24 janeiro, 2007

Amigos virtuais? - Inquietações

Quando iniciei o blog não tive pretensões muito grandes, talvez apenas a de ser lido por algumas pessoas, que na minha ingenuidade imaginei que seriam as do meu convívio social. O primeiro comentário que recebi foi de um blogueiro de Minas, professor de Matemática, depois vieram outros, poucos, mas a maioria desses poucos eu nunca conheci pessoalmente.

De uns tempos para cá, alguns desses amigos virtuais têm sido mais próximos, mas hoje, na verdade agora, um pensamento me invade: não é esquisita essa amizade virtual? vejam, não digo que é ruim, mas esquisita. Pessoas que mal sabemos a história, as idéias, pessoas que mal sabemos como são, conversam conosco, trocam mensagens, debatem, discutem, brigam... Não é estranho?

vou postar um poema do Raimundo Correa que revela essas aparências. Que alerta para o fato de não sabermos exatamente o que se passa com o outro. Que nos lembra que a imagem que formamos dos outros pode não ser a verdadeira.

Construi em poucos meses relações muito positivas na Internet, através do blog; relações que em nenhum momento me decepcionaram. Mas refletindo, quem são essas pessoas? o que eu sou para elas? Por que nos identificamos com umas e nos distanciamos de outras? Quando o que sabemos sobre elas, no máximo, é o que está escrito num post ou em um comentário

Por que que alguns nos são inexplicavelmente mais caros do que outros? O que nos leva a considerar a opinião de alguns mais relevante do que a de outros? Por que a ausência de alguns é mais sentida do que a de outros? Quando o que sabemos de todos é tão pouco.

MAL SECRETO - RAIMUNDO CORREA

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

8 comentários:

Cejunior disse...

Sabe que eu nunca tinha pensado nisto ?
É estranho mesmo... Mas acho que também é positivo: são pessoas circulando pela nossa vida, mesmo que do outro lado da rede. Isto pode ser instigante sim.
Um abraço

Ricardo Rayol disse...

cara, sei lá rs.. estou tão acostumado com o mundo virtual que não sinto muita diferença. Mas discordo de ti quanto a conhecer. lendo os blogs conseguimos vislumbrar muito da personalidades, gostos e idéias de quem os escreve.

DELETADO disse...

Eu tb tenho pensado muito nisso ultimamente e aprendi muito aqui.
São mundos diferentes, falta o olho no olho, sempre gostei de falar olhando nos olhos.
Detesto telefone pq me impede de guiar através do olhar.
Devo confessar q encontrei pessoas maravilhosas, provavelmente sorte.
Mas tenho uma amiga aqui na internet, q me disse q a regra #1 é:
"TRUST NO ONE!"

Não deixa de ser um bom conselho, hahahahahahahaha.

Beijos, adorei a poesia do Raimundo Correia, escolhida a dedo para o seu texto!

Beijos
SôniaSSRJ

Suzy Tude disse...

CostaJr, acho que a maioria partilha dessas inquietações a que você se refere.
A rede, pra mim, é como o mundo real: existe gente muito boa, existe pessoas que se revelam incrivelmente maravilhosas e te dão um suporte inesperado, existem surpresas de todo o tipo.
Até hoje tive só experimentei o lado bom, então não posso opinar sobre o outro lado mais áspero. Claro, existem os anônimos invadindo os espaços e ofendendo, mas à eles nem dou crédito, não existem.
Essa amizade virtual é coisa que vamos aprendendo e construindo.
Mas, não deixa também de ser a mais pura verdade essa última estrofe do verso que você colocou:

"Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"

Um abraço

Blogildo disse...

Cara, converso mais com o pessoal da blogosfera do que com meus amigos de verdade. Concordo com você: É esquisito!

Patricia M. disse...

Costa, eu acho que o problema citado nao se restringe a blogosfera. Logico que pode ser intensificado, pelo fato de estarmos distantes uns dos outros, e nao nos comunicando pessoalmente. Concordo com a Suzy, ha pessoas e pessoas, aqui na rede e na vida dita real. E concordo com a amiga da Sonia, a regra basica ate se poder confiar plenamente eh realmente confiar desconfiando. Mas nao fazemos a mesma coisa em estagios iniciais de amizades reais?

Costajr disse...

Não pretendia voltar ao assunto, mas raramente faço o que me proponho, por isso, lá vai: Expus uma inquietação, talvez piegas, sobre amizades virtuais. Como sou neófito nese universo, vejo-o e sinto-o com estranheza, sobretudo porque me acostumei a lidar frente a frente com as pessoas e confesso que fixo mesmo assustado quando gente tão distante, se relaciona como estivesse tão perto.

Se o mundo virtual e o mundo real para muito são a mesma coisa, com os mesmos riscos e satisfações, resta-me habituar-se com essa realidade virtual.

Patricia M. disse...

:-)