24 fevereiro, 2007

Infância

Quando li o poema, que segue abaixo, pela primeira vez, imaginei que ele só faria sentido para pessoas idosas, que têm o costume de olhar para o passado com nostalgia. Contudo, Casimiro de Abreu era muito jovem quando escreveu esses versos, morreu aos 21 anos, de tuberculose, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro; e portanto, eu que tenho 30 anos, também posso me dar o direito de ler os versos de Casimiro e me identificar com eles.

Hoje em dia, poucas pessoas se sensiblizam com poesia, o que é uma pena. Algumas chamam de poesias versos de rap ou funk, sei... não posso ter preconceitos, mas permitam-me dizer que não enxergo poesia em muitas letras de rap e funk, mas apenas rimas, pobres e chulas, e talvez por isso tão do gosto das massas.

Fiquem com Casimiro de Abreu e "Meus Oito Anos"...

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Como são belos os dias
Do despontar da existência !
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d’amor !

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais

6 comentários:

Fábio Max disse...

Na escola eu ouvia essas poesias e ficava impressionado... hoje em dia, as crianças não têm mais sensibilidade, viraram máquinas de consumir alheias ao seu futuro!

Santa disse...

Apesar de pequena a obra poética de Casimiro de Abreu, marcou pela poesia da saudade. Gosto também da Canção do Exílio. Qto a escola... Poetas, escritores, obras importantes da literatura passam a margem.

Bjs

Ricardo Rayol disse...

Lembrar do passado mesmo com nostalgia não é mal nenhum. São nossos alicerces. Quem não gosta de lembrar é pq não teve nada que prestasse. Quanto ao poema é uma bela leitura mas uma pergunta: Está tuberculoso?

Não esqueça da blogagem coletiva “Xô, Dirceu”, segunda dia 26/02/2007 maiores detalhes em http://movimento-evolucao.blogspot.com. Participe e divulgue. Contamos com você Zé Paulo

Carlos Emerson Jr. disse...

Engraçado CostaJr., eu estou lendo este post exatamente em Nova Friburgo, onde morreu o Casimiro de Abreu. Que coincidência. E o mais triste é que ninguém aqui fala nesse acontecimento.
Casimiro de Abreu é um município vizinho, serra abaixo!
Falta memória neste país, meu amigo.
E se Casimiro se foi, seu poema é imortal.
Um abraço e boa semana.

Patricia M. disse...

Oiiiiiiiii! Esse poema ai eh nostalgico e arrebatado demais para o meu gosto, mas esta valendo... :-)

Anda sumido, tu.

evandrops disse...

sempre digo q a melhor epoca da minha curta vida (ainda tenho 25) foi a infancia... ah se eu pudesse me mudar pra Neverland e não crescer nunca...

belo poema!