27 fevereiro, 2007

Zé Dirceu, volta vai!

Há um movimento entre os blogs para denunciar o estratagema das hostes petistas, disfarçadas de "iniciativa popular", de "anistiar" Zé Dirceu. Os blogueiros querem protestar contra a proposta de "anistia". Instado por amigos queridos a me pronunciar, darei aqui minha contribuição absolutamente irrelevante.

Em primeiro lugar quero seguir na contra-mão e dizer que eu sou a favor que José Dirceu volte ao poder e recupere seus direitos políticos, e de preferência receba do apedeuta a braçadeira de capitão do time. Sem José Dirceu esse governo não tem graça. Tarso Genro até que se esforça com suas diatribes e Mantega é um chato de galocha com aquele ar de tartaruga ninja - ai que saudades do Palocci e da certeza de que meus dados bancários eram vigiados pelo governo - mas como Zé Dirceu não há nem haverá mais ninguém.

Com José Dirceu era diferente. Até no sotaque dos "erres" ele era mais simpático. Tá certo, ele é um pouco mais arrogante que o mais arrogante dos petistas, mas e daí? qual o problema em ser arrogante? José Dirceu é um homem com história, mudou o rosto, e também as versões sobre Waldomiro e o mensalão, não é um intrasigente. O senador Cristovam me disse certa vez que ele era o Rasputin do governo do Czar Lula. Esse homem não pode ficar nas sombras, tem que voltar ao centro e ombrear com outros nomes de peso na política: ACM, Jáder Barbalho e Renam Calheiros.

Aproveito para estender o perdão também a Roberto Jefferson. Esses dois baluartes do parlamento nacional precisam recuperar seus direitos e abrilhantar o debate com suas frases de efeito. Quem esquece o "Zé Dirceu! Sai daí, sai!" ou " Vossa Excelência provoca em mim os instintos mais primitivos"? Esses homens, injustiçados, que só mentiram para o povo, locupletaram-se na política, chefiaram organizações criminosas... erros, mas pequenos, que todos nós, eu e você leitor, estamos sujeitos a cometer.

Outra razão para justificar minha defesa pela volta do Zé e do Bob ao parlamento: quantos homens sérios, da mesma estirpe desses monumentos morais de nossa política, escaparam do mesmo castigo? Muitos, como José Janene, deixaram a política desiludido com a imprensa e o povo, ficando doente do coração e se aposentando com a miséria de 12800 reais por mês. Outros tantos foram reeleitos, readquiriram o foro privilegiado, que é mais um merecimento do que uma necessidade para eles. Nosso parlamento, presidido pelo Chinaglia, não pode deixar de perdoar o Zé e o Bob.

Termino esse post dizendo: Zé, volta vai! Os facínoras do legislativo e do executivo precisam de sua liderança!

24 fevereiro, 2007

Infância

Quando li o poema, que segue abaixo, pela primeira vez, imaginei que ele só faria sentido para pessoas idosas, que têm o costume de olhar para o passado com nostalgia. Contudo, Casimiro de Abreu era muito jovem quando escreveu esses versos, morreu aos 21 anos, de tuberculose, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro; e portanto, eu que tenho 30 anos, também posso me dar o direito de ler os versos de Casimiro e me identificar com eles.

Hoje em dia, poucas pessoas se sensiblizam com poesia, o que é uma pena. Algumas chamam de poesias versos de rap ou funk, sei... não posso ter preconceitos, mas permitam-me dizer que não enxergo poesia em muitas letras de rap e funk, mas apenas rimas, pobres e chulas, e talvez por isso tão do gosto das massas.

Fiquem com Casimiro de Abreu e "Meus Oito Anos"...

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Como são belos os dias
Do despontar da existência !
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d’amor !

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais

19 fevereiro, 2007

Olhai os Lírios do Campo




Eu tinha 16 anos quando conheci Érico Veríssimo. Ele me foi apresentado pela professora Tereza, da ETFPE, através de uma obra chamada Olhai os Lírios do Campo. Sei que sua obra mais famosa é a trilogia o Tempo e o Vento e, atualmente, a UNB recomenda Incidente em Antares; talvez fizesse melhor negócio recomendando Olhai os Lírios do Campo.

Certa vez, Mahatmma Gandhi se referindo ao Novo Testamento disse: "Se o Novo Testamento fosse destruído e só restasse o Sermão do Monte, nada estaria perdido". Parafraseando Gandhi eu diria que, se de Olhai os Lírios do campo só restasse a carta de Olívia a Eugênio, nada estaria perdido. Vou transcrevê-la abaixo, é longa para os padrões de um post, mas acrditem, merece cada segundo dedicado a ela. Foi ao ler essa carta, que no volume que me foi emprestado pela professora Tereza ficava no meio do livro, que percebi o quanto o amor verdadeiro é desinteressado, não sente inveja ou se envaidece. Fiquem com a carta.

Ah, se prefirerem podem também escutar essa música do compositor italiano Tomaso Albinoni, acho que ela combina com o conteúdo da carta de Olívia a Eugênio.






"Meu querido: o Dr. Teixeira Torres acha que a intervenção deve ser feita imediatamente e daqui a pouquinho tenho que ir para o hospital. Não sei por que me veio a idéia de que posso morrer na mesa de operações e aqui estou te escrevendo porque não me perdoaria a mim mesma se fosse embora desta vida sem te dizer umas quantas coisas que não te diria se estivesse viva.

Há pouco sentia dores horríveis, mas agora estou sob ação da morfina e é por isto que encontro alguma tranqüilidade para conversar contigo. Mas estarei mesmo tranqüila? Acho que sim. Decerto é a esperança de que tudo corra bem e que daqui a quinze dias eu esteja de novo no meu quarto, com a nossa filha, e meio rindo e meio chorando venha reler e rasgar esta carta, que então me parecerá muito tola e ao mesmo tempo muito estranha.

Quero falar de ti. Lembra-te daquela tarde em que nos encontramos nas escadas da faculdade?
Mal nos conhecíamos, tu me cumprimentaste com timidez, eu te sorri um pouco desajeitada e cada qual continuou o seu caminho. Tu naturalmente me esqueceste no instante seguinte, mas eu continuei pensando em ti e não sei por que fiquei com a certeza de que ainda haverias de ter uma grande, uma imensa importância na minha vida. São pressentimentos misteriosos que ninguém sabe explicar.

Hoje tens tudo quanto sonhava: posição social, dinheiro, conforto, mas no fundo te sentes ainda bem como aquele Eugênio indeciso e infeliz, meio desarvorado e amargo que subia as escadas do edifício da faculdade, envergonhado de sua roupa surrada. Continuou em ti a sensação de inferioridade (perdoa que te fale assim), o vazio interior, a falta de objetivos maiores. Começas agora a pensar no passado com uma pontinha de saudade, com um pouquinho de remorso. Tens tido crises de consciência, não é mesmo? Pois ainda passarás horas mais amargas e eu chego até a amar o teu sofrimento, porque dele, estou certa, há de nascer o novo Eugênio.

Uma noite me disseste que Deus não existia porque em mais de vinte anos de vida não O pudeste encontrar. Pois até nisso se manifesta a magia de Deus. Um ser que existe mas é invisível para uns, mal e mal perceptível para outros e duma nitidez maravilhosa para os que nasceram simples ou adquiriram simplicidade por meio do sofrimento ou duma funda compreensão da vida. Dia virá em que em alguma volta de teu caminho há de encontrar Deus. Um amigo meu, que se dizia ateu, nas noites de tormenta desafiava Deus, gritava para as nuvens, provocando o raio. Deus é tão poderoso que está presente até nos pensamentos dos que dizem não acreditar na sua existência. Nunca encontrei um ateu sereno. Eles se preocupam tanto com Deus como o melhor dos deístas.

O argumento mais fraco que tenho contra o ateísmo é que ele é absolutamente inútil e estéril; não constrói nada, não explica nada, não leva a coisa nenhuma.

Se soubesses como tenho confiança em ti, como tenho certeza na tua vitória final...

Deixo-te Anamaria e fico tranqüila. Já estou vendo vocês dois juntos e muito amigos na nova vida, caminhando de mãos dadas. Pensa apenas nisto: há nela muito de mim e principalmente muito de ti. Anamaria parece trazer escrito no rosto o nome do pai. É uma marca de Deus, Genoca, compreende bem isto. Vais continuar nela: é como se te fosse dado modelar, com o barro de que foste feito, um novo Eugênio.

Quando eu estava ainda em Nova Itália li muitas vezes o teu nome ligado ao do teu sogro em grandes negócios, sindicatos, monopólios e não sei mais quê. Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época.
Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?

Quero que abra os olhos, Eugênio, que acorde enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda sua glória jamais se vestiu como um deles.

Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo devia viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”. Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.

Quando falo em conquista, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.

E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar.

Precisamos, portanto, de criaturas de boa vontade. E de homens fortes como esse teu amigo Filipe Lobo, que seria um campeão de nossa causa se orientasse a sua ambição, o seu ímpeto construtor e a sua coragem num sentido social e não apenas egoisticamente pessoal.

Não sei, querido, mas acho que estou febril. Este entusiasmo, portanto, vai por conta da febre.

Ouço agora um ruído. Deve ser a ambulância que vem me buscar. Senti um calafrio e parece que minha coragem teve um pequeno desfalecimento. Estás vendo o tremor de minha letra? É que sou humana, Genoca, profundamente humana, tão humana que te confesso corando um pouco (apesar dos trinta anos e da profissão) que antes de ir para o hospital eu quisera beijar-te muito e muito.

Anamaria fica com D. Frida. Sei que depois, se eu morrer, virás buscá-la para a nova vida.

Reli o que acabo de escrever. Estou fazendo um esforço danado para não chorar. Tolice!
Espero que tudo corra bem e que dentro de duas semanas eu esteja queimando esta carta que já agora me parece um pouco melodramática.

Antes que me esqueça: na gaveta da cômoda há um maço de cartas que te escrevi de Nova Itália expressamente para “não te mandar”. Agora pode lê-las todas. Não encontrarás nada do meu passado, do qual nunca te falei e sobre o qual tiveste a delicadeza de não fazer perguntas. É pena. Gostaria que soubesses tudo, que visses como minha vida já foi feia e escura e como lutei e sofri para encontrar a tranqüilidade, a paz de Deus.

Adeus. Sempre aborreci as cartas de romance que terminam de modo patético. Mas permite que eu escreva.

Tua para a eternidade.

Olívia"


17 fevereiro, 2007

A Série continua

Coco, uma dança nordestina.
Maracatu










Não só de frevo vive o carnaval de Pernambuco. Muitos outros ritmos agitam os foliões e comprovam a riqueza cultural do estado. Abaixo vou postar duas músicas de Antônio Nóbrega: Coco da lagartixa e Maracatu misterioso. Quem tiver um tempo, ainda que pequeno, não deixe de ouvir essas duas preciosidades rítmicas. Depois prometo mais dois ritmos: um caboclinho e um cavalo marinho, se der ainda posto uma ciranda.

Existe ainda a possibilidade de postar alguns frevos canções muito bonitos. Estão na lista: Último regresso; No cordão da saideira; Madeira que cupim não rói e outros...



Coco da Lagartixa

Antonio Nóbrega

Composição: Indisponível

Eu vi uma lagartixa,
- redondo sinhá,
E ela era comportada,
- redondo sinhá.
Saía à boca da noite,
Chegava de madrugada,
Com a saia na cabeça,
Soluçando embriagada.
Com a saia na cabeça,
- redondo sinhá,
Soluçando embriagada.
- redondo sinhá.

Eu vi outra lagartixa
Num coco de embolada,
Negava ser mulher-dama
Mas depois de três bicadas
Me pegou assim d'um jeito,
Me matou de umbigada!

Eu vi uma lagartixa,
Ai, estava na janela,
Ai, dizendo que era honrada,
Que era moça donzela.
Vi quatro calangos verdes:
Todos eram filhos dela!

Eu vi outra lagartixa,
Essa era uma senhora.
Passava a noite no samba,
Cachimbava a toda hora,
Dizia pro seu marido:
"é duro trabalhar fora!"

Eu vi uma lagartixa,
Que na lagoa morou.
Que sonhava ser princesa
Por um sapo apaixonou-se,
Beijou ele a vida inteira:
Ele não desencantou!

Eu vi outra lagartixa
Tomando banho de açude.
O açude estava cheio,
Fui banhar-me mas não pude,
Ela sujou toda água,
Ainda ficou cheia de grude!

Eu vi uma lagartixa
Enganar pato e guiné,
Teve um filho de uma pulga,
Outro de um bicho-de-pé,
Doze de uma cobra d'água,
Vinte e três de um jacaré!

Eu vi outra lagartixa
Que queria se casar.
Me pediu em casamento
Mas mamãe jurou não dar.
Ela fugiu com papai,
Suas filhas eu fui criar!

Eu vi uma lagartixa
Ai, estava no meio da feira,
Tinha pra mais de cem netos,
Jurava que era solteira.
Perguntei a sua idade,
Me negou a vida inteira!

Eu vi outra lagartixa
Na varanda de um sobrado,
Ela estava namorando
Junto com seu namorado,
Assentada na cadeira
E o rabão dependurado!

Quem 'ver' uma lagartixa
No sertão, mata ou no mar,
Entregue logo pra ela
Um pandeiro ou um ganzá,
Que ela canta esse coco
Do jeito que eu ouvi lá!








Maracatu Misterioso
Antonio Nóbrega

Composição: Antonio José Madureira e Marcelo Varella

Quem, quem vem, quem vem lá?
Quem, quem vem, quem vem lá?
Que cortejo é aquele, senhor?
Vindo aqui perguntar, quem vem lá?


Sou de casa, vim do Norte,
sou bonito, original,
Sou de paz, não sou de guerra,
vim brincar no carnaval.

Quem, quem vem, quem vem lá?...

Eu sou Misterioso
como és Imperial.
Sou Mateus, sou Catirina,
na bexiga eu sou o tal.

Quem, quem vem, quem vem lá?...

Sou o Capitão Pereira,
sou madeira, sou fiel.
Esse boi que chega agora
vem de lá dançar no céu.

Quem, quem vem, quem vem lá?...

Ê boi, ê boi, ê Boi Maravilhoso.
Ê boi, ê boi, venha logo se amostrar.
Ê boi, ê boi, ê Boi Misterioso.
Ê boi, ê boi, chegue logo pra dançar.

O Mundo vai se acabar...

Esse blog é mesmo atrasado. Foi um dos últimos da blogosfera a postar sobre o assassinato do menino João Hélio e agora, depois de semanas, entra no tema aquecimento global. Os que me conhecem de carne e osso sabem que não engulo essa lorota de ambientalistas que talvez tenham o sonho de voltarmos a viver como na Pré-história.

Domingo passado, o Fantástico fez um alarido dos diabos com esse assunto. Simulou uma previsão do tempo no Brasil em 2050, as temperaturas seriam de mais de 40 ° C e haveria até "refugiados ambientais", claro, esse vaticínio trágico só se confirmará, "se nada for feito agora". É uma nova modalidade de terrorismo, o ambiental; ou quem sabe uma nova forma de milenarismo. Como os ambientalistas são especialistas, estudiosos, e eu sou apenas aquele que duvida, vou externar minha resignação com o aquecimento global postando um frevo de Capiba, por favor, escutem, vale a pena.




Ouvi dizer que o mundo vai-se acabar,
Que tudo vai pra cucuia,
O sol não mais brilhará.
Mas se me derem
Um bombo e uma mulata,
E um trombone de prata,
O frevo bom viverá.
Pode acabar o petróleo,
Pode acabar a vergonha
Pode acabar tudo enfim,
Mas deixem o frevo pra mim.

11 fevereiro, 2007

Caso João

Uma pausa na série sobre o Carnaval. Todos estão comovidos com o sofrimento da mãe e do pai do pequeno João, arrastado por malfeitores como se fosse um saco de batatas por 7 km no Rio de Janeiro. Todos estão revoltados com os pulhas que quando são presos expõem aquela cara de coitados da sociedade que tanto Ongs - cuja missão de vida é defenderem os direitos humanos dos bandidos - quanto políticos de esquerda, ou artistas da periferia, gostam de rotular esses meliantes. Se são bandidos, assassinos, criminosos, a culpa é da sociedade que os excluiu, da família desajustada em que cresceram, é minha e sua, uma vez que temos estudo, moradia, alimentação e transporte e eles não tem nada. Se avançarmos mais essas Ongs vão dizer que quem deveria ir para o banco dos réus são os pais do garoto morto em crueldade assíria, e não os meliantes.

A discussão que tomou conta da semana é se o menor que participou do bárbaro assassinato deveria ser julgado como maior. Muitos políticos, autoridades eclesiásticas, representantes de ongs, nenhum, garanto, vítima dessas atrocidades, disseram que não se pode discutir redução da maioridade penal no calor da tragédia. Alguns foram ainda mais insensíveis, disseram que o menor é fruto de uma sociedade excludente, é em suma, antes vítima que algoz desse processo.

Menor ou não, é revoltante que em três anos um dos assassinos seja solto, com ficha limpa, porque cometeu o crime pouco antes dos 18 anos. Não acredito na recuperação desse tipo de gente. O que eles vão recuperar? amor? provaram que não conhecem. Compaixão pela vida humana? nem sabem o que é isso. Respeito pela lei? faz graça. Pessoas que cometem esse tipo de crime são irrecuperáveis, não merece do Estado e menos de nós, a chance que não deram ao pequeno João.

Aqui em Brasilia muitos jovens se envolveram em crimes de similar crueldade e torpeza. O agravante aqui é que muitos dos criminosos têm pais influentes o que aumenta a impunidade. Quando um grupo de capoeiristas espancaram até a morte sem qualquer motivo (mesmo que tivessem não se justificava) um jovem de 29 anos que saía de uma casa noturna escrevi o que a sociedade deveria fazer, uma vez que as autoridades, a lei e o Estado nada fazem. Vejam minha proposta:

A punição não virá da justiça! Essa liberta, facilita, flexibiliza, protege, pessoas que não se incomodam em tirar a vida de gente de bem. A punição deve vir de nós! Da sociedade civil. É preciso banir, repudiar, não admitir o convívio social dessas pessoas. Negar-lhes emprego, direito à diversão, a qualquer tipo de relação social. A imprensa deveria lembrar, divulgar, expor de mês em mês, o rosto, os crimes dessa gente torpe e maldita! Eles precisam carregar consigo essa mancha, e que todos nós, homens e mulheres de bem de Brasília, possamos, assim que tivermos o desprazer de os encontrar nas ruas, de mostrar nossa ojeriza, nojo, vergonha por essa gente ainda circular entre nós. Eles precisam saber que são e serão desprezados, que a simples presença deles provoca repulsa, e que na cadeia ou no presídio eles se sentiriam melhor do que em liberdade, desfrutando da vida que tiraram de suas vítimas inocentes!

Para ler o post original clique aqui

Para ver a cara desses capoeiristas clique aqui

09 fevereiro, 2007

Carnaval de Pernambuco: O melhor do Brasil.

As pontes Maurício de Nassau, Duarte Coelho e Princesa Isabel
sobre o rio Capibaribe; encontro dos foliões na rua do Sol e na Avenida Guararapes

rio capibaribe; rei e rainha do Maracatu; Galo na ponte Duarte Coelho









O JN esta semana fez uma série sobre o Carnaval do Brasil. Na edição de hoje tentou mostrar qual seria o melhor carnaval do país. Essa disputa é injusta e inútil. Inútil porque cada região tem as suas particularidades e injusta porque a rigor essa disputa é de longe vencida pelo carnaval de Pernambuco (hehehehe).

Hoje, 09 de fevereiro, o Frevo comemora 100 anos. No século XIX era conhecido como marcha carnavalesca, mas em 1907 na edição do Jornal Pequeno, periódico da época, recebeu o nome de Frevo. O nome foi uma corruptela da palavra ferver que o povo simples, com seu português gostoso que não macaqueia a sintaxe lusíada - como escreveu Manuel Bandeira em seu Evocação ao Recife - falava “frever”. Daí para frevo foi um passo.

Existem mais de 100 passos nessa dança frenética. Claro que no carnaval a maioria dos foliões não dominam essa variedade coreográfica, mas não precisa. O frevo nas ruas, nas ladeiras e nos clubes, agita a todos, e quem não sabe “frevar” se balança, joga as pernas, os braços e sorri.

Hoje, quando completa 100 anos, o frevo recebe o título do Patrimônio Cultural e imaterial do Brasil. Volta, por iniciativa oficial, a se mostrar para todos os brasileiros. Para os pernambucanos o frevo não é apenas patrimônio, é legado de identidade. Mais do que o Hino de Pernambuco, que aliás é belíssimo, o frevo vassourinhas, é conhecido por todos como uma música que dá rosto à pernambucanidade. Se hoje o Brasil reconhece o frevo como patrimônio após 100 anos de existência, os pernambucanos de todas as idades e gerações já nascem apreciando e se orgulhando do mais genuíno ritmo do carnaval de Pernambuco.

No início do post o hino do mais populoso bloco carnavalesco do Planeta. O Galo da Madrugada. Que reúne nas ruas do Sol e avenida Guararapes 1 milhão e 500 mil foliões. O bloco sai no sábado de Zé pereira e abre oficialmente o carnaval de Pernambuco.

05 fevereiro, 2007

Série carnaval de Pernambuco: Frevo de Bloco




No conto Noites Brancas, de Dostoiewsky, a personagem principal - o sonhador - revela: " Caminhava cantando porque, quando estou feliz, sinto irreprimivel necessidade de cantar em surdina, como todo homem feliz que não tem amigos, nem camaradas, e que, nos instantes de ventura, não tem com quem partilhar a alegria" Pois bem, imbuído desse espírito é que continuo com a Série: Carnaval de Pernambuco.

O frevo de bloco é um dos mais contagiantes ritmos do carnaval de Pernambuco. O Hino do Elefante, que você leitor pode ouvir abaixo, é um ícone desses frevos de bloco. Não importa onde você esteja: em Recife, em Olinda ou no interior, quando os clarins anunciam o Hino do Elefante, os foliões se agitam, e todos, pernambucanos ou não, entoam a letra efusiva e pulam se esprememendo pelas ladeiras de Olinda. Fiquem com a letra e com a música.

Hino Do Elefante De Olinda

Clídio Nigro / Clóvis Vieira





Ao som dos clarins de Momo

O povo aclama com todo ardor

O Elefante exaltando a suas tradições

E também seu esplendor

Olinda esse meu canto

Foi inspirado em teu louvor

Entre confetes e serpentinas

Venho te oferecer

Com alegria o meu amor



Olinda! Quero cantar a ti esta canção

Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar

Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar

Em Olinda sem igual

Salve o teu Carnaval!





04 fevereiro, 2007

Série carnaval



Quando me dei por gente em Recife vivi uma fase em que o Axé Music era uma febre. Os trios e os grupos baianos faziam um estrondoso sucesso comercial pelo país. As letras erotizadas e a coreografia dos grupos que simulavam relações sexuais, caíam no gosto das massas e da elite e invadiam programas de auditório e até programas infatis. Muitos pais viam com graça sua filhas de 4 ou5 anos dançarem na boquinha da garrafa do grupo É O TCHAN que projetou as curvas de Carla Perez, Sheila Carvalho e Sheila Melo.

falava-se à época que o frevo de Recife era uma música velha, ultrapassada e que não mais seduzia os jovens que preferiam o erotismo do axé ao ritmo frenético do frevo. Quem é de Pernambuco sabe o que sente quando escuta os primeiros acordes de Vassourinhas, um sucesso de mais de 60 anos. E aqui está a primeira grande diferença, para o bem ou para o mal, entre o frevo e o axé. Os frevos talvez não rendam hoje dinheiro para artistas e gravadoras, mas ficam na memória do folião e torna-se um elemento de identidade regional. O axé, pelo sucesso que fez e ainda faz, traz retorno financeiro, mas alguém lembra do grande último sucesso do axé? lembra a letra da Dança da Rodinha de Sarajane?

Se hoje o frevo se regionalizou, isto é, ficou cada vez mais restrito a Pernambuco e ao Carnaval, nem sempre foi assim. Nas décadas de 30, 40 e 50, mas também em 60 e 70, o frevo influenciou muitos artistas brasileiros de peso, como Tom Jobim, Chico Buarque, Vinicius de Moraes e baianos como Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Leiam esse trecho abaixo:

"O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas Ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a munir de guitarras seu Frevo Rasgado em plena erupção tropicalista.
A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira/Abel Silva) e a safra nordestina posterior não deixou a sombrinha cair. O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 1980.
Botou uma seleção de estrelas para frevar: de Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença. Entre os citados, Alceu, Zé e Geraldo mais o Quinteto Violado, Lenine, o armorial Antônio Nóbrega e autores como J. Michiles, mantêm no ponto de fervura o frevo pernambucano. Mesmo competindo com os decibéis – e o poder de sedução – do congênere baiano."



Porque é carnaval, Antônio Maria:



Frevo nº 1 do Recife



Ô ô ô ô saudade
Saudade tão grande
Saudade que eu sinto
Do Clube das Pás, do Vassouras
Passistas traçando tesouras
Nas ruas repletas de lá
Batidas de bumbos
São maracatus retardados
Chegando à cidade, cansados,
Com seus estandartes no ar.

Não adianta se o Recife está longe
E a saudade é tão grande
Que eu até me embaraço
Parece que eu vejo
Valfrido Cebola no passo
Haroldo Fatia, Colaço
Recife está perto de mim.


Frevo nº 2 do Recife


Ai que saudade tenho do meu Recife
Da minha gente que ficou por lá
Quando eu pensava, chorava, falava
Contava vantagem, marcava viagem
Mas não resolvia se ia
Vou-me embora
Vou-me embora
Vou-me embora pra lá

Mas tem que ser depressa
Tem que ser pra já
Eu quero sem demora
O que ficou por lá
Vou ver a Rua Nova,Imperatriz, Imperador
Vou ver, se possível
Meu amor.


Frevo nº 3 do Recife


Sou do Recife com orgulho e com saudade
Sou do Recife com vontade de chorar
O rio passa levando barcaça pro alto mar
E em mim não passa essa vontade de voltar

Recife mandou me chamar

Capiba e Zumba a essa hora onde é que estão
Inês e Rosa em que reinado reinarão
Ascenso me mande um cartão
Rua antiga da Harmonia

Da Amizade, da Saudade, da União
São lembranças noite e dia
Nelson Ferreira toque aquela introdução.

03 fevereiro, 2007

Outra nota rápida



O carnaval está chegando e esse blog se renderá aos festejos de Momo. Como estarei aqui em Brasilia, onde carnaval só existe no Congresso, tentarei matar a saudade de Recife postando alguns frevos, maracatus, caboclinhos, cocos e cavalos marinho. Será uma série de músicas típicas do carnaval de Pernambuco. Se ninguém gostar, consola-me a certeza de que ao menos eu irei apreciar.

Não me perguntem as razões dos versos abaixo. Há certas coisas que é melhor ficar subtendidas.

eis os versos de Queixas Noturnas ( Augusto dos Anjos)

(...)
O quadro de aflições que me consomem
O próprio Pedro Américo não pinta...

Para pintá-lo, era preciso a tinta
Feita de todos os tormentos do homem!


Como um ladrão sentado numa ponte
Espera alguém, armado de arcabuz.
Na ânsia incoercível de roubar a luz.

Estou à espera de que o Sol desponte!


Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a Alegria é uma doença
E a Tristeza é minha única saúde.


(...)
Seja esta minha queixa derradeira
Cantada sobre o túmulo de Orfeu;
Seja este, enfim, o último canto meu
Por esta grande noite brasileira!


Melancolia! Estende-me a tua asa!
És a árvore em que devo reclinar-me...

Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Diz a este monstro que eu fugi de casa!




01 fevereiro, 2007

Apenas uma nota.

Minha aposta foi por água abaixo. Arlindo Chinaglia é o novo presidente da câmara e se querem saber, nosso legislativo está à altura de seu mais novo presidente. É a canalha liderada pelo Chinaglia. Acertei sim leitor quando disse que muitos temiam e temem o bolchevismo do PT, mas com o segundo turno o PT foi obrigado a ceder poder, menos mal. Minha aposta era uma torcida, não uma análise, mas na hora H, contou o que sempre conta: as benesses de uma aliança com um candidato governista.

A parte alvissareira dessa eleição foram os 98 votos de Fruet o que mostra uma oposição teoricamente mais organizada e sobretudo os votos em Aldo no segundo turno, 69 votos a mais do que no primeiro.

O parlamento seria subserviente a Lula vencendo Aldo ou Chinaglia, a vitória de Aldo só me traria alegria porque ela incomodaria o PT. Não deu. Querem saber, não foi ruim a vitória do Chinaglia, quando O PT fica soberbo com o poder, geralmente aparece mensalões, dossiês fajutos, cartilhas superfaturadas, máfia de ambulâncias, resta esperar pelo próximo escândalo. Ah, fiquemos atentos e vigilantes contra o perdão a Jo sé Dirceu, de canalha a câmara tem até o presidente.