que me salvou foi eu passar a ler por conta própria e não reproduzir o que os mestres diziam. O que me salvou foi entender que por trás de toda ideologia universal e humanitária haverá sempre um diabo totalitário, seja esse diabo um Hitler ou um Stálin!

Collor fez um discurso hoje. Não tive tempo de ler o discurso na íntegra, mas sei que a idéia central foi dizer que sua punição deccoreu de um golpe parlamentar. Reconheceu erros políticos, jamais crimes! O PT e o presidente Lula de fato, deram aos crimes de Collor um caráter amadorístico. O PT se relacionou bem com o congresso, o mensalão confirma isso. Collor, ao posar de vítima, apóia-se sobretudo nas falcatruas do governo Lula para dar à sua versão dos fatos, ares de julgamento político. É verdade que ouvir Collor não é tão chato quanto ouvir Lula, embora mal caráter, mentiroso, vaidoso e mentecapto, ao menos ele sabe escrever e falar; Lula é tudo isso, e ainda por cima, ouvi-lo exige um esforço sobre-humano, é quase uma auto-flagelação.

Escrevi esse post apenas para dizer o seguinte: Ainda que Collor fosse mesmo inocente de todos os crimes que cometeu. Ainda que tivesse sido vítima de uma vingança parlamentar. Ainda que seus inimigos no congresso, que o depuseram, fossem mais canalhas do que ele - basta lembrar que na CPI do PC Farias, o deputado José Dirceu e o "faz tudo" Waldomiro Diniz, tiveram ação decisiva nas investigações - mesmo assim Collor, você foi um fiasco! Seu maior crime não foi a corrupção, o peculato, o permitir a amigos a locupletação; seu maior crime foi num plano maluco e cruel, ter confiscado a poupança e a conta corrente de trabalhadores e aposentados. Pais e mães de família que viram seus sonhos enterrados por uma decisão criminosa e inútil de um governo incompetente e de um presidente parvo.

Seu discurso de hoje, ou qualquer outro que você venha a fazer daqui para frente, não apagará da memória nacional essa violência! Concordo que o senhor foi eleito por Alagoas, a democracia não é perfeita, mas é melhor que a ditadura, mas não imagine que em 2010 ou em 2020 o senhor subirá mais uma vez aquela rampa do Palácio do Planalto!

4 comentários:

PATRICIA M. disse...

Cara pintada, heim Costa! Gracas a Deus, em 1992 havia acabado de entrar na faculdade de engenharia! Os professores nao nos deixavam faltar as aulas para cair na gandaia e na baderna. Hahahahahaha. Mas obviamente torci para ele ser cassado. Lembro de ter assistido `a votacao na tv...

Cejunior disse...

Perfeito, meu caro CostaJR. Não podemos nos esquecer disto nunca. E se os crimes do Collor nunca foram bem apurados foi por culpa do Congresso e dos políticos que vieram em seguida.
Eu ainda continuo dizendo: FORA COLLOR!

Ricardo Rayol disse...

Zé, o simples fato de sequer achar que esse pulha poderia ser inocente é uma calamidade. esse sujeito só fez esse discurso por que todos os que vieram depois dele só fizeram pior. Mas quanto ele roubou jamais saberemos pois a moeda era uma zona.

Patrício no Pilar disse...

Collor se parece com Ciro e Ciro é a quintessência da boçalidade... portanto convido vc a conhecer um blog anti ciro gomes ...começou como denuncia de um calote mas agora virou um chamariz para os que o desprezam como caráter e como politico...