29 janeiro, 2007

Meninos, eu vi!

Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Dizia prudente: — "Meninos, eu vi!

I-Juca Pirama - Gonçalves Dias



Esse blog, Notícias do Planalto, só tem um defeito: É pouco lido. Se fosse mais frequentado as pessoas diriam que aqui se vê antecipados muitos dos fatos que vão virar notícia. Não sou profeta, nem tenho ligações com o poder político no Distrito Federal, sem modéstia, como Lula, eu escrevo: Eu tô por dentro das coisas (hehehe)

Aldo Rebelo, com seu jeito manso de falar, expôs em debate com os outros dois postulantes à presidência da câmara, a ferida que machuca a base aliada: a concentração do poder nas mãos do PT. Num post de 17 de janeiro escrevi: "Para muitos deputados, muitos mesmo, o que está interessando é derrotar essa ânsia de poder hegemônico que o DNA bolchevique do PT não consegue esconder." Pois então, leiam o que Aldo declarou no debate: "Não creio que se deva dar mais força a um único partido. Não julgo prudente para o próprio PT a concentração de poder". Viram? É nesta frase que estará a derrota de Chinaglia e da canalha que o apóia. Os petistas sentiram o golpe e reagiram duro, na posição que eles mais gostam, a de vítima. Arlindo, o Chinaglia, respondeu: "O Aldo não fez essa avaliação quando o PT retirou a candidatura para apoiá-lo [em 2005]. O PT sabe abrir mão" Hum... vamos aos fatos: Em 2005 o PT tinha dois candidatos: Virgilio Guimarães do PT de Minas e o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh do PT de São Paulo, os petistas estavam assanhados, mas quem acabou levando foi Severino Cavalcanti, e claro, foi um desastre. Diante da fragilidade política do PT com os casos de ladroagem que muitos membros do partido estavam envolvidos, Aldo Rebelo foi uma solução de conciliação, portanto, o PT não abriu mão, O PT engoliu Aldo para não ser engolido pelos adversários políticos. Essa resposta de Chinaglia é puro vitimismo, é rancor. A verdade queridos é que Aldo sinaliza para os partidos da base do governo que querem repelir a ameaça bolchevique que o PT representa. Os petistas, sentindo o golpe da declaração de Aldo, continuaram reverberando a declaração do atual presidente da casa. Henrique Fonatana, um chinaglia do Rio Grande do Sul e líder do PT disse: "Na minha opinião foi a frase mais infeliz do presidente Aldo." Observe que o petista diz que a referida frase foi a mais infeliz, ele quer dizer que houve outras, esses petistas...

Arlindo Chinaglia vem dizendo que existe muito preconceito e ódio contra o PT. Ele tem razão. Por que será? Esse ódio está nos gabinetes dos parlamentares que se sentem alijados da mamata do poder pela sede petista e não na sociedade ou na imprensa, pelo contrário, muitos jornalistas até vêem com simpatia a missão redentora do PT, mesmo com corrupção e inépcia.

Como dizia no inicio do Post, o blog Notícias do Planalto antecipou o perrengue, sua causa e ainda fez uma aposta: Aldo vence - embora as pesquisas com os parlamentares indiquem vitória de Chinaglia- dá para acreditar em pesquisa que entrevista político? não dá! Por isso repito: Aldo vence, não que eu esteja torcendo pelo comunista, Deus me livre desse pecado, mas na conjuntura é o menos ruim como escrevi em 17 de janeiro: "Hoje apostaria em Aldo. O governo vence? vence. Mas será aquela vitória amarga, constrangedora, cuja comemoração será tímida. O que importa é o PT perder, é a canalha enfiar o rabo entre as pernas, é Dirceu não vislumbrar qualquer chance de anistia, é enfim, que o PT seja derrotado pelos valores democráticos que ele finge defender, mas que na verdade tem ojeriza por eles.

27 janeiro, 2007

Não é assim menina!


Às vezes, reconheço, sou mesmo chato. Serei mais claro: insuportável! Depois reclamo dos poucos amigos que fiz nesses 30 anos de vida. Quem suporta uma pessoa como eu? A família, por falta de opção.

Existe em Brasília, ali na 707 norte, uma universidade chamada Uniceub e que recentemente ostenta com orgulho um reconhecimento memorável: o curso de Direito dessa universidade foi reconhecido pela OAB como sendo um curso de qualidade, além dela apenas a UNB recebeu igual honraria. Aqui no Brasil um curso superior que seja de qualidade é digno de nota, um espanto.

Não quero falar do Uniceub, mas do Ceub, colégio de Ensino Fundamental e Médio que fica ao lado da referida universidade. No final de 2006 a escola espalhou pela cidade toplines, um tipo de outdor, divulgando a escola. Um desses toplines em especial me chamou a atenção. Por quê? porque fica do lado do Uniceub e muito próximo à escola. Imagino que os professores de Química do Ceub quando passam pelo local devem corar de vergonha, e com razão devem vociferar contra a pessoa que teve a estúpida idéia de expor aquela imagem.

A imagem em questão mostra uma menina muito curiosa olhando para um tubo de ensaio e uma frase bombástica: Para descobrir é preciso observar. Hum... vamos ao problema. Reparem como a menina segura o tubo de ensaio. Em qual manual de segurança de laboratório se pede que segure um tubo de ensaio daquela maneira? normalmente usa-se um pinça de madeira, às vezes de metal, e quando usamos os dedos, coisa rara e absolutamente fora dos padrões de segurança, opta-se pela parte superior do tubo de ensaio. Ah Zé paulo, por que isso agora? Calma leitor, explico-me: imagine uma reação exotérmica, daquelas que liberam calor, os dedinhos da menina da imagem estariam agora queimados; ou por outra, imagine uma experiência para obtenção de Sulfeto de hidrogênio (H2S), aquece-se em tubo de ensaio um pouco de tiacetamida em banho-maria e alguns minutos depois percebe-se pelo ar o tal H2S. Como a menina observaria essa experiência segurando o tubo de ensaio daquela maneira? Os professores de química sabem, mas quem faz a propaganda não entende patavina de laboratório de química. Eu acrescentaria ao slogan da imagem o seguinte: para descobrir é preciso antes saber observar.

A democracia segundo Lula, o apedeuta.

Lula é um homem sem falsa modéstia. Em Davos declarou que trabalha para mudar a geografia mundial quando mal consegue mudar o próprio ministério. Em outro momento de indisfarçável imodéstia em Olinda, ele reclamou a um grupo de reitores que lamentava não ter sido reitor. Não, ele não queria ter sido reitor para melhorar a universidade brasileira, isso dá trabalho e de trabalho duro ele quer distância há muito tempo. Mas então ele queria ser reitor para quê? Ora para ser chamado de Magnífico. (Lula, o Magnífico)

Também em Davos, para uma platéia que o ouvia por educação e o aplaudia com evidente protocolo, Lula ao mesmo tempo em que tentava se diferenciar de seu colega bufão Hugo Chavez e do falso índio Evo Morales, defendia-os quando afirmou que a América do sul nos últimos anos aprofunda as políticas sociais e a democracia. Aqui Lula nos dá uma excelente aula sobre democracia.

Quando somos adolescentes, entendemos que a democracia é o governo da maioria. Mais maduros descobrimos que a democracia envolve valores mais complexos e fundamentais, como: eleições livres e limpas, alternância de poder, liberdades individuais, direito à propriedade, liberdade de expressão etc. Ora, com Hugo Chávez, Evo Morales, o PT e alguns esquerdofrênicos que andam por aqui, essa democracia está ameaçada. O x da questão está no que a esquerda entende por democracia.

Quando a Alemanha foi dividida após a II Guerra Mundial, a parte comunista era denominada República Democrática Alemã (RDA), uma democracia de partido único, sem oposição e de assassínio de quem tentasse atravessar o muro de Berlim. A China, de comunistas que adoram o capitalismo, é conhecida como República Popular da China. O povo, essa entidade amorfa e que na China passa de 1 bilhão, participa do governo tanto quanto escolhe seus representantes. Um pouco mais perto, em Cuba, o paraíso utópico da esquerdofrenia, (clique aqui), o povo que pacientemente escuta discursos intermináveis de seu líder,vive em um regime “popular-democrático” há mais de 40. Na ilha a democracia combina com falta de liberdade e de eleições, além é claro, das execuções sumárias de quem ousa pensar contra o regime ou comete o pecado de tentar fugir do paraíso caribenho.

A democracia liberal que muitos enjeitam como se fossem o próprio diabo, garante direitos essenciais. Entre esses direitos fundamentais está a LIBERDADE. A maior prova da excelência desse tipo de democracia está no fato de que muitos anti-democráticos usam as liberdades garantidas pela democracia liberal para, uma vez no poder, solapá-la.

Ao defender Chavez e Evo como exemplos de aprofundamento e consolidação da democracia na América do sul, Lula está mostrando qual o sentido em que ele e o seu partido dão à democracia. Pior para nós.

24 janeiro, 2007

Amigos virtuais? - Inquietações

Quando iniciei o blog não tive pretensões muito grandes, talvez apenas a de ser lido por algumas pessoas, que na minha ingenuidade imaginei que seriam as do meu convívio social. O primeiro comentário que recebi foi de um blogueiro de Minas, professor de Matemática, depois vieram outros, poucos, mas a maioria desses poucos eu nunca conheci pessoalmente.

De uns tempos para cá, alguns desses amigos virtuais têm sido mais próximos, mas hoje, na verdade agora, um pensamento me invade: não é esquisita essa amizade virtual? vejam, não digo que é ruim, mas esquisita. Pessoas que mal sabemos a história, as idéias, pessoas que mal sabemos como são, conversam conosco, trocam mensagens, debatem, discutem, brigam... Não é estranho?

vou postar um poema do Raimundo Correa que revela essas aparências. Que alerta para o fato de não sabermos exatamente o que se passa com o outro. Que nos lembra que a imagem que formamos dos outros pode não ser a verdadeira.

Construi em poucos meses relações muito positivas na Internet, através do blog; relações que em nenhum momento me decepcionaram. Mas refletindo, quem são essas pessoas? o que eu sou para elas? Por que nos identificamos com umas e nos distanciamos de outras? Quando o que sabemos sobre elas, no máximo, é o que está escrito num post ou em um comentário

Por que que alguns nos são inexplicavelmente mais caros do que outros? O que nos leva a considerar a opinião de alguns mais relevante do que a de outros? Por que a ausência de alguns é mais sentida do que a de outros? Quando o que sabemos de todos é tão pouco.

MAL SECRETO - RAIMUNDO CORREA

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

23 janeiro, 2007

O PAC e a Gang.

"Quem é de nossa gang não tem medo"

Bem no começo de 2007 escrevi num post que o tal PAC era mais uma falácia! Hoje, depois de apresentado o tal pacote, a maioria dos analistas, exceção aos que têm almoço pago pelo governo, afirmam com números que as medidas do PAC não garantem crescimento algum. A rigor - e para ser bem chato e acusado pela petralhada de defensor do quanto pior melhor - esse pacote sequer existe. Para que ele exista, os parlamentares precisam aprová-lo, e convenhamos, são tantas as Mp’s que seria um fato inédito, uma espécie de “Nunca antes neste país”, os deputados trabalharem com tanta eficiência assim. Além do mais, com os “filhos” de Lula se engalfinhando na disputa da Câmara, essa necessidade de aprovação rápida simplesmente frustrará o governo.

Tem um petralha que anda invadindo blogs por aí e que assina como Rui. Ele vive defendendo o governo, no que tem direito, e já me acusou de desrespeitar o presidente chamando-o de burro. Diz o petralha: “Lula, embora iletrado é inteligente.” Concordo com Rui, burro sou eu que valorizei a escola e não virei sequer prefeito de quadra. Rui meu caro, Lula não é só inteligente, é um analista ímpar de seu partido, de seu governo e de seus companheiros. Até hoje ninguém melhor do que Lula avaliou tão bem sua "gente". A última dele foi a melhor: citando um compositor da Jovem Guarda, Hervé Cordovil, nosso presidente definiu, ainda que inconscientemente (será?) seu partido e seus companheiros. A análise veio quando ao apresentar o PAC ele declarou que o governo não faria como o personagem da música Rua Augusta , entraria com tudo, a 120, na referida via. Lendo a letra da música encontramos esse refrão:

Hey,hey,Johnny,
Hey, hey Alfredo,

Quem é da nossa gang não tem medo...

Viram? Lula, esse perspicaz homem público, deu a indicação a todos que sabem ler, o que são e como agem seus companheiros de governo e de partido.

A música é um libelo à transgressão das leis, portanto, bem PT. Esse verso: “quem é de nossa gang não tem medo...” é revelador, uma espécie de autoconfissão. Aqui em Brasília tem muitas gangues, mas de longe a mais perigosa é esse que está no governo.

20 janeiro, 2007

Repúdio à pantomima.

Imagino que hoje, na verdade desde ontem, a petralhada e os esquerdofrênicos devem estar se refestelando com a pantomima que o bufão Hugo Chavez promoveu na Alerj (Assembléia legislativa do Rio de Janeiro). O que o bufão fez ontem, liderando uma vaia ao diário O Globo, não foi apenas um ataque à liberdade de imprensa de um veículo de comunicação, mas uma afronta à Constituição brasileira, a mesma que o então deputado Lula e seu partido não assinaram, a cada dia fica mais claro por que.

A história desde o início é estúpida. A homenagem a Hugo Chavez é desproposital não porque ele é de esquerda, cada um com seus defeitos (hehehe), e sim porque em seu país, Chavez cala a oposição, tem um legislativo subserviente e fala sem pejo que não renovará a concessão de uma rede de TV que cometeu o crime de não rezar pela sua cartilha, que é uma mistura de socialismo caduco com caudilhismo puro e simples, recentemente batizado de "socialismo do século XXI". Por que uma assembléia estadual, que em tese, é, de todos os poderes o mais cioso da liberdade, aceita conceder uma medalha a um ditador de araque, um bufão, que levará ou manterá na miséria milhões de venezuelanos?

Um deputado do PDT, um tal de Paulo Ramos, adora conceder medalhas e já estuda repetir a homenagem que ele fez aprovar na Alerj a Hugo Chavez a outros dois ilustres homens: Evo Morales e Néstor Kirchner. Esse deputado eleito pelo povo do Rio de Janeiro não passa de mais uma figura folclórica de nosso quadro político e com suas idéias esquizóides envergonha nossas instituições e nossos valores democráticos.

A Vaia

A galeria da alerj estava cheia, não só de estultos travestidos de militantes, mas de ácefalos que se não tivessem duas mãos para empunhar bandeiras ou língua para repetir palavras de ordem, não seriam mais que vegetais ou ervas daninhas. Quando o bufão Chavez iniciou a vaia, essa espécie de gente que lotava as galerias, em êxtase aplaudia, vaiava, dava urros, muitos sem esconder a origem, relinchavam, junto com o bufão da Venezuela. Uma cena deprimente e que se torna não um símbolo, mas um alerta do que essa gente do PT e os esquerdofrênicos pensam sobre liberdade de imprensa. A liberdade que eles querem é o consenso que eles aprovam, o disenso é uma perrogativa deles, jamais dos adversários.

A repercussão

A Rede Record do Chinaglia PH Amorim, foi a primeira até onde eu sei, a exibir a imagem da pantomima. Fingia fazer jornalismo, exercitava na verdade a prática de achincalhar uma concorrente. Não sei se os diretores de jornalismo da Record querem fazer da emissora um PRAVDA eletrônico do petismo, nisso eles concorrem com a Band, ou acham que uma vez afetada e ameaçada a liberdade, eles passarão incólumes pelo cerceamento à liberdade de imprensa.

Fiquei, como brasileiro, ofendido com a pantomima de Chavez; e como um democrata, absolutamente aturdido com a concessão de uma medalha a um pulha dessa estirpe como Hugo Chavez. Não espero do governo uma atitude de cobrança ao ditador venezuelano, no fundo, eles gostaram da palhaçada, mas espero que os outros poderes da República e a sociedade Civil repudiem e cobrem desculpas de mais um idiota latino americano a governar um país deste continente.

19 janeiro, 2007

Moralidade na Assembléia!


A Assembléia Legislativa do DF foi considerada uma das mais ineficazes e corruptas da federação brasileira. Muitas das leis aprovadas no DF pelos deputado caíram porque eram inconstitucionais, ou seja, nossos deputados distritais não conheciam e não conhecem a Constituição. Entre seus quadros já teve de tudo. Para ficar só na última legislatura, houve deputado acusado de assassinato, como o Adão Xavier que foi cassado; de grilagem de terras, caso do Pmdebista Pedro Passos; e de pedofilia e turismo sexual, como o deputado paraplégico Benício Tavares também do PMDB, que pasmem, era presidente da Assembléia na ocasião.

A nova legislatura se iniciará em breve e embora alguns dos nomes citados acima tenham sido reeleitos, novos deputados podem dar uma alma nova ao poder legislativo distrital. Entre os novatos destaca-se o jornalista e economista José Antônio Reguffe (foto), eleito pelo PDT com quase 26 mil votos o que o tornou o terceiro deputado mais votado do DF. Acostumados a ver políticos prometerem e não cumprirem suas promessas, causa surpresa a ação do deputado que no início do ano encaminhou três documentos à Mesa Diretora da Assembléia renunciando aos dois salários extras de deputado a que tem direito, devolvendo 80% da verba indenizatória e abrindo mão de outros privilégios imorais que nossos ilustres representantes tem por serem deputados.

Acusado de demagogia o deputado Reguffe declarou: "quem dera que todos os deputados fossem demagogos assim". Melhor frasista que Reguffe o jornalista Sérigio Porto já havia dito: "ou nos locupletamos todos ou restaura-se a moralidade"


18 janeiro, 2007

Seis Meses na rede.

Hoje, dia 18 de janeiro, o blog Notícias do Planalto completa seis meses de existência. O blog não traz o número invejável de visitas que outros blogueiros amigos ostentam, os leitores são sábios, não perdem seu tempo com qualquer coisa. O blog também não registra mais do que 16 comentários -recorde- e claro, desses 16, 8 ao menos são meus, outros tantos é de companheiros gentis que praticam a caridade para comigo.

Esse blog nasceu em julho. Eu estava de férias, minha mãe pela primeira vez visitava Brasília, a máfia das ambulâncias ainda era um assunto que indignava sociedade e políticos. Decidi então exercitar minha pretensão de escrevinhador. De lá para cá, algumas coisas mudaram, outras contudo, continuam aborrecidamente iguais.

Há muito tempo, no blog do André Wernner, li sobre algumas manias que as pessoas tinham. Tenho muitas, uma das poucas publicáveis é de reler nos arquivos o que escrevi. O método é assim: publico um post hoje, dia 18 de janeiro, então lá vou eu para todos os posts que fiz no dia 18. Muitas vezes rio do que escrevi, outras vezes coro de vergonha, mas em todas sinto uma satisfação especial.

Quando fiz esse blog imaginei que meus amigos de trabalho, de Recife, meus alunos, prestigiariam esse espaço, ledo engano. Meus amigos do trabalho tem mais o que fazer; os amigos de Recife têm uma vaga lembrança de mim, e os alunos, bem... os alunos têm outras preocupações. Mesmo assim, continuo mantendo o blog por causa de 11 leitores, não refiz o censo, temo que seja 3, e como forma de terminar esse post que comemora essa efeméride, vou publicar um poeminha de Manuel Bandeira, quem quiser faça suas leituras.


Cotovia

— Alô, cotovia!

Aonde voaste,

Por onde andaste,

Que saudades me deixaste?


— Andei onde deu o vento.

Onde foi meu pensamento

Em sítios, que nunca viste,

De um país que não existe . . .

Voltei, te trouxe a alegria.


— Muito contas, cotovia!

E que outras terras distantes

Visitaste? Dize ao triste.


— Líbia ardente, Cítia fria,

Europa, França, Bahia . . .


— E esqueceste Pernambuco,

Distraída?


— Voei ao Recife, no Cais

Pousei na Rua da Aurora.


— Aurora da minha vida

Que os anos não trazem mais!


— Os anos não, nem os dias,

Que isso cabe às cotovias.

Meu bico é bem pequenino

Para o bem que é deste mundo:

Se enche com uma gota de água.

Mas sei torcer o destino,

Sei no espaço de um segundo

Limpar o pesar mais fundo.

Voei ao Recife, e dos longes

Das distâncias, aonde alcança

Só a asa da cotovia,

— Do mais remoto e perempto

Dos teus dias de criança

Te trouxe a extinta esperança,

Trouxe a perdida alegria.



Paulo Henrique Amorim, um Chinaglia!

Não sou formado em Direito. Lá pelos meus 16 anos alguns amigos até me disseram que eu tinha em certo jeito para as ciências jurídicas, mas a vida me fez professor de história. Não tenho procuração para defender ninguém e se tivesse logo perderia o emprego tão falhos seriam meus estratagemas de defesa.

Nunca fui no Blog do Paulo Henrique Amorim, fui agora e vi um sem número de sandices. Acho que nem na página oficial do PT há uma defesa tão contundente do governo Lula e uma crítica tão árida à oposição. O texto, de resto, muito ruim de ser lido, tem algumas pérolas digna do petismo, vamos à elas:

Serra é um economista/engenheiro.

. Não é um líder político. Não é um estadista.

. Entende tanto de liderança política quanto JK entendia de medicina.

. Serra não é o Rudy Giuliani do 11 de setembro.

. Esta hora é grave. A população de São Paulo olha para o céu, com medo da chuva, e, para baixo, com medo do que tem sob os pés.



Serra é um economista/engenheiro", talvez se ele só fosse torneiro mecânico o Paulo Henrique seria mais tolerante com ele.

"Não é um líder político. Não é uma Estadista". José Serra, quer se goste ou não, saiu das urnas com uma votação consagradora, se isso não é liderança política, não sei o que seja. Estadista deve ser Lula, claro! Quem paga o almoço tem sempre razão!

"Serra não é o Rudy Giuliani do 11 de setembro." Aqui o PH Amorim faz uma canalhice e ele sabe que faz. Comparar o desabamento da obra da linha 4 com os ataques de 11 de setembro é de uma canalhice que até o mais canalha dos petistas teria pejo. Quantos foram os mortos na cratera? Qual grupo terrorista assumiu a autoria pelo "buraco de São Paulo?" Oh PH Amorim melhore seus argumentos. Fazer oposição a Serra, ao PSDB, ao PFL a Mãe Joana, é um direito de quem quiser, mas usar esses argumentos falaciosos, apenas para a platéia, não dá!

Agora, a grande pérola, ao menos para mim: "O PSDB sem a privatização é o Catolicismo sem a Eucaristia." O PH Amorim acha que a eucaristia é apenas dos católicos? os bispos da Record não lhe disseram que a Eucaristia é um sacramento cristão? Católicos e evangélicos em seus cultos relembram a Última Ceia que nos cultos recebe o nome de eucaristia. O mais adequado PH Amorim era dizer que PSDB sem privatização é o mesmo que cristianismo sem eucaristia.

Nunca li tanta sandice escrita por um só jornalista. Ao menos quando quiser me divertir já sei o que ler na internet.

17 janeiro, 2007

Alvíssaras!

Pode muito bem ser um pensamento ingênuo que talvez seja ridicularizado pelos fatos. Mesmo assim, ousarei compartilhá-lo com meus 11 leitores. O PT já perdeu o comando da Câmara. A terceira via ajudará? Sim. Mas a derrota virá da coalizão. Muitos parlamentares da base, conforme apurei, fazem o jogo da astúcia, declaram apoio que não se reverterá em votos no dia 1 de fevereiro. Acontecerá algo muito semelhante daquele que levou Severino Cavalcanti à presidência. Hoje apostaria em Aldo. O governo vence? vence. Mas será aquela vitória amarga, constrangedora, cuja comemoração será tímida. O que importa é o PT perder, é a canalha enfiar o rabo entre as pernas, é Dirceu não vislumbrar qualquer chance de anistia, é enfim, que o PT seja derrotado pelos valores democráticos que ele finge defender, mas que na verdade tem ojeriza por eles.

Aldo é lulista, mas hoje, até o momento, Aldo é um lulista magoado. O nosso comunista tem assumido compromissos muito interessantes com a oposição. Ah, mas ele defende os 91% de reajuste, ele vai continuar defendendo, mas não levará a proposta adiante, tenho certeza. Para muitos deputados, muitos mesmo, o que está interessando é derrotar essa ânsia de poder hegemônico que o DNA bolchevique do PT não consegue esconder. O PT irá descobrir, a contra-gosto, que ele não é o único que sabe mentir com desfaçatez e muito menos não tem o monopólio de abandonar os aliados na hora fundamental, melhor do que o PT o PMDB sabe fazer isso com mais competência

Ah Zé Paulo, mas o PMDB está negociando cargos, e por isso se manterá fiel ao governo. Calma lá meus queridos, não generalizem. Quem negocia são 3 ou 4 caciques, não são os 98 deputados do partido. Por isso, nesse momento, se não aparecer qualquer fato novo, o PT pode dizer adeus ao comando da câmara.

16 janeiro, 2007

Esse PSDB... 2

Mais uma vez esse assunto chato. Gustavo Fruet do PSDB do Paraná aceitou ser o candidato da chamada terceira via. Sua candidatura a esta altura pode embolar os planos da Canalha, mas não será suficiente para impedir a vitória do governo.

Analisando os últimos movimentos do PSDB vê-se que em política os maiores inimigos não estão no partido adversário, mas entre os próprios correligionários. Todos os políticos sofrem do mal dos triunviratos romanos, explico-me: quando a república romana vivia seu caos no século I a C, os generais, que na prática mandavam na Roma anárquica, decidiram, coagindo o senado, a formar o governo dos triúnviros. O primeiro deles foi formado por Júlio César, Crasso e Pompeu, homens que se odiavam, resultado: César acabou com os dois, antes de ser eliminado pelos senadores. Depois se formou outro triunvirato dessa vez formado por Marco Antônio, Lépido e Otávio, e mais uma vez o rancor e o ódio entre eles prevaleceu.

O que se percebe no movimento do PSDB é esse espírito do triunvirato romano. Os "alkmistas" e os "serristas" vivem em pé de guerra nos bastidores. Os primeiros fingindo defender a coerência, dizem apoiar a terceira via; o outro, pensando na Câmara paulista, aceitam o nome do PT. Nenhum porém, acredito, pensam na independência do poder legislativo em relação ao executivo, nem no plano federal, nem no estadual. Finalmente, o menino de Minas, que está de férias, recuou do acordo e decidiu apoiar a ala "alkimista" do PSDB, pois viu uma janela de oportunidade para desgastar o nome de Serra que defendeu, pensando em seu quintal, o nome da Canalha.

A sorte de Roma depois do caos do Triunvirato foi a figura de Otávio, cognominado o augusto, será que o PSDB terá o seu Otávio?

15 janeiro, 2007

Esse PSDB...

















Ainda falta muito para a páscoa, mas já temos dois excelentes nomes para a brincadeira do "Judas". Essas duas figuras de cima, cada um à sua maneira, não traíram apenas o PSDB, se fosse assim o mal seria menor, mas traíram 40 milhões de brasileiros que nas urnas optaram por alijar do poder a quadrilha comandada por Lula. O primeiro, "Judaí" Magalhães Jr declarou que a bancada do PSDB apoiará a canalha na eleição da Câmara; o outro, "Pato" Jereissati, está em conluio com Ciro Gomes no Ceará. Com líderes dessa espécie o PSDB aos poucos se transforma numa piada.

Em homenagem a ambos um poema de Cecília Meireles de O Romanceiro da Inconfidência. Qual dos dois foi mais Joaquim Silvério?

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.
Recebeu trinta dinheiros...
- e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glórias, privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!
Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso e impenitente
com teus sombrios mistérios.
(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)

14 janeiro, 2007

Volta e algumas sugestões.

Voltei e o tema ainda é o mesmo de quando parti: a eleição da Câmara. Nos dias que passei na praia "desliguei-me" das notícias. A única coisa que me interessava era se iria chover ou fazer sol. Quando retorno, eis que minha caixa de e-mail foi sufocada pela petralhada mal educada. Recusei todos os comentários, não aceito qualquer tipo de platéia.

Vi que o PSDB na pessoa do líder Juthay Magalhães Jr declarou apoio ao dirceusista canalha, digo, Chinalha. Não entendi. É que quase sempre sou ingênuo. Depois, Tasso do Ceará declarou que esta decisão não é a do partido, convocou uma reunião da cúpula, para quê? Sugiro aos 11 leitores desse blog uma leitura agradável de um rapaz chamado Norbert Rolland que escreveu Roma, democracia impossível ou mesmo um outro livro, este clássico, História de Roma, do russo Rostovtzeff, muito se aprende sobre políticos nesses livros.

Na blogagem coletiva sobre a eleição da câmara, defendi no post não uma terceira via em que não acreditava, mas o próprio poder legislativo. A única saída que vejo para esse acinte que se está arquitetando é a sociedade civil se mobilizar para exigir dos crápulas, sob pena de rebelião ou boicote, uma agenda que atenda aos interesses da sociedade e não dos parlamentares.

Nessas férias li bastante Machado de Assis, e um conto chamado O Alienista é outra sugestão minha. Nessa obra que lemos no Ensino Médio, quer dizer, quando fiz Ensino Médio eu li, hoje em dia os meninos e as meninas lêem bosta selers, quer dizer, best selers que vendem muito, mas deseducam muito mais. Voltando ao conto, há na cidade, a famosa Itaguaí uma rebelião contra a câmara dos vereadores, o líder da rebelião é um barbeiro que atende pelo nome de Porfírio, o povo indignado e unido mostra sua força e destutui os vereadores, claro que depois é traído pelo líder, mas fico com o exemplo da mobilização.

Ainda estou enferrujado, com aquela proverbial preguiça dos baianos, por isso esse textpo deve estar confuso e com muitos erros. Os amigos e os inimigos têm o dever de corrigi-los! Aos poucos vou voltando ao ritmo normal.

06 janeiro, 2007

Até mais!


Este será um post inútil para muita gente, por isso só deve ser lido se você não tiver absolutamente nada para fazer. Não gostaria de saber que você leitor, perdeu o seu tempo ou deixou algo mais urgente para cuidar, por causa desse post.

Estarei saindo (ou seria entrando?) de férias e por longos dias minha única preocupação será a praia, a brisa, a água de coco, essas coisas comenzinhas. Afinal de contas se o apedeuta pode tirar 10 dias de férias por que eu não posso também me dar esse luxo?

Não se zanguem comigo por deixarem vocês nessa hora tão capital para os destinos da república e da democracia; mas acreditem, há pessoas que quando somam, subtraem, e eu pertenço a esse número de pessoas. Deixo a luta por um momento, mas sei que outros bem mais capazes, articulados e eloquentes a continuarão, por isso parto tranquilo.

Se Deus permitir, voltarei para essa arena com espírito mais leve, embora com a pele mais tostada.

05 janeiro, 2007

Liberdade e Independêcia. Sem isso, a morte!

"Pode um deputado pronunciar um discurso, mas o fato de poder proferi-lo não quer dizer que a Câmara a que pertence é solidária com os conceitos que emitiu. Simplesmente significa que a Câmara existe, que é um poder independente e que garante a seus membros a liberdade de palavras e opiniões."
Márcio Moreira Alves

Convocado para uma “blogagem” coletiva sobre a disputa da presidência da Câmara Federal, apresento nesse post minhas armas. Sei que são armas frágeis, débeis e com poder de destruição nulo, antes assim, não tenho pretensões maiores do que a de acordar a cada dia respirando.

Curiosamente, e aqui vai um quê de superstição, havia sonhado um sonho daqueles em que a gente sonha e baba na fronha... pois bem, no sonho, estava eu ouvindo o excelentíssimo senhor Jarbas Passarinho sobre o AI 5. Na minha vez de perguntar a ele, o despertador tocou e eu fiquei sem a pergunta.

Esse sonho me fez voltar ao ano de 1968, ano cheio de simbolismos, ao menos para mim. Naquele ano o governo Costa e Silva enfrentava uma dura e crescente oposição do meio artístico, dos estudantes e da sociedade civil organizada. A situação estava crítica, todos os nervos, principalmente dos militares da Linha Dura, estavam à flor da pele, e então vem um discurso desconcertante do deputado Márcio Moreira Alves que conclamou a sociedade a boicotar a parada de 7 de Setembro e ainda por cima fez um apelo jocoso, que os militares encararam como um insulto, de que as mulheres dos militares parassem de “namorar” seus maridos.

O ministro da Justiça pediu ao parlamento uma licença para processar o deputado. A Câmara, que vivia refém do poder executivo, deveria dar uma resposta rápida a essa solicitação que naquele contexto era mais que um simples pedido, era uma ordem!

Em momentos de crise a altivez impera, pelo menos deveria. Em 12 de dezembro de 1968 o deputado Márcio Moreira Alves, pivô da crise entre o Executivo e o Legislativo, profere um discurso histórico (leia aqui) e nesse discurso mais do que se defender ele defende a LIBERDADE e a INDEPENDÊNCIA do Poder Legislativo. Eram tempos duros, de prisões, torturas e assassinatos, e mesmo assim, numa decisão que deveria orgulhar a Câmara Federal, os deputados enfrentam o Poder Executivo e NEGAM a licença para processar o deputado.

O que essa história tem a ver com a disputa da Câmara? Apenas, meus queridos 11 leitores, que independente de quem vença essa disputa, Aldo Rebelo ou Arlindo Chinaglia, ambos serão submissos à vontade do presidente Lula e isso em plena democracia. Ambos trocarão a altivez de um poder livre e independente, por um poder que diz amém aos desmandos do executivo. Assim nosso parlamento transformar-se-á em mero Colégio Eleitoral do governo. Um candidato independente, que esbraveje contra o agrilhoamento do poder legislativo, pode até mobilizar a opinião pública e os formadores de opinião (e como seria bom que assim se desse), mas será incapaz de vencer o fisiologismo, a insensatez e a cupidez dos deputados alinhados ao governo Lula.

Assistiremos ainda uma vez um parlamento miúdo, de deputados miúdos, que não têm e nem terão dimensão histórica suficiente para entender que foram necessárias revoluções em que muitos perderam a vida, para que ele, o poder legislativo, enfrentasse com altivez o poder despótico dos reis e fosse um dos mais importantes pilares da democracia, desde que exercido com LIBERDADE E INDEPENDÊNCIA!

04 janeiro, 2007

Banco, banqueiro, bancário e sindicalistas salafrários


Até agora nenhum dos blogs que visito se manifestou sobre o assunto, o que para mim é prova indelével da irrelevância do tema, e, se o tema é irrelevante, ele precisar estar publicado aqui.

Milhões de brasileiros acordaram na virada do ano com aquela sensação esquisita de que algo estava fora de lugar ou os efeitos de excesso da bebida ainda não tinham passado. Muitos que saíram às ruas ou acessaram na internet a página do Banco do Brasil, tomaram um susto: O Banco do José Paulo? Da Maria? Do Beto? Do Joaquim? Parecia que de uma hora para outra milhões de brasileiros tinham deixado de ser profesores, operários, serventes, advogados, jornalistas, analistas, estudantes e passaram a ser banqueiros! Vejam bem, queridos 11 leitores, não seria uma má idéia acordar na manhã de 1 de janeiro e se descobrir banqueiro, com essas taxas de juros seria mesmo uma maravilha. A princípio eu achei a idéia brega, cafona, mas depois passei a entender que a estratégia de Marketing do BB foi atingida. Para vocês terem uma idéia, o acesso diário à página do banco na internet era de 500 mil acessos, no segundo dia da campanha, o número de acesso foi de 3 milhões! Esses números atestam que mesmo cafona ou brega, a estratégia funcionou. Quem não deseja ter um banco?

Nem tudo são flores porém. Para variar, o sindicato dos bancários do Banco do Brasil em Brasília fez cara feia para a campanha publicitária do banco. Sindicalista reclama de tudo, só não reclama dos privilégios que têm por serem sindicalistas, mas isso é outro assunto. Por que eles reclamaram? sentem-se para não caírem de tanto rir: publicado no JC online: "Se, para o banco, a campanha é uma forma de estar mais próximo do público, para o Sindicato do Bancários, significa o início de uma tentativa de privatização. A gente sabe que a privatização de uma empresa pública começa com a mudança do nome, mas não sabe, se por trás dessa campanha, que aparentemente é para aproximar o Banco do Brasil do público, não tem uma segunda intenção de privatização, disse a secretária de Políticas Sindicais do Sindicato, Mirian Fochi. Para o Sindicato, designar o Banco do Brasil como Banco do João ou Banco da Maria transmite a idéia de que a empresa é privada. A campanha passa uma idéia de algo privado, e não público. É a descaracterização de uma marca que tem quase 200 anos, e não vamos abrir mão dela. O banco é do Brasil, é do povo brasileiro, e assim ele deve continuar, afirmou.
Os bancários temem que haja nessa campanha o interesse escuso de privatizar o banco. Ah como seria bom se ese interesse realmente existisse. Mas vamos aos argumentos desses patriotas de suas mamatas:

"o Banco é do Brasil, é do Povo brasileiro, e assim ele deve continuar". Eles não ligam a mínima para o fato da campanha durar apenas trintas dias. Querem reclamar, afinal, como justificar o sindicato, o imposto sindical se não for para fazer uma pantomima dessas? queria saber se quando Jorge Lorenzetti, ou Expedito Veloso, ou o ex-presidente do banco do Brasil conseguiram empréstimos para financiar o mensalão de Lula perguntaram ao povo brasileiro se podiam? E aquela festa que custou 500 mil reais para pagar o show de Zezé di Camargo e Luciano com dinheiro do banco, o povo brasileiro, dono do banco, foi comunicado? convidado? O Banco do Brasil é hoje o banco do covil do PT.

Confesso que não tenho paciência com sindicalista e isso não é de hoje, vem desde 1998 quando fui operário numa indústria. Eles sempre pensam em garantir suas mamatas, seus privilégios e se arvoram em defensores dos trabalhadores. Para mim é balela, mas sabe como é, sou direitista, reacionário, conservador e cristão, por isso, sou a encarnação do mal.

É a velha máxima da esquerdofrenia: Privatizar é ruim, estatizar é bom! Lênin pensava assim em... 1917. O que foi privatizado e não melhorou os serviços? Deixe-me me ver: A telefonia. Que é isso amigo, hoje as pessoas podem não tem o que comer, mas celular de cartão e que só recebe, elas têm. então... a Vale do Rio Doce. Mas hoje ela é uma das maiores mineradoras do mundo, e por quê? porque foi privatizada. As companhias de Energia. Essa foi uma péssima privatização. Hum... Vocês não lembram o quanto a energia caía quando elas eram estatais? Sou correntista do Banco do Brasil e por mim ele já estaria privatizado faz tempo.




01 janeiro, 2007

Uma posse ou um funeral?

Não meus amigos, eu não estou preso. Toda a minha indignação e os meus planos de jogar bosta na Geni esmoreceram diante do quadro que vi na Esplanada dos Ministérios. Um céu cinzento, uma chuva intermitente e um comboio de carros pretos deram à posse do apedeuta um ar de funeral. Os romeiros petistas que tentaram emprestar à festa ares de efusividade, mal conseguiam disfarçar uma certa decepção com a natureza. Melhor do que o meu protesto foi o protesto da São Pedro.

Os romeiros do PT e afins estavam lá, como disse. Nos rostos que mirei e nas conversas que ouvi, percebi aquele aspecto e constatei aquele discurso que bem caracterizam esses fiéis do PT. Nos rostos, as marcas de uma vida sofrida e nos olhos aquele êxtase religioso de se estar perto de um mensageiro dos céus! Essa gente simples que tanto se indentifica com o presidente, seja pela história, seja pela gramática; suportou a chuva, os raios; enfrentou as dificuldades de se chegar a Brasília sempre imbuídos do espírito de sacríficio e da confissão de fé no apedeuta.

Dentro do planário da Câmara outro símbolo desse novo mandato: o vazio político. Um plenário esvaziado, apenas com ministros e parlamentares da base governista, ouviram as diatribes de Lula. Foi enfim, uma posse discreta, sem aquele ar de epópeia que marcou a posse em 2003.

Depois de fazer o juramento da Constituição e de assinar o termo de posse, Lula nos brindou, com a competência de sempre, a de no fazer rir, com seu discurso. Prometendo conjugar os verbos acelerar, crescer e incluir, o presidente voltou, com mais cautela é verdade, a prometer amanhãs que cantam. A verdade, aquela nua e crua, é que tudo o que o presidente falou e prometeu, não passa de parolagem. O famoso PAC (Programa de aceleração do crescimento) terá para esse segundo mandato o mesmo efeito que o Fome Zero teve no primeiro, efeito publicitário e alcance prático inócuo. As pré-condições para o crescimento não existem sequer a médio prazo, que dirá a curto prazo. Serão mais 4 anos de muito discurso, muita retórica, de outras tantas pobres metáforas e de nenhuma ação concreta. Oh Zé paulo, diriam os otimistas, você é um daqueles que apostam no fracasso? Não! Respondo. Sou um daqueles que não cai na conversa mole de Lula e que sabe que dentro do governo existe muita sede pelo poder, muito projeto pessoal, e nenhum plano consistente para mudar o Brasil.

Um governo que promete acelerar o crescimento, foi incapaz de fazer a reforma ministerial para esse novo mandato. Eis o maior exemplo dessa parolagem do presidente. Mudar ministros nunca foi o forte de um presidente hesitante, que demonstra ser néscio em tantas coisas, como vai propor, mais, como tem a hipocrisia de prometer acelerar o crescimento, se é incapaz de mudar seus ministros?