18 novembro, 2006

Seria tão bom...





Hoje, assim como ontem e antes de ontem, e, segundo a TV, também amanhã e depois, Brasilia em novembro está com o clima de agosto e setembro. Um calor que derrete, um mormaço que não dá ânimo para nada, e eu que sou de Recife, mesmo com os tubarões, sinto uma falta sem tamanho do mar de Boa Viagem ou de qualquer outra praia do litoral de Pernambuco. Nessas horas, onde uma pilha de papéis e compromissos me escravizam, ouço Beatles e recorro a essa utopia em forma de versos escrita por Fernando Pessoa. Ei-la:

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer !
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não !

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


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