03 dezembro, 2006

Eles riem da gente!



Cícero Roberto foi meu colega de graduação em História pela UFPE. Hoje, pelo que sei, terminou mestrado em Geografia. Além de um raciocínio lógico que o diferenciava dos demais colegas de turma, Cícero se destacava pelos traços. Chegamos inclusive a escrever um jornalzinho chamado Revu que também contava com a colaboração de outros colegas, como: José Maria, Thiago Pedrosa, Cléber Cavalcante, Josean, Lula Miranda etc. Nesse jornal que durou dois números, Cícero fez uma charge que mostrava alguém defecando na cúpula da Câmara. Essa charge hoje, infelizmente, seria bastante pertinente.

Leio no Correio Braziliense que as empreiteiras foram as maiores financiadoras das campanhas eleitorais para parlamentares. Empresas que têm negócios com o governo doaram milhões de reais para deputados federais e estaduais que disputaram essas últimas eleições. Isso não é ilegal, mas é imoral, portanto, bastante coerente com nosso poder legislativo. Vejam esses números: a FIDENS Engenharia doou no total 2,3 milhões de reais à campanhas de deputados pelo Brasil, é verdade que desse montante, cerca de 60% foi apenas em Minas Gerais. Muito dinheiro? Que nada. Os deputados que se elegem garantem para a FIDENS recursos no orçamento da União. Nesse ano, por exemplo, a Fidens recebeu 65 milhões de reais, segundo o Siafi.

A matéria do Correio tenta nos convencer que essa imoralidade se resolveria com o financiamento público de campanha. Todos os ouvidos, de politicos a cientistas sociais, exaltaram as virtudes desse tipo de financiamento. Tenho dúvidas. Esses números apresentados indicam que o compromisso do deputado não é com seus eleitores, mas com seus finaciadores. A desculpa mais infame e cínica que está na reportagem veio de um coordenador de campanha do PSDB de Tocatins. Vejam o que ele declarou ao jornal: "Você recebe uma doação e fica parecendo que é representante daquele setor. Mas a doação foi feita porque ele (o doador) aprova sua atuação política". Agora a do português.

Na própria matéria essa desculpa cínica é desmoralizada. Um mesmo "doador" financia deputados de vários partidos. Ora, porque financiar deputados de partidos adversários? A FIDENS, por exemplo, financiou deputados dos seguintes partidos: PFL, PSDB, PPS, PTC,PV,PMDB,PP,PL. Alguns disputavam o cargo pela primeira vez. O que existe é bem mais simples: O deputado é fianciado pela empreiteira e se vencer faz lobby oficial para seus financiadores, e assim, caminha nosso país.

Tem mais...

Sou empregado celetista. Muitos que me lêem também. Imaginem se vocês faltarem um dia de serviço e não justificarem a falta? além do desconto naquele dia, a chance de vocês passarem no DP é muito grande. Mas se vocês se tornarem deputados seus problemas acabaram. Nossa Câmara ou penico federal, decidiu abonar 70% das faltas de nossos ocupadíssimos deputados. Foram perdoados, não terão seus proventos descontados, afinal de contas, faltaram porque estavam a serviço da Câmara, ainda que nunca estejam a serviço da nação. O que mais espanta nessa imoralidade toda? A maioria das faltas ocorreram em véspera de feriados ou na quinta-feira, sabe como é, parlamentar trabalha muito: é uma negociata aqui, uma propina ali, dias elaborando uma desculpa esfarrapada para justificar a roubalheira, isso cansa!





9 comentários:

andre wernner disse...

Caro CostaJr.,
Este é o país dos contrastes. Essa postagem é muito importante.
a)- Não existe nenhum compromisso do eleito deputado com o eleitor que lhe conferiu o voto. As promessas começam e morrem na campanha. Fora daí, nada!
B)- As empreiteiras são as maiores interessadas em distribuir dinheiro para essa gente, para garantir o filé mignon das obras e, de preferência, a preços superfaturados...
c)- Outra contradição de político que diz que a empresa tal financia a campanha porque aprova a política do candidato. Pura balela. Ela investe que é para ter a certeza que terá – forçosamente – o seu apoio na hora das liberações de obras. Só por isso. Às vezes, sem sabe que tipo de política o cara faz. Pra eles isso não interessa. É toma lá dá cá e salve-se quem puder...
D)- É, uma put**** franciscana esse negócio de perdoar o ponto dos faltosos do Congresso. Ganham muito bem, faz muito pouco e ainda tem essas mordomias. Isso é um desrespeito com o brasileiro e com o trabalhador, de modo geral, que é penalizado por falta, a menor que seja!
Esse é o Brasil dos aventureiros da política.
E o povão – inculto – reelege e apóia.
Até quando?
Abs

João Bosco disse...

Caro Amigo


Gostaria de parabeniza-lo pelo seu blog, e em especial pela sua proposta.
Quanto se existe uma correlação entre o Luddismo e o "Lullismo", creio que ela realmente existe.
Os membros do MST ou similares, que queimam os centros de pesquisas, podem ser sim ignorantes, mas as cabeças pensantes por trás não.
Estas pessoas são as que realmente temem o avanço cientifico, se este não serve aos seus interesses.
Podemos compará-los aos clérigos radicais islamitas que tanto temem o ocidente.
A liberdade de expressão e a pesquisa cientifica caminham juntas, veja o declínio da URSS, a medicina de Cuba, tão famosa na divulgação, mas sem nada concreto publicado ou testado.
Quanto ao Josias o acho sim, simpatizante do PT, mas não um petralha ridículo destruidor de centros tecnológicos, ou invasor ignorante do congresso.

Anônimo disse...

Vc fez um bom trabalho batendo nessa tecla "SAP" da prostituição entre financiadores de políticos e os mesmos.

Na minha modésta opinião, uma solução para o "pobrema" seria uma Lei q obrigasse o financiador a doar EXCLUSIVAMENTE A 1 PARTIDO E APÓS FAZÊ-LO EM 1 ELEIÇÃO, TERIA Q CONTINUAR EM MAIS 2 ELEIÇÕES!

Assim, ele teria q apostar na vitória de 1 determinado partido e dane-se , se der deu, se não der não deu , e teria q marchar mais 2 eleiçoes para mudar de "candidato".

Anônimo disse...

Fernando Pessoa agradece o elogio e eu concordo com vc.

Pls, continue me chamando de vc, pq sra. me dá arrepios, apesar de ter mais de meio século, ainda não absorvi os anos. E tb não me esforço para trazê-los a tona. Afinal o DESGOVERNO só está distribuindo o "Bolsa Botox" na Granja do Torto !!!!!!

Qt ao fato de gostar de poesia, gosto de tudo q é belo, q me dá prazer, como só tenho garantias de 1 vida, trato de aproveitar tudo de bom q ela tem para me oferecer.

Mas eu não sou fiel a nada nem ninguém, gosto de cinema, teatro, literatura, amigos, bate papos, gastronomia (só sei fazer Miojo), curtir a vida da melhor maneira possível e vou levando....

Apareça sempre !!!!!!!

David disse...

Como já andei escrevendo por aí: o lobby tem que ser legalizado. Já que existe, mas por baixo do pano, tende a ser promíscuo. Que se faça às claras, com comprovação de fundos etc e tal
Claro que é utópico, mas ao menos "amarra-se" uns e outros.

Catellius disse...

Fala CostaJr

Postei em meu blog um texto sobre o incêndio na Biblioteca de Alexandria, que teria sido causado pelos primeiros cristãos, e acuso estes de obscurantistas, especialmente a Igreja Católica.
Gostaria que você comentasse.
Abraços

Ricardo Safra disse...

Caro Costajr

Li um comentário seu sobre o pequeno colóquio que estava em andamento no blog da SSRJ em que você, entre outras coisas, sugere “um demônio totalitário” proferindo “belas palavras de espírito democrático”. Nada contra a liberdade de opinião, ainda mais num meio tão democrático como as infovias digitais, mas é em seu curto texto que eu encontro certo totalitarismo que prediz o sentido do discurso escrito por mim.

Acredito que você não tenha lido integralmente as minhas postagens, por certo muito extensas, contudo, espero que possamos dialogar para que você perceba que o único espírito que repousa em mim é o da coexistência harmoniosa entre homem e natureza.

Um abraço,
Ricardo Safra, estudante de Geografia.

Ricardo Safra disse...

Caro Costajr

Li um comentário seu sobre o pequeno colóquio que estava em andamento no blog da SSRJ em que você, entre outras coisas, sugere “um demônio totalitário” proferindo “belas palavras de espírito democrático”. Nada contra a liberdade de opinião, ainda mais num meio tão democrático como as infovias digitais, mas é em seu curto texto que eu encontro certo totalitarismo que prediz o sentido do discurso escrito por mim.

Acredito que você não tenha lido integralmente as minhas postagens, por certo muito extensas, contudo, espero que possamos dialogar para que você perceba que o único espírito que repousa em mim é o da coexistência harmoniosa entre homem e natureza.

Um abraço,
Ricardo Safra, estudante de Geografia.

Anônimo disse...
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