16 dezembro, 2006

Os culpados!

Já faz um certo tempo que a decisão está tomada. Queira Deus que eu consiga realizar esse projeto. Vou escrever sobre alguns episódios de minha vida. Não esperem assuntos bombásticos. A vida de pessoas normais como eu, são assim... absolutamente sem graça. Esperem menos ainda, certas confissões de pecados juvenis. Este é um blog familiar. O que vou contar então? Vou contar algumas experiências pessoais que talvez tenham lá certo humor, ou pelo menos agora, depois de muitos anos, parecem engraçadas. Antes, porém, vou explicar como tudo começou. De onde veio essa minha pretensão, não ouso dizer vocação, não tenho o mesmo talento de Clarice Lispector, de escrever certas coisas.

Eu era uma criança pobre, esquálida e feia. Hoje, sou remediado, já apresento indícios de uma certa obesidade e já não horrotizo tanto as pessoas com minha aparência. Pois bem, eu tão carente de atrativos econômicos e físicos, não podia ser mau aluno. Pobre e feio vá lá, isso não se escolhe, mas burro, jamais!

Desde cedo procurava ler os clássicos: Shakespeare, Graciliano, Machado, Dostoievski, Tolstoi, e lia apenas para receber elogios dos mais velhos: “veja, tão jovem e gosta de ler”. Foram tantos os elogios que o que era um comportamento exibicionista, passou a ser um hábito prazeroso. Mais tarde, nas aulas de Redação e Língua Portuguesa, os professores, quem sabe mentindo ou apenas incentivando, diziam que eu levava um certo jeito para a literatura. Acreditando nos professores, passei a escrever contos, livros, poesias, tudo muito ruim, como esse texto que vocês lêem, mas que na época eu achava a coisa mais bonita do mundo. Ainda penso em publicar aqui no blog, alguns contos dessa época, mas uma certa timidez me impede.

Portanto, meus queridos 11 leitores, Se escrevo, se sinto como Lispector, a necessidade vital de escrever, a culpa foi dos meus professores de Língua Portuguesa: D. Niza Galiza Guimarães; Sr. Paulo Bandeira; o querido Sebastião do Amaral Lopes; D. Leoana; D Neuma; Dona Xênia; Sr. Ricardo Medeiros e D Márcia Mendonça.

PS: José Egyto Freire, parece que hoje ele é padre, foi o primeiro grande culpado. Não é que ele emprestava para um pirralho de 12 anos livros de Shakespeare, biografias e outros clássicos? Como eu não tinha máquina de escrever, não é que ele datilografava em máquina elétrica Olivetti meus textos toscos? Meu amigo Freyre que o tempo afastou, foi o primeiro grande culpado dessa minha pretensão em escrever.

2 comentários:

Anônimo disse...

CostaJr., faça um favor, não deixe de colocar seus trabalhos no blog. Vai guardar só para você ? E os seus 11 leitores ? (risos)
Um abração!

David disse...

Conheço essa história, de fio a pavio.
Só que nunca essa outra história produziu nada, por absoluta preguiça.