03 fevereiro, 2007

Outra nota rápida



O carnaval está chegando e esse blog se renderá aos festejos de Momo. Como estarei aqui em Brasilia, onde carnaval só existe no Congresso, tentarei matar a saudade de Recife postando alguns frevos, maracatus, caboclinhos, cocos e cavalos marinho. Será uma série de músicas típicas do carnaval de Pernambuco. Se ninguém gostar, consola-me a certeza de que ao menos eu irei apreciar.

Não me perguntem as razões dos versos abaixo. Há certas coisas que é melhor ficar subtendidas.

eis os versos de Queixas Noturnas ( Augusto dos Anjos)

(...)
O quadro de aflições que me consomem
O próprio Pedro Américo não pinta...

Para pintá-lo, era preciso a tinta
Feita de todos os tormentos do homem!


Como um ladrão sentado numa ponte
Espera alguém, armado de arcabuz.
Na ânsia incoercível de roubar a luz.

Estou à espera de que o Sol desponte!


Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a Alegria é uma doença
E a Tristeza é minha única saúde.


(...)
Seja esta minha queixa derradeira
Cantada sobre o túmulo de Orfeu;
Seja este, enfim, o último canto meu
Por esta grande noite brasileira!


Melancolia! Estende-me a tua asa!
És a árvore em que devo reclinar-me...

Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Diz a este monstro que eu fugi de casa!




3 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Nada mais interessante do que a culturae folclore carnavalesco do Recife e Olinda.. bem melhor que escola de samba.

Patricia M. disse...

Nossa, Costa, adorei o poema de Augusto dos Anjos. Tenho um livro dele, mas ficou no Brasil... Vou procurar no Google o poema inteiro, ja que voce o abreviou... :-) Adorei mesmo!!!!

Patricia M. disse...

"Ah! Por todos os séculos vindouros
Há de travar-se essa batalha vã
Do dia de hoje contra o de amanhã,
Igual á luta dos cristãos e mouros!"

Nossa... Eu tenho Eu e Outras Poesias, dele. Valeu pela leitura de hoje...